Anotações de Paolo Cugini
Prólogo: 1,1-18
Esta passagem é um ato de amor dentro da totalidade do
mistério de Cristo. João provavelmente elaborou sobre um hino cristológico
preexistente. Esta passagem deve ser lida em paralelo com o prólogo da primeira
carta de João.
1-5 :
No princípio. Jesus, como Filho de Deus, preexistia a tudo o que existe. O
Filho de Deus, a Palavra e a Luz, já estava ao lado do homem em sua luta contra
o mal e o pecado, mesmo antes da vinda do Batista. João torna-se profeta e
prediz a vitória final de Jesus: e as trevas não o venceram.
6-8: O
Batista é informado sobre quem ele era em relação a Jesus e, portanto, qual era
o seu papel. Para a comunidade cristã, o Batista veio como uma testemunha, para
dar testemunho da luz. Ele não era a luz. Jesus o define como uma lâmpada acesa
(5:35), um homem que é luz para os outros, mas que é luz porque a recebe.
9-14: A Luz preexiste à de João. Essa luz tem três presenças
significativas:
1. Ele estava
no mundo, aquele mundo que foi criado por meio dEle. O mundo não O reconheceu:
talvez haja uma referência à idolatria.
2. Ele veio
ao encontro do seu povo. Uma clara referência à história da salvação do povo de
Israel. A Palavra esteve presente ao longo de toda a história do povo. Há uma
referência à desobediência do povo judeu à Lei Mosaica e, portanto, à sua
incapacidade de acolher Aquele que é a Palavra. Nem todo o Israel rejeitou
Cristo.
3. Ele se fez
homem. O Verbo assume a realidade da nossa humanidade e experimenta a nossa
fraqueza. Tenda: simboliza mobilidade, usada por aqueles que estão em jornada.
A tenda evoca o Êxodo. Portanto, um novo Êxodo está começando. Jesus é o sim de
Deus a todas as suas promessas. Há uma referência à experiência pessoal de
João: vimos a sua glória: cf. 1 João 1ss.
15-18 : No Filho Unigênito, os crentes têm a possibilidade de conhecer
verdadeiramente a Deus. Se ouvirmos Jesus com fé, ele nos tornará verdadeiros
filhos de Deus. A linha da catequese de João é a de sua própria experiência:
contemplando o homem Jesus, pouco a pouco, penetraremos no mistério de sua
divindade. Subiremos com ele da terra para o céu.
Um Homem Enviado por Deus 19-42
Primeiro dia: 19-28: Por que lhe perguntam se ele é Elias? Porque uma
das últimas profecias do Antigo Testamento (Ml 3:23) diz respeito ao retorno de
Elias. Falar do profeta em certos círculos era como falar do Messias, razão
pela qual o Batista afirma não ser o Profeta. Existe uma tradição que sustenta
que o batismo era prerrogativa do Messias. Aqui, o Batista diz que seu batismo
é uma preparação para o outro.
Segundo dia: 29-34 : assim como o povo de Israel, o Batista não
sabia que o Messias já estava presente. Ele sabia apenas que o conheceria pelo
batismo (1:33). Somente na narrativa de João sabemos que o Batista
"viu". Segundo Marcos e Mateus, é Jesus quem vê, enquanto em Lucas
ele permanece em silêncio. Uma vez que viu, o Batista pode dar testemunho.
O que João Batista diz sobre Jesus? 5 afirmações:
a. Ele
é aquele sobre quem o Espírito repousou e permaneceu.
b. Ele é quem
batiza com o Espírito Santo: o Espírito Santo que nos é dado é uma força
santificadora e julgadora. Na primeira comunidade, falar do Espírito Santo
significa falar daquele que nos capacita a dar testemunho, porque o Espírito
nos faz nascer de novo. O Espírito Santo nos transforma, tornando-nos aptos
para a missão.
c. Ele
é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo: cf. Is 53:7-12.
d. Ele é o
Filho de Deus: equivalente ao Messias.
e. Ele
é maior do que eu porque existia antes de mim: Jesus não é apenas aquele que
vem depois do Batista, mas é também e sobretudo aquele que o precede, de acordo
com as ideias do prólogo.
Terceiro dia. 35-42 : "Seguir" é o verbo da vocação,
daqueles que pretendem fazer uma escolha de vida: querem tornar-se discípulos
do Senhor. A quem procurais? A pergunta indica uma busca prévia. O Mestre não é
alguém que apenas transmite conhecimento, mas alguém que ensina um modo de
vida. Por isso, é essencial saber onde Ele habita.
Venham e vejam: ver e observar é uma prerrogativa do
discípulo (cf. 1 João 1:1).
André: Ele foi o primeiro a anunciar o Messias. André
buscou, viu e encontrou — isto é, compreendeu quem é Jesus — e, por essa razão,
o proclama.
Quarto dia. 43-51 : Pela primeira vez, ressoa o imperativo:
Segue-me! É Jesus quem escolhe e chama. Para convencer-se de que Jesus é o
Messias, as Escrituras por si só não bastam: é preciso visão. Por isso Filipe
diz a Natanael: Vem e vê.
A comunidade cristã da época de João entendia que
Jesus era o templo de Deus. O cumprimento das Escrituras vai além do que era
esperado. A realidade sempre supera as promessas.

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