Comentário de
Paolo Cugini
Jesus abole o
templo de Jerusalém
Jo 2: Bodas de Caná: mudança da aliança
O Deus de Jesus não ama pelos méritos, mas pelas
necessidades. Nova relação entre Deus e os homens.
Páscoa dos judeus: É a festa dos chefes do povo e não do povo. A
Páscoa não é mais a do êxodo porque se tornou uma festa do regime judaico,
instrumento de domínio da casta sacerdotal, que engana o povo em nome de Deus
para os próprios interesses; a Páscoa torna-se um instrumento de lucro.
Jesus e o templo são incompatíveis: um exige a eliminação do outro. No templo não se
encontra gente que reza, mas mercado e interesse.
Vendedores de bois e ovelhas: Todo judeu era obrigado a subir a Jerusalém para
oferecer um animal na Páscoa. Três semanas antes começava a venda. Havia um
curral perto do Monte das Oliveiras. O proprietário era o sumo sacerdote
Ananias com seus filhos. O detentor das licenças dos açougueiros de Jerusalém
era ainda ele com toda a sua família. Era um grande tráfico.
Os cambistas: O dinheiro é o verdadeiro Deus do templo em
favor da casta sacerdotal.
Chicote, o flagelo: A tradição apresentava o messias com um flagelo
na mão com o qual deveria flagelar os pecadores, mas Jesus flagela os
mercadores, castiga aquela que era a alma do templo: os vendedores,
representantes da instituição dos sumos sacerdotes.
As ovelhas: São imagem do povo, que é a verdadeira vítima,
que Jesus veio tirar do curral.
Vendedores de pombas: Era o animal que os pobres podiam pagar. Jesus
não tolera que o amor de Deus seja prostituído.
Não é mais a casa de Deus, mas do Pai: Deus precisa de fiéis; o Pai, de filhos. Mercado
e casa do Pai são incompatíveis. Onde há conveniência e interesse não está o
Pai, mas outras realidades.
O zelo: Animava o profeta Elias. Os discípulos não compreenderam bem.
Jesus não veio com a violência.
Que
autoridade nos mostras:
Destruí este Santuário: O edifício mais importante onde se acreditava
haver a presença de Deus.
Jesus é o Santuário: cf. Jo 1 (o Verbo habitou entre nós). Com
Jesus, Deus não está mais presente em um edifício, mas em uma pessoa e naqueles
que a acolhem. O novo santuário é aquele que vai ao encontro dos excluídos pela
religião. Jesus é o novo santuário do qual se irradia o amor de Deus. Cf.
também Jo 4, 19-23.
Em três dias o farei ressuscitar: A morte para Jesus será a máxima manifestação da
glória de Deus.
Ele falava do santuário do seu corpo: O corpo não é a prisão da
alma, mas o santuário onde se irradia o amor de Deus. Cf. 1 Cor. Cada pessoa
que o acolhe é o único e verdadeiro santuário onde se irradia e se manifesta o
amor de Deus. O corpo não é uma prisão, como quer a filosofia e como
influenciou a espiritualidade cristã. Neste novo santuário não há mais
necessidade de fazer ofertas a Deus, mas de acolher um Deus que se oferece ao
homem para dilatar sua capacidade de amor.
O corpo é um santuário: A nova revelação que Jesus faz de Deus é que Ele
veio propor uma nova relação entre Deus e o homem, sendo que o mais importante
era o Templo. Jesus elimina o templo também porque alguns eram excluídos. O
Deus de Jesus é um Deus que pede a cada crente para estar unido. As pessoas não
devem ir a este santuário; as pessoas são o Santuário que se
dirige aos excluídos.
O homem torna-se a morada de Deus (cf. 2 Pe 1,4): Tema da divinização. No Êxodo, Deus havia posto
sua morada em uma tenda, depois foi colocado em um templo onde o acesso não era
permitido a todos. Com Jesus, Deus abandonou o templo e armou sua tenda entre
nós. Cada discípulo de Cristo torna-se a morada da divindade. Deus sacraliza o
homem. Não existem âmbitos sagrados fora do homem. Deus não é mais uma
realidade externa ao homem, mas interna. O Pai pede filhos. Viver de Deus e
como Deus, fazer da própria vida um dom. Processo de dessacralização: não há mais
sagrado e profano, porque tudo, de agora em diante, é sagrado.
Carta aos Coríntios (1 Cor 6, 19): "Não sabeis que sois o santuário de
Deus?"
Quando,
pois... A
experiência ensina.
23. Enquanto estava em Jerusalém: A multidão acredita ver em Jesus o reformador
esperado, que restauraria a monarquia davídica e deporia a classe sacerdotal
dirigente: nada disso. Jesus veio não para restaurar as instituições
religiosas, mas para eliminá-las. Jesus frustra as
expectativas do povo.
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