sabato 7 febbraio 2026

SAL DA TERRA LUZ DO MUNDO

 




Isaías 58,7-10; Salmo 111; 1 Coríntios 2,1-5; Mateus 5,13-16

 

Paolo Cugini

 

No domingo passado, começamos a ouvir o Sermão da Montanha com a passagem das Bem-aventuranças, que podemos chamar de esboço da missão de Jesus. Hoje, continuamos com outra passagem extremamente significativa, que precisa ser plenamente assimilada. Seguir o Senhor significa decidir mudar, não ter medo de deixar de lado nossa identidade presumida. Viver na comunidade que se identifica com o Evangelho significa deixar-nos despir das falsas identidades que assimilamos inconscientemente, para permitir que o Espírito Santo nos redefina. Esse processo de renascimento acontece em comunidade, no relacionamento com irmãos e irmãs, na busca contínua para permitir que o Espírito do Senhor teça a nova veste de uma nova humanidade. Ouçamos, então, duas passagens significativas das leituras de hoje. 

“Se vocês tirarem do meio de vocês o jugo, o dedo acusador e a linguagem perversa, se vocês se dedicarem a ajudar os famintos e a saciar a fome dos aflitos de coração, então a sua luz brilhará nas trevas, e a sua escuridão será como o meio-dia” (Isaías 58:10).

Jesus disse aos seus discípulos: "Vocês são o sal da terra; mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Para nada mais serve, senão para ser jogado fora e pisado pelos homens.
Vocês são a luz do mundo. Uma cidade situada sobre um monte não pode ser escondida. Nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo de um cesto. Ao contrário, coloca-se no lugar apropriado, e assim ilumina a todos os que estão na casa." (Mt 5:13-16)

Devemos nos acostumar a ouvir essas palavras não como afirmações genéricas, como máximas dirigidas a quem sabe quem, mas como as palavras de um mestre para seus discípulos, de um pai para seus filhos. Este é o horizonte que nos permite mergulhar em conteúdos que revelam o significado de uma jornada, não de uma doutrina; indicações existenciais, não preceitos moralistas.

Ter um pai assim, um pai que confia o suficiente em você para lhe dizer que você é o sal da terra. Um pai que acredita tanto em você que lhe diz que você é a luz do mundo. O que são essas palavras que Jesus dirige aos seus discípulos senão a revelação de uma identidade? É Jesus quem revela a identidade deles aos discípulos. Poderíamos dizer que Jesus os preparou precisamente para isso e nada mais: para serem o sal da terra e a luz do mundo. Por um lado, as palavras expressam a consciência de Jesus sobre a bondade da obra que realizou, a obra de formar consciências; por outro, há a sua confiança naqueles que o acompanharam na jornada. Jesus proclama ao mundo que seus discípulos são o sal da terra e a luz do mundo. Ele diz isso porque tem certeza deles, sabe quem são e como o acompanham na jornada.

É o pai, o mestre, que, ao indicar a identidade e o significado de um caminho, expressando com veemência toda a positividade da identidade do discípulo, do filho, mostra simultaneamente as exigências que esse caminho acarreta.

Qual é, então, o conteúdo desta indicação? Sal e luz, terra e mundo.

Sal e luz são dois elementos diferentes, mas têm um efeito semelhante. Beneficiam os outros, mas permanecem ocultos. Caminhamos pelas ruas do mundo graças ao sol, mas não pensamos nele nem o observamos. Saboreamos os alimentos que nos nutrem, mas nunca pensamos no sal que lhes dá sabor. Os cristãos, porque não buscam a glória dos homens, mas a glória de Deus, não se interessam pelas aparências: não precisam delas. Quanto mais buscamos as aparências, menos intensa se torna nossa jornada de fé. Cultivar uma espiritualidade de ocultação significa buscar o olhar do Senhor nas coisas que fazemos em nosso dia a dia.

É importante notar que Jesus não valoriza as qualidades individuais de um discípulo ou outro. Não há nada daquela exaltação mesquinha que leva os indivíduos a uma autopercepção distorcida. A indicação está no plural, não no singular: vós sois. Os discípulos são sal e luz quando vivem em comunhão. É a comunidade, em sua jornada pelo mundo, que é um sinal do amor livre e altruísta de Deus, de sua justiça e misericórdia. É a comunidade que é luz no mundo e sal da terra.  

Terra e mundo. Na perspectiva do Novo Testamento, o mundo é a realidade que se opõe a Deus e se constrói autonomamente segundo o seu plano de vida. Ser a luz do mundo significa viver dentro da lógica do Evangelho, que é amor, comunhão e justiça. Ser luz, portanto, não significa espetacularizar a própria existência, mas suportar o ódio do mundo, que se recusa a ser cegado pela lógica do Evangelho. A terra é o espaço onde a vida se desenrola em seu dinamismo cotidiano. Dar sabor à vida diária é a tarefa da comunidade que se identifica com Jesus. Uma comunidade que o é não porque celebra rituais, mas porque vive o que celebra e, ao vivê-lo, torna-se luz para o mundo e sal da terra.

 

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