venerdì 19 dicembre 2025

IV DOMINGO DO ADVENTO ANO A

 




 Is 7,10-14; Sal 23; Rm 1,1-7; Mt 1,18-24

Paolo Cugini

 

 

Neste tempo do Advento que estamos vivenciando, a liturgia nos leva a mergulhar no mistério da vinda do Salvador de uma nova maneira. Ela faz isso, em primeiro lugar, oferecendo-nos as leituras dos profetas que anunciam a vinda do Messias. Ao ouvirmos as profecias messiânicas de Isaías, somos impactados pela beleza das imagens e pela riqueza do conteúdo. Em segundo lugar, a liturgia nos oferece guias que nos conduzem à gruta de Belém para aprendermos a ver o mistério de Jesus com novos olhos, os olhos da fé. Assim, fomos acompanhados por Maria, depois por João Batista e, hoje, por José. A reflexão que proponho não se concentrará na figura de José, mas no conteúdo específico das leituras. Vejamos.

Chegamos ao último domingo do Advento, e a liturgia nos apresenta leituras que devem nos ajudar a compreender algo do mistério de Jesus. O Evangelho deste domingo é uma narrativa da comunidade que, após a Páscoa, relê a história de Jesus e a interpreta. Este trabalho inicial da comunidade conecta o nascimento de Jesus às profecias do Antigo Testamento e, em particular, àquelas profecias messiânicas que traçavam o nascimento do futuro Messias a Davi. Mateus, falando a uma comunidade judaica, tem o cuidado de demonstrar a conexão entre Jesus e as palavras dos profetas. Esta já é uma primeira indicação espiritual muito importante. Para entender e conhecer Jesus Cristo, precisamos pegar a Bíblia e folheá-la. De fato, Mateus diz: " Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito por meio do profeta" (Mt 1,22). A passagem citada pelo evangelista é de Isaías 7,10-14, que ouvimos na primeira leitura. O objetivo é nos ajudar a concentrarmo-nos na história da salvação, que nos fala de um Deus presente no meio da história dos homens e das mulheres e que age dentro dessa mesma história. Trata-se, portanto, de apreender a Sua presença, acolhendo-a com fé, para que também nós possamos embarcar nesta jornada de vida nova.

Paulo também compreende o mistério de Jesus à luz dos textos dos profetas, mas acrescenta algo. Na passagem que ouvimos, Paulo afirma: Deus havia prometido por meio de seus profetas nas Sagradas Escrituras a respeito de seu Filho, nascido da descendência de Davi segundo a carne, e designado Filho de Deus com poder segundo o Espírito de santidade, em virtude da ressurreição dos mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor (Romanos 1:1ss). Paulo percebe a dupla origem do nascimento de Jesus. A primeira é segundo a carne e vem da descendência de Davi, assim como havia sido profetizado pelo profeta Natã (2 Samuel 7:14ss) e depois retomado pelos profetas e, de modo especial, pelo profeta Isaías. Paulo intui que, a partir do evento da ressurreição dos mortos, não é mais possível pensar em Jesus meramente como uma pessoa que vem da carne, da história dos homens e mulheres, mas há algo mais. Paulo diz que Jesus foi designado Filho de Deus com poder segundo o Espírito de santidade. Filho de Deus é um título messiânico encontrado apenas no profeta Daniel, um escrito do século III a.C. e, portanto, um dos mais recentes do Antigo Testamento. Este título messiânico é o único que oculta uma origem divina para o futuro Messias. Paulo afirma claramente que essa conexão entre Jesus e o Filho de Deus se deve à ressurreição dos mortos, que se torna o evento central para a compreensão do mistério de Jesus e de sua identidade.

Este segundo aspecto, que acabamos de analisar, leva-nos a uma consideração final. Na passagem do Evangelho de hoje, Mateus fala de cumprimento, no sentido de que os acontecimentos que se desenrolam em torno da vida de Jesus concretizam o que havia sido dito pelos profetas. Ao lermos atentamente os Evangelhos e prestarmos atenção à vida de Jesus, percebemos que, desde o seu nascimento, o cumprimento das profecias não é uma operação matemática: muito pelo contrário. Jesus interpreta as profecias, vive-as e as cumpre à sua maneira. Por isso, as suas ações causam espanto e constrangimento, ao ponto de, como ouvimos no domingo passado, até João Batista, que o anunciou à humanidade, se perguntar: " És tu aquele que havia de vir, ou devemos esperar outro?".

O valor de uma jornada como o Advento reside em nos ajudar a desapegar de nosso conhecimento religioso e abrir espaço para a novidade do Evangelho. A liturgia, portanto, nos ajuda a concentrar nossa atenção em Jesus Cristo, a aprender a conhecê-lo e a seguir não doutrinas vãs, mas a sua Palavra e o seu exemplo.

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