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sábado, 4 de abril de 2026

V DOMINGO DE PÁSCOA

 




Atos 6, 1-7; Salmo 32; 1 Pedro 2,4-9; João 14,1-12

 

Paolo Cugini

 

 

Durante a Páscoa, a liturgia nos permite ouvir diversas passagens do livro dos Atos dos Apóstolos, que narram os primórdios da comunidade cristã. Ao ouvirmos essas passagens, somos confrontados com as escolhas que os discípulos enfrentaram ao se verem sozinhos para dar continuidade à obra do Mestre. Não era fácil entender como ajudar os neófitos a abraçarem esse novo caminho, especialmente os de origem judaica. Séculos de história não podem ser apagados em pouco tempo, principalmente quando se trata de religião, costumes e rituais semanais. Além disso, novos problemas surgiram da experiência inédita das comunidades cristãs, apresentando desafios nunca antes vistos ou vivenciados, que exigiam novas respostas evangélicas. Como os primeiros cristãos abordaram a vida de uma nova maneira? Que escolhas fizeram?

Não nos convém deixar de lado a palavra de Deus para servir às mesas (Atos 6:1ss). A primeira leitura ajuda-nos a responder à questão que formulámos. De facto, a passagem dos Atos dos Apóstolos fala de um problema que surgiu na primeira comunidade. É um problema concreto, muito real, que exigia respostas claras e imediatas. Há pessoas na primeira comunidade que se sentem discriminadas. São as mulheres de origem grega que percebem o favoritismo da comunidade para com as mulheres de origem judaica. Trata-se, portanto, de uma questão significativa, que diz respeito à justiça e ao sentido da caridade. Os apóstolos são convidados a intervir. A escolha que fazem é crucial para o futuro da comunidade. Percebem que, se quiserem continuar no caminho de Jesus, não podem separar-se da sua palavra. Afinal, foi precisamente isso que Jesus lhes disse antes de morrer. No Evangelho de João, durante a Última Ceia, Jesus, dirigindo-se aos seus discípulos, repete várias vezes a mesma frase: permanecem em mim (João 15:12). Por isso, diante do problema mencionado, os discípulos não hesitaram em afirmar que o ponto de partida para cada decisão tomada pela comunidade, mesmo as mais difíceis como as que enfrentavam, não poderia ser ignorar a palavra do Senhor. Além disso, nessa circunstância, eles perceberam sua própria vocação, sua identidade, que se dá pela fidelidade ao ensinamento do Mestre contido no Evangelho. Mesmo que o problema que enfrentavam fosse tão delicado quanto servir à mesa, servir aos pobres, uma questão de caridade, que é central no ensinamento do Mestre, os discípulos compreenderam que seu mandato era a adesão ao Evangelho, que a comunidade, para continuar no espírito de Jesus, deve sempre se referir à sua palavra, ao seu ensinamento. Portanto, a comunidade deve sempre ter pessoas cuja prioridade seja ouvir o Evangelho, aprofundar-se e estudar a palavra de Jesus, para que as escolhas feitas na comunidade estejam sempre em conformidade com o ensinamento do Senhor.

A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo (1 Pedro 2:7). A primeira carta de Pedro, lida na segunda leitura de hoje, nos lembra outro critério importante inspirado pela mensagem de Jesus, que a comunidade deve compreender para guiar suas escolhas. Trata-se de entender que a comunidade que segue o exemplo do Senhor não busca o sucesso, a afirmação no mundo, ou seja, a glória dos homens. " Se me odiaram, também vos odiarão " (João 15:8). É o que Jesus diz aos seus discípulos no contexto da Última Ceia, advertindo-os de que o que encontrarão ao seguir o seu caminho será um contraste evidente com aquele mundo construído sobre o egoísmo, que não aceita a partilha, a justiça ou a preocupação com o menor. A comunidade cristã apresenta-se como uma alternativa à lógica do mundo, à dinâmica da opressão e da violência, à lógica da injustiça que cria um mundo desigual em que os pobres são cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. A comunidade que se reconhece na proposta de Jesus e acolhe o seu espírito deve preparar-se para viver em tensão, para ser uma pedra rejeitada que, com o tempo, se torna uma pedra angular, o alicerce de um novo mundo, de uma forma de estar no mundo que realiza o Evangelho de Jesus.

“Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,1). Jesus nos mostrou o Pai, revelou-o a nós em suas ações e palavras. Ele nos fez entender que o Pai não está no céu, distante, em sua suposta onipotência, mas podemos vê-lo quando lava os pés de seus discípulos, quando cura leprosos ou quando alimenta os famintos. Tudo isso é escandaloso e causa resistência, tensão, escândalo. É difícil abrir mão da própria visão de mundo, especialmente quando se trata de religião, de formas de compreender tradições e cultos. Em todo caso, quando a comunidade reproduz esses gestos de Jesus, torna-se uma pedra de tropeço, uma novidade absoluta, e o mundo pode ver o Pai e crer nele. 

 

sábado, 24 de agosto de 2024

DOMINGO XXIII/B

 






(Is 35,4-7a; Sl 145; Jo 2,1-5; Mc 7,31-37)

Paulo Cugini

 

A leitura fundamentalista da Palavra de Deus, ou seja, a interpretação literal, não só não é boa porque não leva em conta o contexto histórico e cultural em que um texto foi escrito, mas sobretudo porque tende a valorizar dados que, tomados no contexto, eles são, em vez disso, marginais. Ouvindo o trecho evangélico de hoje percebemos quão verdadeiramente, como diz São Paulo: “A letra mata, é o espírito que vivifica ” (2 Cor 3,6). Portanto, não basta ler o Evangelho, é preciso dedicar tempo, meditá-lo, deixar que o Espírito nos conduza às profundezas da Palavra.

Jesus, tendo saído da região de Tiro, passando por Sidom, dirigiu-se ao mar da Galileia em todo o território da Decápolis.

O milagre dos surdos e mudos num território pagão como Decápolis vai muito além dos puros dados materiais. O caminho em si é bastante rebuscado. Basta pegar num mapa para perceber que o caminho indicado por Marcos não é geográfico, mas teológico. É, de facto, um pouco estrango passar pelo território da Decápolis para ir de Sidon em direção ao Mar da Galileia, porque não está na estrada, por assim dizer, mas é preciso querer ir para lá. Com este caminho Marcos quer sublinhar que a mensagem de Jesus é para todos, não apenas para um pequeno grupo, para as pessoas habituais que se reúnem na sinagoga. Jesus quer levar a todos a sua mensagem de salvação e, por isso, muda o caminho. Seria interessante aproveitar estes simples versículos para verificar o desejo das nossas comunidades de levar o Evangelho a quem está fora do perímetro da igreja, o que há deste movimento missionário, que pensamentos expressamos para este caminho que Jesus inaugura visitando o território da Decápolis.

Depois, olhando para o céu, Jesus soltou um suspiro e disse-lhe: “Efata”, isto é: “Abre!”. E imediatamente seus ouvidos se abriram, o nó de sua língua foi desatado e ele falou corretamente.

Existe uma cura material que diz algo espiritual. Sem dúvida, Jesus realizou um milagre que, no entanto, na perspectiva do anúncio do Reino que Jesus realiza, significa algo mais. Existe um ouvido da alma, por assim dizer, que precisa ser atendido. Há uma resistência à Palavra de Deus, à sua proposta, que vem de muito longe. Anos de vida arrastados pelos instintos, ao serviço do próprio egoísmo, deixam uma marca profunda, um vício crónico à vida material que já não permite perceber a dimensão espiritual da existência. Não é por acaso que foram os amigos que trouxeram o doente até Jesus para curá-lo. Ele estava tão mal, estava tão entorpecido pelo vício do mal que não ouvia mais, que não ouvia mais ninguém.

Ele o chamou de lado, longe da multidão, colocou os dedos nos ouvidos e tocou sua língua com saliva; então olhando para o céu, ele soltou um suspiro.

Como Jesus cura o surdo-mudo? Levando-o de lado, longe da multidão: por quê? O que isso significa? Há uma relação pessoal que Jesus quer construir para comunicar vida. Sua força dada à humanidade não é um truque de mágica a ser aplaudido, mas um presente a ser acolhido. Também os gestos que Jesus faz na cura são importantes: os dedos nos ouvidos e a saliva com que toca a língua. Gestos que indicam que a cura que Jesus veio trazer é feita do mesmo material de nós. Não há uma intervenção prodigiosa, algo estranho que provoque a cura do surdo-mudo, mas simples gestos humanos, que utilizam elementos humanos. É com a nossa própria humanidade que Jesus nos transforma e nos cura das formas de surdez que não nos permitem compreender a sua Palavra e, consequentemente, dizê-la com a nossa voz e com a nossa vida.

Depois há o último aspecto da jornada de cura e é Jesus olhando para cima e soltando um suspiro, como se dissesse que os elementos materiais não são suficientes, mas precisamos colocar tudo nas mãos de Deus. Este é o significado da oração profunda, que começa com a consciência de si mesmo, do próprio caminho, incluindo as próprias deficiências, para se abrir ao mistério, buscando a vontade do Pai. Isto significa que Deus aparece à nossa vista através da nossa humanidade.

 

terça-feira, 28 de novembro de 2023

A LUZ DA VIDA João 7 – 8

 




 

 

 

 pe Paolo Cugini

João 7 – 8

 

7-8     Descreve o ministério de Jesus desde sua partida definitiva da Galiléia até as vésperas da semana que     procede a Páscoa.

Durante a festa das tendas, Jesus está ensinando no templo de Jerusalém.

Segundo o Quarto Evangelho, o ministério de Jesus na Judéia é ao mesmo tempo seu processo de condenação pelas autoridades judaicas, processo que os sinóticos situam após sua prisão.

João situa antes do discurso da vida pública o confronto entre o enviado de Deus e seus juizes: sobre um fundo fanático de hostilidade e de não – fé , Jesus prossegue  a revelação de sua identidade e da missão que recebeu, afirmando a revelação sem igual que o une a Deus, seu Pai, e proclamando um solene EU SOU.

“A pergunta quem és tu?” feita a Jesus pelos judeus (8, 25) subjaz ao texto dos capítulos 7-8 e o ensinamento de Jesus progride ao longo dos capítulos para culminar no EU SOU de 8,58; esta proclamação final responde ao pedido dos irmãos “ Manifesta quem tu és!” (7,4).

 

Alguns dados gerais:

1.           situação da Igreja joanina:

O texto reflete as controvérsias que, na época do evangelista opunham os meios oficiais do judaísmo aos discípulos de Jesus. Desde a queda de Jerusalém sob o poder dos romanos no ano 70 e a destruição  do templo que havia posto fim ao culto tradicional, ortodoxia farisaica permanecia como único garante da identidade judaica e da cesão do joio. Daí seu enrijecimento com relação a todo grupo distinto, em particular o dos cristãos de origem judaica.

Diante da recusa da sinagoga, o evangelista deixa de lado os múltiplos ensinamentos de Jesus que a tradição sinótica relatara, e até o comportamento de Jesus para com os deserdados da terra, para concentrar a mensagem exclusivamente na pessoa do enviado e em seu mistério. Ele mostra em Jesus bem mais que o Messias de Israel; mostra o logos porque o Pai se expressa e em quem os fiéis participam da filiação divina.

 

2.      Situação na narração evangélica -  Jesus já subiu duas vezes a Jerusalém (2,13 e 5,1) mas as breves estradas que o fizeram conhecido na cidade foram marcadas por ameaças contra Ele.

Esperando a chegada da hora, desenvolve-se o processo de condenação de Jesus diante dos Judeus, bem antes da prisão efetiva. Os capítulos 7 – 8 apresentam o primeiro ato, cujo tom já fora dado pelo capítulo 5. Este processo prossegue até o capítulo 10.

        

         3.  No templo: O confronto de Jesus com seu povo passa-se  no lugar sagrado. Após a tentativa de               apedrejamento provocado por seu supremo anúncio, Jesus “sai” do templo (8,59)   como não pensar em YHWH  que abandonou o santuário (Ez 11,23) ?.

              Jesus não ensinará mais no lugar santo, ele vai mesmo deixar a Judéia e retirar-se para além do Jordão (10,40).

 

4.      Na festa da Tendas – A festa das tendas ( das cabanas) é uma das mais importantes entre as quatro festas principais do ciclo anual ( Páscoa, Pentecostes, Tendas, Dia das Expiações) . De origem agrícola, ele corresponde à festa da colheita que se celebrava no outono (Ex 23,16); habitava-se então em cabanas construídas com folhagem, semelhante aos abrigos que se usavam nos vergéis no momento da colheita. Por sua vez, eles recordavam a vida dos hebreus no deserto no momento da saída do Egito ( Lv 23,42 a ) – Na época do Novo Testamento, a festa das Tendas  coroava a do Ano Novo e era celebrada de 15 a 21 tishri, isto é, mais ou menos no fim de setembro.

 

 

 

 

 

 

Se, Segunda a descrição de Lv 23, 34-43), esta festa era em agradecimento pela colheita obtida, sua liturgia, era orientada para o pedido da chuva para o ano que se iniciava. No último dia, ia-se em procissão à piscina de Siloé  tirar a água que um sacerdote derramava  em libação sobre o altar dos sacrifícios, dentro do templo.

        Lembrando a Deus seu compromissos para com Israel, a prece comunitária evocava também o fim dos tempos conforme as profecias que anunciavam, mediante o símbolo da fonte, a renovação espiritual de Sião. (Ez 47,1-12) fala da água que sai do lado direito do templo e Isaías anuncia: Tirareis com alegria a água das fontes da salvação” ( Is 12,3).

 

       No século I, em rito da luz também era celebrado durante a festa. Este de pano de fundo       litúrgico dos capítulos 7 e 8 permite melhor situar o apelo de Jesus para beberem da sua água e também, sua autoproclamação como luz do mundo.

 

5.    Os personagens – sozinho diante dos judeus, na ausência de qualquer discípulo, Jesus aparece perfeitamente livre, iluminado interiormente pela consciência de sua unidade com o Pai e de sua missão.

       Diante dele, os outros atores são representados em grupos: os irmãos, a multidão, algumas pessoas de Jerusalém, as autoridades, os fariseus e os sacerdotes, os guardas do templo e, de modo geral, os judeus.

       Estes grupos estão todos alvoroçados, agitados por sentimentos diversos. No proxênio , a multidão de peregrinos e de pessoas de Jerusalém distribuíam-se em facções de tendências opostas ou então se debatem entre as evidências contrárias a respeito de eventual Messias.

       Entre Jesus e seus interlocutores não haverá diálogo algum porque eles permanecem fechados a todo anúncio que não se enquadra em seu sistema de pensamento (8,43).

      

6.   Dois perigos maiores ameaçam o fiel que se apoia num texto revelado. O primeiro é o tradicionalismo. Os “ judeus” do relato têm certa razão de agarrar-se à tradição da Lei; eles erram ao fechá-la num sistema que não deixa mais espaço ás aberturas que ela mesma contém, nem a Deus, o vivente, que renova sem cessar as leituras que o homem faz da Sagrada Escritura. Eles preferem a letra bem estabelecida ao espírito que nem sempre predomina. Jesus falava de “palavra” e de “ensinamento”; eles se referem às santas Letras, da qual se consideram os depositários: Deus exprimiu-se num texto num texto definitivo. Assim encarado, este não arrisca sufocar a Palavra viva? E eis o tradicionalista resvalando pelo declive do integrismo.

       Um segundo perigo ameaça aquele que, conscientemente, se interessa por levar à prática os preceitos de sua Igreja. Para apreciar a qualidade de um comportamento, ele julga a partir da observação ou da transgressão de uma Lei cujo sentido foi fixado numa prática  precisa, que não admite exceção. Considerando-se fiel a estes mandamentos, o praticante arrisca julgar o comportamento dos outros sob o prisma de sua ótica estreita. Como poderia ele abrir-se, então, ao apelo bem mais abrangente que lhe dirigem os “incrédulos” e os abandonados da terra?

       Na origem destas atitudes deformadas está certa concepção da Lei. A Lei vale na medida em que mostra a vontade de Deus e é o caminho da Palavra viva. Se o decálogo não convida ao diálogo, ele se torna um simples catálogo, colete que pode fazer a pessoa manter-se ereta, mas que paralisa o mensageiro de Deus. Jesus chama todo homem, não a afastar a Lei, mas a ouvir Deus que fala através dela. Enquanto S. Paulo se empenha em mostrar qual é o verdadeiro cristão, João provoca seu leitor para tomar consciência de qual é o verdadeiro judeu, aquele põe em prática as riquezas da Lei.

 

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

HOMILIA 12 NOVEMBRO 2023

 



XXXII DOMINGO TEMPO COMUM

Sb 6,12-16; Sal 62; 1 Tessalonicenses 4,13-18; Mt 25,1-13

 

Paolo Cugini

 

Aproximamo-nos do final do ano litúrgico e, como sempre, a liturgia da Palavra oferece-nos leituras que podem ajudar-nos a verificar o nosso caminho de fé pessoal e comunitário. Este é um aspecto que merece ser sublinhado. Somos, de fato, povo de Deus a caminho e, precisamente porque percorremos um caminho novo, que é o apresentado no Evangelho, é possível corrigir os erros cometidos, medir melhor o potencial, identificar os pontos sobre os quais podemos trabalhar, para fazer o Caminho que mais se adapta à proposta de Jesus. Por isso, o tempo de verificação que nos é oferecido é de fundamental importância e deve, portanto, ser levado a sério. O risco é caminhar sem parar e nos perder por aquela falta de humildade que nos faz acreditar que podemos ir sozinhos de cabeça baixa, sem nunca parar. Ouçamos, então, os conselhos das leituras de hoje.

O reino dos céus será como dez virgens que pegaram suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo. Há um primeiro fato geral na parábola que Jesus conta hoje, que orienta todo o nosso caminho cristão. Dizem-nos, de fato, que o caminho que percorremos é caracterizado pela alegria, é como uma festa de casamento. Além disso, os profetas, como o profeta Oséias, já utilizavam a imagem do casamento para simbolizar a relação entre Deus – o noivo – e a noiva, ou seja, o povo de Israel. Esta imagem nos lembra que somos chamados internamente a uma relação de grande intensidade, de pertencimento, que também remete a responsabilidades. Antes de tudo, porém, existe o aspecto da alegria que marca o relacionamento conjugal. A caminho, portanto, com os irmãos da comunidade com uma atitude marcada pela alegria, porque marcada pela percepção de ter encontrado o máximo que poderíamos ter sonhado.

Cinco deles eram tolos e cinco eram sábios; as insensatas pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram consigo o azeite; as sábias, porém, junto com suas lâmpadas, também levavam óleo em pequenos recipientes. Esta é uma das passagens que teve muitas interpretações. Na parábola que Jesus conta aos seus discípulos, as lâmpadas e o azeite são dois elementos centrais para a interpretação de toda a narrativa. O que Jesus quis dizer com lâmpada e óleo? Já disse acima que houve muitas interpretações: tentarei indicar uma, a que me parece mais coerente. Para uma interpretação correta é necessário ter em mente que a lâmpada é uma realidade que todas as dez virgens possuem, enquanto o azeite não. Além disso, não só nem todos têm petróleo, mas aqueles que o têm nem podem emprestá-lo.  A lâmpada provavelmente refere-se à escuta do Evangelho, à proposta de Jesus, que todos podem ouvir. Neste nível podemos inserir também a doutrina da Igreja, que amadureceu ao longo dos séculos e que está à mercê de todos. O óleo, porém, diz-nos a parábola, nem todos o possuem. A interpretação deve levar em conta o que indicamos como lâmpada, que é o Evangelho. Se o Evangelho permanecer apenas na fase da escuta, cai no vazio da nossa vida. A lâmpada do Evangelho torna-se luz que ilumina os passos do caminho de todos aqueles que o põem em prática. Aqui está o óleo! São as boas obras inspiradas no Evangelho, que se referem a uma resposta pessoal. Por esta razão, as cinco virgens sábias não podem emprestá-lo às cinco tolas. Há uma sabedoria indicada pelo Evangelho que não se refere ao estudo, ao aprendizado de noções, mas à inteligência que nos impulsiona a viver o que ouvimos da Palavra. Portanto, quem tenta viver o que ouve é sábio. Não é por acaso que na primeira leitura ouvimos um trecho do livro da Sabedoria que diz assim: A sabedoria é esplêndida e não desaparece, é facilmente vista por quem a ama e é encontrada por quem a procura (Sab 6.12). Aqueles que buscam sabedoria a encontram vivendo o que ouvem.

E a porta estava fechada. Mais tarde chegaram também as outras virgens e começaram a dizer: “Senhor, senhor, abre-nos!”. Mas ele respondeu: “Em verdade te digo que não te conheço.” Este versículo narra o drama de quem acredita conhecer o Senhor simplesmente por ter ouvido a sua Palavra, por conhecer alguns versículos. Existe um conhecimento do Senhor que, na realidade, nos distancia Dele. É esse tipo de conhecimento formal e estéril, que nunca se traduz em ação. É um conhecimento doutrinário, feito de noções nunca vivenciadas de fato na vida. Além disso, o Concílio Vaticano II recorda-nos também que, no mistério da Palavra de Deus, os fatos e as palavras estão intimamente ligados, no sentido de que é uma Palavra que só revela o seu conteúdo específico, a sua verdade quando é vivida e colocada em prática. Esta é precisamente a sabedoria que vem do alto e que encontramos revelada cada vez que a experimentamos.

A minha alma tem sede de ti, a minha carne te deseja numa terra seca, sedenta e sem água (Salmo 62). Há um desejo profundo na nossa alma, que anseia o céu, porque cada pessoa percebe que a nossa vida não se reduz à mera matéria: há algo mais. É o Evangelho que nos dá a indicação de um caminho que pode realizar plenamente a nossa vida e é o Caminho que percorrem todos aqueles que vivem e põem em prática o que ouvem no Evangelho. 

 

sábado, 3 de junho de 2023

A ESTRUTURA DA VIDA CRISTÃ

 



 pe Paolo Cugini

O Deus fala no silêncio do deserto

 

1-     Deus fala ao homem (Heb 1, 19)

2-     É preciso escutar, prestar atenção (Dt 6,4)

3-     Para escutar é preciso fazer silêncio (Lam 3, 26)

4-     Deus fala no deserto (Ex 3,1; anos no deserto; Os 2, 169; Lc 3; Lc 4)

5-     O jeito de Jesus: (procurar lugar afastado, desertos, noite: Mc 1, 35; Lc 6, 12).

6-     Retiro espiritual para imitar a Jesus.

 

[1] “Em princípio Deus criou o céu e a terra”

Gen 1, 1-2,: é a primeira página da Bíblia.

O livro de Gênesis revela que a existência do mundo nasce de uma vontade livre do Criador. Deus quis fazer viver algo – fazer viver é a fórmula elementar do amor.

Amor quer dizer fazer viver. Eu amo alguém quando enriqueço a vida dele a protejo, defendo, quando doa-lhe vida.

Deus disse: seja a luz ...:a existência da luz é um ato de obediência cfr Baruc 3, 34-35

·        O livro do Gênesis quer conduzir-nos rumo este mundo prático de ver as coisas. Reconhecer de dentro da existência uma estrutura responsável.

·        Existir segundo a Bíblia, não significa possuir a existência, mas sim responder a um chamado de amor que te quer, que quer a tua existência e você existe respondendo.

·        É significativo que o livro do Gênesis invista no valor da palavra com que Deus chamam as coisas para a existência. Se têm algo de pessoal na experiência humana é a palavra mesmo: a palavra é minha, sou eu que me expresso.

·        Deus criou o mundo com a Palavra, pois ele não é uma força, uma lei da natureza, mas uma pessoa livre. É por isso que cada vez que Deus cria algo, acrescenta a Bíblia: e viu que era coisa boa.

·        Quer dizer isto? Se é verdade que o mundo tem coisas boas e ruins. É verdade porém, que antes e mais nada, como primeira atitude devo aprender a dizer sim, é coisa boa. E este sim o dizemos com atitude de agradecimento, dizendo isto experimento um sentimento interior de admiração, ou de respeito.

Cfr Salmo 104 (105): encerra desta forma: “dou glória ao Senhor para sempre; que é o nome de: e deus viu que era coisa boa”.

Existir é a mesma coisa que cantar ao Senhor: não tem sentido ser chamados a vida e não responder com uma ação de graça. Se existir é ser chamado a viver, viver quer dizer responder, cantar, louvar, bendizer.

-  O louvor deve acompanhar toda a minha existência.

- Deus criou todas as coisas, porém quando doa ao homem o livro de Gênesis coloca uma decisão de Deus. O homem pode não responder eis me aqui.

- O homem na sua experiência masculina/ feminina é imagem de Deus.

Aquela que Deus possui em cima do mundo a entrega ao homem. O homem no mundo representa, numa certa forma, a imagem de Deus.

 

“Dominar os peixes do mar” – é claro que o homem não tem o direito de abusar do mundo. Na realidade tem a tarefa de injetar no mundo a presença de Deus, é a soberania de Deus, então uma soberanidade de amor, da beleza, do esplendor. O homem pode usar o mundo não por capricho, mas conforme o projeto de Deus.

·        Imagem e semelhança de Deus não quer dizer que o homem parece com Deus assim como ele é, mas ser a imagem de Deus significa que Deus nos doou a possibilidade e a vocação de semelhar-lhe, mas sendo livres podendo dizer sim ou não, podemos contribuir a nossa vida com Deus ou contra Deus.

·        Existe um homem que foi de verdade imagem e semelhança de Deus: Jesus. Para nós o problema é olhar para Ele e fazer com que o nosso caminho toma o seu.

 

- Fazemos o homem a nossa imagem e semelhança: é um presente, mas da mesma maneira é uma tarefa.

 

Então pela manhã abro a janela e vejo o mundo e devo aprender a dizer sim ao mundo, agradecer, pois este mundo vem de Deus. É verdade que neste mundo tem também coisas ruins, mas a atitude radical deve ser de abertura.

 

É claro que esta atitude não posso dirigi-la somente ao mundo, as criaturas: devo fazer isto também comigo mesmo. É importante chegar a esta visão de fé, a dizer sim a nossa vida sem condições, e me aceitar do jeito que sou.

 

- A minha vida Deus disse sim e me chamou por nome: existe o sim de Deus sobre a minha existência: Deus me aprovou!

- Este sim de Deus me sintoniza com a vontade de Deus e me ajuda a transformar em positivo a minha vida – cada pessoa é chamada a crescer. Se devo mudar em positivo a minha vida, devo começar daquilo que a minha vida é.

- Nestes dias de Retiro é bom fazer a lista das coisas que devo aprender e aceitar.

 

Salmo 8: no oriente da Bíblia só Deus possui a glória. Tu Senhor, coroaste de glória o homem. Não é um caso que o N.T aplicou a Jesus esta expressão.

 

É importante aprender e dizer sim e acertar os não. O problema é começar destes não para criar uma atitude mais positiva perante o mundo.

Conselhos para o retiro...

 

[2] Eterna é a sua Misericórdia

 

Salmo 136 (135) é dividido em 2 partes com um refrão que acompanha o Salmo todo.

1-9: fala da obra da criação.

10-22: depois é narrada a obra de Deus quando libertam Israel do Egito.

23-26: conclusão onde o passado entra no presente.

 

O que quer dizer o refrão? “Eterna é a sua misericórdia”

Misericórdia – Hesed – amor fiel.

Indica a fidelidade deste amor que uma vez dado é guardado com perseverança.

Eterna: não significa fora do tempo, se voltamos no passado, e um ano atrás encontraremos sem dúvidas coisas diferentes, pois o mundo muda. Mas encontraremos sempre a misericórdia de Deus.

Mudam as estruturas de tempo, as obras, os eventos, mas a misericórdia de Deus fica.

- Então estamos indo rumo a um futuro que é incerto e nos deixa inquietos, mas sobre a misericórdia de Deus podemos contar.

Eterno-abrange todo o tempo na sua totalidade.

Quando a Bíblia narra a experiência de Israel, narra um fragmento desta misericórdia, , um fragmento que é significativo por toda a história humana. Naquela aparentemente pequena história [ e libertação do Egito] Deus manifestou a sua misericórdia.

 

É o que esta misericórdia?

Ex 2, 23-25: é um povo esmagado que não consegue fazer outra coisa que gritar a Deus. E Deus fez o que? Escuta, lembra, vê, conhece.

A misericórdia de Deus é esta: Ele não fica indiferente quando as pessoas passam necessidades, mas se deixa envolver da miséria humana, de brado de desespero.

- Vamos colocar estes verbos em referimento a nós, que Deus escute quando gritamos; que Deus se lembre de nós; que Deus se compromete para conosco; que Deus veja aquilo que estamos passando; que Deus conheça a nossa vida.

- Nesta história Deus não fica envolvido só afetivamente, mas efetivamente – prepara um libertador – Moisés para libertar o seu povo.

Só que Moisés colocou uma objeção: “como se chama (Deus)?” (Ex 3, 13-15). O problema é o nome de Deus. Deus tem um nome? Se não tiver um nome não existe, pois o nome expressa a identidade de alguém.

Do outro lado se conhecermos o nome de alguém o definhamos, podendo compreendê-lo. Por isto Deus é inominável.

- Existe então uma tensão, Deus não pode ser sem nome, pois seria sem identidade, mas nem pode ter um nome, pois seria manipulado.

Deus respondeu a Moisés! “eu sou aquilo que sou”

 

Eu sou é o nome de Deus? De certa forma sim, pois expressa a experiência de Deus. Deus garante isto: Eu sou: naquela experiência de opressão você não fica sozinho. Pois eu estarei aí – que Deus é presente o povo o verá em várias circunstancias (cita-las) .

Desta forma afirma-se que não somente Deus existe, mas existe como salvador, como um Deus que vive perto, que toma de conta de Israel, um Deus de amor e misericórdia. Cfr Os 1, 9

 

Os 2, 16-25: Israel é ligado a Deus com um relacionamento de aliança e a imagem mais linda para expressar isso é o matrimônio. Deus se casou com Israel, amo-a, e Israel viveu este amor no tempo do Êxodo, no deserto. Só que Israel abandonou o Senhor para seguir outras divindades – a essa altura Deus pune Israel, leva-o no deserto e diz: “... não me chamarás mais nem patrão, mas marido meu”.

 

- Israel se dá conta que Deus não é um patrão, mas um marido, relacionamento com Deus, não é de submissão nobreza, mas de amor fiel. Deus quer uma esposa, ou uma serva. É preciso que Israel reconhece a verdadeira identidade de Deus. Deus é um marido que exige obediência, mas a obediência de amor e de fidelidade.

 

Os 2 20-ss: Não somente é pacificado Israel, mas o mundo inteiro, pois o pecado de Israel, do homem, foi uma desolação do mundo inteiro e então reflorescera o paraíso, - lugar da plenitude da vida, da alegria.

“Então eu me casarei”.

 

(Os 2, 22): Quando o hebreu se case, paga ao pai da esposa um preço – para obter Israel Deus paga um preço, leva a própria esposa, como presente das bodas: o direito, a justiça, o amor, a fidelidade.

 

Por que isto?

Oséias percebeu que o homem deixado sozinho, não consegue responder ao lado de Deus. O homem consegue perceber o amor de Deus, mas vive em realidade de fraqueza interior, que não da pra protelar de muita fidelidade. (cf Os 13, 3).

 

O problema é que o coração de Israel é doente de infidelidade e não consegue aguardar a hesed, o amor fiel pra sempre.

A misericórdia de Deus é eterna, a misericórdia do homem é efêmera então Deus leva esta misericórdia como presente de bodas –  dentro da vida do homem na fidelidade que o homem deseja sem conseguir a viver, então doa-lhe a justiça (o respeito da realidade, do valor das coisas e das pessoas); o direito ( a observância da lei de Deus),  a benevolência (a capacidade de comover-se, ter um coração, entranhas que sabem comover-se perante ao outro). O amor (o amor fiel).

Fidelidade – é a confiança

Israel recebe de Deus como dádiva esta fidelidade. Então daquilo que Israel vive podemos ter confiança. Só a esta altura Israel conhecera o Senhor.

Conhecer – é um conhecer por experiência e não por estudo – conhecer por ter feito a prova de algo.

 

Os 2, 23 – Tem uma expressividade corrente no verbo “responder” e é importante. Defeito uma das experiências, mas dolorosas é aquela vai obter resposta. Eu falo e o outro vai e entende ou eu falo e o outro vem prestar atenção – Esta falta de comunicação neste dia será frisado e formara uma corrente de correspondência.

 

Os 2, 25 – A rachadura é consertada.

Nestes textos bíblicos tem a experiência de uma comunhão de amor entre Deus e o homem, Deus que foi em busca do homem para construir com ele uma ligação de fidelidade. Aqui existe a manifestação de Deus que do homem e, do outro lado, do homem que experimenta o ser conhecido por nome e amado por nome.

Isso chama-se eleição.

Cada um de nós é tudo para Deus.

Eu tenho um valor perante a Deus que não pode ser comprado com nenhuma coisa do mundo.

- É preciso então colher o significado da nossa vida perante Deus como relacionamento de amor, de comunhão.

 

Is 43, 1-7

“Aquele que te criou” criar, quer dizer, fazer do nada, fazer algo de maravilhoso que só Deus é capaz de fazer.

“Aquele que te formou” cf o oleiro com o barro. O barro é algo que não tem valor, mas a arte de Deus é grande.

“Não temos, pois, eu te redimir...” redimir é uma expressão tipicamente bíblica. Deus pagou um preço pra resgatar Israel e também Deus considera do mesmo sangue de Israel, perante próxima; Deus pagou o preço para o resgate de Israel, pois sentiu-se envolvido na sua liberdade. Deus é parente com o homem por eleição.

 

“Eu te chamei por teu nome” eu te dei a tua identidade. No relacionamento de amor, nós descobrimos a nossa identidade. O fato que tu me queres bem dá um sentido, uma identidade a minha vida.

 

     


sexta-feira, 2 de junho de 2023

SEGUNDA CARTA AOS CORINTIOS CAPITULO 5



ESTUDO BÍBLICO para CEBs

 

Pe Paolo Cugini

 

 

 1-2: a vida em tendas recorda aos israelitas a vida patriarcal e a caminhada pelo deserto (encenada na festa das Tendas). A imagem se aplica ainda ao individuo (Is 38, 12; Jo 4, 19-21). O oposto são as casas que eles encontraram já construídas na terra prometida (Dt 6, 11; Is 24,13) – a casa celeste, sendo construída por Deus, é perspectiva.

 

3-4: Os judeus consideravam a nudez ofensiva, recordação permanente do pecado (Nóe, Gen 9,18ss; 2Sm 10,4; Is 20). Nu aqui equivale a morte. Por isso, o “nu” se veste, o vestido “vive” se reveste.

“Absorvido” corresponde talvez ao hebraico bl’ que significa também aniquilar (Is 25, 8 “aniquila a morte”).

 

5-8: Perante a alternativa de medo e esperança adiante ao destino de morte, Paulo responde com a certeza da fé. Deus criou o homem para viver. A garantia (?) que Deus completará a obra iniciada está no dom do Espírito. O espírito espiritualiza o corpo e a natureza do homem.

 

Talvez seja lembrança do exílio babilônico, com saudades de Sião (Sl13,7), experiência histórica exemplar (Hb 11, 13) e experiência individual dolorosa (Sl 120,5).

 

7: Aqui na terra ser com Cristo é sempre um caminhar na fé. Se na missão estamos claramente com o Senhor.

 

8:  O apóstolo e o cristão, desejam sair do corpo e morar com o Senhor. A comunhão com o Senhor  ficará também na morte e além da morte, e então é superado qualquer temor da morte. É a confiança que Paulo tenta infundir aos Tessalonicenses (1Tes4,17ss).

 

9-10: A esperança cristã não é uma fantasia. O esforço terreno deve ser aquele de agradar o Senhor.

No juízo o homem receberá a recompensa segundo o bem e o mal que fizera.

 

11: O temor de Deus é o fundamento do ministério de Paulo. Por isso, ele se esforça de conduzir os homens a Deus através da preparação.

 

12: A Igreja de Corinto deveria ser orgulhosa de Paulo.

 

14-15: Pela morte de Cristo morremos ao pecado e ao egoísmo. Vivendo para Ele, saímos do fechamento e vivemos da verdade: Cristo morto e ressuscitado por nós (por amor) nos oferece sua transcendência (anti-egoísmo) salvadora (cfr, Rom14,7-5). Sendo que Cristo morreu para todos e no lugar de todos, todos morreram. Cristo, na cruz, representa a humanidade toda, de maneira que a morte de Cristo é, no mesmo tempo, a morte de toa humanidade. Em Cristo a condenação de Deus foi pronunciada sobre todos, pois todos foram pecadores e na morte de Cristo a sentença foi executada em todos (cfr. Sentido de batismo em Paulo). Todos agora podem dizer: Eu sou crucificado com Cristo (Gal 2,13).   

 

15 – Cristo ressuscitou da morte – a comunhão com ele na morte produz o caminho com Ele na vida. Sendo ressuscitado Cristo, também nós vivemos com Ele e nele. (Rom 6, 8). Aquele que se encontram numa nova vida, não podem mais viver pra si mesmos, mas devem ser com toda a vida a serviço daquele que para eles morreu e ressuscitou. (cf Rom 14, 7).

 

16 Carne – transitoriedade tirana e mundana.

 

Ter conhecido Cristo na carne não tem valor nenhum. Aquilo que vale é pertencer ao Cristo glorificado que opera na Igreja.

 

17 – A Igreja é minha nova criação; o cristão é o homem novo.

 

A nova criação é real apesar de ser escondida com Cristo em Deus (cfr Col 3, 4s). Pela fé esta é a certa. Um dia quando Cristo será manifestado também esta nova criação será manifestada. Até aquele dia a nova vida.

 

É um empenho que deve ser realizado cotidianamente (cf Rom 6,4) – cf Ap 21, 5 – o renovamento do mundo na salvação não é só um evento realizado uma vez no passado: isso é atualidade sempre presente. Deus é aquele que sempre vence o passado através do perdão e da nova criação (cf 1 Jo 3, 20).

 

Esta nova criação não é obra do homem, mas vem de Deus, que é o criador. A nova criação tem o seu fundamento mais profundo no fato que o relacionamento de Deus para com os homens agora se tornam um outro. O pecado, que até agora se colocava no meio entre os dois, agora foi tirado. Deus mesmo o tirou, criando uma condição de paz. Esta obra de salvação é a reconciliação.

 

Deus cria um novo relacionamento entre si e o mundo quando justifica o pecador. (Rom 3, 26) – Deus, que realizou a reconciliação e a paz, fundou na Igreja o ministério da reconciliação.

 

19: Em Cristo Deus manifestou-se ao mundo. Manifestou-se como o Deus Santo o justo, exigindo a expiação para o pecado, expiação que lhe foi ofertada do Filho sobre a cruz. Mas Deus se manifestou também como o Deus misericordioso perdoando e acolhendo o homem. (cf Col 1, 20; Jo 3, 16; 1 Jo 2,2).

 

20: O ministério da reconciliação foi entregue a Igreja.

 

21: Paulo explica o porquê da reconciliação entre Deus e o mundo agora é agora possível e porque os homens podem ser considerados justos perante Deus. Cristo na cruz foi feito pecado e deste modo fomos justificados perante Deus. (cf gal. 3, 13; Dt 21,13)

 

Aconteceu uma troca – cf Rom 3, 22-26

 

Cristo mesmo interpretou assim o seu ministério (Mc 10, 45).