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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 13

 

 


Estudo bíblico para CEBs

 

Paolo Cugini

1-12. É o Espírito Santo o grande protagonista da formação da Igreja! Sem dúvida a maneira do Espírito Santo se comunicar com Paulo é de forma mediada, ou seja, através de pessoas ou eventos, mas é interessante a consciência que a primeira comunidade tem de que tudo aquilo que está acontecendo é obra do Espírito Santo. É Ele que fala aos discípulos e os envia na missão. É o reconhecimento que atrás de decisões humanas é o Espírito Santo que está agindo. Além disso, é sempre o Espírito Santo que dá a Paulo a coragem de passar a verdade na cara ao Mago Elimas a verdade. “Homem cheio de toda falsidade e toda malicia”. Precisamos estar abertos à ação do Espírito Santo se quisermos que os nossos atos sejam o reflexo da sua presença na nossa vida.

13-44. Aqui encontram mais uma pregação típica da primeira comunidade. Diante dos judeus, Paulo lembra para eles a história da salvação desde a saída do Egito até a morte de Cristo. Interessante que Paulo, nesta pregação, inclui também o trabalho missionário que os apóstolos estão realizando. “Quanto a nós anunciamos a Boa Nova” (13,32). Mais uma vez foi uma pregação que deu certo, pois o texto relata a conversão de muitos judeus.

“Toda a cidade se reuniu para ouvir a Palavra de Deus” (13,44). A maneira nova de Paulo pregar chama a atenção do povo. De maneira se trata? É a capacidade de Paulo de ligar na pregação os fatos do passado com o presente da história, a atualidade. O povo, escutando Paulo, percebe que a vida deles está incluída no plano de Deus, por isso sentem a vontade de escutar a pregação de Paul, pois recebem indicações concretas sobre o sentido da vida.

É claro que o trabalho de Paulo e Barnabé provocou o ciúme dos judeus, os quais fizeram de tudo para atrapalhar o trabalho missionário deles. A Decisão de Paulo de ir para outros lugares, significa que os missionários não são chamados para fazer a cabeça das pessoas e, além do mais, para acolher o Evangelho precisa da liberdade. Ninguém pode se converter com a força. Foi por causa da resistência do judeus que os discípulos perceberam que Deus tinha decidido de espalhar o Evangelho para todos os povos da terra. “Desse modo, a Palavra do Senhor se espalhava por toda a terra” (13,49). Mais uma vez fica claro que os métodos de Deus não são os nossos, pois a Palavra de Deus não se espalhava por causa de um planejamento, mas sim devido às circunstancias hostis que a primeira pregação encontrou no mundo judaico.  

sábado, 22 de dezembro de 2018

NATAL, O NASCIMENTO DO SENHOR




Vigília de Natal-2007
(Is 9, 1-6; Sal 96; Tt 2, 11-14; Lc 2, 1-14)


Paolo Cugini

Chegamos a esta noite com o coração vibrante de alegria pelo evento que estamos contemplando: nesta noite o eterno entra no tempo, o infinito se faz finito, aquilo que é imperecível se faz perecível. Contemplamos extasiados o mistério do Deus menino, o Onipotente solapado no pequeno corpo de uma criança recém nascida. Ficamos pasmos, sem fôlego por esta aproximação impressionante de Deus para conosco. Aproximação que expressa mais uma vez o grande desejo de Deus de encontrar o homem, a mulher. O Natal é isso mesmo: o cumprimento do sonho antigo de Deus se fazer presente no meio da humanidade, de morar no meio de nós e, para realizar este sonho, Deus se faz homem, o tudo de Deus entra no fragmento pequeno do corpo humano. Mistério sublime que desvende até a que ponto chega o amor verdadeiro de Deus, o amor que pela sua intrínseca natureza exige a doação, a partilha e, por isso, não mede riscos, não calcula as conseqüências.  E, assim, por todos nós neste momento são autenticas as palavras do salmista quando, perante o mistério de Deus contemplado na criação, se pergunta: “É o que o homem para merecer tudo isso?” (Salmo 8). Nós também nesta noite tão luminosa nos perguntamos deslumbrantes: oh Deus porque fez tudo isso? Será que a gente merece um tão grande presente? Será que precisava mesmo que Deus se fizesse menino para nos encontrar? E é o que isso significa? O que Deus quis nos dizer com a sua vinda?

 “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9,1).
Assim como o profeta Isaias o profetiza, Jesus pela humanidade é uma luz. Deus enviando Jesus quis nos iluminar, ou seja, decidiu de nos tirar das trevas. Neste sentido a vinda de Jesus manifesta o julgamento de Deus sobre a humanidade. Com a vinda de Jesus Deus declara definitivamente derrotado o projeto de mundo que os homens construíram e continuam construindo independentemente de Deus. O mundo sem Deus é obscuro, é treva: é isso que o Natal de Jesus revela pela humanidade toda. O mesmo salmo 95 que foi proclamado hoje aponta o mesmo sentido: “O Senhor vem para julgar a terra inteira”. A luz de Deus que o nascimento de Jesus trouxe ao mundo representa o julgamento de Deus sobre o projeto de mundo que a humanidade desobediente criou e, ao mesmo tempo, é a indicação do caminho que a humanidade toda deve percorrer pra se afastar do projeto errado para entrar na trilha certa. Este me parece ser o sentido primeiro do Natal: a manifestação definitiva do julgamento de Deus sobre o mundo. A partir do evento do presépio, a humanidade toda depara com o pensamento de Deus, com a sua Verdade definitiva sobre nós. Verdade que se manifesta no seu lado negativo de julgamento, sobre tudo aquilo que ao longo dos séculos se ergueu orgulhosamente como projeto autônomo, criando o mundo da morte, dominado pelo egoísmo e pela ganância. Ao mesmo tempo o julgamento de Deus se manifesta como misericórdia por toda a humanidade vitima deste projeto terrível, por toda a humanidade que tenta com todas as forças de permanecer fiel ao projeto de amor de Deus.  Esta misericórdia de Deus que se estende ao mundo é muito bem representada pelos braços abertos de Jesus menino no presépio da manjedoura de Belém, que não é apenas uma cena sentimental, que mexe com o nosso lado sentimental, mas um quadro realista daquilo que Deus está querendo com o mundo.

 “Porque nasceu para nós um menino” (Is 9,50).
Esta luz que Jesus com o seu nascimento trouxe ao mundo se manifesta como vida. De fato, aquilo que Deus promete para salvar a humanidade da morte é uma criança. Isso não apenas foi profetizado pela boca do profeta Isaias, mas se cumpriu na historia com o nascimento do menino Jesus. Jesus é a Vida verdadeira que acusa a morte do projeto mundano. Se quisermos viver uma vida que permanece no tempo e nunca desfalece, precisamos nos aproximar do presépio. Jesus menino de braços abertos é o julgamento de Deus sobre o mundo fechado do egoísmo, da ganância, da soberbia. Além do mais, este menino recém nascido de braços abertos nos convida a fazer parte do seu Reino, que é o Reino do amor, da paz, da justiça e da vida autentica.  Aquela vida que todos nós buscamos com todas as nossas forças ao longo da vida e que não conseguimos alcançar, esta mesma vida veio ao nosso encontro, se ofereceu gratuitamente. É isso que devemos aprender a vislumbrar no menino Jesus: A Vida. É Ele que veio para apagar as nossas angustias, veio para preencher o nosso vazio, a nossa falta de sentido. É este menino indefeso que tem nas suas mãos o segredo da vida, a direção que a nossa existência humilde deve tomar. Se nos aproximarmos a este grande tesouro com uma mentalidade humana, material, seriamos tentados a nos perguntar o custo para obter tudo isso. O Evangelho, porém, vem ao nosso encontro com uma resposta simples: “Encontrareis o recém nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2, 12). A vida autentica que Deus nos oferece no menino Jesus, não se apresenta com os critérios humanos do poder e da força, mas com os sinais divinos da simplicidade e da humildade. E assim, se quisermos acolher a Vida autentica manifestada no menino Jesus, precisamos nos despojar do nosso orgulho e do nosso egoísmo. A Vida autentica pode ser somente acolhida para ninguém se ufanar de algo que não lhe pertence. É isso que é difícil entender para nós acostumados a medir o valor das coisas pelo peso exterior, pelo preço. Jesus, a vida verdadeira, se oferece gratuitamente, não tem preço: pode ser somente acolhido. Também isso representa um julgamento da nossa maneira de olhar as coisas e medi-las.

A noite de Natal é uma noite feliz, como somos acostumados a cantar, porque Deus veio a morar no meio de nós, assumindo a nossa condição humana, uma condição estragada pelo pecado e pela morte. É incrível como isso possa acontecer, como Deus possa caminhar e viver conosco, ao nosso lado. Se Ele decidiu isso não foi apenas por um sentimento de solidariedade, mas para nos salvar, ou seja, para transformar a nossa condição humana de morte, numa condição de vida, a nossa condição de sofrimento e conflito numa condição de paz. O Natal de Jesus que hoje celebramos com o maior respaldo possível, pela Igreja quer ser muito mais de uma lembrança passada: deseja ser a indicação de um estilo de vida novo, aquele estilo que produz uma transformação radical em todos aqueles que a levem a serio. Que seja este o sentido do Natal, pelo menos entre nós e nas nossas famílias.