sabato 4 aprile 2026

QUARTO DOMINGO DA PÁSCOA








Atos 2,14a.36-41; Salmo 22; 1 Pedro 2,20b-25; João 10.1-10

 

Paolo Cugini

 

O quarto domingo da Páscoa é chamado de Domingo do Bom Pastor, porque vários versículos do capítulo 10 do Evangelho de João são proclamados, nos quais Jesus se proclama o Bom Pastor. A referência bíblica imediata que ecoa essa passagem é, sem dúvida, Ezequiel 34, onde o profeta ataca veementemente os falsos pastores, ou seja, os líderes religiosos do povo de Israel, identificados como os verdadeiros perpetradores da destruição de Jerusalém e do exílio do povo para a Babilônia. Diante dessa situação dramática, as palavras proféticas ressoam, nas quais Deus declara, por meio dos versículos do profeta: " Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei" (Ez 34:9). Nos versículos do Evangelho proclamados hoje, Jesus é apresentado como aquele que cumpre a profecia de Ezequiel 34: vejamos como.

 

 

Na voz de Jesus, ressoa a voz do Criador, chamando cada pessoa à plenitude da vida. Uma garantia de que a mensagem de Jesus é de origem divina é que, sempre que a boa nova é proclamada, em todo lugar, as pessoas reagem dizendo: Eu já sentia essas coisas, eu já as tinha dentro de mim. Agora eu as ouço formuladas. O Evangelho simplesmente formula o desejo de plenitude de vida que cada pessoa carrega dentro de si. As ovelhas escutam essa voz porque reconhecem a voz do Criador, que as convida à plena realização.

O porteiro abre o portão para ele, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as suas próprias ovelhas pelo nome e as conduz para fora (João 10:3). As ovelhas ouvem a sua voz, e as ovelhas são dele; não são falsos pastores que se apoderaram do rebanho, os quais Jesus denunciou como ladrões e bandidos. Elas pertencem ao Senhor; os outros eram meramente servos que se tornaram senhores, roubando o rebanho. Ele chama as suas ovelhas pelo nome; Jesus tem uma relação pessoal com elas. O evangelista se refere ao costume palestino dos pastores que, ao nascerem os cordeiros, davam a cada um um nome que o identificava. Se virmos um rebanho de mais de 150 ovelhas, cada uma é reconhecível para o pastor; uma é a Marrom, ou a Branca, ou aquela com a orelha cortada… ele a chama por esse nome, e a ovelha sabe que é o seu nome; entre todas as vozes, ela reconhece a do pastor. Jesus diz que a relação com ele não é genérica, é individual, e ele conhece cada pessoa com suas características únicas, sua natureza particular. E ele os conduz para fora. O verbo "conduzir" usado pelo evangelista é um verbo técnico que, no Antigo Testamento, indica a libertação da escravidão egípcia, realizada pelo Senhor, para levar o povo à terra prometida. "Conduzir para fora" indica o êxodo. Jesus veio para inaugurar um êxodo, não da terra prometida, que para os judeus significava pular da frigideira para o fogo. O relacionamento com Jesus não é forjado por uma lei, mas por um relacionamento pessoal; Jesus os chama pelo nome; sua voz é a palavra que não se transforma em uma lei que o indivíduo deve observar, mas em um dinamismo vital, que é o seu Espírito, que conhece a singularidade de cada pessoa.

Eles não seguirão um estranho (João 10:5). As ovelhas, o povo, reconhecem a voz de quem as ama, distinguem a voz de quem quer explorá-las e não lhe dão ouvidos. A voz da autoridade instila medo, e o povo não a segue; pode obedecer por medo, mas jamais será convencido. Ele diz: Não seguirão um estranho, mas fugirão dele, porque não reconhecem a voz de um estranho. O evangelista nos mostra um critério para distinguir quando uma voz vem do Senhor e quando não, pois há tantas vozes, tantas propostas e mensagens. Quando uma proposta é feita por meio de obrigações e imposições, não vem de Deus, não importa quem a faça: e as autoridades precisam coagir porque não conseguem convencer. Jesus, justamente por convencer, não coage. Ele coage porque não se convence; se nos convidam para algo belo, não precisam nos coagir com ameaças ou medo, a proposta basta e nós corremos. Em vez disso, há a obrigação ou a ameaça, porque ele não está convencido e não é algo belo. A voz de Jesus, precisamente por convencer, não obriga; sua proposta é: se quiserem, se puderem. Jesus convida, não impõe; as pessoas podem submeter-se por medo, mas não por escolha. Quando finalmente podem escolher com Jesus, dão as costas à instituição religiosa.

Então Jesus disse-lhes novamente: "Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas" (João 10:7). Jesus declara que Ele é a porta das ovelhas (esperaríamos um curral). A era dos currais acabou; aqueles que acolhem Jesus não são colocados em outro curral, mas fazem parte de um rebanho que segue o pastor e, como diz o salmo, os conduz à plena liberdade. É a transição da religião para a fé. Religião é o que o homem faz por Deus; fé é o que Deus faz pelo homem. Na religião, a liberdade do homem é tirada em troca de segurança. O curral é o lugar onde as ovelhas estão seguras, mas não são livres. Esse é o fascínio da religião, na qual se troca a liberdade pela segurança, e uma vez que se entra no mecanismo religioso, tem-se a certeza absoluta de que obedecer é suficiente para estar certo; não se usa mais a própria cabeça. O homem não deve se forçar a amadurecer; deve ser perfeitamente obediente a um superior; não é livre, seguro, mas permanece em um estado infantil. A mensagem de Jesus conduz à plena maturidade e independência de pensamento e ação, sobre as quais Jesus diz: "Eu não sou a porta do aprisco, mas a porta das ovelhas". A antiga aliança cumpriu seu propósito; na nova, o Espírito está repleto de liberdade.

O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância (João 10:10). O Senhor não nos dá uma vida comum, mas uma vida em abundância, tão plena que, no momento da morte, ela a superará e continuará a viver.

 

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