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sabato 4 ottobre 2025

XXVII Domingo do Tempo Comum – Ano C

 




Lucas 17, 5-10 

Paolo Cugini

 

Na jornada de Jesus a Jerusalém, além de proclamar o Reino dos Céus com palavras e ações, percebemos sua intenção de ajudar seus discípulos a fazer uma transição, uma mudança de paradigma: passar de um relacionamento religioso com Deus para um relacionamento de fé, de confiança. Essa transição é crucial, pois impacta profundamente a vida e o desenvolvimento humano de uma pessoa.

Naquela ocasião, os apóstolos disseram ao Senhor: "Aumenta a nossa fé!" O Senhor respondeu: "Se vocês tivessem fé do tamanho de um grão de mostarda, poderiam dizer a esta amoreira: 'Arranque-se e plante-se no mar', e ela lhes obedeceria.

A partir da pergunta dos discípulos, fica claro que eles ainda estão presos a um sistema religioso. A fé, de fato, não é uma questão do que Deus pode dar, nem é uma questão de quantidade. É o amor que o Pai dá, e a qualidade desse dom foi revelada por Jesus. A fé é a resposta pessoal a esse dom do Pai; portanto, não podemos pedir a Deus, mas apenas direcionar nossas vidas para Ele. É por isso que Jesus responde dessa forma, porque, a partir da pergunta deles, fica claro que eles ainda não compreenderam a identidade do Senhor, o significado profundo de Sua proposta.

Qual de vocês, tendo um servo arando ou cuidando de ovelhas, lhe dirá, quando ele voltar do campo: 'Venha depressa e sente-se para comer'? Não lhe dirá antes: 'Prepare-me de comer, cinga-se e sirva-me, enquanto eu como e bebo; depois você poderá comer e beber'?

O problema que Jesus levanta com esta parábola é muito sério, porque põe em questão a forma como vivemos a nossa relação com Deus. Viemos de séculos em que a Igreja nos incutiu deveres, obediência aos preceitos, identificando a nossa relação com Deus com a religião. Assim, dentro deste vínculo, homens e mulheres vivem como servos e não como indivíduos livres. Quantas pessoas vivem mal a sua vida humana porque assimilaram ensinamentos erróneos sobre Deus! Quantas foram doutrinadas, catequizadas, aprendendo a estar diante de Deus com temor e desenvolvendo mecanismos de reverência, com atitudes que mantêm o divino à distância. Esta forma de conceber a relação com Deus ainda hoje se verifica naqueles que vivenciam o sentido do sagrado com atitudes exteriores que indicam distância. Esta é a religião que, quando transposta para o plano existencial, faz com que as pessoas vivam mal, porque o que é percebido como desobediência aos preceitos, às doutrinas aprendidas, é experimentado como sentimento de culpa, que gera mal-estar e necessidade de reparação. Não é por acaso que o sistema de confissão devocional se desenvolveu justamente na Idade Média, para ajudar os religiosos a encontrarem paz com seus sentimentos de culpa. Jesus, porém, nos mostrou o rosto paterno de Deus, que não quer servos ao seu redor, mas filhos. Enquanto o servo vive como escravo, a criança vive em liberdade. Os religiosos têm pavor da liberdade, mesmo que a desejem, mas estão muito presos à teia de leis e decretos em que vivem sua relação com Deus. A liberdade é a essência da imagem de Deus que nos foi dada e é o que define nossa vida como humanos.

Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes foi ordenado, digam: ‘Somos servos inúteis; fizemos apenas o que era nosso dever.

A novidade de Jesus é que Ele não pede para ser servido, mas se coloca a nosso serviço. É o que acontece na Última Ceia, quando Ele se levanta e começa a servir os discípulos, lavando-lhes os pés. Aqueles que não acolhem o dom do amor e não respondem com uma atitude de liberdade para com o Senhor permanecem na condição de servos. Este é o caminho que somos chamados a empreender. Um caminho difícil, porque devemos nos libertar da escravidão das doutrinas e da religião dos preceitos. Difícil, mas possível. Jesus não impõe, mas oferece: cabe a nós empreender este caminho de libertação, que é ao mesmo tempo um caminho de humanização. 

sabato 24 agosto 2024

DOMINGO XXII/B

 




(Dt 4,1-2.6-8; Sl 14; Tg 1,17-18.21b-22.27; Mc 7,1-8.14-15.21-23)

 

Paulo Cugini

 

      Homem e mulher buscam a religião para dar sentido à vida, pois, ao longo do caminho, percebemos que a vida não tem sentido quando se baseia apenas em coisas materiais. Precisamos de significados que vão além dos dados sensíveis, que orientem a existência dando-lhe sabor, um significado profundo. Pois bem, a religião costuma oferecer esses conteúdos que ajudam a humanidade a caminhar com a mente aberta e voltada para o céu. Porém, não basta seguir uma religião para se sentir feliz, para ter sentido na vida. Isto é o que Jesus parece nos dizer no Evangelho de hoje. Há caminhos que se passam por realidades que vêm de Deus e, pelo contrário, nada mais são do que necessidades humanas. Se por um lado é importante e correto tentar dar sabor à existência através dos conteúdos de uma religião, por outro é preciso ter cuidado para não correr o risco de orientar a vida por caminhos negativos, que em vez de ampliarem o sentido do caminho, diminuem-no. Como você entende se o caminho percorrido é o certo? Há algum critério?

Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram,
ensinando doutrinas que são preceitos de homens.” Ao negligenciar o mandamento de Deus, observais a tradição dos homens
 (Mc 7, 6-8).

      Diante da censura dos fariseus aos discípulos de Jesus, que comiam com as mãos sujas, o que para eles significava mãos impuras, Jesus oferece uma resposta cheia de indicações importantes. Os fariseus referem-se aos capítulos do livro de Levítico que falam dos critérios que indicam a impureza de uma pessoa, alimentos e animais que não podem ser consumidos. Segundo Jesus, essas indicações, apresentadas como palavra e vontade de Deus, nada mais são do que acréscimos, preceitos e doutrinas de homens. Existe, portanto, uma religião que é feita de doutrinas humanas e negligência o mandamento de Deus. A consequência é muito grande. De fato, quem segue as doutrinas e tradições inventadas pelos homens torna-se uma pessoa dura, rígida, intransigente, como neste caso específico o são os fariseus para com os discípulos de Jesus. Quem segue o mandamento de Deus, que é o amor, orienta a vida. atenção aos outros, especialmente aos mais pobres; aprenda a compartilhar o quão pouco ou quanto você tem; aprende a perdoar porque se sente continuamente inundado pela misericórdia de Deus. A observância escrupulosa da doutrina dos homens e a obediência ao mandamento de Deus geram, portanto, dois estilos de vida muito diferentes. O critério que Jesus oferece para compreender se uma palavra ou um preceito vem de Deus ou é algo que vem dos homens é o amor, que se traduz na busca de relações humanas autênticas, no esforço de construir pontes de paz e de igualdade, na atenção constante até os últimos.

Ouça-me tudo e entenda bem! Não há nada fora do homem que, ao entrar nele, possa torná-lo impuro. Mas são as coisas que saem de um homem que o tornam impuro. E ele disse [aos seus discípulos]: «Porque de dentro, isto é, do coração dos homens, vêm as más intenções: impureza, roubo, assassinato, adultério, ganância, maldade, engano, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, loucura. Todas estas coisas más saem de dentro e tornam o homem impuro ( Marcos 7, 14-23 ).

    As palavras de Jesus aos discípulos são uma indicação para quem pretende empreender um caminho de fé, de confiança na palavra do Senhor. Partimos de dentro, da consciência, da verificação do que está dentro de nós. Se, como Jesus declarou, não são as coisas externas que tornam o homem e a mulher impuros, isto é, que impedem o relacionamento com Deus, isso significa que o ponto de partida do trabalho espiritual é a vida interior, é o cuidado da alma, libertá-lo dos resíduos criados pelos instintos, que geram um estilo de vida baseado no egoísmo e que leva a relações humanas prejudiciais.

Aceite com docilidade a Palavra que foi plantada em você e pode levá-lo à salvação. A religião pura e imaculada diante de Deus Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas que sofrem e não se deixar contaminar por este mundo (Tg 1, 27).

Abram espaço à Palavra do Senhor para que, vivendo-a, purifiquemos a nossa consciência de toda forma de egoísmo. É a Palavra de Jesus que nos empurra para o outro, para os pobres, para um caminho de vida marcado pelo amor desinteressado e livre. Esta é a verdadeira religião, aquela que Jesus nos ensinou com as suas palavras e a sua vida e que nos transmitiu com o seu Espírito.

 

sabato 3 luglio 2021

JESUS VEIO PARA NOS LIBERTAR DA RELIGIÃO

 



DOMINGO XIV / B

(Ez 2, 2-5; Sal 122; 2 Cor 12,7-10; Mc 6: 1-6)

Paolo Cugini

 

A liturgia de hoje nos propõe uma reflexão sobre algumas questões interligadas, relacionadas com a dificuldade que Jesus encontra em seu ministério e, em geral, as dificuldades enfrentadas por aqueles que desejam orientar espiritualmente suas vidas , tendo Deus e Sua Palavra como um ponto de referência. É uma dificuldade que não diz respeito a um povo específico ou a um período histórico específico. Na verdade, é um problema que encontramos em todas as épocas e em todos os tempos. Certamente, a resistência que Jesus teve de registrar contra sua proposta é notável, especialmente por parte daqueles que deveriam ter aceitado esta proposta, isto é, os religiosos.

   “ Quando chegou o sábado, ele começou a ensinar na sinagoga. E muitos, ouvindo, maravilharam-se e disseram: «De onde vêm estas coisas? (Mk 6,2). No Evangelho de Marcos, Jesus entra na sinagoga três vezes. Na primeira, foi interrompido. Na segunda, piorou porque tentaram matá-lo, porque Jesus curou uma pessoa no dia de sábado, despertando a ira dos fariseus. Para Jesus, o bem da pessoa vem antes da observância da lei; na verdade, a observância das leis de Deus está a serviço do bem das pessoas. A terceira vez, corresponde ao episódio do Evangelho de hoje e temos todos os pressupostos positivos de um encontro que deve correr bem pelo facto de ir a Nazaré, que é a sua terra natal, entre os seus familiares e amigos. Mas, mesmo aqui, Jesus encontra forte resistência, porque seu ensino não é como o dos escribas, que repetem fórmulas e realizam rituais pré-estabelecidos sempre da mesma maneira. Pelo contrário, o ensinamento de Jesus é a proposta de uma nova relação com Deus, que não se baseia na observância de suas leis, mas na aceitação de seu amor, o que exige novas relações com os irmãos e irmãs da comunidade. É justamente essa novidade que surpreende os que estão na sinagoga, a ponto de questionar seu ensino. "De onde vieram essas coisas?" Pergunta que diz todo o cepticismo em relação às palavras de Jesus, questiona-se a proveniência divina e a procura do ambiente de proveniência da sua doutrina indicada como feitiçaria. A referência, de fato, às mãos - os prodígios como os executados por suas mãos - indica uma origem mágica ou mesmo da bruxaria e, conseqüentemente, uma pesada acusação de impostor, vigarista, quem quer chamar a atenção das pessoas enganando-as com truques. Os homens da sinagoga, da religião do templo, incomodam-se com a forma gratuita e desinteressada da ação do Mestre Jesus, atento aos fracos, que dá lugar aos pobres. Muito pelo contrário, dos líderes religiosos, interessados ​​em dinheiro, gostavam de serem homenageados pelo povo, e vestiam-se de maneira luxuosa. O estilo de Jesus desmascara a hipocrisia dos líderes religiosos que, para se defenderem, não têm outro meio senão a calúnia e a mentira.

Não é ele o filho de Maria? ...". Mesmo que Jesus esteja em seu país e por isso seja conhecido, os líderes religiosos não o nomeiam, pelo contrário, o insultam. Na verdade, ao chamá-lo de filho de Maria, os líderes religiosos insinuam que Jesus, por um lado, não é digno de seu pai e, por outro, é uma pessoa ruim. Nunca em Israel um homem se define como filho da mãe, mas sempre do pai, em virtude da cultura patriarcal que considerava o homem como verdadeiro e autêntico transmissor da paternidade.

« O profeta não é desprezado senão na sua pátria, entre os seus familiares e na sua casa ». Este é o problema básico. Na verdade, Jesus não se identifica com o sacerdócio, que era dominante em sua época. Jesus identifica a sua pessoa e a sua missão na linha profética, no caminho de quem viveu a religião, na relação com Deus não como uma profissão, ou como um conjunto de preceitos a serem obedecidos, mas como uma profunda experiência de amor com o Mistério, que eles tentaram transmitir aos seus discípulos.

“ E lá ele não podia fazer milagres ”. A conclusão é terrível e muito triste. Onde há religião, Jesus não pode se manifestar. Onde o relacionamento com Deus é mediado por ritos, doutrinas e dogmas que não conseguem captar o verdadeiro bem das pessoas, Jesus e seu espírito não podem agir. A tarefa da Igreja, então, é libertar os homens da religião, ajudá-los a entrar numa profunda relação de confiança com Deus, num estilo de vida essencial e simples, um autêntico sinal da presença do Deus de Jesus Cristo no mundo.

 

domenica 26 aprile 2020

CARTA AOS ROMANOS CAPITULO 4




Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-12. No capitulo 4 Paulo busca demostrar na Escritura a tese que ele apresentou nos capítulos precedentes, ou seja, que a salvação é um dom gratuito que Deus operou através da morte do Seu Filho Jesus. É neste capitulo que Paulo apresenta o exemplo de Abraão, o qual se tornou justo não por causa das próprias obras, mas sim por causa da fé dele em Deus. É isso que a Escritura sustenta: “Abraão teve fé em Deus e isso lhe foi creditado como justiça” (Gen 15,6). Por isso somos felizes pelo fato que Deus nos tornou justos, dignos de salvação, não pelos nossos méritos, mas sim, pelo sangue de Cristo. O problema nessa altura é demostrar que esta salvação é para todos os povos e não somente para o povo hebraico. Demonstração delicada porque Paulo utilizou como exemplo o mesmo Abraão que pertencia ao povo Hebraico. Segundo Paulo, que como sabemos era um grande conhecedor do Antigo Testamento, esta demonstração é muito fácil. De fato, Abrão quando aceitou as promessa de Deus (cf. Capitulo 15 do livro do Genesis) ainda não era circuncidado, ou seja, ainda não tinha realizado o rito de pertença do povo Hebraico. Isso quer dizer, que no momento das promessas de Deus, que Abraão aceitou por fé, ele era nada mais que um pagão. Desta forma o mesmo Abraão se tornou pai na fé não apenas do povo Hebraico, mas também de todos os povos pagãos.
13-17. As promessas de Deus seriam anuladas se dependessem de uma justiça humana, de um esforço humano, fruto de uma observância externa da Lei. \por isso Paulo reitera mais uma vez que a justiça vem através da fé e isso é importante porque marca o dado da gratuidade, para que ninguém possa encher o peito perante Deus, e pensar que mereceu a salvação por causa das próprias forças. Como já vimos o tema da gratuidade no pensamento de Paulo é fundamental, porque deveria ser a característica da vida cristã. Se de graça recebemos – afirma Paulo na segunda carta aos Coríntios – de graça devemos dar. A vida gratuita é o marco caraterístico da comunidade cristã dentro do mundo caraterizado pelo egoísmo e a ganancia.

18-25. Aon de é que podemos perceber a força de Abraão? No fato que, apesar da fraqueza do corpo – ele tinha 100 anos quando recebeu as promessas de um filho e de ser pai de uma grande multidão, e a esposa dele Sara além de ser estéril era também velha – acreditou na Palavra de Deus. “Diante das promessas divinas ele não duvidou”. Foi por isso que Abraão se tornou justo, não por causa de obras, mas sim pela confiança que ele teve nas promessas de Deus. É a fé em Jesus Cristo ressuscitado dos mortos que nos salva.


sabato 20 ottobre 2018

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 17



Estudo Bíblico para CEBs
Paolo Cugini

1-10. É o que um escândalo? É algo que provoca a decepção dos discípulos ao ponto de se afastarem da comunidade. Por isso é importante aprender a vigiar sobre as nossas atitudes, a nossa conduta.
3. Somos responsáveis um dos outros dentro da comunidade. Quando percebemos que algumas pessoas da comunidade estão vivenciando algo de errado devemos chamar atenção (chame atenção dele). Não podemos fechar os olhos perante o mal, pois se fizermos isso, o mal estará se espalhando e tomando conta de tudo. A omissão é pecado.

4. A comunidade vai pra frente quando tem pessoas que pedem perdão e outras que perdoam. Alguém poderia perguntar: é mais fácil pedir perdão ou perdoar? O versículo 4 demostra que esta pergunta está errada porque o Evangelho nos convida a fazer as mesmas coisas: pedir perdão e perdoar.

5-10. A fé é a confiança na Palavra de Deus. Uma pessoa que confia em Deus vive a própria existência como um serviço, sem cobrar nada porque é servindo com amor a Deus que participemos da sua vida eterna. “Fizemos o que devíamos fazer”. Esta é uma frase que deveria ser na boca de todas as pessoas que se disponibilizam em fazer trabalhos na igreja, que devem ser feito não por buscar visibilidade ou querer ser agradecidos, mas simplesmente por amor a Deus.

11-19. A oração mais importante que devemos aprender é a ação de graça, pois toda vez que agradecemos, manifestemos a nossa fé na ação de Deus na nossa vida. Agradecer a Deus além de ser sinal de fé é também fruto da humildade, pois somente uma pessoa humilde reconhece a fonte da própria vida. O fato que somente um voltou para agradecer a Deus demostra que muitas vezes estamos na Igreja, rezando a Deus somente por um mero interesse pessoal e, quando ficamos satisfeitos, viramos as costas. O caminho atrás do Senhor deveria nos ajudar a sair do nosso egoísmo, para nos tornarmos pessoas mais humanas, mais atentas aos outros.

Levanta-te e vá. Sua fé o salvou: quem nos salva é a fé em Deus e, nestes versículos a fé se manifesta como capacidade de agradecer a Deus daquilo que acontece na nossa Vida. Não basta, então, ser beneficiados por Deu: precisamos ter a humildade de agradecê-lo.

20-21. O Reino de Deus não vem ostensivamente: quer dizer isso? Que não devemos procurar Deus aonde Ele não está, aonde Ele não se dá bem, ou seja, nas multidões, nos eventos de massa, nas situações de propaganda. O reino de Deus está no meio de nós: é no dia a dia que Deus se manifesta na nossa vida, por isso precisamos dar mais valor à nossa vida cotidiana, aos nosso relacionamentos corriqueiros.

22-37. Como nos dias de Noé e de Ló: as pessoas comiam e bebiam e Deus passou para destruir tudo salvando somente algumas pessoas. Versículos de cunho apocalíptico cujo objetivo é alertar as pessoas para que levem a sérios a mensagem de Jesus. Contra a aparência de um mundo que vai se formando com um estilo próprio feito de ganancia e da busca dos prazeres da vida, existe a proposta de Jesus, o único caminho que leva a salvação. É um caminho que se percebe somente tendo fé nele. Por isso não adianta ganhar o mundo se depois perdemos a vida: quem procura ganhar a própria vida vai perde-la; quem a perde vai conservá-la. Perder a vida para o Senhor: é isso a única coisa que vale.



sabato 28 gennaio 2017

A TUA FE' TE SALVOU




EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 7
Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini
1-10.  O Centurião é um romano, ou seja, é um pagão enquanto não pertence ao povo hebraico. Por isso este trecho está dizendo que também aos pagãos é aberto o caminho da salvação, pois a fé não é privilegio de um povo, mas é adesão à Palavra de Jesus.  Este trecho é importante, pois nos ensina que a fé se manifesta na confiança da Palavra de Jesus. Por isso quem não gosta muito de ler o Evangelho é porque não tem muita fé em Deus.
11-17. Esta ressurreição é parecida com aquela de Lazaro é sinal da ressureição definitiva de Jesus. É um evento que ajuda a entender o sentido da presença de Cristo na historia com sinal de vida verdadeira.
18-35. Um dos grandes focos do capitulo 7 é a figura de João Batista. Jesus citando  o texto de Malaquias 3,1 (Lc 7, 27), identifica João Batista com Elias, pois os profetas do Antigo Testamento declaravam que antes do Messias, devia vir alguém que preparasse o terreno. João Batista manda procurar se Jesus era o mesmo Messias, pois tinha também varias profecias que declaravam que o Messias teria sido um rei poderoso. A resposta de Jesus é na linha do profetismo que indicava no Messias um salvador pacifico e, sobretudo, um amigo dos pobres e marginalizado, pronto a defende-los.
31-35. A polemica de Jesus com os fariseus é sobre a atitudes deles no confronto com João Batista. De fato, conforme também ao relato de Lc 3, perante a pregação de João Batista, muito se converteram, mudando de vida, enquanto os fariseus ficaram botando gosto ruim. Por isso Jesus contou esta parábola: os fariseus não se mexeram nem perante a pregação duríssima de João Batista.
36-50. O texto que narra o encontro de Jesus com a pecadora é um dos mais intensos e comentado de todo o Evangelho de Lucas. É interessante a maneira de Jesus lidar com as mulheres, quebrando tabus e preconceitos. Em um clima cultural de grande machismo, que considera a mulher como algo de desprezível, contagioso, Jesus se deixa tocar, lavar os pés, perfumar. Jesus nos ensina que quando encontramos uma pessoa devemos buscar a sua essência mais profunda e, por isso, precisamos ir além das culturas preconceituosas e dos nossos esquemas mentais. 

A tua fé te salvou”. É o que a fé neste trecho especifico? É a capacidade de amar, de se entregar a Deus, de busca-lo contra toda opinião diferente. De fato, não foi apenas Jesus que fez um caminho de ruptura com a cultura, mas também a mulher pecador que não se importou de entrar na casa de um fariseu e debruçar sobre os pés de Jesus. A fé é isso mesmo: amor que passa acima das montanhas dos preconceitos, das mentalidade humanas e busca a essência das pessoas. Esta é fé. 

giovedì 31 dicembre 2015

O RESTO QUE ACREDITA




O RESTO QUE AINDA CRE
ISAIAS 7-8
Paolo Cugini
A grande pregação de Isaias se concentra no redor de dói momentos:
  1. 734-732: conquista do reino do Norte
  2. 705-701: conquista de Judá
Em ambos os momentos a pregação de Isaias apresenta os mesmos temas:
  1. Somente JHWH é o santo que pode dar a salvação para o povo;
  2. Quem não confia nele vai encontro ao julgamento;
  3. Somente quem acredita se salvará: ficará.
A posição política de Isaias será sempre a mesma: a recusa e qualquer tipo de aliança com poderes histórico, aliança que afeta a confiança na força de Deus.
  1. Contra a aliança de Acaz com a Assíria contra Damasco e Israel (734-732)
  2. Contra a aliança de Ezequia com o Egito e Babilônia  contra a Assíria.
Toda aliança é para Isaias um sintoma de idolatria, de confiança em algo que não é o Santo de Israel e, por isso, não pode dar certo, pois não pode dar salvação.
A fé (7,1-6.9)
Síntese dos dados históricos:
  1. Chegam os invasores, muito mais poderosos de Judá, com a idéia de tirar o trono de Acaz e eleger rei Bem Tabeel.
  2. Medo coletivo;
  3. Intervenção do profeta Isaias com no colo o filho cujo nome resume o sentido da vontade de Deus: um resto se converterá.
Isaias pede a Acaz de ter fé somente em Deus. “Se não acreditais, não sereis salvos”. Crer em Isaias quer dizer duas coisas:
  1. Ter confiança, ficar tranqüilos, não ter medo: é a confiança total de quem se entrega a Deus (v.4), como uma criança no colo de sua mãe. Este tema da confiança em Deus que se manifesta na calma, é um tema típico de Isaias[1]. Não se trata de uma postura infantil, ingênua, mas sim da atitude da pessoa está investindo tudo na Palavra de Deus, na consciência que somos chamados a colaborar ao projeto de Deus, mas mesmo assim é somente Ele que pode realizá-lo de uma forma completa. Fé para Isaias é uma forma interior de paz, de calma confiante.
  2. Esta confiança nasce da capacidade de observar Deus que age, saber olhar a obra de Deus[2]. Toda a criação é obra das suas mãos. Para Isaias também a historia é obra das mãos de Deus. Dentro da historia humana Deus realiza uma obra de salvação, que é a única real, a única que oferece um sentido a toda a historia. Esta maneira de entender a historia tema as suas raízes no Dt e no Ex[3].
Fé, então, quer dizer saber reconhecer esta obra de Deus, celebrá-la, obedecê-la. Também na nossa vida eclesial e pessoal Deus realiza a sua obra de salvação. Não somos nós a cumprir esta obra: nós devemos somente reconhecê-la, a posteriori, como algo já em ação, que está acontecendo e que nós percebemos os sinais. O pecado contra a fé o pecado de incredulidade é que nós preferimos olhar a nossa historia, aquilo que estamos construindo, confiando mais nos nossos sentimentos, nas nossas intuições, nas nossas razões humanas.
Em Isaias esta contraposição é claríssima: fé quer dizer olhar a obra de Deus, a incredulidade é olhar para as nossas obras e por isso a idolatria é por confiança naquilo que não salva.
O seu país é cheio de ídolos: adoram as abras das suas mãos[4]. Este tema será levado ao cabo da reflexão deuteronomista.

O sinal de contradição (7, 10-17)
Síntese do oráculo:
  1. Isaias convida Acaz a olhar para a obra de Deus, a pedir um sinal que o ajude a percebê-la.
  2. Acaz se recusa, não quer olhar! É cego, pois prefere aliar-se com a Assíria.
  3. Deus doa igualmente um sinal, um sinal de contradição.
O sinal é o nascimento de uma criança, um filho da estirpe de Davi[5]. Talvez se trate de Ezequias, mas é difícil saber, as datas a nossa disposição não batem bem. A virgem seria então a esposa de Acaz, que sem duvida era muito jovem, sendo que Acaz, naquela época, tinha 20 anos. A palavra hebraica quer dizer jovem mulher, moça núbil[6]. Aqui pode ser entendida como recém casada, ao primeiro parto. Não supõe um nascimento milagroso, virginal. Os LXX traduziram com virgem, fazendo referência á virgem filha de Sião. É claramente uma leitura espiritual, que voltara no Trito-Isaias.
Este sinal apresenta então uma ambivalência:
  1. È sinal de salvação pela casa de Davi. Os Arameus e os israelitas querem mudar a dinastia de Judá, mas isso não acontecerá. A prova disso será o mesmo filho de Acaz, da estirpe de Davi. A promessa feita a Davi por meio do profeta Natan é confirmada. Eles querem colocar Tabeel, mas será Emanuel. Este nome quer dizer Deus conosco e ele salvará Judá dos inimigos.
  2. Pela incredulidade de Acaz e Judá o sinal se retorce contra eles mesmos: Deus mandará contra Judá a nação que Judá tinha invocado: a Assíria. Por isso também a criança viverá tempos duros, alimentos dos sobreviventes depois de uma deportação (leite e mel).
Então Ezequias será sim reis de Judá, mas será o rei de um resto.
  1. O resto é uma categoria que Isaias aplica não apenas ao povo mas também ao rei. Isso quer dizer que também o rei deve passar através de uma experiência de sofrimento, de dor, porque ele é solidário como seu povo[7].
  2. Esta experiência de sofrimento servirá como correção pelo resto, ensinará a distinguir o bem do mal, a obra de Deus da obra humana, ensinará a fé até que apreenda[8].O castigo de Deus através da Assíria servirá a criar um resto que acredita nele.
O anuncio do castigo se encontra nos oráculos seguintes:
Is 7,18-25: Castigo contra Israel e Judá, pelo qual a Assíria é só um instrumento para suscitar um resto que volte a JHWH.
Is 8,1-4: através de um novo sinal, o nascimento de um filho do mesmo profeta: Pronto saque- rápido bottino  é anunciado o castigo de Damasco e do reino de Israel. [9]
Is 8,5-10: é o anuncio do castigo também de Judá. Apesar de tudo será o plano de Deus a vencer.
A Palavra e a historia (Is 8,11-18)
Depois destes oráculos inicia para Isaias um longo período de silêncio, que durará mais ou menos 20 anos. Neste período ele falará somente para um grupo de discípulos. Apesar disso Isaias escreveu os seus oráculos que permanecerão como um testemunho: também se o povo não o escuta, ele o avisou. A palavra se realizará sem problemas.
A obra que Deus quer realizar na historia deve ainda ser cumprida, porém deus já colocou o alicerce através da sua Palavra proclamada pelo profeta. Deus já colocou em Sião a primeira pedra do novo povo que ele está construindo, o resto. Um tema parecido se encontra em Jeremias[10].
Is 8,14; 28,16: esta pedra, esta Palavra que Deus colocou é a duplo corte, terá m duplo efeito: será de tropeço por alguns, e de salvação por aqueles que acreditam. Nós podemos ler tudo isso como uma profecia da Encarnação da Palavra em Jesus, o verdadeiro resto crente, o verdadeiro sinal de contradição[11].



[1] Cf. 18,4; 30,15; 32,17.
[2] Cf. 5,12.19.
[3] Cf. Ex 14,13.21
[4] Is 2,8; 17,7-8; 22, 8-11.
[5] Cf. 8,8.
[6] Ex 2,8 Gen 24,43.
[7] Cf. toda a temática do sacerdócio autentico apresentada na carta aos Hebreus.
[8] Cf. v.15.
[9] Cf. também: 9,7-20; 5,25-29; 17,1-6.
[10] Jer 1-2.
[11] Cf. Rom 9,33; 1Pd 2,6-8.

domenica 28 giugno 2015

BASTA-TE A MINHA GRACA




XIV DOMINCO/B

(Ez 2,2-5; Sal 123; 2 Cor 12,7-10; Mc 6,1-6)
Paolo Cugini

1.      “ Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares” ( Mc 6, 4).
O profeta, ou seja a pessoa que si disponibiliza para levar a Palavra de Deus nos ambientes e circunstancias da vida, deve aprender a conviver com as incomprensões sobretudo na própria realidade existencial. Parece ser este o tema central das leituras de hoje.  Porque esta incompreensão entre familiares parentes e amigos? Porque não conseguimos ser credíveis entre eles? A resposta mais imediata é que, talvez, eles não aceitam a nossa mudança, também porque a nossa mudança questiona a vida deles. De fato, se pensarmos atentamente naquilo que aconteceu na época da nossa conversão, as pessoas que mais nos pressionaram, que mais nos criticaram eram mesmo entro as paredes de casa, ou os amigos mais próximos. Nestes momentos a tentação é desistir, recuar, voltar atrás. “será que vale mesmo a pena continuar deste jeito?”. Quantas vezes pensamos isso! As pessoas se afastam de nós, as vezes até parentes ou familiares. O problema maior, porem, é que, nestes momentos de sufoco, nós deparamos com a nossa incoerência, fraqueza, incapacidade de seguir Jesus  com mais intensidade. E, assim, começamos a questionar a nossa mesma vocação, os lindos dias em que o Senhor veio ao nosso encontro para nos chamar, nos envolver do seu amor, a querer falsificar a nossa historia, a deixar que a nossa mente imbanane tudo. São os dias em que perdemos a vontade de rezar, de buscar a Deus e ficamos o tempo todo matutando perdidos nos nossos pensamentos. É exatamente nestes momentos que Deus nos chama a mudar de pele, de identidade, a deixar o homem, a mulher velha, para nos revestir do homem, a mulher nova.

2. “Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta” (2 Cor 12, 9).
São Paulo é um grande exemplo desta mudança de pele, de identidade. Ele percebeu que aquilo que Deus quer de nós é nos despojarmos da pseudo-força do mundo, para nos revestirmos da gloria de Deus.
Pois Quando mi sinto fraco, é então que sou forte” (2Cor 12, 10).
Quer dizer isso? Paulo está apontando o dedo contra todo o esforço humano de esconder a própria condição de fraqueza. O homem é um bicho fraco, só que ao longo da vida, faz de tudo para disfarçar esta situação. E assim se reveste de ouro, se protege com palácios suntuosos, busca permanecer sempre jovem, ou melhor mostrar uma aparência de jovem escondendo as marcas  do tempo, e assim em diante. São Paulo, nestes poucos versículos, nos lembra que tudo isso é loucura, estultice. De fato, perante Deus não precisamos nos esconder: Ele sabe de que barro somos feitos. E assim, a verdade do nosso relacionamento com Deus está na capacidade de estar á sua presença do jeito que somos, sem esconder nada, sem tentar nenhuma forma de tapeação. Paulo aprendeu que somente quando o homem aceita perante Deus a própria condição humana de fraqueza, causada pela condição do pecado, recebe a veste da imortalidade, a graça santificante e transformante. Nós tentamos esconder a vergonha do nosso pecado com a força aparente do mundo. Se quisermos voltar a gloria da origem e tirar da nossa vida as conseqüências mortais do pecado, devemos deixar que Deus nos reveste com a vida de Seu Filho Jesus. Depois de termos aprontado, fugimos de Deus (não fizeram isso também Adão e Eva?) como se pudéssemos achar uma solução longe dele. A humildade é não teimar no erro, não piorar uma situação já por si mesma negativa, e parar para que Deus possa encher a nossa vida com a sua misericórdia. Desta maneira podemos também deparar sobre a diferente maneira do mundo e de Deus de considerar a humanidade. De um lado, o mundo exige a minha mentira, a mentira sobre mi mesmo para acolher a sua gloria aparente, que me reveste de morte (não são assim, de fato todas as experiências mundanas que fizemos?). Do outro,  Deus espera que eu me olhe do jeito que sou e peça para ser revestido da Sua mesma gloria.

3.Ligando as duas reflexões que até agora fizemos, podemos afirmar que é nos momentos de tensões, sobretudo com os familiares parentes e amigos, que não aceitam a nossa mudança, que temos a possibilidade de nos despojarmos do homem, a mulher velha, para nos revestirmos das vestes de Cristo. É nesses momentos que Deus nos oferece uma ocasião de ouro para fortalecer e amadurecer a nossa vocação. Ele pede de nós um passo ulterior, uma confiança total nele que necessita de uma rescisão, um corte radical com o passado, para que Deus possa fazer de nós, da nossa vida algo de novo, possa realizar aquilo que sempre Ele sonhou de nós e por nós. Alguém poderia retrucar que esse é um papo muito egoísta, porque devemos pensar nos nossos parentes, pais, amigos e  assim em diante.  Pelo contrario, talvez os grandes egoístas são todos aqueles que pensam de serem indispensáveis, que não confiam na misericórdia e na providencia de Deus. De fato, se é Ele que me chama, será que Ele é tão desprovido pra não saber daquilo que os nossos pais e parentes precisam, não apenas em termos materiais, mas também espirituais? Além disso, quem conhece um pouco a Escritura e a pedagogia de Deus, sabe que o chamado de Deus, não é apenas para a pessoa, mas beneficia o povo todo ( Cf. a experiência de Moisés, José filho de Jacó e assim em diante). Quem sabe que através do nosso chamado, Deus não queira alcançar os nossos familiares e amigos?

4. “E admirou-se com a falta de fé deles” ( Mc 6, 6).
A fé é aceitar de entrar na realidade de Deus e abandonar a imaginação do mundo, a sua fantasia. Ser profeta incômodo, não é fazer o dizer grandes coisas: é simplesmente vier e ser do jeito que Deus quer: é isso mesmo que incomoda o mundo e até mesmo os nossos familiares. A vida cristã é um caminho de liberdade: pedimos a Deus que nesta Eucaristia podemos crescer mais neste sentido.


A TUA FE' TE SALVOU


EVANGELHO DE LUCAS 7

Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-10.  O Centurião é um romano, ou seja, é um pagão enquanto não pertence ao povo hebraico. Por isso este trecho está dizendo que também aos pagãos é aberto o caminho da salvação, pois a fé não é privilegio de um povo, mas é adesão à Palavra de Jesus.  Este trecho é importante, pois nos ensina que a fé se manifesta na confiança da Palavra de Jesus. Por isso quem não gosta muito de ler o Evangelho é porque não tem muita fé em Deus.

11-17. Esta ressurreição é parecida com aquela de Lazaro é sinal da ressureição definitiva de Jesus. É um evento que ajuda a entender o sentido da presença de Cristo na historia com sinal de vida verdadeira.

18-35. Um dos grandes focos do capitulo 7 é a figura de João Batista. Jesus citando  o texto de Malaquias 3,1 (Lc 7, 27), identifica João Batista com Elias, pois os profetas do Antigo Testamento declaravam que antes do Messias, devia vir alguém que preparasse o terreno. João Batista manda procurar se Jesus era o mesmo Messias, pois tinha também varias profecias que declaravam que o Messias teria sido um rei poderoso. A resposta de Jesus é na linha do profetismo que indicava no Messias um salvador pacifico e, sobretudo, um amigo dos pobres e marginalizado, pronto a defende-los.

31-35. A polemica de Jesus com os fariseus é sobre a atitudes deles no confronto com João Batista. De fato, conforme também ao relato de Lc 3, perante a pregação de João Batista, muito se converteram, mudando de vida, enquanto os fariseus ficaram botando gosto ruim. Por isso Jesus contou esta parábola: os fariseus não se mexeram nem perante a pregação duríssima de João Batista.

36-50. O texto que narra o encontro de Jesus com a pecadora é um dos mais intensos e comentado de todo o Evangelho de Lucas. É interessante a maneira de Jesus lidar com as mulheres, quebrando tabus e preconceitos. Em um clima cultural de grande machismo, que considera a mulher como algo de desprezível, contagioso, Jesus se deixa tocar, lavar os pés, perfumar. Jesus nos ensina que quando encontramos uma pessoa devemos buscar a sua essência mais profunda e, por isso, precisamos ir além das culturas preconceituosas e dos nossos esquemas mentais. 

A tua fé te salvou”. É o que a fé neste trecho especifico? É a capacidade de amar, de se entregar a Deus, de busca-lo contra toda opinião diferente. De fato, não foi apenas Jesus que fez um caminho de ruptura com a cultura, mas também a mulher pecador que não se importou de entrar na casa de um fariseu e debruçar sobre os pés de Jesus. A fé é isso mesmo: amor que passa acima das montanhas dos preconceitos, das mentalidade humanas e busca a essência das pessoas. Esta é fé.