sabato 16 maggio 2026

DOMINGO DA SANTÍSSIMA TRINDADE

 




 


Êxodo 34, 4b-6, 8-9; Dn 3,52, 56; 2 Coríntios 13, 11-13; João 3, 16-18

Paolo Cugini

 

Deus é um mistério insondável e sempre o será. Ele é a resposta imediata que damos aos problemas insolúveis da vida. Quando pensamos no sentido da vida, na imensidão do universo, nas maravilhas do cosmos, mesmo hoje, apesar dos avanços científicos que nos oferecem respostas precisas, pensamos no mistério: Deus. Ao mesmo tempo, porém, é uma palavra usada em excesso, no sentido de que a invocamos em tantos momentos e circunstâncias que nada têm a ver com o nome de Deus revelado por Jesus. Se refletirmos com atenção, a grande desconfiança e indiferença que encontramos hoje no mundo ocidental em relação à religião e a Deus talvez se devam ao fato de que o Deus que apresentamos já não fala a esta geração, e isso provavelmente ocorre porque atribuímos a Deus algo que Deus não era. Procuremos, então, prestar atenção às leituras propostas hoje para compreendermos algo sobre este Mistério.

O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e compassivo, tardio em irar-se e rico em amor e fidelidade (Êxodo 34:8). Estamos acostumados a definições de Deus e não conseguimos apreciar a profundidade e a novidade de algumas expressões, até mesmo o seu absurdo. Dizer que Deus é misericórdia é chocante num contexto em que o Mistério era percebido com uma série de adjetivos que buscavam apresentar Deus como o oposto exato da misericórdia. Ele é o Deus dos exércitos, vingativo, que destrói aqueles que se opõem a ele: não há nada a se brincar com um deus assim! A percepção de Deus como misericórdia é, portanto, um fato extremamente original, um produto típico do pensamento semítico que percebe a presença do mistério nessa nova modalidade de perdão misericordioso. Nessa linha, encontramos diversas passagens no Antigo Testamento, como a de Oséias, que percebe a ação do Mistério como a de uma mãe para com seus filhos. Deus tem um coração materno que vibra de amor: " O meu coração se alegra dentro de mim, e a minha compaixão se inflama " (Oséias 11:8). Se atormentamos nossa consciência quando pensamos ter caído em erro, ecoamos a sabedoria semítica que percebe que Deus não sabe o que fazer com os nossos pecados; Ele os lança para trás de si, os esquece (Hebreus 10:17), os esconde nas profundezas do abismo (Miquéias 7:18-19). Ele é o Deus de misericórdia que abre o caminho para a liberdade diante de nós, enquanto o deus terrível é uma invenção humana que serve para controlar as pessoas e mantê-las subjugadas por sentimentos de culpa.

“Vivam em paz, e o Deus de amor e paz estará com vocês. Saúdem-se uns aos outros com um beijo santo” (2 Coríntios 13:12). A relação com o Deus de amor e paz se manifesta nas relações entre os membros da comunidade. O amor e a paz que recebemos de Deus, nós os derramamos na comunidade. Este é um fato importante, que nos liberta daquelas formas de devoção que visam fomentar o individualismo religioso. A verdade da nossa relação com Deus é medida pelas nossas relações com os nossos irmãos e irmãs. Afinal, foi precisamente isso que Jesus veio demonstrar, criando uma comunidade de irmãos e irmãs iguais, vivendo com eles e ajudando-os a viver de uma nova maneira, através da partilha de bens e da atenção aos irmãos e irmãs mais necessitados. Esta é uma ideia que encontramos expressa em diversas páginas do Novo Testamento. João nos lembra, por exemplo, que é impossível dizer que amamos a Deus, a quem não vemos, e depois desprezar o irmão e a irmã que vemos. A vida no Deus que se manifestou na história e que Jesus nos revelou é, antes de tudo, uma relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e viver nEle significa viver relacionamentos novos e autênticos, baseados na paz e na misericórdia que recebemos de Deus.

Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele ” (Jo 3,17). A fé no Deus revelado por Jesus, rico em amor e misericórdia, bem como em paz e justiça, não tolera que ninguém se perca. O Deus que entra na história através da vida de Jesus e da ação do seu Espírito infunde um princípio de vida de tal intensidade que parece fazer tudo o que é possível para garantir que todos sejam salvos; isto é, que todos vivam a sua vida em amor. Há muitos exemplos no Novo Testamento que atestam isso. A parábola do filho pródigo (Lc 15,11-32), o encontro com a adúltera (Jo 8,1-11), mas também as palavras que Jesus dirigiu ao ladrão arrependido, seu companheiro de crucificação (Lc 23,43). O desejo de Deus de que ninguém se perca encontra-se no coração de Jesus nas palavras da oração que proferiu antes da sua morte, no Evangelho de João (Jo 17). Isso significa que crer em Deus como Jesus o revelou implica cultivar o mesmo desejo e colaborar com a história para que ele se concretize. A proclamação do Evangelho traz consigo o desejo de que todos sejam plenos em amor e paz; o desejo por um mundo sem desigualdades, pois quando estas ocorrem, corre-se o risco de alguém se perder devido à humilhação sofrida.

 

 

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