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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

DOMINGO XXV/C





(Am 8, 4-7; Sal 113; 1 Tim 2, 1-8; Lc 16, 1-13)
Paolo Cugini

1. Sempre procuramos, pelo menos as pessoas que estão buscando uma vida de fé mais autentica e verdadeira, a essência da vida cristã, aquilo que mesmo deveria ser o foco, o eixo da caminhada, mas nos perdemos em mil riachos laterais sem nuca chegar ao rio. Isso é visível não apenas em nós, mas também em pessoas que há tempo estão no Caminho. Passamos o tempo inventando projetos, organizando eventos, ficando às vezes angustiados porque não saíram do jeito que a gente quis ou, pelo menos, tinha esperado. O tempo vai passando e nós ficando com um punhado de moscas nas mãos, nos questionando se a vida cristã é assim mesmo ou se deveria ser diferente. O grande perigo, nesta fase de angustia, que pode se protelar a vida toda, é ficar repetindo os mesmos erros, as mesmas situações. Quando a insegurança toma conta da gente, ficamos até com medo de pensar, de ousar algo de novo para não sermos criticados, julgados, dedados. Vivemos, assim, uma vida em defesa, sem élan nenhum, sem empolgação. E aqui vem o questionamento das leituras de hoje: o Espírito Santo que recebemos no Batismo e continuamos recebendo nos sacramentos, deve produzir esta vida segura, monótona, rotineira, ou tem algo a mais?

2. “E o Senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos dos filhos da luz” (Lc16, 8).
A parábola que Jesus narra no Evangelho de hoje termina com uma moral, que tão moral não parece. Porque será que Jesus elogia a esperteza do administrador desonesto? Além do mais, porque Jesus elogia uma pessoa desonesta: não é uma grande contradição perante tudo aquilo que ele vem pregando de amor, respeito e tudo mais? Na realidade, se prestarmos bem atenção às palavras de Jesus, Ele não elogia nem a desonestidade nem a esperteza, mas sim a criatividade do homem. De fato, o protagonista da Parábola, usou ao maximo a própria inteligência para se sair bem de uma situação que tinha tudo para ser ruim pra ele. Esta historia traz pra nós um grande ensinamento. O questionamento que Jesus traz por dentro da comunidade dos discípulos, entre os quais estamos hoje também nós, é este: o que estamos fazendo da Palavra de Jesus e do Seu Espírito Santo? O Espírito Santo em Jesus agiu de uma forma que progressivamente transformou toda a sua humanidade em amor, doação, partilha. Alem do mais, o Espírito em Jesus o levava a criar continuamente novas situações para que o reino de Deus fosse anunciado. O exemplo mais claro são as parábolas que ele inventava para chamar á atenção do povo e, assim, induzi-lo a pensar, refletir sobre a própria vida, se converter á Cristo. A verdade do Espírito Santo que Em Cristo agiu desta maneira e que Ele entregou pra nós em cima da cruz (cf. Jo 19, 30), não pode ser desperdiçado, mas deve gerar continuamente amor e, sobretudo, de uma forma criativa. O problema, então, é esse: porque somos tão resistentes á ação do Espírito Santo? O que em nós está bloqueando o Espírito Santo, impedindo que invente algo de novo? Porque somos tão passivos, renunciatarios e preguiçosos a ponto de prejudicar a obra criativa de Deus? Varias poderiam ser as respostas: vou apontar somente algumas.

Em primeiro lugar, aquilo que atrapalha a ação do Espírito Santo na nossa vida é o medo. Este medo se manifesta de muitas formas e maneiras: medo que o outro não goste de nós; medo de dizer algo que fere os outros; medo de não sermos aceitados. Ficamos trancados em nós mesmos para não correr o risco de ficarmos ofendidos, de sofrer por causa de uma magoa: a que ponto chega o nosso egoísmo, não é? E assim perdemos a ocasião de experimentarmos o prazer e a felicidade de uma vida diferente, uma vida de doação aos irmãos e as irmãs, uma vida fora da rotina corriqueira, mais criativa e dinâmica. É o dinamismo do Espírito que impulsiona a nossa vida a criar situações sempre nova para permitir a graça e Deus de moldar a humanidade através da nossa disponibilidade. É a força daquele mesmo Espírito que levava Jesus a enfrentar com coragem os poderosos do tempo, que deve agir em nós para não ficarmos calados perante a injustiça que encontramos no mundo, mas sim inventarmos novas situações para que o povo mais simples possa viver num mundo mais justo e solidário. Somos passivos porque amedrontados daquela diferença qualitativa que o Evangelho nos apresenta e que em Jesus se tornou bem visível. Tememos o julgamento dos amigos, dos colegas, até dos familiares e, por causa disso recuamos, voltamos atrás, preferindo a tristeza da vidinha medíocre da massa, á grande felicidade dos poucos discípulos de Cristo. O cara, deixa de frescura e segue a Jesus: tá?

3. “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos... Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 9.13b).
Como é que se manifesta esta novidade, esta criatividade que o Espírito deveria realiza em nós? O exemplo que Jesus traz é em referencia ao nosso relacionamento com o dinheiro. Estes últimos versículos do Evangelho de hoje expressam, de uma forma contundente a economia de Jesus, a teoria econômica que sai com força das paginas do Evangelho. O dinheiro é sempre injusto: esta é a sentença clamorosa e, ao mesmo tempo escandalosa de Jesus.  È claro que não é a qualquer dinheiro que Jesus se refere, o dinheiro que serve para comprar o pão, os remédios, e tudo aquilo que necessita para manter a nossa vida. O dinheiro é injusto quando é acumulado, guardado nos cofres dos bancos, porque este é todo dinheiro tirado do povo, que gera desigualdade e pobreza. Em um mundo ganancioso como é aquilo no qual vivemos, esta proposta de Jesus, que o Espírito Santo deveria produzir na nossa vida real, parece como uma verdadeira provocação. Na realidade, ou seja, na Verdade do Evangelho, esta é exatamente a diferença, a diversidade que o Evangelho, impulsionado pela ação do Espírito Santo, deveria realizar no meio de nós. Vida despojada porque Cristo se despojou de tudo para dar a nós o tudo de Deus.  Vida simples, despojada, porque é o amor de Deus que é derramado em nós pelo Espírito (cf. Rom 5,5) e isso nos basta, é suficiente para vivermos. Só o Espírito Santo pode impelir em nós idéias tão revolucionarias e ousadas como estas pra deixar de queixo aberto todos aqueles que vivem mergulhados no egoísmo do mundo. E nós, então, passamos fechando a boca deles, convidando-os a não desperdiçar a própria única vida se apegando aquilo que passa, mas se doando totalmente aos irmãos e as irmãs, sobretudo mais pobres, para conseguirmos um tesouro no céu, tesouro que sem duvida ninguém vai roubar (nem os políticos corruptos que andam nas nossas cidades).


sábado, 24 de novembro de 2018

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 19





Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini
1-10. Zaqueu é o símbolo dos ricos que se salva. Rico se salva somente se partilhar a sua riqueza com os pobres assim como fez Zaqueu (a metade dos meus bens eu dou aos pobres). Este trecho mostra também a dinâmica do encontro com Jesus. Zaqueu se esforça de encontrar o Senhor. Zaqueu para ver Jesus subiu a figueira: e nós fazemos o que para nos encontrarmos com Jesus?

Hoje a salvação entrou nesta casa: somente vivendo o presente da vida podemos acolher o Senhor que está presente na nossa historia. Quem vive de lembranças passada o projetado sempre no futuro nunca poderá saborear a presença de Jesus que vem ao nosso encontro hoje, no presente da nossa vida.
11-28. Qual é o sentido desta parábola? O ensinamento é bastante claro: a vida que recebemos de Deus com tudo aquilo que nos doa deve ser vivida, deve dar fruto. Quem vive parado deitado no sofá, enrolado na preguiça não vive agradando a Deus. Tudo aquilo que recebemos de Deus – a comunidade, os sacramentos, a Palavra, etc. – deve brotar futos na nossa vida. Esta parábola nos convida a um exame de consciência: que frutos estão brotando na nossa caminhada de fé? O centro da parábola é, portanto, o terceiro empregado que devolveu aquilo que recebeu. Não podemos esconder aquilo que recebemos de Deus.
Aquilo que já possui será dado ainda mias: sem duvida estas palavras não devem ser entendidas no sentido material, mas sim espiritual. A referencia é aquilo que temos de vida de fé, de vivencia comunitária. Se somos batizados e não vivemos o nosso batismo na comunidade, será tirado de nós isso e será dado a quem viveu com plenitude a própria fé.

29-40. É a entrada de Jesus em Jerusalém acolhido pelo povo com muita festa e alegria. Infelizmente será este mesmo povo que clamará a morte de Jesus.
41-44. Jesus chora chegando em Jerusalém, porque ele sabe aquilo que irá acontecer no futuro por causa da resistência à sua Palavra. Jerusalém nos seus chefes recusaram a presença de Jesus, não reconheceram nele o Salvador, o Messias esperado e, por causa disso, será destruída. De fato, quarenta anos depois do pronunciamento destas palavras, exatamente no ano 70 d. C. Jerusalém foi invadida e o templo destruído definitivamente. A nossa recusa à Palavra do Senhor tem consequência.

45-48. O templo do Senhor, que hoje são as capelas, a Matriz, é para rezar e não para fazer comercio ou politica. Quem quiser fazer comercio vai na feira e quem quiser fazer politica vai na praça. Perder o sentido do sagrado tem consequências negativas não apenas na vida da pessoa, mas também na vida da comunidade. “Minha casa é casa de oração”: precisamos resgatar isso se quisermos ser fieis a Palavra e aos ensinamentos de Jesus.

quinta-feira, 8 de março de 2018

SALMO 27 0 SENHOR É MINHA LUZ E SALVAÇÃO: DE QUEM TEREI MEDO?




Paolo Cugini

Crer significa ter confiança no Senhor mais de quanto se tem medo do mundo o da vida dos outros ou de nós mesmos. A fé não somente algo que se refere ao conhecimento, mas é uma atitude que envolve toda a nossa pessoa, a nossa existência. O salmo que acabamos de ler descreve a luta entre o medo e a esperança.
O protagonista deste salmo parece uma pessoa ameaçada, com um grande medo no profundo do coração: é rodeado de adversários; é acuado por falsos testemunhos; é oprimido da violência e enxerga os seus adversários como fera ferozes. Porém parece um homem de grande fé e reage perante estas ameaças com uma fé inquebrantável(cf. v.1). Começa assim e depois procura o templo para rezar. Somente ao fim da suplico tudo parece voltar a tranqüilidade.

Primeira parte do salmo
Quando uma pessoa tem fé não pode acontecer nada que possa perturbar a própria caminhada[1]. Ninguém pode destruir a vida de quem está protegido por Deus. Se tivesse que me confrontar com as forças do mundo seria tomado imediatamente do medo. Sendo, porém, que Deus é o meu Deus, para mim é luz, salvação e defensa: por isso que todas as ameaças não são capazes de afetar a minha confiança.
O relacionamento entre Deus e a luz é tradicional em todas as religiões e se encontra muitas vezes na Bíblia[2]. Do ponto de vista a vida pode ser rodeada de trevas. Não percebemos muito onde estamos, aonde estamos indo e o sentido das experiências que vivemos... Porém “O Senhor é minha luz”. As vezes parece que a vida foge do nosso controle, que a tristeza tomem conta da nossa vida, mas “ O Senhor é a minha luz”. Se os inimigos me rodeiam de todos os lados e eu não tenho defensas que possam proteger, porem “O Senhor é a minha fortaleza”, uma fortaleza construída em lugar inalcançável, aonde os inimigos não podem chegar.

vv. 2-3: existe claramente uma realidade interior de medo contra a qual estamos combatendo e da qual procuramos nos defender através do Senhor. Aqui percebe-se bem que no contraste o Senhor nos oferece a possibilidade de aprofundar e amadurecer o dialogo com Ele.
Esta defensa é algo de concreto. Quando o salmista fala de fortaleza talvez a referencia seja Jerusalém, pois ele é construído sobre um morro. Por definição o templo tem o direito de asilo, quem entra é protegido, é um lugar defeso pelo Senhor. Por isso o templo se torna a imagem da proteção de Deus
v. 4:“Pedi uma só coisa ao Senhor”: então devo pedir aquilo que é mais essencial. O salmo 16 do Levita fala que quando a terra foi dividida entre as tribos de Israel a ele tocou AP arte melhor, pois não recebeu nenhuma terra, pois a parte melhor é ser sem terra e ter em seu lugar Deus. A tribo de Levi é sem terra porque a sua herança é o Senhor, tem somente o Senhor como segurança e proteção para viver. O nosso salmista pede somente uma coisa: não a força militar nem as riquezas econômicas, mas a comunhão com o Senhor, o templo como plenitude de vida e de experiência, onde é possível contemplar a beleza de Deus. Isso quer dizer eu a experiência do templo é como fazer a experiência de uma teofania. O salmista por isso deseja morar na casa do Senhor todos os dias da sua vida. Se o Senhor nos aceita então nós faremos a experiência da liberdade e da alegria. O Senhor se torna o amparo, a rocha sobre a qual edificar a própria segurança. Somos radicalmente fracos e por isso precisamos nos agarrar á alguém para podermos viver com confiança.
vv. 5-6: Minha cabeça se ergue: isso quer dizer que não vivo mais no medo; a segurança que recebo de deus me oferece dignidade e liberdade. Os inimigos aparecem agora sem força sem a capacidade de ameaçar.
Sacrifícios de louvor: são os sacrifícios do ter’uah, que era o grito de guerra[3]; quando se ataca o adversário se começa com um grande grito que serve a tomar coragem e, ao mesmo tempo, a espantar os inimigos. Este grito se torna uma oração, uma expressão litúrgica. Temos medo, mas temos fé em Deus, como salvação, luz e defesa, proclamamos a segurança e a fé sem ambigüidade.

Segunda parte do salmo
vv. 7-8. Chegamos ao templo e deixamos expressar o medo que aperta o nosso coração. O nosso grito é uma oração que dirigimos ao Senhor, é dirigido por alguém que sabemos que escuta. Reconhecemos de sermos numa condição de pobreza, de fraqueza e precisamos que o Senhor intervenha e assuma a minha condição de pobreza, a derrote, a transforme com a força e a energia que somente ele possui: “tende piedade de mim”. 

Buscamos no nosso coração uma saída e encontramos a resposta: “Procura sua face”. Esta é uma imagem extremamente freqüente na Bíblia: o rosto de Deus. Deus, na Bíblia tem um rosto. Isso que dizer que o Deus da Bíblia tem uma identidade, que é bem especifica. O Deus da Bíblia não é um Deus qualquer, mas tem traços específicos. Se quisermos entender quem é Deus, o seu rosto, a sua identidade devemos escutar os eventos que marcaram a historia de Israel, na vida na morte de Jesus e deixar que estes eventos imprimem o marco na nossa alma, no nosso coação. O rosto de Deus é aquilo que encontramos na libertação do povo de Israel do inimigo no Egito, e depois que se manifestou nas palavras, nas ações de Cristo, na sua Cruz, na sua paixão. Este é o rosto de Deus, a sua identidade que deve deixar um marco dentro de nós, para produzir o desejo de segui-lo. A vida religiosa não é outra coisa que isso: buscar o rosto do Senhor. Aprender a ver o rosto do Senhor não do jeito que a gene quer, mas assim como Ele é na realidade, ou seja, naquela realidade que se manifestou na historia, na vida, nos atos de Cristo.
v.10: não esconda a tua face. Se Deus esconde a sua face nós somos como pessoas que descem no tumulo. Não é possível viver se Deus afasta de nós a sua face. Também se o pai e a mãe abandonam o uma criança, Deus nos acolhe com amor[4].
vv. 11-13. O salmista tem como referencia esta terra, onde a gente vive, trabalha, se relaciona com os outros. O salmista deseja, aliás ele tem certeza, que nesta vida cotidiana poderá viver e e encontrar Deus, poderá experimentar a sua aproximação nas pequenas coisas da vida cotidiana: “eu creio que verei a bondade de JHWH na terra dos vivos”.

v. 14. “Espera em JHWH, sê firme”. É um versículo que é uma espécie de recomendação do salmista por si mesmo. De certa forma relendo a salmo percebe-se que o salmista passou através de uma situação de ameaça que o amedrontou. Ele sempre sabia que Deus é um amparo, que a fé se manifesta na confiança nele. O salmista aprendeu tudo isso nas orações de Israel, freqüentando o templo. É na experiência concreta que ele teve que entender na sua mesma pele, e assim interiorizar aquelas palavras aprendidas na infância.

Crer quer dizer ter confiança em Deus mais de que temos medo do mundo, da vida, de nós mesmos. Nem sempre conseguimos vencer o medo, precisamos medir a nossa realidade humana e podemos fazer isso contemplando o rosto de Deus, que conhecemos na revelação do Senhor Jesus.


[1] Cf. Rom 8
[2] Cf. Sal 104; Gen 1, 3-5; Is 60, 1.
[3] Cf. Num 10,5.
[4] Cf. Is 49,15-16.

sábado, 28 de janeiro de 2017

A TUA FE' TE SALVOU




EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 7
Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini
1-10.  O Centurião é um romano, ou seja, é um pagão enquanto não pertence ao povo hebraico. Por isso este trecho está dizendo que também aos pagãos é aberto o caminho da salvação, pois a fé não é privilegio de um povo, mas é adesão à Palavra de Jesus.  Este trecho é importante, pois nos ensina que a fé se manifesta na confiança da Palavra de Jesus. Por isso quem não gosta muito de ler o Evangelho é porque não tem muita fé em Deus.
11-17. Esta ressurreição é parecida com aquela de Lazaro é sinal da ressureição definitiva de Jesus. É um evento que ajuda a entender o sentido da presença de Cristo na historia com sinal de vida verdadeira.
18-35. Um dos grandes focos do capitulo 7 é a figura de João Batista. Jesus citando  o texto de Malaquias 3,1 (Lc 7, 27), identifica João Batista com Elias, pois os profetas do Antigo Testamento declaravam que antes do Messias, devia vir alguém que preparasse o terreno. João Batista manda procurar se Jesus era o mesmo Messias, pois tinha também varias profecias que declaravam que o Messias teria sido um rei poderoso. A resposta de Jesus é na linha do profetismo que indicava no Messias um salvador pacifico e, sobretudo, um amigo dos pobres e marginalizado, pronto a defende-los.
31-35. A polemica de Jesus com os fariseus é sobre a atitudes deles no confronto com João Batista. De fato, conforme também ao relato de Lc 3, perante a pregação de João Batista, muito se converteram, mudando de vida, enquanto os fariseus ficaram botando gosto ruim. Por isso Jesus contou esta parábola: os fariseus não se mexeram nem perante a pregação duríssima de João Batista.
36-50. O texto que narra o encontro de Jesus com a pecadora é um dos mais intensos e comentado de todo o Evangelho de Lucas. É interessante a maneira de Jesus lidar com as mulheres, quebrando tabus e preconceitos. Em um clima cultural de grande machismo, que considera a mulher como algo de desprezível, contagioso, Jesus se deixa tocar, lavar os pés, perfumar. Jesus nos ensina que quando encontramos uma pessoa devemos buscar a sua essência mais profunda e, por isso, precisamos ir além das culturas preconceituosas e dos nossos esquemas mentais. 

“A tua fé te salvou”. É o que a fé neste trecho especifico? É a capacidade de amar, de se entregar a Deus, de busca-lo contra toda opinião diferente. De fato, não foi apenas Jesus que fez um caminho de ruptura com a cultura, mas também a mulher pecador que não se importou de entrar na casa de um fariseu e debruçar sobre os pés de Jesus. A fé é isso mesmo: amor que passa acima das montanhas dos preconceitos, das mentalidade humanas e busca a essência das pessoas. Esta é fé. 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A SALVACAO DE SIAO



A SALVAÇÃO DE SIÃO
 (Is 28-29; 36-37;2)
Paolo Cugini
Isaias anunciou o castigo de Jerusalém desde os tempos da guerra Siro-efraemita, ma chegando perto da sua realização acontece algo de inaudito, de novo.
28,21: Deus mesmo se coloca como inimigo de Sião, como no tempo passado eram os Filisteus.
29,1-3: Deus coloca o acampamento como Davi contra Jerusalém, Ariel (=fogão do templo). O Emmanuel não é mais o Deus conosco, mas sim o Deus contra Israel.
29 4-8: contra Jerusalém não é somente a Assíria, mas também a massa de todas as nações. Isso porque talvez no contingente dos assírios tinha militares das nações submetidas. O assedio de Jerusalém começa por obra dos assírios, chefiados por Sennacherib, foi realizado no 701 a.C. Sennacherib tinha arrasado na Judéia, e em poço tempo tinha chegado as portas de Jerusalém, pronto para saqueá-la. E ali, quando tudo parecia predispor para um saque rápido aconteceu algo de improviso.
Nos capítulos 36-37 é explicado pó motivo desta mudança de situação. Sennaquerib, no auge da sua gloria, se permitiu de insultar YHWH e isso provoca a virada. Deus, que até então estava castigando o povo infiel de Israel pela mão do exercito de Sennaquerib, depois de ter sido insultado pelo orgulhoso chefe, muda de opinião. Em 2 Cr Sennaquerib coloca YHWH no mesmo patamar dos outros deuses. É o período em Jerusalém é sempre mais consciente que YHWH não é um Deus como os outros, mas que é o único verdadeiro Deus.
37,1-7: a partir deste momento, a pregação de Isaias, sempre lúcido em captar os sinais de Deus, muda totalmente: anuncia a salvação de Jerusalém, a sobrevivência do resto, o retiro dos assírios.
37,30-35: Ezequias já tinha pago uma boa contribuição em dinheiro para se apaziguar com Sennaquerib, só que este, como de costume, queria mesmo tomar posse de Jerusalém, saqueá-la. Então porque Sennaquerib improvisamente se foi? Duas interpretações:
  1. Uma noticia de fora, talvez a noticia de rebelião de Babilônia;
  2. Uma grave doença: a peste.
Talvez a primeira hipótese seja a mais provável. De qualquer maneira, porém, a Palavra de Deus se realizou: as nações se dispersaram[1].
Apesar disso, do sucesso da profecia de Isaias, falta ainda algo. De fato, o resto ainda não é o resto crente que Deus pensou. Tem um texto pessoa de Isaias[2] onde manifesta a própria decepção no confronto do resto que ainda não se converteu. Com esta experiência negativa inicia a ultima fase de Isaias. O profeta ache que dificilmente vai ver o resto convertido, mas não desespera pela promessa divina. Por isso ela não cansa de profetizar e de proclamar a verdadeira salvação de Sião, porém com um evento escatológico, um evento ainda escondido no futuro de Deus.
Nos primeiros capítulos nós encontramos alguns oráculos sobre Sião, que sem duvida devem remontar a este período, o ultimo período de Isaias. É uma espécie de trilogia, com uma sucessão de tema interessante:
  1. 1,4-9: Sião é toda cheia de feridas; não é mais uma vinha, mas só uma casinha abandonada: é a imagem de uma devastação moral. Jerusalém parece com Sodoma.
  2. 1,21-28: Sião é uma prostituta. A novidade é que é anunciado o tempo fnal na qual será purificada. É uma purificação cara, através do fogo,sofrimentos, e dores; mas no fim Sião srá novamente a cidade fiel, justa, santificada pela presença divina. Só então haverá um resto santo[3].
  3. 2,1-5: é o terceiro momento da profecia de Isaias. Jerusalém, no final dos tempo, será sinal de salvação pelas nações. Têm alguns temas importantes neste trecho que é bom destacar:
a.      A glorificação de Jerusalém. Sião na realidade não é a montanha mais elevada[4]: é por isso necessária uma sua refundação, a sua elevação para que Jerusalém seja visível para todos. Sião será fundada novamente não em cima de pedras, mas da fé, pois a visibilidade dela será uma nova credibilidade, uma nova luz sairá dela por causa da sua fé e justiça. Uma imagem física, que, porém expressa uma realidade espiritual[5].
b.      A peregrinação dos povos. Os mesmos povos que tinha lutado contra Sião, agora estão subindo em paz, na peregrinação, provavelmente na festa das cabanas. Estão subindo não para realizar um sacrifício, mas para escutar, para serem instruídos por Deus com a Lei e com a Palavra dos profetas[6].
c.       A conversão dos povos. Os povos acolherão a Palavra e assim serão convertidos.Aqui a conversão se realiza como paz entre os povos. O ensinamento humano é a guerra, o ensinamento de Deus é a paz. É a primeira vez que aparece este tema muito importante de Isaias, ou seja, o tema da paz. Para Isaias é isso o Reino de Deus: paz. A guerra inicial se muda em paz. A derrota dos povos é na realidade a derrota da idéia de guerra[7].
Nesta maneira Isaias profetiza que a verdadeira salvação de Sião não será apenas a preservação dos inimigos, mas sim o cumprimento de uma missão universal de paz. Jerusalém é a cidade escolhida por Deus para ser instrumento de paz por todas as nações. Esta profecia irá iluminar a sucessiva pregação profética[8].



[1] Cf. Is 17,12-14.
[2] Cf. Is 22,1-4.12-13.
[3] Cf. Is 4,3.
[4] Cf. Sal 125,1
[5] Cf. Mt 5,14.
[6] Cf. 1Pd1,1s
[7] Cf. Gal 4,9-10.
[8] Interessante neste sentido, o reverbero desta teologia isaiana na reflexão de Paulo (cf. Ef 2). Cristo é considerado o instrumento por Deus escolhido para realizar a reconciliação entre os povos divididos. Além disso, a Eucaristia é considerada instrumento de paz (1 Cor 10-11).