Paolo Cugini
"Quem vive e crê em mim
jamais morrerá" é a novidade trazida por Jesus, que libertou a comunidade
não do medo da morte, mas da própria morte, e a tranquilizou: "Quem vive e
crê em mim jamais morrerá". À comunidade que chorava a morte de alguém,
ele dizia: "Se esta pessoa creu em mim, mesmo que agora esteja morta,
saibam que ela continua a viver, e vocês, que estão vivos e me são fiéis,
jamais experimentarão a morte". Esta é a mudança de mentalidade que Jesus
queria trazer à comunidade cristã. Os primeiros cristãos entenderam isso; eles
não acreditavam que seriam ressuscitados após a morte, mas que já haviam
ressuscitado; eles entenderam que Jesus não ressuscita os mortos, mas dá
aos vivos uma vida de tal qualidade que ela continua para sempre. Com Jesus, a vida eterna não é um prêmio para o futuro,
mas uma condição do presente, e assim entendemos certas afirmações
estranhas nas cartas de São Paulo: "Ele também nos ressuscitou e nos fez
assentar no céu". Como assim, nos ressuscitou? Mas não existe vida, morte
e ressurreição?
São Paulo diz: nós
que já ressuscitamos. Esta é a fé da comunidade cristã. Não há ressurreição
após a morte, há uma ressurreição na vida. Jesus disse: quem crê tem a vida eterna, mas não terá
a vida eterna. No momento em que um indivíduo entrega sua fidelidade a Jesus,
uma vida de tal qualidade eterna é enxertada nele, de modo que ele nunca
experimentará a morte. Em nossa hora, outros nos verão como alguém que morre;
nós não experimentaremos a morte; continuaremos nossa existência.
Em um evangelho apócrifo, há
um dito de Jesus não encontrado nos quatro Evangelhos: Quem diz que alguém
morre primeiro e depois ressuscita está errado; se alguém não ressuscita
primeiro, enquanto ainda está vivo, ao morrer, não ressuscita mais. Para os
cristãos, a ressurreição não é no fim dos tempos; é parte da vida. Nós, que entregamos nossa fidelidade a Jesus, já temos
uma vida de tal qualidade que não experimentaremos a morte;
continuaremos nossa existência. Veremos outros lamentando um cadáver e não
perceberemos que estamos presentes! Enquanto lamentarmos a morte de nossos
entes queridos, não poderemos vivenciá-los como vivos. Enquanto Maria Madalena
chora diante do túmulo de Jesus, ela não percebe que Ele está atrás dela e
espera que Ele pare de chorar. Uma pessoa que
viveu unicamente para si mesma, focada apenas em suas próprias necessidades e
desejos, que não se projetou para os outros, não cresceu. A centelha de vida que ela tinha dentro de si
atrofiou até se extinguir. Aqueles que vivem para os outros enriquecem a vida
(zoe); aqueles que vivem para si mesmos a destroem. Jesus diz muitas vezes no
Evangelho que dar a vida não é perder, mas ganhar; apegar-se à própria vida é
perdê-la. Possuímos — como dizemos nestas reuniões — apenas o que damos; o que
retemos para nós mesmos não é possuído, mas nos possui e é destruído.
Quanto mais
dermos vida aos outros, mais poderosa será a vida divina (zoe), e não experimentaremos a morte. Se vivermos apenas
para nós mesmos, corremos o risco de que, quando a morte física chegar, a morte
definitiva da pessoa também ocorra. Jesus propõe à comunidade mudar o conceito
de morte; a ressurreição não está no futuro, e ele diz a Marta: "Quem vive
e crê em mim jamais morrerá."
Você acredita nisso? Para
Jesus, a morte não existe. Será que Marta, a comunidade, tem essa fé? Jesus não
oferece um caminho diferente para a vida eterna, mas uma vida diferente que já
é ressurreição. Não se segue Jesus para ter a vida eterna, mas seguindo Jesus,
descobre-se em si mesmo um poder de vida que se sente indestrutível.
Finalmente, a fé cresce em Marta, na comunidade. A comunidade compreendeu que
aquele que há de vir não é um profeta que deve ensinar a lei, mas o Filho de
Deus que comunica o amor. Esta é a inovação trazida por Jesus: Deus não governa
os homens promulgando leis que devem ser observadas, mas Deus governa os homens
comunicando-lhes o seu próprio Espírito, a sua própria vida, uma capacidade
indestrutível para a vida.
Jesus não precisou pegar pela
mão a filha do chefe da sinagoga, nem tocar no caixão do filho da viúva de
Naim; Aqui ele diz: "Lázaro, vem para fora". Ele não poderia dizer o
mesmo nos dois episódios anteriores, porque estava em um ambiente judaico onde
a lei divina proíbe tocar em um morto, pois isso tornaria a pessoa impura.
Jesus demonstra a falsidade dessa lei: é a lei que mantém a pessoa em estado de
morte; transgredindo a lei, encontra-se a vida.
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