domenica 15 febbraio 2026

HOMILIA SEXTO DOMINGO/A

 




(Eclesiástico 15,16-21; Salmo 118; 1 Coríntios 2,6-10; Mateus 5,17-37)

Paolo Cugini

 

A atenção que Jesus dedica ao tema da lei, crucial para a religião judaica, é significativa. A salvação está, de fato, intimamente ligada à observância dos preceitos do Senhor, e a busca por Deus passa necessariamente por ela. O Salmo 119, que recitamos hoje — e que, como sabemos, é uma meditação profunda e detalhada sobre a lei do Senhor — nos lembra: " Bem-aventurados os íntegros em seus caminhos e que andam na lei do Senhor. Bem-aventurados os que guardam os seus testemunhos e o buscam de todo o coração." O problema surge precisamente nesse nível: tentar obedecer à Lei de coração. O risco, na verdade, é cair no formalismo, na repetição de rituais que não servem a outro propósito senão o de aliviar a consciência, estar em paz com Deus e continuar vivendo a vida como se deseja.

Diante dos homens estão a vida e a morte, o bem e o mal: a cada um será dado o que lhe apraz (Eclesiástico 15:17).

O livro de Sirácide também oferece uma reflexão positiva sobre o significado da Lei de Deus como uma oportunidade para homens e mulheres viverem autenticamente. A possibilidade significa que a Lei de Deus não é imposta, mas apenas escolhida. Essa ideia também está expressa em Deuteronômio, capítulo 30. A lei é apresentada como a bênção de Deus, e sua transgressão como uma maldição. Do lado da Lei está o caminho da vida, enquanto o caminho da transgressão leva à morte. O homem é convidado a escolher entre as duas possibilidades, embora Deuteronômio recomende o caminho da vida: " Hoje invoco o céu e a terra como testemunhas contra vocês: coloquei diante de vocês a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolham, pois, a vida, para que vocês e os seus descendentes vivam" (Deuteronômio 30:19). Há, portanto, uma reflexão positiva sobre o tema da Lei de Deus, cuja observância garante aos homens e mulheres a possibilidade de uma vida autêntica, protegida por Deus.

Jesus disse aos seus discípulos: “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mt 5,17).

Ao ler os Evangelhos e as polêmicas de Jesus com os líderes religiosos, percebe-se uma transformação na observância da Lei. A partir do Segundo Templo, a classe sacerdotal ganhou força em detrimento do pensamento profético, e o ambiente religioso passou a enfatizar as práticas externas, perdendo, com o tempo, o significado profundo da Lei. As palavras de Jesus ouvidas hoje visam relembrar o significado autêntico da Lei. A declaração de Jesus, contudo, revela o desconforto dos líderes religiosos com ele, pois percebiam uma espécie de revolução na obediência à Lei Mosaica. É por isso que Jesus faz questão de esclarecer que não veio para abolir a Lei, mas para cumpri-la, ou seja, para explicar o significado profundo da Lei, que não pode ser reduzida à mera observância externa, mas deve alcançar o coração das pessoas. Em outros contextos (cf. Mc 7), Jesus demonstra a subversão das leis por líderes religiosos que substituíram a palavra de Deus por tradições inventadas por eles mesmos, conduzindo o povo não a Deus, mas a si mesmos. O cumprimento da Lei que Jesus veio demonstrar visa restaurar o discurso à sua concepção original, ou seja, como um caminho de salvação para o povo, um caminho que envolve a disposição de mudar o coração, a consciência, para um estilo de vida mais autêntico. Trata-se, portanto, de abandonar uma religião preocupada com as aparências e adotar um estilo de vida que busca a profundidade das escolhas.

Pois eu lhes digo que, se a justiça de vocês não for muito superior à dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus. Vocês ouviram o que foi dito aos antigos… mas eu lhes digo (Mt 5,20-22).

A justiça dos escribas e fariseus visa à observância externa da Lei, ao cumprimento do preceito: essa mentalidade precisa ser superada. Como? Na passagem que nos é dada hoje, são apresentados alguns exemplos que demonstram o passo que devemos dar na observância da Lei. Vejamos o primeiro. Jesus não questiona o mandamento de Moisés: "Não matarás", mas o radicaliza. Há, de fato, uma maneira de matar pessoas, o que fazemos todos os dias quando as ofendemos ou difamamos. Não faz sentido, então, argumenta Jesus, comparecer à celebração para receber a comunhão e ter relacionamentos arruinados na comunidade. Primeiro, resolvamos quaisquer pendências e depois nos aproximemos do altar para receber o Corpo de Cristo, que nos ajuda a viver em comunhão. Mais uma vez, precisamos passar de uma mentalidade legalista, que nos leva a cumprir o preceito, para a assimilação de um novo estilo de vida, que exige disposição para mudar, permitindo-nos ser desafiados pelo Evangelho.

Falemos, em vez disso, da sabedoria de Deus, que é misteriosa, que permaneceu oculta e que Deus estabeleceu antes dos séculos para nossa glória (1 Coríntios 2:7).

A sabedoria que Jesus oferece à humanidade vem do coração de Deus. É, portanto, cristalina, transparente e fala à nossa consciência de tal forma que todos podem compreender sua autenticidade. Diante dessa sabedoria, temos duas opções: ou rejeitá-la e seguir nosso próprio caminho; ou acolhê-la, abrindo espaço para ela em nossos corações, permitindo que transforme nossos hábitos e nos leve de uma vida centrada no egoísmo, que nos fecha em nós mesmos, para uma vida marcada pelo amor livre e altruísta. A escolha é nossa.

 

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