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quinta-feira, 19 de março de 2026

JOÃO 2, 13-25

 




 

Comentário de Paolo Cugini

 

Jesus abole o templo de Jerusalém
Jo 2: Bodas de Caná: mudança da aliança

O Deus de Jesus não ama pelos méritos, mas pelas necessidades. Nova relação entre Deus e os homens.

Páscoa dos judeus: É a festa dos chefes do povo e não do povo. A Páscoa não é mais a do êxodo porque se tornou uma festa do regime judaico, instrumento de domínio da casta sacerdotal, que engana o povo em nome de Deus para os próprios interesses; a Páscoa torna-se um instrumento de lucro.

Jesus e o templo são incompatíveis: um exige a eliminação do outro. No templo não se encontra gente que reza, mas mercado e interesse.

Vendedores de bois e ovelhas: Todo judeu era obrigado a subir a Jerusalém para oferecer um animal na Páscoa. Três semanas antes começava a venda. Havia um curral perto do Monte das Oliveiras. O proprietário era o sumo sacerdote Ananias com seus filhos. O detentor das licenças dos açougueiros de Jerusalém era ainda ele com toda a sua família. Era um grande tráfico.

Os cambistas: O dinheiro é o verdadeiro Deus do templo em favor da casta sacerdotal.

Chicote, o flagelo: A tradição apresentava o messias com um flagelo na mão com o qual deveria flagelar os pecadores, mas Jesus flagela os mercadores, castiga aquela que era a alma do templo: os vendedores, representantes da instituição dos sumos sacerdotes.

As ovelhas: São imagem do povo, que é a verdadeira vítima, que Jesus veio tirar do curral.

Vendedores de pombas: Era o animal que os pobres podiam pagar. Jesus não tolera que o amor de Deus seja prostituído.

Não é mais a casa de Deus, mas do Pai: Deus precisa de fiéis; o Pai, de filhos. Mercado e casa do Pai são incompatíveis. Onde há conveniência e interesse não está o Pai, mas outras realidades.

O zelo: Animava o profeta Elias. Os discípulos não compreenderam bem. Jesus não veio com a violência.

Que autoridade nos mostras:

Destruí este Santuário: O edifício mais importante onde se acreditava haver a presença de Deus.
Jesus é o Santuário: cf. Jo 1 (o Verbo habitou entre nós). Com Jesus, Deus não está mais presente em um edifício, mas em uma pessoa e naqueles que a acolhem. O novo santuário é aquele que vai ao encontro dos excluídos pela religião. Jesus é o novo santuário do qual se irradia o amor de Deus. Cf. também Jo 4, 19-23.

Em três dias o farei ressuscitar: A morte para Jesus será a máxima manifestação da glória de Deus.
Ele falava do santuário do seu corpo: O corpo não é a prisão da alma, mas o santuário onde se irradia o amor de Deus. Cf. 1 Cor. Cada pessoa que o acolhe é o único e verdadeiro santuário onde se irradia e se manifesta o amor de Deus. O corpo não é uma prisão, como quer a filosofia e como influenciou a espiritualidade cristã. Neste novo santuário não há mais necessidade de fazer ofertas a Deus, mas de acolher um Deus que se oferece ao homem para dilatar sua capacidade de amor.

O corpo é um santuário: A nova revelação que Jesus faz de Deus é que Ele veio propor uma nova relação entre Deus e o homem, sendo que o mais importante era o Templo. Jesus elimina o templo também porque alguns eram excluídos. O Deus de Jesus é um Deus que pede a cada crente para estar unido. As pessoas não devem ir a este santuário; as pessoas são o Santuário que se dirige aos excluídos.

O homem torna-se a morada de Deus (cf. 2 Pe 1,4): Tema da divinização. No Êxodo, Deus havia posto sua morada em uma tenda, depois foi colocado em um templo onde o acesso não era permitido a todos. Com Jesus, Deus abandonou o templo e armou sua tenda entre nós. Cada discípulo de Cristo torna-se a morada da divindade. Deus sacraliza o homem. Não existem âmbitos sagrados fora do homem. Deus não é mais uma realidade externa ao homem, mas interna. O Pai pede filhos. Viver de Deus e como Deus, fazer da própria vida um dom. Processo de dessacralização: não há mais sagrado e profano, porque tudo, de agora em diante, é sagrado.

Carta aos Coríntios (1 Cor 6, 19): "Não sabeis que sois o santuário de Deus?"

Quando, pois... A experiência ensina.

23. Enquanto estava em Jerusalém: A multidão acredita ver em Jesus o reformador esperado, que restauraria a monarquia davídica e deporia a classe sacerdotal dirigente: nada disso. Jesus veio não para restaurar as instituições religiosas, mas para eliminá-las. Jesus frustra as expectativas do povo.

 

 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O SENTIO DO TEMPLO



MARCOS 11

ESTUDO BÍBLICO

Paolo Cugini
1-11: Jesus entra em Jerusalém acolhido como um rei.

12-14: a interpretação que é oferecida por este texto sem duvida obscuro é a força da oração feita com fé.

15-19: texto importante porque Jesus nos ajuda a entender o sentido do templo, do espaço sagrado. O costume de usar o templo para realizar negocio tinha transformado o templo de Jerusalém numa verdadeira feira. Jesus entra expulsando os vendedores e afirmando que o templo é casa de oração. Quantas vezes nas nossas paróquias as capelas como o santíssimo sacramento são utilizadas para realizar comícios políticos, encontros da suade, da assistência social e todo mais! Quando se questiona estas posturas a resposta é que existe uma ligação entre fé e vida e, por isso, é licito fazer na capela aquilo que representa a vida. Na realidade este texto demonstra que nem tudo aquilo que é vida pode ser colocado no templo. Cada ação vital tem  o próprio espaço especifico. Jesus expulsando os comerciantes do templo, não está dizendo que o comercio é ruim, mas que espaço do comercio é a feira, como o espaço para jogar a bola é o campo, e assim em diante. A primeira manifestação do encontro com o Senhor é a ordem. Jesus entra na nossa vida e bota moral, coloca ordem, para que saibamos viver de forma autentica os nossos compromisso corriqueiros. Quem não sabe respeitar nem o templo do senhor, dificilmente saberá respeitar os outros espaços. Que se acostuma a fazer no templo o que quiser, não é por amor a vida, mas porque se sente dono do templo.

20-26: A confiança em deus é a força da oração. Este é o sentido das palavras de Jesus neste trecho. Além disso, o texto nos diz que a oração funciona somente quando somos capazes de perdoar. É, de fato, inútil se dirigir a Deus com orações e pedidos, quando não conseguimos perdoar os nossos irmão e irmãs.


27-33: Neste texto Jesus mostra que o cristão deve ser uma pessoa esperta, no sentido positivo. Jesus mostra toda a sua esperteza no dialogo com os fariseus que queriam enganá-lo. Por isso Jesus responde com astucia. Não podemos pensar de entrar no dialogo com o mundo do mal, que se articula com toda sorte de artimanhas, desprovidos de tudo. Precisamos ser inteligentes e aprender a nos defender com astucia, assim como fazia Jesus.