sabato 4 aprile 2026

SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA

 




Atos 2,42-47; Salmo 117; 1 Pedro 1,3-9; João 20,19-31

 

Paolo Cugini

 

Entramos no Tempo Pascal, um tempo litúrgico rico em novas perspectivas e propostas com profundo impacto na vida das comunidades cristãs. Há uma novidade que guia nossas escolhas, uma vida que resiste à dinâmica do tempo e se oferece como um dom gratuito para a nossa existência. A ressurreição de Jesus lança luz sobre a história, guiando todos os que buscam um novo modo de viver. A Ressurreição de Jesus fala da bondade de suas palavras, da verdade de seu propósito. Escutemos, então, as leituras deste domingo, perguntando-nos: onde podemos encontrar os sinais do Senhor ressuscitado para reconhecê-lo e segui-lo?

Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações (Atos 2:42). É na comunidade cristã que devemos encontrar as características da presença do Senhor ressuscitado na história. A comunidade cristã não é apenas a comunidade que celebra a liturgia, mas o estilo de vida daqueles que participam dela, que se alimentam do corpo de Cristo e escutam a sua palavra. Assim como João reconheceu a presença do Senhor ressuscitado ao ver os panos que envolveram o corpo morto de Jesus, o mundo também deve ser capaz de reconhecer a presença do Senhor ressuscitado nas características da humanidade de Jesus no modo de vida da comunidade. Viver o que ouvimos e o que recebemos é fundamental. Há um novo estilo, uma atenção sem precedentes aos desfavorecidos deste mundo, que revela a presença do Senhor ressuscitado. Quando a comunidade propõe caminhos de partilha, caminhos de justiça e igualdade, caminhos de perdão e paz, significa que o Espírito do Senhor ressuscitado está presente naqueles que vivem dessa maneira. Para vivermos como Ele e manifestarmos a Sua presença ao mundo, devemos aderir a Ele, permanecer no Seu Nome e perseverar. No Evangelho de João, o verbo "permanecer" aparece muitas vezes, especialmente nos capítulos 15 e 16, que registram as palavras de Jesus aos seus discípulos na Última Ceia. São as palavras de Jesus que contêm e, ao mesmo tempo, revelam o novo caminho que Ele próprio trilhou e que comunica àqueles que O buscam. A adesão a Ele, à Sua Palavra, é essencial para permitir que o Seu Espírito nos molde, para formar em nós as características da Sua humanidade.

Para uma esperança viva, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que sois guardados pelo poder de Deus mediante a fé, para a salvação que está prestes a ser revelada no último tempo (1 Pedro 1:4). Esta nova jornada é possível porque no coração da comunidade existe uma esperança viva, que não é fantasia, mas uma esperança que remete à realidade narrada pelas testemunhas que encontraram o Senhor ressuscitado. A fé em Jesus e a confiança em sua proposta de vida nova são possíveis quando a comunidade abre espaço para a esperança. As palavras de Pedro foram proferidas num contexto em que a comunidade vivenciava um período de grande perseguição e, consequentemente, era fácil cair no desespero. Pedro, portanto, encoraja os membros da comunidade, lembrando-lhes que a esperança sobre a qual construíram suas vidas não é vã, não é fruto de ilusões e fantasias, mas   sim uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível.

Jesus aproximou-se, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!" Depois de dizer isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. E os discípulos alegraram-se ao verem o Senhor (João 20:20). As três leituras propostas hoje caracterizam-se por um grande realismo, por uma profunda concretude. Este aspecto deve levar-nos à reflexão. De facto, costuma-se acusar os cristãos de serem pessoas crédulas, que acreditam em contos de fadas, e por isso, muitas pessoas não se sentem atraídas pela mensagem do Evangelho. Muitas vezes, as comunidades cristãs cultivam tradições religiosas que pouco têm a ver com o realismo expresso nos Evangelhos, tradições que são mais expressões de sentimentalismo religioso surgido em tempos caracterizados por grande ignorância da palavra de Deus. É, portanto, impressionante a forma como Jesus ressuscitado se apresentou aos seus discípulos. Tendo dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. É um corpo que manifesta a presença do Ressuscitado na história. Um corpo que conta uma história, que narra um estilo de vida que desafiou o mundo ao seu redor, porque jamais silenciou as injustiças dos senhores do templo. Um corpo que compartilhou o amor com seus amigos. Um corpo que amou profundamente, até o fim, e que não vacilou nem mesmo diante dos duros golpes da flagelação, da morte humilhante na cruz. É por isso que Jesus mostra as mãos e o lado aos seus discípulos. Esse corpo que amou tão intensamente não foi vencido pela morte, mas está vivo e se torna o fundamento da vida da comunidade. Da mesma forma, a comunidade cristã não só tem belas celebrações e pontificados para oferecer ao mundo, mas deve ser capaz de exibir um corpo que carrega as marcas do conflito com o mundo. São precisamente esses sinais que tornam a presença do Senhor ressuscitado visível e, ao mesmo tempo, crível. Só então podemos dizer: por que procurais entre os mortos aquele que vive?

 

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