sabato 6 giugno 2026

XI DOMINGO/A

 


 



Êxodo 19,2-6a; Salmo 99; Romanos 5,6-11; Mateus 9,36-10,8

Paolo Cugini

 

Aos domingos do Tempo Comum, refletimos sobre as características que aqueles que seguem Jesus devem possuir. Empreender essa jornada exige disposição para mudar, humildade para nos deixarmos desafiar pela Palavra do Mestre. Não é uma jornada fácil, pois encontramos em nós mesmos resistência à mudança, a dificuldade de uma jornada que requer uma atitude de confiança na Palavra de Deus.

Naquele tempo, Jesus, vendo as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor (Mt 9,36). A primeira atitude interior necessária para seguir os passos do Mestre é aprender a sentir compaixão por aqueles que encontramos em nosso caminho. O anúncio do Evangelho, do novo modo de vida inaugurado por Jesus, não é um ensinamento transmitido de um púlpito, mas é, antes de tudo, a comunicação de vida nova que brota de uma atitude de empatia para com os irmãos e irmãs que vêm ao nosso encontro. Sentir o sofrimento dos outros com o desejo de ajudá-los a caminhar rumo a uma vida plena é o ponto de partida dos discípulos do Mestre, que, vendo as multidões, sente compaixão por elas. Tornamo-nos cristãos e comunidades geradoras, capazes de inspirar processos de mudança, somente se abrirmos nossos corações ao amor do Senhor, à ação do seu Espírito, que nos ajuda a ver os outros com um novo olhar, atentos a eles, desejosos de comunicar vida.

Chamando a si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos para os expulsarem e curarem toda a doença e enfermidade (Mt 9,37). É impossível comunicar a vida se a alma estiver obstruída por realidades contrárias e antagônicas ao amor de Deus. É impossível ser portadores da paz num contexto doente e contaminado pelo ódio. Para proclamar o Evangelho, devemos primeiro limpar o terreno, criar as condições. Um espírito imundo indica uma doença espiritual tipicamente religiosa. A impureza é uma invenção da religião para controlar as pessoas e fazê-las sentir-se indignas de se aproximarem de Deus. Sacrifícios e abluções são todos preceitos realizados pelos homens do templo para subjugar os homens e obter lucro. Não é por acaso que no templo havia um tesouro que recolhia o dinheiro de tudo o que os homens pagavam para realizar os seus ritos e entrar no templo. Jesus declara que este sistema é um fracasso e, consequentemente, capacita os discípulos a libertarem homens e mulheres desta escravidão. Para ajudar as pessoas a se libertarem dos grilhões dos homens do templo, o discípulo deve primeiro se libertar dessa escravidão religiosa. Esse é o poder que Jesus concede aos seus seguidores: ele lhes mostra a grande ilusão e farsa da religião do templo, que, em vez de aproximar homens e mulheres de Deus, os distancia. Jesus demonstra, com seu estilo de vida, com sua vinda entre nós despojado de tudo, que Deus é acessível a todos e não precisa de filtro religioso. Além disso, de que doença e de que curas Jesus está falando? Nesse nível, diversas interpretações podem ser sugeridas com base no contexto em que o Evangelho está sendo proclamado. Em nossa parte do mundo, ou seja, no Ocidente, as doenças que impedem o Evangelho de entrar e frutificar são o apego ao dinheiro, o espírito de comportamento adversarial e a dinâmica meritocrática, que fomenta o individualismo e o desejo de se sobressair aos outros a qualquer custo. Essas doenças precisam ser tratadas, pois impedem a entrada do Evangelho. O que dissemos acima também se aplica aqui. É impossível aplicar essa cura a menos que os discípulos primeiro se deixem curar pelo Senhor, libertando-se da vaidade e da busca ostentosa pela glória humana.

Estes são os Doze que Jesus enviou (Mt 10,5). Passamos de uma vida anônima para uma vida com nome próprio quando respondemos ao chamado do Senhor. Nossa vida é gradualmente moldada à imagem do Senhor, que descobrimos em nossa caminhada e contemplamos a cada dia de nossas vidas. Este é o grande dom que Ele nos dá: a vida! Viver significa nos realizarmos como pessoas capazes de amar. Jesus envia pessoas que, durante a caminhada do seguimento, se tornam pessoas com nome próprio, cuja identidade, dia após dia, se torna cada vez mais conforme ao Evangelho. Aqueles que se deixam transformar pelo amor do Senhor não permanecem mais vítimas do próprio egoísmo, que estimula a busca da autorrealização, mas se abrem à vida nova, à realidade do Reino de Deus. Esta é a tarefa da Igreja, que o é quando faz tudo para compartilhar livremente o que recebeu. Jesus nos chama a nos enviar. A comunidade tem sentido quando se torna um instrumento que gera vida, uma oportunidade que o Senhor coloca no mundo para que todos possam beber da água nova que brota da vida nova da comunidade.

Ao irem, preguem, dizendo: “O reino dos céus está próximo” (Mt 10,7). O reino veio ao mundo primeiro na vida de Jesus e depois na comunidade. A proclamação de uma vida plena pela comunidade deve ser visível em seu estilo evangelístico, que é chamado a demonstrar que existe no mundo uma parcela da humanidade que não é mais dominada pelos mecanismos do poder, do egoísmo e do antagonismo, mas unicamente pelo amor gratuito recebido do Espírito do Senhor. Quando isso acontece, a proclamação do Reino de Deus torna-se uma possibilidade concreta, porque já é visível naqueles que o proclamam.

 

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