segunda-feira, 21 de setembro de 2020

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 12



Estudo bíblico para CEBs

 

Paolo Cugini

1-11. É uma narração sobre a perseguição que se espalhou por toda a Judeia contra os cristãos, não apenas os fieis, mas também os chefes. Mataram Tiago o irmão de João e botaram Pedro, o chefe da Igreja, na prisão. A presença dos cristãos estava incomodando o império romano, que tem poder sobre os homens, mas não sobre Deus. A libertação prodigiosa de Pedro operada por meio de um anjo de deus quer salientar este dato importante: É Deus o Senhor da História, é Ele que decide o rumo da história. O mesmo Pedro fica meio perdido no meio desta libertação prodígios e somente no final percebe que tudo aquilo que estava acontecendo era real. “Agora sei realmente que o Senhor enviou um anjo” (At 12,11). Quantos anjos o Senhor manda na nossa vida para nos libertarmos de situações constrangedoras e não o agradecemos, porque não somos atentos à sua presença e às suas manifestações.

12-19. Cena muito engraçada. Pedro prodigiosamente libertado se dirige de noite numa casa de amigos, que estavam reunidos rezando pela libertação de Pedro. É bonito ver a comunhão da Igreja reunida em oração, lutando contra as forças do mundo não com as armas dele, mas sim com a simplicidade da oração. E assim é tanta a surpresa e a alegria de ver Pedro que, a criada de nome Roda que atendeu a porta esqueceu de abrir e foi logo contar que Pedro estava lá fora! Significativo também que no texto é dado o nome à criada, sinal de dignidade e que na Igreja si vive mesmo aquilo que o Espírito manifesta: a dignidade de todos e todas.

20-23. A morte misteriosa de Herodes, o grande e terrível perseguidor dos cristão, confirma aquilo que acabamos de dizer: É Deus o dono da História. Por isso valem ainda hoje as Palavras de Jesus: “Não tenhais medo dos que matam o corpo e depois disso nada mais podem fazer... Não tenhais medo!” (Lc 12, 4.7). Abraçar a fé em Jesus significa ter a coragem de enfrentar os lobos rapazes deste mundo que não gostam de Deus e dos seus seguidores. É o Espírito Santo, grande protagonista do livro dos Atos dos Apóstolos que estamos comentando, que impele em nós a força e a coragem para testemunharmos com fé a vitória de Cristo sobre a morte.

24-25. “Entretanto a Palavra de Deus crescia e se multiplicava”. Isso quer dizer que apesar dos contrastes e das perseguições sofridas, a Palavra de Deus avançava nos corações das pessoas e provocava mudanças de vidas. Como já vimos na vida da Igreja as perseguições provocam o fortalecimento da comunidade.

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 11

 

        


Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-18. Pedro explica para os apóstolos de Jerusalém o evento de um pagão (Cornélio) batizado. Na primeira fase do cristianismo, como é possível perceber nestes capítulos iniciais, A Igreja de Jerusalém era a mais importante, também porque foi a primeira a ser fundada. Além disso, os apóstolos moravam lá e toda obra missionária tinha sempre como referencia a Igreja de Jerusalém e os Apóstolos. Não de estranhar o fato que os Apóstolos não tinham ainda entendido que a salvação era oferecida para todos e não apenas para os judeus. De fato, o mesmo Jesus em algumas ocasiões tinha falado que Ele foi enviado antes de tudo pelas ovelhas perdidas da casa de Israel (). É nestes contextos que podemos entender a ação do Espírito Santo, que ajuda os cristãos a entender na plenitude a vontade de Deus que se manifestou nas palavras e nas obras de Jesus. A Palavra de Jesus não é morta, um documento do passado, mas viva e eficaz pela ação do Espírito Santo. “Desceu o Espírito Santo sobre eles, assim como sobre nós no principio” (At 10,15).

Esta descoberta manifestada por obra do Espírito Santo ajuda os Apóstolos e toda a Igreja a entender outra grande questão. Os Hebreus não podia comer certo tipo de carne. O fato que os primeiros cristãos eram todos de origem hebraica, fazia com que trouxessem por dentro do cristianismo muitas doutrinas do hebraísmo, entre elas as prescrições alimentares. “Ao que Deus purificou não chames tu de profano”. Na nova Aliança inaugurada por Cristo nenhum alimento é impuro, por isso podemos comer qualquer coisa sem problemas. É estranho, portanto, que depois de tantos séculos tem ainda pessoas que se dizem cristão, que leram estes passos bíblicos e vivem com a proibição de alguns alimentos como a carne de porco. At 11 sobre este assunto é bem claro.

19-26. A comunidade de Antioquia foi fundada com o pessoal que fugiu da perseguição começada na época do martírio de Estevão (Capitulo 7). Podemos mesmo afirmar que não perderam tempo! “Falaram também aos gregos anunciando-lhes a Boa nova de Jesus”. A pregação da Palavra provoca a conversão de muitas pessoas. A Igreja de Jerusalém, que como vimos nesta primeira fase era o centro da vida da Igreja enviou Barnabé para fortalecer o trabalho missionário e Barnabé foi atrás de Paulo em Tarso. É fascinante escutar o testemunho das premerias comunidades cristãs e dos primeiros missionários, que com muito amor e zelo se dedicavam ao anuncio do Evangelho.

27-30. O profetismo é uma característica das primeiras comunidades cristãs. Estes profetas, assim como os profetas do Antigo Testamento, tem um cunho carismático, falam em nome de Deus sob a ação do Espírito Santo, ajudam o povo a interpretar os sinais dos tempos. Neste caso especifico o profeta Ágado alerta sobre uma iminente carestia. Nestes versículos aparece pela primeira vez a palavra: presbíteros, que em grego que dizer anciãos. Estes anciãos são os responsáveis das comunidades cristãs. A função do padre na comunidade é exatamente esta: ser o ancião (presbítero) na comunidade, não no sentido biográfico (idade), mas sim espiritual, ou seja aquele que recebeu o mandato de orientar espiritualmente a comunidade. Quando os nossos irmãos evangélicos dizem que a palavra padre não existe na bíblia é porque não conhecem o grego e nem a história da Igreja. Bastaria somente ler este versículo.

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 10

 

        


Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-33. A conversão de Cornélio, um centurião romano, um pagão, ou seja uma pessoa que não pertencia ao povo eleito, o povo hebraico, não é um simples ato individual, mas tem uma abrangência universal. A conversão de Cornélio é o sinal que em Jesus Cristo Deus decidiu de chamar à salvação todos os povos. É a dimensão universal da salvação. Dai o nome de católica (= universal) à Igreja, frisando este dado importante, ou seja, que o caminho da salvação não exclusivo para alguém, mas é oferecido para todos e todas em Cristo Jesus. Este alcance universal da salvação se deduz da mesma narrativa e de sua insistência nas visões de Pedro e de Cornélio.

Interessante também salientar um dato importante desta narrativa, ou seja, as visões. Pedro e Cornélio recebem visões, nas quais percebem a vontade de Deus. A nossa mentalidade materialista tem dificuldade a acreditar nisso. O fato é Deus que escolhe a maneira de entrar em contato conosco. A Bíblia é cheia de pessoas que recebem a vontade de Deus em sonhos ou em visões. Um exemplo disso é José, o Pai de Jesus. Com relata o Evangelho de Matheus, toda vez que Deus que manifestar a própria vontade para José é através do sonho (Mt 1-3). Sonhos e visões são formas escolhidas por deus de entrar em contato conosco. É claro que para entender isso precisa de uma alma pura, sensível ao chamado de Deus, uma alma que todo dia é acostumada a aprimorar a própria vida interior.

Outro dado interessante da narração: Cornélio envolve toda a família e os amigos para o encontro com Pedro, que teria terminado no batismo. A vida cristã se vive na comunidade e, a verdade do nosso seguimento ao Senhor se mede também na nossa capacidade de envolver as pessoas mais próximas como amigos e parentes.

34-48. A pregação de Pedro não é nada mais que a narração da vida de Jesus, desde o começo até a morte e ressurreição. A pregação começa com a grande intuição que o centro de todo o capitulo 10: “Deus não faz acepção de pessoas, mas em qualquer nação, quem o teme e pratica a justiça, lhe é agradável” (10, 34).

 Pregação muita boa aquela de Pedro, pois desemboca primeiro na descida do Espírito Santo e depois no pedido do Batismo. Palavra e Espirito são os dois canais privilegiados para que o sacramento do Batismo possa brotar frutos de Santidade nas pessoas que o recebem. No texto que estamos analisando o Batismo é a adesão de uma nova vida, uma nova maneira de pensar, que contrasta com o estilo do mundo. De fato, se no mundo as pessoas se separam e dividem em grupos antagonistas, na história que acabamos de ler fica claro que todos somos irmão e irmão, pois ninguém é excluído no Reino de Deus. Pedimos a Deus que nos ajude a viver neste espirito novo.

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 9





Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-19. O encontro de Paulo com o Senhor muda radicalmente a sua vida. E, assim, de perseguidor dos cristãos, se torna o grande Apóstolo e missionário da Igreja a serviço do Evangelho de Jesus. Sem duvida nenhuma a vocação de Paulo nasceu de uma experiência prodigiosa, um chamado forte e claro. Isso não deve tirar nada da dinâmica da vocação. O encontro com Jesus, quando é autentico, deve provocar uma mudança de vida e de atitudes e, ao mesmo tempo, a disponibilidade ao anuncio do Evangelho.

15. “Este homem é para mim um instrumento para levar o meu nome diante das nações pagãs, dos reis e dos israelitas”. Os critérios de Deus escolher não são os nossos, também porque não são méritos humanos, o títulos mundanos que decidem o seguimento à Jesus, mas outros critérios que estão na mente de Deus. A nós cabe apenas escutar o chamado e aceita-lo ou recusá-lo.

18. “Logo caíram-lhe dos olhos uma como escamas”. O processo de conversão é como passar das trevas à luz, é um voltar a ver com olhos novos, é enxergar a realidade com olhos novos.

20-31. O processo de conversão não é imediato, de um dia para o outro, mas a assimilação da novidade do Evangelho, da proposta de vida nova de Jesus exige tempo e dedicação. Paulo, logo a pós o encontro prodigioso com Jesus, passa um tempo refletindo sobre a novidade da proposta do Senhor, e depois foi para Jerusalém a conversar com os Apóstolos do Senhor para melhor entender a proposta de Jesus. Interessante é notar que Paulo não começou a pregar o Evangelho nas sinagogas – eram as capelas dos Hebreus – depois do período de reflexão, mas já neste período. Isso quer dizer que a mesma pregação, o mesmo anuncio do Evangelho faz parte da nossa preparação. Interessante notar que, como aconteceu com Jesus, também Paulo provocou o ódio dos Hebreus que logo se articularam para mata-lo. O motivo deste ódio é claríssimo. De fato, Paulo, não era qualquer um, mas sim um dos discípulos prediletos de Gamaliel, doutor da Lei e muito respeitado pelo povo (cf. At 5,34). A pregação de Paulo estava provocando muita confusão nas fileiras dos hebreus, pois se questionavam como uma pessoa tão culta e esclarecida sobre a Sagrada Escritura pudesse entrar no caminho dos cristãos. O foco da pregação de Paulo era exatamente isso: com a Bíblia na mão, que ele conhecia muito bem, demostrava utilizando os textos do Antigo Testamento, que Jesus era o Cristo (At 9, 22), ou seja, o Messias que os profetas tinham anunciado. Não de estranhar também a resistência dos discípulos de Jerusalém a respeito de Paulo (Versículo 26), porque a fama de grande perseguidor dos cristãos tinha-se espalhado por toda a região.

32-43. Aqui são narrados dois milagres de Pedro. O poder de Jesus de fazer milagres é repassado na primeira geração de discípulos e, em modo especial entre os 12 Apóstolos. Este poder não se encontrará mais nas gerações sucessivas, a não ser em casos especiais. Os milagres são sinais que deviam induzir as pessoas à acreditarem na Palavra anunciada. Hoje somos convidados a realizar outro tipo de sinais para dar força à palavra que anunciamos. São os sinais da comunhão entre nós, da partilha com os mais pobres, do zelo para com as pessoas doentes e idosas da comunidade que oferecem credibilidade à nossa ação litúrgica. 

 

 

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 8

 



Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-3. Interessante observar que a expansão da Igreja não acontece por causa de um planejamento bem estudado, mas por causa da perseguição. A Igreja se estendeu pelas regiões da Judeia e da Samaria por causa da perseguição contra a Igreja de Jerusalém. Esta é a assim chamada a segunda etapa da expansão da Igreja (cf.At  1,8).


4-8. “Entretanto os que haviam sido dispersos iam de lugar em lugar, anunciando a Palavra da Boa Nova”. Os primeiros cristãos transformavam situações humanamente negativas, como uma perseguição, em ocasiões para pregar o Evangelho. Os sinais que os discípulos realizavam se tornavam instrumento de conversão, porque davam valor às Palavras que pregavam. Sem duvida hoje não somos chamados a realizar este tipo de sinais, como cura e milagre, mas outros sinais como a comunhão na comunidade, a partilha com os mais pobres, a gratuidade no nosso serviço. São estes os sinais que rendem visível a Verdade da Palavra que estamos anunciando.

9-25. O caso de Simão o mago narrado neste trecho mostra a realidade religiosa que o cristianismo das origens teve que enfrentar. A magia era o grande cerne da religião, a capacidade de realizar prodígios era o sinal da verdade dos deuses (religião politeísta). A força do Espírito Santo, que na primeira fase da Igreja se manifestou também com sinais e milagres prodigiosos realizados pelos apóstolos e discípulos, provocou rapidamente o fim das religiões milagreiras. O exemplo de Simão mostra também até onde chegava a ignorância religiosa. Foi exatamente a partir deste episodio, aonde Simão tenta comprar com dinheiro o Espirito Santo, que nasceu a palavra simonia, para apontar o comercio das coisas santas que se difundiu no Ocidente medieval na época da construção da igreja de São Pedro em Roma. O episodio nos ensina que os dons de Deus são gratuitos e, para recebê-los, precisamos somente acolhe-los com um caminho de conversão e humildade.

26-35. Filipe, um dos diáconos que foi escolhido para servir as mesas dos pobres (capitulo 6) tinha também o dom da Palavra como Estevão (c. 7). Impelido pelo Espírito Santo se aproximou de um estrangeiro que estava lendo um trecho de Isaias, o capitulo 53, que fala do servo de Deus, mas não estava entendendo nada. “Entende o que lês? Como posso entender se ninguém me explicar?”. É esta a função da uma comunidade: explicar a Palavra de Deus aos fieis. “Abrindo então a boca e partindo deste trecho da escritura Filipe anunciou-lhe a boa Nova de Jesus”. É uma afirmação rica de sentido pela nossa caminhada. Talvez alguém pode duvidar sobre o sentido do Estudo Bíblico que estamos realizando. Alguém pode pensar que seja invenção do padre. Não, não é invenção do padre, é uma necessidade da Igreja, aliás é exatamente aquilo que a Igreja deve fazer: explicar a Sagrada Escritura. É claro que para fazer isso exige conhecimento. Por isso é bom que dentro da comunidade alguém desperte o interesse pelo estudo mais aprofundado da Palavra de Deus para ajudar os outros a entender melhor. O texto que acabamos de ler mostra que as paginas do Antigo Testamento são importante para aprofundar o conhecimento de Jesus, pois o Filho de Deus não veio a toa, mas dentro de um projeto divino que iniciou muitos séculos antes.

36-40. O Batismo é realizado depois de Filipe ter explicado a Sagrada Escritura para o estrangeiro. Isso quer dizer que o Batismo não é apenas um rito formal, mas sim a porta de entrada de uma caminhada de fé à qual devo aderir com todas as minhas forças e, para isso, devo compreender. Por isso a Igreja exige para batizar crianças a participação dos pais e dos padrinhos na caminhada da Igreja, pressupondo neles um certo conhecimento de Jesus e da vivencia na Igreja.

 

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

CARTA AOS ROMANOS CAPITULO 15

 



Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-13. De que fortes Paulo está falando? Sem duvida não está falando num sentido físico, mas sim espiritual. Então com estas palavras Paulo quis dizer que as pessoas que estão mais firmes na caminhada devem ajudar os mais fracos, os recém chegados. Paulo coloca como exemplo desta atitude o mesmo Cristo, que aqui na terra não buscou uma satisfação pessoal, mas pelo contrario, carregou sobre de si os erros de muitos. Nós acreditamos no Deus da perseverança e da consolação, que proporciona um caminho de comunhão e fraternidade, pois a finalidade da caminhada de fé é ter um só coração e uma só voz, ou seja, um caminho de comunhão. Por isso devemos aprender a nos acolhermos um aos outros. O versículo 13 marca o sentido da vida fraterna e a presença do Espírito Santo no meio da comunidade que não faz outra coisa que encher os corações dos fieis e esperança.

14-21. Significativa é a consciência que Paulo tem da própria vocação. Paulo sente-se chamado por Deus a ser ministro, ou seja, servidor da Palavra, do Evangelho. E foi isso mesmo que, como sabemos, Paulo fez ao longo de toda a sua vida, assim como é relatado no livro dos Atos dos Apóstolos. Paulo não enche o peito para se vangloriar de coisas humanas, de ter acumulado outro ou terras, ou por causa de poderes humanos alcançados. Pelo contrário, Paulo estufa o peito para ter servido o Senhor, se colocando como instrumento dócil do Espírito Santo, sendo testemunho de tudo aquilo que o Senhor realizou graça a sua docilidade.

22-33. Paulo partilha os seus planos de viagem. Paulo está pronto para ir para Espanha e passar também por Roma. Porque Paulo quer ir para a Espanha e para Roma? Paulo recebeu do Senhor a missão de levar a Palavra de Deus a todas as nações. Roma, naquele tempo, era a capital do Império Romano, que abraçava todas as nações do mundo conhecido naquela época. Na Espanha existia um lugar que se dizia fosse os confins do mundo. Roma e Espanha, então, na mente de Paulo simbolizavam a totalidade do mundo e, por isso, chegando até lá poderia considerar terminado o trabalho. Sabemos que Paulo conseguiu chegar até Roma, mas nunca foi pela Espanha porque morreu em Roma degolado no ano 64 d.C. Paulo enquanto escreve esta carta se encontra preso na Grécia, aguardando de ser julgado em Jerusalém. Sabemos, também, que durante o processo Paulo se apelou a Roma, sendo ele cidadão romano e, desta maneira, conseguindo fugir das armadilhas dos hebreus que de toda maneira queriam mata-lo. Foi por isso que Paulo chegou em Roma, não com uma própria decisão, mas sim preso para fugir dos hebreus. Os planos de Deus são verdadeiramente misteriosos.

CARTA AOS ROMANOS CAPITULO 16

 



Estudo bíblico para CEBs

 Paolo Cugini

1-16. 21-23.  É uma lista de nomes de pessoas que Paulo encontrou nas suas viagens. Ela lista demostra a humanidade de Paulo e o fato que a missão, não é feita de atos burocráticos, frios, mas sim de relações. Isso nos ensina que a verdade da evangelização passa através da instauração de relações sadias, autenticas. Uma comunidade não é feita de meros atos cultuais, mas de relações humanas. Aliás, podemos afirmar que a verdade do culto celebrado se manifesta na dinâmica das relações que acontecem entre os membros.

17-20. Paulo adverte o pessoal da comunidade para ficar atentos com pessoas que entram na comunidade não para fazer o bem, mas para provocar, e criar escândalos e bagunçar a comunidade. Este tipo de alerta é típica em Paulo (cf. Gal 6, 12-17). Tem sempre alguém que gosta de semear o mal; o importante é cortar logo este tipo de pessoas, não dar ousadia, pois se der, é a comunidade que vai sofrer.

25-27. Texto chamado de “doxologia”, ou seja, de glorificação. São poucos versículos riquíssimos de significado teológico. A mensagem que Jesus Cristo revelou ao longo do seu ministério foi o desvendamento de um mistério que estava envolvido no silencio desde os séculos eternos. Em Cristo este mistério foi revelado e dado a conhecer a todas as nações, com o objetivo de levar todos os povos à obediência da fé. É por isso que devemos dar gloria a Deus (doxologia) que por meio de Jesus Cristo consegue atrair a si todos os povos.

 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

CARTA AOS ROMANOS CAPITULO 9-11





Estudo bíblico para CEBs
 Paolo Cugini

Sendo que nestes capítulos da carta aos Romanos Paulo trata do mesmo tema achamos necessário que nos círculos bíblicos sejam lidos juntos, para não perder o fio da conversa.

9,1-29. O tema destes três capítulos é a conversão de Israel. Paulo tenta responder a um tema importante no debate das primeiras comunidades, ou seja, o destino do povo hebraico, o mesmo povo de Jesus, dos Apóstolos e de Paulo. O problema deriva do fasto que foi o povo hebraico a matar Jesus, o povo que tinha recebido as promessas. Por isso Paulo se pergunta: será que Deus esqueceu as promessas feitas aos patriarcas? Será que Deus é infiel? De jeito nenhum. Paulo faz o exemplo do oleiro para explicar como Deus é capaz de moldar a massa, qualquer que ela seja. Para reforçar esta tese Paulo traz por dentro do discurso algumas citações do A.T.: Is, 1,9; Os 2.

10,1-21. Problema: será que os hebreus não tiveram a oportunidade de ouvir o anuncio da vinda do Salvador? De jeito nenhum! De fato, Paulo mostra como desde o Antigo Testamento muitos profetas anunciaram a vinda do Salvador. “Será que eles não ouviram? Entretanto pela terra inteira correu a sua voz; até os confins do mundo as suas palavras” (10,18).

11, 1-36. É neste capitulo que Paulo dá a resposta clara utilizando a parábola da oliveira silvestre a oliveira cultivada. “Assim aconteceu para que a queda de Israel tornasse possível a salvação para os pagãos e para que Israel ficasse com ciúme”( 11,11). Neste versículo fica clara a posição de Paulo, que ele explica nesta parábola da oliveira. Na oliveira foram cortados alguns ramos e foram enxertados ramos de oliveira selvagem, não deve ser motivo de envaidecimento, pois como Deus cortou os ramos da oliveira boa, pode cortar também os ramos enxertados da oliveira selvagem. Problema: o povo de Israel, que recebeu as promessas pelos patriarcas, será que ficará de fora da salvação pelo fato que no momento presente não reconheceu em Jesus o Messias anunciado pelos profetas? A resposta de Paulo é, como sempre, muito clara: “O endurecimento de uma parte de Israel vai durar até quando chegue a plenitude das nações. Então todo Israel será salvo” (11,25-26). Então para Paulo a desobediência momentânea de uma parte do povo de Israel tem uma finalidade pedagogia para permitir que a salvação chegasse também para os pagãos. E assim, depois que todos os povos reconhecem o Senhor Jesus como único salvador, também Israel reconhecerá Jesus como único mediador de salvação.



quinta-feira, 25 de junho de 2020

Homilia Domingo XVI°/A




Sab 12, 13.16-19; Sal 86; Rom 8, 26-27; Mt 13, 24-43

Paolo Cugini

1. A Palavra de Deus não tem somente um sentido espiritual, mas também existencial. Isso quer dizer que para entendermos o sentido das paginas da Bíblia e, sobretudo do Evangelho, devemos aprender a entrarmos nela com a nossa vida. A final de conta, a Bíblia é uma Palavra que Deus dirige aos homens e mulheres de todos os tempos para salvar-nos de uma vida vazia, perdida. Se as vezes sentimos a distancia entre nós e a Bíblia é porque não deixamos que ela penetre na nossa existência. 

Por isso as vezes, sentimos indiferença no confronto da Palavra, talvez porque achamos que Ela não tem nada pra dizer a nós de importante e por isso não prestamos atenção. Para que a palavra de Deus possa revelar os seus sentidos pela nossa existência, precisa de duas condições essenciais. A primeira é o tempo. É impossível entender algo de profundo da Palavra de Deus se não dedicarmos o tempo necessário. A segunda é a docilidade ao Espírito Santo. É aquilo que nos aconselho são Paulo na segunda leitura de hoje: “O Espírito vem em socorro da nossa fraqueza” (Rom 8, 26). De que fraqueza se trata? Talvez da nossa capacidade de entender, compreender os conteúdos profundos da palavra de Deus. É com estas atitudes que abrimos as paginas da Palavra de hoje e, para agilizar a nossa compreensão, podemos também formular algumas perguntas. De fato, o pano de fundo existencial das parábolas de Jesus que hoje ouvimos, pode ser referido a nossa maneira de criar laços humanos, de fazer amizades. Por isso podemos nos perguntar: quem são hoje os nossos amigos? Quais são os critérios que utilizamos para discerni-los?

2. “Deixai crescer um e outro até a colheita!” (Mt 13, 30).
Na parábola do joio, Jesus pronuncia uma sentença importante. No tempo presente é impossível separar o trigo do joio, porque o perigo imediato seria aquele de arrancar o trigo junto com o joio. Este trabalho de divisão do trigo do joio será feito só no final dos tempos. Qual é o sentido existencial e espiritual destas palavras de Jesus? Jesus está ajudando os discípulos a aprender a conviver com as pessoas ruim. O motivo disso talvez seja contido na outra parábola que Jesus narra hoje no Evangelho. “O reino dos céus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado” (Mt 13, 33).

 Este é o interesse de Jesus: que tudo fique fermentado, ou seja, que nada seja desperdiçado. Por isso Jesus nos convida a aprender a lidar com as pessoas ruim, a rezar e até amar os nossos inimigos, a perdoar sempre, porque a esperança é que tudo se salve, que a semente do Evangelho possa no tempo, nos séculos, fermentar toda a realidade, também a humanidade ruim. Jesus não apenas falou isso, mas viveu aquilo que pregava pelos outros. Olhando a turma dos seus discípulos, Jesus conviveu com pessoas que, enquanto escutavam as suas palavras e partilhavam a sua vida, matutavam outros planos. É o caso de Judá, o discípulo que traiu o Mestre. A mesma coisa podemos falar de Pedro. Apesar de ter sido escolhido como chefe dos discípulos, na hora da perseguição renegou o Senhor por três vezes. Jesus nos ensina que a caridade é paciente, sabe esperar o tempo da passagem do Seu Espírito no coração das pessoas, para que possam mudar. Esta, talvez, seja uma das características da vivencia cristã, que marca a nossa caminhada. Se, de fato, o mundo descarta logo quem julgou que não presta, o cristão sabe que não cabe a ele o julgamento, mas ao Senhor. Tempo presente é o tempo da conversão, da esperança que algo mude. Só Deus conhece os nossos corações, só Ele sabe aquilo que está acontecendo no coração do homem e da mulher. É esta uma grande indicação ao mesmo tempo espiritual e existencial para entrarmos nas nossas famílias, comunidades, grupos de amigos, lugares de trabalho com uma atitude diferente, menos arrogante e mundana e mais cristã e humana, respeitosa dos tempos dos outros.

3. “O reino dos céus é como uma semente de mostarda que um homem pega e semeia no seu campo” (Mt 13, 31).

Também nesta breve parábola Jesus nos oferece um ensinamento de grande importância, que vale a pena salientar. O mundo nos acostuma a pensar que vale somente aquilo que se apresenta com as características da grandeza, aquilo que é deslumbrante. Muitas pessoas fascinadas com esta miragem passam a vida toda sonhado conseguir alcançar objetos de valor, dinheiro, fama, gloria. Jesus com poucas palavras revela que a dignidade de uma pessoa não passa por ai. O reino dos Céus, no qual nós batizados somos envolvidos, é como uma semente de mostarda, ou seja, pequeno e não grande. É a menor semente e não a maior. É escondida dentro da terra e não manifestada perante todos. Quer dizer isso para nós? Que a lógica do reino, a lógica do Evangelho é totalmente diferente da lógica do mundo. Quem busca a Deus com todas as forças, não precisa daquilo que o mundo oferece. A sede do poder, do dinheiro, das coisas materiais são sintomas daquilo que está dentro do coração do homem: não precisa falar, se explicar, se justificar. Aonde é o meu coração lá e o meu tesouro. Se o nosso coração é repleto de Deus e do seu amor, na nossa vida, no nosso dia a dia buscaremos aquilo que é menor, escondido, pequeno. Se o Evangelho está preenchendo a nossa alma, então os nossos desejos serão os mesmo desejos de Cristo, que de rico que era se fez pobre para nos encontrar e que, apesar de ser de natureza divina se despojou disso para encontrar a nossa humanidade. 

O cristianismo, o caminho que Jesus traçou não é um punhado de palavras, mas sim um estilo de vida, uma maneira diferente de viver. E este estilo de vida não se expressa apenas na vida consagrada, mas deve brilhar na vida corriqueira das pessoas casadas em Cristo, nas famílias que tem no Evangelho o programa de vida, nos jovens que anseiam o amor de Jesus, nos adolescentes que estão aprendendo os primeiros passos da vida cristã, nos namorados que desejam viver o amor conforme se manifestou na vida de Jesus. A semente de mostarda que é o Evangelho, que é Jesus, quer transformar toda a nossa humanidade, toda a história e o mundo em amor. E o amor não é vulgarmente exposto ao olhar do mundo, mas é escondido nos pequenos gestos da vida concreta. Por isso precisamos da Eucaristia, precisamos que Deus derrame este amor nos nossos corações, para que aprendemos a conviver com todos, também com as pessoas ruim, esperando no julgamento final. Precisamos da Eucaristia para vencermos as ilusões de gloria e grandeza que o mundo coloca na nossa frente, para continuarmos a almejar a vida escondida de Cristo, que da pequena e humilde cidade de Nazaré, transformou e continua transformando a humanidade toda.




Homilia Domingo XV°/A




(Is 8, 55,10-11;Sal 65; Rom 8, 18-23; Mt 13, 1-23)

Paolo Cugini

1. quem é o cristão e como deve ser o seu relacionamento com Deus? Esta é uma das perguntas centrais da vida cristã, pois esta vida é iluminada pelo relacionamento com Deus e muitas vezes, não sabemos como cultivar, alimentar este relacionamento tão importante. As leituras de hoje vêm ao nosso encontro nos tranqüilizando, pois nos lembram dois dados importantíssimos. O primeiro, é que Deus semeou uma Palavra nos nossos corações, cuja força e efeito é indiscutível e não depende das nossas capacidades humanas de compreendê-la. O segundo, é que cada um de nós foi pensado por Deus desde a criação para acolher a Sua Palavra, para que possa brotar frutos positivos. De uma certa forma, podemos afirmar que fomos criados para brotar frutos de vida autentica, para que a nossa vida se tornasse um espaço claríssimo não apenas da presença de Deus, mas também da sua potencia. É sobre isso que as leituras de hoje tentam de atrair a nossa atenção, para avaliar se é isso mesmo que está acontecendo conosco.

2. “Assim como a chuva e a neve descem do céu para irrigar e fecundar a terra... assim a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia” (cf. Is 55, 10-11).

Estes são dois entre os versículos mais profundos e impressionantes de todos o Antigo Testamento. É nestes versículos que Deus explica, pela boca do profeta Isaias, o porque o homem, a mulher deve prestar atenção á palavra de Deus. Além do mais, nestes dois versículos o profeta Isaias revela a essência da Palavra de Deus. De fato, o profeta nos lembra que a força da Palavra não está no fato que é compreendida por alguém, mas que é acolhida. Parece um jogo de palavras, mas não é. A Palavra que Deus comunicou, tem por si mesma uma força, um poder. A imagem que utiliza o profeta para explicar isso é do mesmo sentido daquilo que utiliza Jesus no Evangelho de hoje para explicar o mesmo assunto. 

A chuva e a neve são dois elementos que servem para irrigar a terra e fazê-la fecundar, ou seja, não são elementos naturais à toa, mas contêm um objetivo especifico. O mesmo fala Jesus no Evangelho, identificando a Palavra com a semente a qual, quando encontra um terreno fértil, produz frutos. Tudo isso é claramente um convite para levar a serio a Palavra de Deus, o Evangelho de seu Filho Jesus, pois aquilo que escutamos são Palavras que contem um poder e uma força indiscutíveis. A Palavra é proclamada para brotar frutos, isso quer dizer que tudo é feito no plano de Deus para que o seu projeto se realize. O amor, a justiça, a paz e a mesma vida que as vezes parecem serem ausentes do convívio humano, mas que qualificam a presença do homem e da mulher na história, se encontram na Palavra de Deus. Se nós entendêssemos isso de verdade, provocaria duas ações. A primeira subjetiva, ou seja, uma importância sempre maior á escuta desta Palavra de vida, para que a nossa vida assuma um valor, um sentido e seja moldada conforme Deus a pensou desde o principio. A segunda resposta seria eclesial. Ou seja, uma Igreja convencida de verdade de ter recebido de Deus a Palavra que salva, que dá vida, sem duvida nenhuma não perderia mais tempo em coisas que não seja o anuncio explicito do Evangelho. Vivemos em paróquias que muitas vezes sabem fazer de tudo, organizar de tudo, mas que não sabem e não conhecem a Palavra de Deus. Isso é terrível! Por isso, o anuncio é fraco e as pessoas não se convertem e continuam vivendo no mesmismo de sempre. O motivo deste desastre espiritual é porque calamos aquela Palavra que deveria ser gritada nos telhados.

3. “A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a Palavra e a compreende. Esta produz fruto” (Mt 13,23).
Versículo simplesmente fascinante. Jesus nos alerta que não basta escutar a Palavra, mas precisamos entendê-la: só assim produz os frutos da qual é capaz. É verdade que, como vimos, a Palavra de Deus tem em si mesma o poder de produzir frutos, só que, para isso acontecer, a Palavra precisa de um terreno fértil: é essa a nossa tarefa. Ninguém nasce já como terreno fértil. Pelo contrario, nascemos como terreno ruim, cheio de pedras, terreno estragado, no sentido espiritual. Ao longo da vida, Deus faz de tudo para provocar a nossa atenção, para que possamos começar a preparar o terreno da nossa vida para acolhermos a semente da Palavra. Uma missa, uma experiência espiritual, o testemunho de uma pessoa, tudo Deus oferece para estimular a nossa atividade, para que possamos trabalhar o terreno da nossa vida para prepará-lo a acolher a sua Palavra. Só assim poderemos compreendê-la, para que brote frutos. 
A Palavra para brotar fruto deve ser compreendida, ou seja, deve estimular a nossa atenção a nossa inteligência para que aquilo que ouvimos dela seja posto em pratica. É assim que a Palavra de Deus se compreende: vivendo-a. Não é um puro esforço mental que o Senhor exige de nós, mas sim a docilidade para obedecer á sua Palavra, para vivê-la, pô-la em pratica. É este o grande segredo da vida espiritual: viver tudo aquilo que ouvimos do Senhor, encarnar as exigências da sua Palavra. Só nesta maneira os dons de Deus, as suas qualidades, entram na história moldando a humanidade, transformando o egoísmo em amor, a injustiça em justiça, a falsidade em Verdade, as trevas em Luz. É isso que a Igreja é chamada a fazer: de um lado semear incansavelmente a Palavra do Senhor. Do outro inventar, criar situações para que as pessoas sintam-se estimuladas a zelar do terreno da própria vida, para rendê-lo dócil e obediente á Palavra de Deus.

4. “Eu entendo que os sofrimentos do tempo presente nem merecem ser comparados com a gloria que deve ser revelada em nós” (Rom 8, 18)
São estas palavras de Paulo que podem nos ajudar no caminho que estamos realizando de vivencia da Palavra. Se as vezes achamos duro de mais aquilo que Jesus nos pede, ou se estamos vivendo situações duras, perigosas por causa da Palavra, ou se as indicações da Palavra estão encontrando resistência na nossa maneira de entender a vida, pensamos á gloria que está na nossa frente e que receberemos pelo fato de termos sidos disponíveis e dóceis ao plano de Deus na historia. Pedimos a Deus neste domingo a humildade de não pensar de sabermos mais do que Deus, para podermos continuar no difícil, mas satisfatório trabalho de preparar constantemente o terreno da nossa vida para acolhermos a Palavra da nossa salvação.










Homilia Domingo XIV°/A tempo comum



(Zc 9, 9-10;Sal 145; Rom 8,9.11-13; Mt 11, 25-30)

Paolo Cugini

1. O cristianismo é sem duvida nenhuma um caminho de salvação que oferece para os seguidores um estilo de vida com valores e atitudes especificas. As leituras deste tempo comum que estamos acompanhando nesta época do ano oferecem varias sugestões para refletirmos sobre a nossa vida cristã, para descobrirmos se estamos seguindo o Senhor, ou se estamos simplesmente disfarçando, querendo ser, mas incapazes de viver como Jesus nos pede por causa da nossa incapacidade de abrir mão daquilo que achamos importante na nossa vida mundana. A vida cristã é uma vida espiritual no sentido que é aberta constantemente á ação do Espírito que ao longo dos anos forma na nossa humanidade os mesmos sentimentos que eram no Cristo (cf. Fil 2,5). Entre estes sentimentos tinha a humildade, a simplicidade, a docilidade á uma Palavra que orienta o caminho. É disso que as leituras de hoje nos falam e que queremos aprofundar para que a nossa vida se torna sempre mais aparecida com aquela do nosso mestre o Senhor Jesus.

2. “Eis que vem o teu rei ao teu encontro, ele é justo e ele salva; é humilde e vem montado num jumento” (Zc 9,9).

Neste versículo do profeta Zacarias é bem claro que já no Antigo Testamento o Messias, na sua realeza, era anunciado como humilde. Este é já um dado repleto de sentido espiritual que merece a nossa atenção. De fato, na profecia de Zacarias é anunciada a vinda de um rei que se apresentará não com pompas e cavalos, mas sim humilde montado num jumento. Poder e humildade que sempre são apresentados como dois elementos antagônicos, neste contexto são apresentados quase como sinônimos: porque? O messias anunciado, o Salvador da humanidade manifestará o seu poder não na forma que o mundo o apresenta, ou seja, com a força e com a arrogância, mas sim com a humildade. É esta maneira humilde de Deus entrar na historia que torna-se sinal evidente da diversidade de Deus no confronto com o poder do mundo. Isso quer dizer que lá aonde encontramos violência, arrogância, egoísmo Deus não é presente. Pelo contrario aonde encontramos humildade, doçura, simplicidade sem duvida Deus é presente. Tudo isso que foi anunciado pelos profetas se tornou bem visível em Jesus que de rico que era se fez pobre (Cf. 2 Cor 8,9), e que não se apegou á sua condição divina, mas se despojou de tudo para se aproximar a nós. Além disso, o Evangelho de João nos lembra que Jesus, na hora em que percebeu que o Pai tinha colocado todo o poder nas suas mão, se ajoelhou e lavou os pés dos seus discípulos. Verdadeiramente o poder de Deus está escondido nos atos humildes do seu Filho Jesus e hoje este poder se encontra todas as vezes que a Igreja se ajoelha para servir os mais fracos, os mais pobres e necessitados.

3. “Eu te louvo, o Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos” (Mt 11,25).

Este é mais um versículo na nova lógica do Evangelho que confunde as nossas idéias. Verdadeiramente para entendermos a proposta de Jesus precisamos de uma conversão, de uma mudança de mentalidade.  É impossível fazer parte do Reino de Deus sem antes se dispor para uma mudança radical. Este é o sentido da docilidade da qual falávamos no começo destas reflexões. Jesus trouxe algo de totalmente novo, totalmente diferente e distante da nossa mentalidade corriqueira para podermos entender o sentido profundo da sua proposta. Porque o Pai escondeu “estas coisas” aos sábios? Podemos tentar uma resposta pensando que Deus não queira que ninguém pense de merecer a salvação. Não existe ninguém no mundo que posa se apresentar perante Deus com ousadia, cobrando dele a salvação. Por isso este mistério da salvação Deus o escondeu aos sábios, no sentido que o Reino de Deus fica fora do alcance das possibilidades humanas e, por isso, é um dom que pode ser somente acolhido. 
A lógica do Reino de Deus não está no mérito, na lógica do mais forte, do mais inteligente. A lógica do Reino de Deus é a lógica da gratuidade, do dom. Somente as pessoas humildes, as pessoas que reconhecem Jesus como o único Senhor da vida percebem nele a fonte da vida e o único caminho da salvação. Por essa razão o caminho que o Evangelho propõe é o caminho da simplicidade, para se tornar como crianças que imediatamente reconhecem o Pai e se jogam nos seus braços. A que serve, de fato, buscar a grandeza do mundo, quando depois se perde a alma! A que serve o poder dos homens, o dinheiro se depois se perde a vida, porque é somente Deus que tem o poder de dar e tirar a vida! Idéias simples como simples é o Evangelho que todo dia nos aconselha de tirar o olhar daquilo que não presta, para aprendermos a fitar o olhar em Deus.

4. “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 28-29).

São lindas estas palavras de Jesus, pois são repletas de humanidade, daquela humanidade que dificilmente encontramos no nosso dia a dia.  São palavras que nos convidam a deixar de lado as preocupações, ou melhor, a entregar nas mãos do Senhor toda a nossa vida. É esta uma grandíssima indicação espiritual. Se tudo vem de Deus e tudo deve ser transformado pela ação do Espírito Santo, então devemos aprender a viver constantemente perante o Senhor, sem nada esconder o guardar somente para nós. Viver perante o Senhor quer dizer transparência, honestidade, sinceridade: todos valores que infelizmente encontramos raramente nos relacionamentos da vida corriqueira. É o Senhor que nos convida a sair da angustias, de uma vida presa em amarguras inúteis, pois Ele é presente na história para aliviar o peso da nossa vida e, ao mesmo tempo, consolar as nossas tristezas. É sempre o Senhor que nos convida a descansar nele, a não considerar a vida religiosa somente nas horas alegres, mas sim a aprender a buscar o Pai quando vivemos mergulhados nos problemas da vida, da mesma forma que Jesus fazia. Aprender a se entregar em Deus, a buscar a sua justiça, a sua misericórdia e compreensão. Fazer a experiência da humildade de coração de Jesus e da sua mansidão, como remédios ao ódio e ao egoísmo do mundo. “Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.