Paolo Cugini
Como é o reino de Deus? E com o que posso compará-lo?
É como um grão de mostarda (Lucas 13:18).
Ao amanhecer, a luz não
precisa se impor. Ela se deposita sobre as coisas, roça seus contornos,
restaurando lentamente a profundidade do mundo. A vida também pode experimentar
um despertar semelhante: quando deixa de buscar o que a torna visível e começa
a reconhecer o que a torna verdadeira. É uma transição sutil, mas exigente.
Orientar a própria existência para o que é pequeno, invisível e aparentemente
insignificante requer um esforço interior radical. Não basta reduzir o ruído ao
redor: é preciso mudar os critérios pelos quais se mede o valor da própria
presença.
Desde o início da vida,
assimilamos, muitas vezes sem nos darmos conta, uma proposição diferente.
Aprendemos que precisamos ser notados, demonstrar habilidades especiais,
possuir algo surpreendente. O olhar alheio torna-se um espelho no qual buscamos
confirmação: se somos reconhecidos, sentimos-nos importantes; se passamos
despercebidos, tememos não ter valor. Até mesmo talentos, que poderiam ser
oportunidades de doar, correm o risco de se transformarem em ferramentas para
atrair atenção. Assim, a existência se estende para fora, sempre à espera de um
sinal que lhe diga o seu valor.
As imagens da semente de
mostarda e do fermento na massa rompem com esse hábito. Sugerem uma grandeza
que não coincide com as aparências e uma eficácia que não precisa de
reconhecimento imediato. A semente penetra na terra; o fermento se mistura à
massa. Ambos abandonam o desejo de serem o centro das atenções. Isso não
significa que percam seu poder: seu trabalho começa justamente no ocultamento.
A pequenez, portanto, não é um convite à desvalorização, nem à esterilização da
própria presença. É a possibilidade de libertar a vida da obrigação de se
exibir, para que ela possa finalmente dar frutos.
O primeiro passo nesta jornada
nos leva para dentro. Não em direção à autoabsorção, mas em direção àquele
lugar profundo onde encontramos o sentido da nossa existência. Enquanto o
centro permanecer sendo o aplauso alheio, cada gesto corre o risco de se tornar
uma exigência de aprovação. Quando, porém, começamos a explorar nossa própria
interioridade, uma questão diferente pode surgir: o que torna minha vida real,
mesmo quando ninguém está olhando? O que resta de mim quando os aplausos
cessam? É aqui que a proposta da pequenez revela todo o seu significado: ela
exige que fundamentemos nossa essência em algo que não dependa da inconstância
dos olhares.
Na perspectiva da fé, essa
possibilidade surge da consciência de sermos amados por Deus. Não como uma
fórmula a ser repetida, mas como uma certeza que alcança as partes mais frágeis
de uma pessoa e as habita. Quando esse amor preenche a existência de sentido, o
reconhecimento do mundo não precisa mais carregar sozinho o peso da nossa
identidade. Podemos abraçar a gratidão sem depender dela, superar a indiferença
sem nos sentirmos apagados. Não precisamos provar continuamente o nosso valor:
esse lugar já nos foi dado no amor. A liberdade do grão de mostarda começa com
essa plenitude, não com a amarga renúncia.
Entendemos, então, por que
este é um caminho novo, radical e não espontâneo. O desejo de aprovação
retorna, mesmo nas intenções mais generosas. Podemos buscar recompensa
silenciosamente até mesmo no serviço, ou desejar ser admirados por nossa
humildade. Portanto, a pequenez exige vigilância e paciência: não um gesto
definitivo, mas uma direção a ser redescoberta a cada dia. A questão não é nos
tornarmos pessoas sem desejos, mas sim permitir que o desejo amadureça,
passando da busca por validação à capacidade de doar.
Uma proposta tão contrária
precisa de testemunhas. Palavras por si só não bastam para torná-la crível:
precisamos encontrar alguém que já tenha trilhado esse caminho e em cuja vida
reconheçamos sua bondade. A jornada do grão de mostarda deve ser visível em
quem a propõe. Não por meio de uma nova demonstração de si, mas na coerência de
seus gestos: na maneira como escutam sem ocupar todo o espaço, na maneira como
servem sem reivindicar o centro das atenções, na maneira como reconhecem o bem
feito pelos outros. É uma visibilidade feita de frutos, não de protagonismo. Em
tal presença, a pequenez deixa de parecer uma perda e se revela como uma forma
bem-sucedida de liberdade.
Mas o movimento em direção à
interioridade não termina aí. Aqui se desdobra o segundo aspecto crucial da
proposta: a semente e o fermento direcionam a vida para os outros. A semente de
mostarda cresce para fornecer galhos onde os pássaros possam pousar; o fermento
age na massa para que ela se torne pão, alimento para ser compartilhado, capaz
de satisfazer. Sua transformação não termina em uma celebração do eu. Ela se
torna abrigo, alimento, a possibilidade da vida. Este é o critério que nos
permite compreender sua grandeza: não o quanto atraem nosso olhar, mas o quanto
de espaço e apoio oferecem a tudo o que vive ao seu redor.
Ser pequeno, portanto, não
significa permanecer trancado em uma dimensão privada e reconfortante.
Significa nos disponibilizarmos a uma fecundidade que nos transcende. A escuta
que permite a alguém redescobrir a própria voz, o tempo dedicado sem pressa, o
trabalho feito com cuidado mesmo quando ninguém percebe: esses são os lugares
onde a vida pode tomar a forma de semente e fermento. Nem tudo que importa
produz uma imagem para ser exibida. Às vezes, o bem mais genuíno deixa como
único rastro uma pessoa menos sozinha, uma confiança reconstruída, uma
possibilidade que antes não existia.
Nessa transição, a forma da
alegria também se transforma. Não se trata mais apenas da satisfação de ter
atendido às próprias necessidades, mas da alegria de ver os outros encontrarem
seu próprio caminho. O rosto feliz de um irmão ou irmã deixa de ser prova da
nossa própria capacidade: torna-se uma dádiva da qual podemos nos alegrar, sem
precisar possuí-la. A realização alheia deixa de parecer algo que ocupa espaço
dentro de nós. Podemos desejá-la, apoiá-la, celebrá-la. Não se trata de negar
nossas próprias necessidades ou nos apagar, mas de abandonar a expectativa de
que tudo deva retornar para nós. O amor que recebemos abre a possibilidade da
alegria compartilhada.
A proposta da semente de
mostarda e do fermento na massa, portanto, abrange um amplo horizonte: a
alegria do mundo. Começa no segredo de uma consciência habitada pelo amor e se
expande na aceitação, no alimento e na felicidade dos irmãos e irmãs. Não promete
uma existência insignificante, mas um significado que já não precisa se impor.
Como a luz da aurora, esta vida não exige que todos a contemplem: permite-nos
ver melhor o que nos rodeia. E talvez a sua maturidade se reconheça
precisamente aqui, quando a pergunta "Quem me nota?" dá lugar a
outra, mais livre e luminosa: "Quem pode encontrar vida na minha
presença?".
