Atos 2,42-47;
Salmo 117; 1 Pedro 1,3-9; João 20,19-31
Paolo Cugini
Entramos no Tempo Pascal, um
tempo litúrgico rico em novas perspectivas e propostas com profundo impacto na
vida das comunidades cristãs. Há uma novidade que guia nossas escolhas, uma
vida que resiste à dinâmica do tempo e se oferece como um dom gratuito para a
nossa existência. A ressurreição de Jesus lança luz sobre a história, guiando
todos os que buscam um novo modo de viver. A Ressurreição de Jesus fala da
bondade de suas palavras, da verdade de seu propósito. Escutemos, então, as
leituras deste domingo, perguntando-nos: onde podemos encontrar os sinais do
Senhor ressuscitado para reconhecê-lo e segui-lo?
Eles se dedicavam ao ensino
dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações (Atos 2:42). É na comunidade cristã que devemos
encontrar as características da presença do Senhor ressuscitado na história. A
comunidade cristã não é apenas a comunidade que celebra a liturgia, mas o
estilo de vida daqueles que participam dela, que se alimentam do corpo de
Cristo e escutam a sua palavra. Assim como João reconheceu a presença do Senhor
ressuscitado ao ver os panos que envolveram o corpo morto de Jesus, o mundo
também deve ser capaz de reconhecer a presença do Senhor ressuscitado nas
características da humanidade de Jesus no modo de vida da comunidade. Viver o
que ouvimos e o que recebemos é fundamental. Há um novo estilo, uma atenção sem
precedentes aos desfavorecidos deste mundo, que revela a presença do Senhor
ressuscitado. Quando a comunidade propõe caminhos de partilha, caminhos de
justiça e igualdade, caminhos de perdão e paz, significa que o Espírito do
Senhor ressuscitado está presente naqueles que vivem dessa maneira. Para
vivermos como Ele e manifestarmos a Sua presença ao mundo, devemos aderir a
Ele, permanecer no Seu Nome e perseverar. No Evangelho de João, o verbo
"permanecer" aparece muitas vezes, especialmente nos capítulos 15 e
16, que registram as palavras de Jesus aos seus discípulos na Última Ceia. São
as palavras de Jesus que contêm e, ao mesmo tempo, revelam o novo caminho que
Ele próprio trilhou e que comunica àqueles que O buscam. A adesão a Ele, à Sua
Palavra, é essencial para permitir que o Seu Espírito nos molde, para formar em
nós as características da Sua humanidade.
Para uma esperança viva, para
uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus
para vós, que sois guardados pelo poder de Deus mediante a fé, para a salvação
que está prestes a ser revelada no último tempo (1 Pedro 1:4). Esta nova jornada é possível
porque no coração da comunidade existe uma esperança viva, que não é fantasia,
mas uma esperança que remete à realidade narrada pelas testemunhas que
encontraram o Senhor ressuscitado. A fé em Jesus e a confiança em sua proposta
de vida nova são possíveis quando a comunidade abre espaço para a esperança. As
palavras de Pedro foram proferidas num contexto em que a comunidade vivenciava
um período de grande perseguição e, consequentemente, era fácil cair no desespero.
Pedro, portanto, encoraja os membros da comunidade, lembrando-lhes que a
esperança sobre a qual construíram suas vidas não é vã, não é fruto de ilusões
e fantasias, mas sim uma herança incorruptível,
incontaminável e imarcescível.
Jesus aproximou-se, pôs-se no
meio deles e disse: "A paz esteja convosco!" Depois de dizer isso,
mostrou-lhes as mãos e o lado. E os discípulos alegraram-se ao verem o Senhor (João 20:20). As três leituras propostas
hoje caracterizam-se por um grande realismo, por uma profunda concretude. Este
aspecto deve levar-nos à reflexão. De facto, costuma-se acusar os cristãos de
serem pessoas crédulas, que acreditam em contos de fadas, e por isso, muitas
pessoas não se sentem atraídas pela mensagem do Evangelho. Muitas vezes, as
comunidades cristãs cultivam tradições religiosas que pouco têm a ver com o
realismo expresso nos Evangelhos, tradições que são mais expressões de
sentimentalismo religioso surgido em tempos caracterizados por grande
ignorância da palavra de Deus. É, portanto, impressionante a forma como Jesus
ressuscitado se apresentou aos seus discípulos. Tendo dito isto,
mostrou-lhes as mãos e o lado. É um corpo que manifesta a presença do
Ressuscitado na história. Um corpo que conta uma história, que narra um estilo
de vida que desafiou o mundo ao seu redor, porque jamais silenciou as
injustiças dos senhores do templo. Um corpo que compartilhou o amor com seus
amigos. Um corpo que amou profundamente, até o fim, e que não vacilou nem mesmo
diante dos duros golpes da flagelação, da morte humilhante na cruz. É por isso
que Jesus mostra as mãos e o lado aos seus discípulos. Esse corpo que amou tão
intensamente não foi vencido pela morte, mas está vivo e se torna o fundamento
da vida da comunidade. Da mesma forma, a comunidade cristã não só tem belas
celebrações e pontificados para oferecer ao mundo, mas deve ser capaz de exibir
um corpo que carrega as marcas do conflito com o mundo. São precisamente esses
sinais que tornam a presença do Senhor ressuscitado visível e, ao mesmo tempo,
crível. Só então podemos dizer: por que procurais entre os mortos aquele que
vive?
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