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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM/C 19 JANEIRO 2025

 




 




(Is 62,1-5; Sl 96; 1Cor 12,4-11; Jo 2,1-11)

 

Paulo Cugini

 

Após o período de férias do Natal a liturgia recomeça com o tempo comum. Esta observação é, sem dúvida, a chave para compreender as leituras que nos foram apresentadas e, em particular, o trecho evangélico. O início do tempo comum convida-nos a olhar com clareza para a novidade de Cristo, a fixar o olhar naquele que, como diz o autor da carta aos Hebreus, é: “ o autor e consumador da nossa fé” (Hb 12, 2). Este convite pressupõe a capacidade de nos livrarmos da religião do passado, de tudo o que encontramos no Antigo Testamento, não porque deva ser jogado fora, mas porque Jesus Cristo o completou e, novamente como o autor da carta aos Hebreus : “ Deus fala de uma nova aliança e, portanto, declara a aliança anterior substituída. E quando algo é velho e velho, está muito próximo de desaparecer (Hb 8:13).

“Naquele tempo houve um casamento em Caná da Galiléia e a mãe de Jesus estava lá” (Jo 2,1).

A festa de casamento como símbolo da vida de fé no Senhor. Sabemos que os profetas anunciaram a vinda do Messias como uma festa de casamento. Na celebração descrita por João, há um problema: falta o vinho, o que significa que falta a alegria, falta o amor. Esta falta é sublinhada pelos seis frascos vazios.

“ Havia seis ânforas de pedra para a purificação ritual dos judeus, cada uma contendo de oitenta a cento e vinte litros ” (João 2:1).

Seis é o símbolo de um número imperfeito e a pedra refere-se às tábuas da lei mosaica escritas na pedra. O vazio destas ânforas pode significar o vazio da religião baseada na observância de preceitos que, ao mesmo tempo que oferecem segurança psicológica a quem os observa, por outro lado provocam sentimentos de culpa em quem luta para seguir este tipo de religião. A experiência da culpa não permite que homens e mulheres vivam uma relação profunda com Deus, porque é percebida como uma realidade que pune e assusta. A relação com Deus veiculada pelos preceitos reduz a relação à mera execução de tarefas e não permite viver na completa gratuidade. As ânforas estão vazias porque a purificação através de ritos externos revelou-se inútil. A verdadeira purificação, de fato, não se faz com um rito externo ao homem, com a água, mas mudando o coração, modificando os desejos da alma. É este vazio de amor, de relações autênticas que Jesus veio preencher. Ele é o vinho novo que não exige mais rituais, sacrifícios, ou seja, toda aquela parafernália religiosa baseada no desempenho pessoal que alimenta a lógica do mérito. O amor que Jesus veio trazer é uma possibilidade oferecida gratuitamente a todos. Há algo novo que Jesus veio trazer e é simbolizado por este evento que é chamado de primeiro dos sinais.

Pois o Senhor se deleitará em você

e sua terra terá um marido.

Sim, assim como um jovem se casa com uma virgem,

seus filhos se casarão com você;

assim como o noivo se alegra com a noiva,

assim o teu Deus se alegrará com você (Is 62,4-5).

     Esta imagem da relação de Deus como relação esponsal de amor é reiterada pelo texto do profeta Isaías escolhido na primeira leitura. Deve haver alegria na relação com o Senhor, porque é uma relação conjugal de amor, e não uma execução de meros preceitos, que geram sentimentos de culpa e sofrimento. Jesus é antes de tudo o Filho amado pelo Pai que veio demonstrar como devemos nos colocar diante de Deus, ou seja, não como súditos, mas como filhos ou mesmo como cônjuges cheios de sentimentos de amor.

A cada um é dada uma manifestação particular do Espírito para o bem comum: a um, de facto, através do Espírito, é dada a linguagem da sabedoria; para outro, do mesmo Espírito, a linguagem do conhecimento; para um, no mesmo Espírito, fé; a outro, no mesmo Espírito, o dom de curar; para um, o poder dos milagres; para outro, o dom de profecia; para outro, o dom de discernir os espíritos; para outro, a variedade de línguas; para outro, a interpretação de línguas ( 1Co 12.4s.).

O texto de Paulo diz-nos que as pessoas cheias do amor do Senhor e esvaziadas da lógica do mérito vivem autênticas relações humanas. O Espírito do Senhor, que se dá gratuitamente, ajuda quem o acolhe a viver o seu serviço com tranquilidade, sem inveja e sem ciúmes. Este é o novo Israel, a nova comunidade de pessoas que se deixaram libertar e moldar pelo espírito do Senhor.


sexta-feira, 26 de agosto de 2022

EVANGELHO DE JOÃO CAPITULO 2

 


 

Comentário pastoral de pe Paolo Cugini

 

 

CAPITULO 2

 

VV. 1-12: ás núpcias de Caná. O milagre que Jesus realizou durante as bodas de Caná, ou seja, de transformar a água em vinho, é chamado por João de sinal. Isso quer dizer que o milagre de Jesus não deve ser interpretado pé da letra, mas significa algo que somente o Espírito Santo pode interpretar. Então, o que Jesus quis dizer com este milagre?

 

  1. Em primeiro lugar, Jesus realiza a profecia de Isaias. De fato, a vinda do Filho do Homem era esperada como um banquete “de carnes gordas, um banquete de vinhos finos” (Is 25,6s). Apresentando-se ás bodas de Caná Jesus manifesta a hora da realização das profecias.

 

  1. O milagre da transformação da água em vinho aponta para o sentido do seguimento a Jesus, ou seja, a transformação da nossa humanidade. Quem segue a Jesus e vive a sua Palavra, alimentando-se do seu corpo será transformado pelo poder do Espírito Santo. Aquilo que Deus realiza na nossa humanidade é visível na humanidade de Jesus: amor, justiça, misericórdia, bondade.

 

  1. Neste milagre podemos ver, também, os sinais dos dois sacramentos principais da Igreja, ou seja o Batismo e a Eucaristia (água e vinho). O batismo que recebemos deve transformar a nossa vida em amor, em eucaristia, em partilha, em vida doada por amor.

 

  1. Uma ultima indicação a encontramos nas palavras de Maria: “Fazei tudo que ele vos disser”. O cristão é aquele que escuta a Palavra de Deus e a obedece. Maria aponta para Cristo. Maria deseja que todos obedeçam á Palavra do seu Filho Jesus. Este é o sentido profundo da espiritualidade mariana: o desejo que se realize o Reino de Deus que Jesus anunciou.

 

vv. 13-22. A purificação do Templo. Este episodio mostra uma atitude de Jesus que deve chamar a nossa atenção. Porque Jesus agiu desta forma? Não é estranho? Sem duvida a violência usada por Jesus no templo contrasta com a imagem que nós temos dele. Se ele, porém, é a Verdade, então esta não aceita a mentira. Em algumas circunstâncias, quando a dureza dos corações dos homens transformou no tempo o sentido da Palavra de Deus em preceitos humanos, talvez para recolocar tudo no eixo precisa de uma intervenção mais firme, mais decidida, como no caso que estamos analisando.

O Corpo como templo é um tema tratado também por Paulo: 1 Cor 6,19.

O templo de Jerusalém foi destruído três vezes. A ultima foi no 70 d.C. pelos romanos.

 

vv. 23-25. Estada em Jerusalém. Jesus conhece a todos, Jesus conhece o coração do homem. Esta anotação do evangelista João é muito importante na nossa caminhada. Isso, de fato, quer dizer que perante Jesus não precisamos disfarçar, botar mascaras, pose. Jesus não olha a aparência, mas o nosso coração (Cf. 1 Sam16). O sentido da nossa caminhada cristã é manter um coração limpo, em constante contato com Deus, com a sua Palavra, para que em qualquer momento seja feita a sua vontade.

 

O compromisso que podemos realizar nesta semana é aquilo de aprofundar a espiritualidade mariana, lendo e meditando este capitulo e se esforçando de por em pratica aquilo que entendemos.