quinta-feira, 27 de setembro de 2018

ATOS DOS APOSTOLOS 1




Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini
1-8. “Fiz meu primeiro relato”:Luca explica no começo do livro que aquilo que está escrevendo é a continuação do evangelho (de Lucas). O evangelho não tinha o relato da Ascensão do Senhor. Os Atos dos Apóstolos começa exatamente aonde o Evangelho tinha terminado, ou seja, com a narração das aparições de Cristo ressuscitado.

 6. Só Deus conhece o dia da volta do Filho, por isso não precisa se angustiar sobre este dia. Aquilo que é importante é a vida no presente que, como nos lembra o texto, é marcada pela presença do Espírito (v.8). É pela força do Espírito que seremos testemunha do Senhor em todo momento da nossa vida. A tarefa dos cristão, então, é se dispor para acolher o Espírito do Senhor. Por isso os discípulos ficar um tempo, depois da Ascensão do Senhor, reunidos num lugar rezando na espera do Espírito.

9-11. Os anjos convidam os discípulos a não ficar parados olhando para o céu. Este é um ensinamento importante para todos nós. De fato, a vida de fé que se alimenta do ensinamento do Senhor, não pode ficar no vazio, olhando a vida toda para o céu, mas sim deve se concretizar na vida ativa do dia a dia.
12-14. Dois que Jesus subiu para o céu os apóstolos foram para Jerusalém para perseverar na oração. Ao longo dos capítulos dos Atos dos apóstolos encontraremos varias vezes este tema da oração, que se torna de grande importância pela vida da Igreja. É importante salientar que o texto fala que, junto com os apóstolos tinha também algumas mulheres. A Igreja é feita de homens e mulheres que juntos esperam o Senhor.

15-20. Pedro toma a palavra porque foi Jesus que o colocou como chefe da Igreja (Mt 16,18). Pedro explica o sentido da traição de Judas e o faz com o auxilio das escrituras. De agora em diante na pregação dos apóstolos, a pregação se caracteriza com uma constante referencia aos textos do Antigo Testamento para explicar os eventos que caracterizaram a vida de Jesus.

21-26. Pedro acha necessário escolher uma pessoa para reformar o numero dos apóstolos: 12. O numero 12 é o símbolo do povo de Israel que era constituído de 12 tribos. Jesus escolhendo 12 apóstolos sem duvidas quis apontar para a construção do novo Israel.


ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 7




Estudo bíblico para CEBs
 Paolo Cugini

1-50. É uma longa pregação mostrando a ligação entre a história do povo de Israel e os acontecimentos recentes sobre a morte de Jesus. Estevão narra a história de Israel, da Aliança que Deus fez com Abraão e os patriarcas – Isaac, Jacó e José – até chegar a Moisés. Estevão mostra a grandeza de Moisés, que recebeu a Palavra da vida para transmitir ao povo. Estevão insiste bastante para mostrar a grandeza da figura de Moisés na história do povo de Israel. Esta grandeza se choca contra a resistência do povo de Israel em obedecer ao Senhor: “Mas nossos pais não quiseram obedecer-lhe” (At 7, 39). É impressionante o contraste entre a grandeza de Deus que se manifestou com braço forte dobrando os egípcios e, depois, enviando o seu profeta Moisés para conduzir o povo fora da situação de escravidão rumo a uma terra de libertação, e o coração duro e rebelde do povo que não quer saber disso e fica com saudade dos tempos da escravidão do Egito.

51-54. É esta teimosia do povo de Israel perante os prodigioso do Senhor que Estevão está enxergando nos dias de hoje. È esta teimosia a chave de Leitura, secundo Estevão, que conduziu o povo de Israel, manipulado pelos lideres religiosos e políticos do tempo, a matar Jesus, o salvador. “Homens de cabeça dura, incircuncisos de coração e de ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo!” (Lc 7, 51). São palavras duríssimas e ofensivas aquelas que Estevão dirige ao povo de Israel acusando-o de assassinar Jesus por causa da dureza do coração, da incapacidade de ficar dóceis à vontade de Deus. É este o espirito profético que impeliu em Estevão e nos profetas do Antigo testamento denunciando as maracutaias dos políticos do tempo e os pecados do povo, para estimula-los a entrar num caminho de conversão e de justiça.

55-59. Como sempre, em vez de se tocar e se converter perante as palavras duríssimas de Estevão, o povo e os chefes ficam com muita raiva até chegar ao ponto de apedrejá-lo. O texto lembra que Saulo, o futuro apostolo Paulo, estava lá naquele dia, pois era um perseguidor e acérrimo inimigo dos cristãos.
O texto salienta as palavras de Estevão, que são as mesmas de Jesus na cruz, ou seja, o perdão dos seus algozes: “Senhor, não lhe leves em conta este pecado” (Lc 7, 60). O Espírito Santo moldou a alma do discípulo Estevão ao ponto de ter os mesmos sentimentos do seu mestre (Cf. Fil 2,5).

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 6




Estudo bíblico para CEBs
 Paolo Cugini

1-7. Problema: porque tinha tantas viúvas naquela época, no tempo das primeiras comunidades? O motivo deve ser indicado no fato que tinha muitas guerras e morriam muitos homens. Por causa disso a viuvez era um problema social. As comunidades eram cheias de mulheres com muitos filhos sem mantimentos para sustentar tantas bocas. Por isso os cristãos das primeiras comunidades começaram a se articular para fazer fronte ao problema. A polemica relatada do texto é sobre os dois grupos que constituíam a comunidade. De um lado tinha o pessoal que vinha do povo hebraico, que claramente era a maioria, pois as primeiras comunidades nasceram na área hebraica. Do outro lado tinha os gregos (helenistas), cuja proveniência era motivada das conversões que a ação missionaria de Paulo e seus amigos estavam provocando. Então as murmurações surgiram porque os gregos diziam que as suas viúvas eram menos atendidas daquelas das famílias de origem hebraica. O problema foi resolvido com um dialogo entre os apóstolos aonde entenderam também o especifico do serviço deles, ou seja, anunciar a Palavra de Deus. “Não é conveniente que abandonamos a Palavra de Deus para servir a mesa”. A prioridade da comunidade cristã deve ser a Palavra de Deus, que deve estar antes de qualquer coisa, até do serviço aos pobres. Pode aparecer um pouco forte esta afirmação, mas não é. De fato, se o serviço aos pobres não brotar da escuta da Palavra de Deus pode se tornar um serviço interesseiro. Por isso os discípulos decidiram de escolherem pessoas aptas para este tipo de serviço caritativo, para eles terem tempo para a oração e o ministério da Palavra.

8-15. Estevão, um dos setes que foram escolhidos para servir a mesa, tinha o dom da Palavra e fazia prodígios entre o povo. Por causa disso provocou o ciúme de um grupo de hebreus que não acreditavam em Jesus e manipularam o povo para poder colocar na cadeia Estevão. Tem sempre alguém que manipula os outros e alguém que se deixa manipular. Quem manipula os outros é porque não quer ouvir a verdade, não quer mudar de rumo. Quem se deixa manipular é muitas vezes por causa da falta de conhecimento. Por isso tarefa da Igreja é ensinar, instruir, explicar a Palavra de Deus para o povo sair da ignorância e, assim, não ser vitima de manipulações. Quantas vezes acontecem estas manipulações nas comunidades!


ATOS DOS APOSTOLOS CAPITULO 5




ESTUDO BÍBLICO para CEBs

 Paolo Cugini
1-11. Este trecho nos mostra que apesar de tudo, na vida linda das primeiras comunidades cristã aconteciam situações constrangedoras demonstrando que a conversão é um processo lento e incontrolável. É necessário vigiar para que no nosso coração não se formem pensamento contrários ao pensamento de Deus, vigiar para que a nossa vida não seja de fachada, mas real e autentica.

12-16. Este trecho é mais um quadro da vivencia bonita na comunidade cristã. A característica da primeira comunidade era a comunhão, a unidade, que chamava muito atenção das pessoas ao ponto de desejar pertencer a esta comunidade. Se as nossas comunidades fossem mais unidas, talvez teriam mais pessoas aderindo a elas.

17-21. A ação evangelizadora dos discípulos desperta o interesse entre alguns e inveja entre outros. Interessantes são as palavras do anjo que exorta os apóstolos à anunciar com ousadia o Evangelho. É isso que precisamos: de cristãos ousados, que não tem medo de anunciar o Evangelho não só com as palavras, mas sim também com a vida.

22-33. É impressionante a ousadia de Pedro que não perde a ocasião, apesar de ser acorrentado, de botar moral nos chefes religiosos daquele tempo e de anunciar o Evangelho de Jesus. “É preciso obedecer a Deus antes que aos homens”. Sem duvida aquela de Pedro não é uma obediência passiva, de subalterno, mas sim fruto de um relacionamento de amor para com o Senhor. Pedro tem consciência que a Vida verdadeira pertence a Cristo, o Senhor Jesus que ele encontrou, com o qual viveu um período e que depois viu ressuscitado. Por isso depois de ter recebido o Espírito Santo não consegue sossegar, mas em todo momento e em todas as circunstâncias, também as mais difíceis anuncia o Evangelho.

34-42. As palavras de Gamaliel, doutor da lei, tem um ensinamento muito grande que vale também para nós. Tudo aquilo que vem de Deus o homem não pode fazer nada para contrastar. Este é o ensinamento do sábio Gamaliel perante os acontecimentos que estavam tirando o sono de muitos em Israel por causa da pregação e dos sinais que os apóstolos faziam. Isso vale também para os dias de hoje. Muitas vezes agimos como se quiséssemos controlar a força de Deus, estranhando com qualquer novidade que acontece na comunidade. Os apóstolos se alegraram por ter apanhado por causa do anuncio do Senhor: é sem duvida um dato impressionante que merece toda nossa reflexão. Quantas vezes não temos a disponibilidade para fazer nada na comunidade enquanto os apóstolos apanhavam por causa do anúncio do Evangelho. Como somos fracos e sem postura! Pedimos a intercessão dos apóstolos para termos mais coragem de testemunhar o Evangelho de Jesus.

sábado, 7 de julho de 2018

ATOS DOS APOSTOLOS CAPITULO 4





Estudo Bíblico para CEBs

Pe Paolo Cugini
1-7. A pregação de Pedro tem uma dúplice conseqüência. De um lado provoca a conversão de muitas pessoas: “muitos dos que ouviram a Palavra abraçaram a fé”. É a pregação da Palavra que provoca a conversão das pessoas. Esta idéia se encontra também em Paulo (Rom 10,17). Do outro lado a mesma pregação provoca a ira dos chefes religiosos que se incomodam da atitude e das palavras de Pedro e João.

8-12. Perante o questionamento dos chefes religiosos Pedro não perde a ocasião para anunciar o Evangelho de Jesus com uma segurança e firmeza que chamou atenção.
“Não há debaixo do céu outro nome dado aos homens pelo qual devemos ser salvos” (12). É isso que Pedro entendeu ao longo dos anos de discipulado e é isso que ele anuncia com tanta firmeza. A vida se decide na posição que tomamos perante o nome de Cristo. Por isso a pregação do Evangelho se torna a grande preocupação dos apóstolos e deve se tornar sempre mais a preocupação da Igreja.

13-17. Os chefes religiosos do povo hebraico ficaram admirados com a sabedoria dos apóstolos que não tinham formação cultural nenhuma. Este é um dado que precisa ser salientado. Existe uma sabedoria humana e uma sabedoria que vem de Deus, que não é fruto de estudos, mas é dom do Espírito. É desta sabedoria que Pedro e João eram recheados e é desta sabedoria que o mundo precisa.

18-22. “Não podemos nós deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos”. A experiência dos apóstolos não é uma fantasia, mas é real, pois golpeou os sentidos humanos: vimos e ouvimos. Se a nossa evangelização na comunidade é ainda fraca, talvez o motivo seja isso mesmo: a nossa experiência de Deus ainda não golpeou os nosso sentidos, mas parou em lembranças do passado, em historias fantasiosas sobre Deus, que nunca tiveram a confirmação da Palavra de Deus e, sobretudo, nunca foram avaliadas por uma experiência espiritual com Deus.

23-31. Os discípulos junto com os cristãos da primeira comunidade interpretam os acontecimentos recentes à luz da Palavra iluminados pelo Espírito Santo. Para eles a perseguição que está acontecendo por obra dos chefes religiosos é aquilo que já Davi tinha anunciado no salmo 2. Esta é uma indicação importante para interpretar a Palavra de Deus. Os discípulos percebem que a vida de Cristo, a sua presença na história se torna o critério para ler os passos do Antigo Testamento. É desta forma que de agora em diante devem ser lidas as paginas do Antigo Testamento, ou seja, como algo que ajuda aprofundar o sentido da pessoa de Jesus Cristo.

32-37. É mais um relato da vivencia da primeira comunidade cristã. A presença e o acolhimento do Espírito do Senhor no meio dos apóstolos produzia uma vida de comunhão e unidade, além de um desapego das coisas materiais. “Não havia entre eles necessitados alguns”. A verdade da nossa fé no Senhor é a possibilidade de criar sociedades solidárias e justas.




segunda-feira, 2 de julho de 2018

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 2




Estudo Bíblico para CEBs
Pe Paolo Cugini
1-20. Nestes versículos é lembrada a origem pobre de Jesus, que nasceu de uma família pobre e numa cidade pobre. De fato, Jesus não nasceu na capital, Jerusalém, mas sim na periferia, em Belém, que era uma cidade onde moravam os pastores que não podiam morar em Jerusalém por causa do fedor deles. Os pastores era uma categoria de pessoas excluída, discriminada. Deus decide que o próprio filho não nascerá na capital, mas a periferia, no meio dos pobres e excluídos, e não entre os ricos e poderosos. Este será um dado que perpassa todo o Evangelho de Lucas.

21. A circuncisão era um rito de entrada no povo de Israel, que corresponde ao nosso batismo. Sendo que consistia num corte no pênis, é claro que as mulheres eram excluídas. O batismo de Jesus, será uma verdadeira revolução cultural e religiosa.

22-38. Os pais de Jesus, José e Maria, eram pessoas piedosas, faziam tudo conforme a Lei de Moisés.
Simeão profetiza que Jesus será sinal de contradição: quer dizer isso? As palavras do velho Simeão revelam o sentido da vida de Jesus, que não veio para agradar as pessoas, mas sim para dizer e mostrar o Caminho da Verdade. Jesus trouxe a paz para todos e todas os seus discípulos, ou seja, para todas as pessoas que se decidem por Ele; ao mesmo tempo, porém, Jesus trouxe o fogo no mundo, ou seja, por toda aquela realidade que não acredita nele e que resiste à sua pregação. Sempre Simeão não esconde o sofrimento que deverá enfrentar a sua mesma mãe Maria: “uma espada traspassará a tua alma”. Seguindo Jesus a Igreja é chamada a ser no mundo sinal de contradição, desmascarando toda forma de corrupção, de maracutaias: só assim será profética e permitirá que a Verdade de Deus conquiste os corações.

41-49. O episodio narrado somente em Lucas mostra o desenvolvimento da consciência de Jesus e a busca do sentido da própria vida. Jesus busca conhecer a vontade do Pai: é isso que deveriam fazer os pais, ou seja, criar uma situação tal que permita aos filhos de descobrir a própria vocação. A nossa felicidade depende da descoberta e da vivencia da nossa vocação: tudo aquilo que como família e comunidade fazemos por isso é positivo.

51-52. A postura de Maria é importante: ela guardava tudo no seu coração, ou seja, não passava nas casas contando a própria vida e dos outros. A vida escondida e secreta é típico das pessoas que buscam a gloria de Deus e não aquela do mundo.


EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 3



Estudo Bíblico para CEBs
Pe Paolo Cugini
1-3. A insistência de Lucas sobre os homens políticos daquele tempo é para salientar que Jesus Cristo não é uma invenção literária, mas o Filho de Deus veio ao mundo mesmo, se fez carne em um momento histórico preciso. Por isso estes dados históricos são importantes: para situar com clareza o momento preciso da vinda de Cristo na história.

4-18. A pregação de João Batista é muita dura e radical: o objetivo é provocar a conversão dos ouvintes. Citando Isaias, João Batista se coloca na tradição profética e, ao mesmo tempo, se identifica com a personagem que no A.T. era designado para preparar o cominho do Messias.
“Que devemos fazer?”. A dura pregação de João Batista surtiu efeito. De fato as pessoas se questionam e se colocam a disposição para uma mudança. A pergunta: que devemos fazer? É a pergunta da fé, da confiança em Deus, que acusa o pecado, mas ao mesmo tempo prepara caminhos de salvação.
“Quem tiver duas túnicas reparta-as”. As respostas de João Batista aos interlocutores mostram que o caminho da conversão acontece dentro da própria experiência de vida. Se quisermos nos converter de verdade, devemos concentrar a nossa atenção naquilo que estamos vivendo. A verdade do nosso seguimento a Jesus, da nossa adesão ao Evangelho, se demostra na maneira de viver no dia a dia.

Batismo com água é o batismo pregado por João Batismo, que exige uma mudança de vida, de atitude: consiste no esforço de tirar o mal da nossa vida. O Batismo no Espírito trazido pro Jesus consiste na acolhida do dom de Deus que vem do alto, que transforma a nossa humanidade. Estes versículos nos revelam que a mudança da nossa vida depende um pouco de nós, mas, sobretudo é fruto da ação de Deus que age na nossa vida somente se quisermos.

23-38. A genealogia é na linha do valor que Lucas dá aos dados históricos para mostrar que Jesus é uma personagem históricas e não uma invenção literária. Porque Lucas insiste nisso? Porque ao tempo de Lucas, mais ou menos os anos Oitenta do primeiro século da era cristã, alguns difundiram a noticia que Jesus era só um espírito e nada mais. No Evangelho de Lucas o mistério da Encarnação, ou seja, de Deus que se faz homens e entra na história, é documentado não apenas com dados históricos, mas também com uma genealogia, uma serie de nomes que demostram o parentesco de Jesus, que não era um anjo descido do céu, mas sim, um homem em carne e osso.


EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 4



Estudo Bíblico para CEBs
Paolo Cugini
1-13. Toda a vida de Jesus é mergulhada no silencio. Dos 12 anos de idade até os trinta não temos noticias sobre a sua vida: silencio. Aos trinta anos, antes de iniciar a sua atividade publica, Jesus transcorre 40 dias no deserto. Quer dizer isso? Talvez seja este silencio profundo que Jesus buscou continuamente também ao longo dos três anos de atividade publica, o segredo da sua serenidade, da sua clareza de intenções. No deserto Jesus é tentado pelo satanás revelando assim a própria humanidade e o caminho para permanecer ao plano de Deus. A primeira tentação é o desafio de controlar a vida instintual. O homem e a mulher que não conseguem controlar os próprios instintos são condenados a uma vida de escravidão. O mesmo discurso vale pela tentação do poder e do dinheiro que futuca as pessoas ao longo da vida, em busca de uma vida fora do alcance de Deus e acima de Deus. É isso que a segunda e a terceira tentação tentam estimular: uma vida autossuficiente, independente de Deus. Se libertar destas tentações é o grande desafio da vida espiritual, pois as tentações nos acompanham ao longo de toda a vida.
14-21. Jesus começa a sua atividade publica numa sinagoga explicando a Palavra de Deus: será esta a grande caraterística da sua missão. Jesus é o Mestre que nos ensina os mistérios de Deus, que nos explica a Palavra. Neste trecho Jesus se apresenta como a chave de intepretação do Antigo Testamento: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura”. Jesus, a sua pessoa, os seus gestos e as suas palavras são o cumprimento, a realização de tudo aquilo que está escrito na Lei: de agora em diante é necessário prestar atenção a Ele, ao seu ensinamento. Esta frase de Jesus é uma grande indicação por todos aqueles que querem aprender a amar a Palavra: deve ser lida a partir de Jesus, pois sem Ele, torna-se incompreensível.

22-30. A reação do povo perante estas afirmação de Jesus é dura e não poderia ser diferente, pois Jesus tinha modificado de uma vez o sentido que o mesmo povo dava da Palavra. A tentação é de resistir à força da Sua Palavra e de julga-lo. O texto nos convida a ter paciência, a acompanhar a ação de Jesus até o fim.

31-37. A Palavra de Jesus manda sobre os demônios do mundo e as pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento porque não era apenas um papo, mas se realizava em atos concretos como a cura de um possuído. E as pessoas se questionam perante a sua identidade: quem é este homem? Este questionamento é importante e deve sempre acompanhar também a nossa caminhada.

38-41. Nestes poucos versículos é narrado um dia típico de Jesus, um dia feito de tantos encontros, sobretudo com pessoas doentes que cobram uma cura. A vida de Jesus é muito dura, pois a cobrança em cima dele é constante.

42-44. Como Jesus conseguiu lidar com tamanha cobrança sem se esgotar? É na oração, no dialogo constante e prolongado com o Pai que Jesus encontrava a força para enfrentar a luta do dia a dia e, sobretudo, para fugir da tentação do poder.

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 5





Estudo Bíblico para CEBs
Paolo Cugini
1-11. A multidão estava ao redor de Jesus para ouvir a Palavra de Deus. É muito bonita esta imagem porque relata aquilo que Jesus era acostumado a fazer: anunciar a Palavra de Deus: é por isso que as multidões de pobres o seguiam. Existe toda uma humanidade sedenta de palavra de Deus, de Palavra de Vida: é isso que a Igreja, a comunidade deve fazer: anunciar, explicar a Palavra de Deus.

Na dinâmica da pesca milagrosa é importante salientar que o milagre acontece porque Pedro obedece à Palavra de Jesus contra qualquer evidencia. “Assim fizeram e apanharam tamanha quantidade de peixes”. Os discípulos fizeram exatamente aquilo que Jesus pediu. Na nossa vida muitas vezes não acontece nada porque queremos fazer tudo da nossa cabeça, sem nos importar daquilo que vem de Deus. O gesto de Pedro e as suas palavras são emblemáticas, pois manifestam a verdade do encontro com o Senhor. O encontro com Deus, quando é autentico, provoca a tomada de consciência do nosso pecado: “Senhor, afasta-te de mim porque sou um pecador”. Deste encontro e desta tomada de consciência nasce a vocação, o chamado: “De hoje em diante você será pescador de homens”.

12-16. Perante o sucesso Jesus não aproveita, mas se retira, porque ele não buscava a gloria dos homens, a gloria do mundo, mas sim a gloria de Deus. Jesus vive uma vida escondida do mundo porque está totalmente satisfeito e preenchido com a gloria que ele recebe do seu Pai.

17-26. Jesus é Deus, é isso que estes versículos querem nos mostrar, porque Jesus age como Deus: cura e perdoa os pecados. Significativa é a atitude dos fariseus, que apesar de presenciar milagres impressionantes, continuam questionando Jesus e a sua ação. Quem tem um coração duro não consegue perceber a presença de Deus na história.

27-32. Jesus chama para ser discípulos quem ele quiser: é a liberdade do Reino de Deus. Liberdade que incomoda as pessoas acostumadas a medir a vida dentre parâmetros preconceituosos, como é o caso dos fariseus que questionam mais uma vez as escolhas de Jesus.

33-39. O vinho novo do Evangelho exige barris novos, ou seja, pessoas novas, renovada para acolher esta grande novidade. Jesus está dizendo isso para os fariseus que, ao longo de todo o capitulo ficaram questionando-o. Jesus explica o motivo da incapacidade deles de entender a sua palavra e as suas atitudes: o coração duro, a indisponibilidade para conversão. Somente um coração humilde consegue fazer espaço para grande novidade do Evangelho.

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 6



Estudo Bíblico para CEBs
Paolo Cugini
1-11: A polemica de Jesus com os fariseus sobre o tema do sábado é muito importante. O sábado era  o dia do descanso de Deus na primeira criação. O pecado de Adão estragou o projeto bonito de Deus. Jesus nestes dois trechos mostra o sentido autentico da Lei, que é aquela de servir o homem, a mulher e por isso a Lei de Deus nunca é fim a si mesma. Jesus é o homem novo que veio inaugurar a Nova Criação, por isso ele é o Senhor do sábado, pois revela o sentido profundo desta instituição, além de manifestar publicamente que ele mesmo é Deus. A verdade de tudo isso será manifestada no dia da Ressurreição de Jesus, que marcará também o sentido do sábado. De fato, sendo Jesus ressuscitado no domingo de madrugada, será o domingo o dia do Senhor na Nova Criação e não mais o Sábado da Antiga criação.

12-16. Nos momento importante da vida, Jesus antecipa as decisões com um momento prolongado em oração. Neste trecho é narrada a escolha dos doze discípulos, que é antecipada de uma noite em oração. É sem duvida um grande ensinamento para nós. Perante as decisões importantes da vida, em vez de endoidar é bom apreender a entregar tudo nas mãos de Deus.

17-36. A verdade da nossa busca do Reino de Deus deve ser visível na vida corriqueira. A que adianta que pra nós Deus é tudo se depois passamos o tempo acumulando terras, dinheiro, construindo mansões? Por isso Jesus declara bem aventurados os pobres, porque se aqui na terra são injustiçados, Deus dará para eles o Reino de Deus. Aqueles que aqui na terra buscam a vida boa sofrerão as penas do inferno na vida futura. Aqueles que aqui na terra sofreram por causa das injustiças dos poderosos do mundo serão colocados lá em cima no Reino de Deus. Esta é a justiça de Deus.
Amar os inimigos, assim como Jesus pede neste trecho, é o sinal da nossa liberdade e da nossa confiança em Deus e não nas nossas forças. Se não quisermos ser afetados do mal produzido pelo ódio dos nosso inimigos, precisamos seguir as indicações de Jesus que nos convida a rezar por eles até o ponto de chegar à ama-los: é mole?

36-45. A essência da vida cristã é a misericórdia, o perdão. Quem não é capaz de perdoar, de dar o braço a torcer é porque não tem Deus no coração. Se frequentamos a Igreja é para abastecermos a nossa alma do amor daquele Senhor Jesus que em cima da cruz teve palavras de misericórdia para os seus algozes.

46-49. A pessoa é sabia e inteligente quando aprende a dedicar tempo á própria formação espiritual e humana: isso exige tempo e dedicação. Quem ,pelo contrário, é apenas preocupado pela aparência, com aquilo que os outros pensam e dizem, gastará o tempo a enfeitar o externo e a vida dele será como uma casa construída em cima da terra, que o primeiro vendaval a derruba.

sexta-feira, 30 de março de 2018

HOMILIA PASCAL





(At 10,34.37-43; Col 3,1-4; Jo 20,1-9)


1.Páscoa, como ouvimos na primeira leitura da Quinta feira santa, quer dizer “passagem”. Nesta passagem Deus passa para salvar a humanidade do pecado e, no dia de Páscoa, nós lembramos a passagem que Jesus realizou para passar deste mundo de morte para o Reino de Deus, que é o Reino da vida verdadeira.
“Jesus ressuscitou!” É este o grito que a liturgia de hoje proclama. Não podemos procurar Jesus entre os mortos, pois Ele está vivo, ressuscitou! E, agora, o problema é nosso: como reconhece-lo?

2. Uma primeira resposta a encontramos no Evangelho de hoje: “Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e acreditou” (Jo 20,8).
Pedro e João, no primeiro dia da semana depois da morte de Jesus, correram para o túmulo para avaliarem as palavras assustadoras de Maria Madalena que, de volta do túmulo, tinha anunciado que o corpo de Jesus tinha sumido. Os dois chegaram ao túmulo, viram “as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar a parte”( Jo 20,6-7), e João, vendo isso, acreditou. O problema é: porque João acreditou? O que foi determinante para João, para vislumbrar naqueles panos deitados no chão e naquelas faixas de linho, a presença de Jesus, a certeza que Ele estava vivo?
Acho que, a resposta a esta pergunta, se encontra no mesmo texto do Evangelho de hoje ao versículo dois, aonde está escrito: “Então ela saiu correndo e foi encontrar Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava” (Jo 20,2).
No quarto Evangelho, João é apresentado desta forma: o discípulo que Jesus amava. Acho que seja esta a característica que o Evangelho aponta como necessária para reconhecer Jesus vivo, presente na historia, na companhia dos homens e das mulheres de hoje: o amor. E amor quer dizer relação. Em qualquer relação amorosa precisa do corpo. Na estrutura antropológica do homem, conforme a visão bíblica, o corpo participa da mesma vocação da pessoa, junto com a alma. Isso vale também na experiência espiritual. È por essa razão que Jesus, antes de morrer, ofereceu para os seus discípulos, os sinais da sua presença depois da morte e ressurreição: “Tomai e comei, este é o meu corpo... Tomai e bebei este é o meu sangue” (Lc 22,14). Sendo que a corporeidade é essencial na experiência cristã, isso quer dizer que não existe experiência religiosa autentica a não ser na Eucaristia e na Igreja, que Paolo chama “Corpo de Cristo”. Amar exige um corpo, uma presença e uma freqüência. Nós não somos anjos, mas homens e mulheres que, para amar, precisam deste dois elementos fundamentais: o corpo e o tempo. Para que o amor não se torne platônico, pura ilusão e evasão da realidade, devemos constantemente fazer a experiência do amado. Então, tudo o tempo que passamos na oração e na meditação da Palavra de Deus é tempo que fortalece o nosso amor para Jesus. É com esse amor que podemos entrar na historia cotidiana, para reconhecermos os sinais da sua presença. Sendo que somos pessoas amadas pelo Pai, Deus em Jesus se manifesta a cada um e a cada uma de nós de uma forma especial, particular. Os sinais que Jesus coloca na minha vida, não são para qualquer pessoa, mas para mim. Deus mi ama como se eu fosse o único para Ele. Este dato fundamental da experiência religiosa cristã, não é individualismo ou egoísmo, mas a consciência profunda da dinâmica da experiência religiosa, que nunca é genérica, mas sempre pessoal. Se nas nossas comunidades encontramos  muitas vezes tanta frieza, é porque os lideres não vivem o relacionamento com o Senhor como um relacionamento de amor, com tudo aquilo que necessita neste relacionamento: tempo, dedicação, atenção. A Igreja será sinal da presença do ressuscitado no mundo somente se cultivará entre os seus fieis o amor a Jesus, que nos leva a amar os irmãos e as irmãs de caminhada, pois reconhecemos neles a presença do ressuscitado. Sempre nessa linha não é um caso que a Bíblia termine com a imagem do Cordeiro imolado e da Igreja, do Esposo com a Esposa. É este relacionamento profundo que o tempo pascal nos convida resgatar, para que a nossa vivência na Igreja não seja apenas material- a assunção de tarefas- mas antes de mais nada a expressão de um intenso relacionamento de amor com Jesus ressuscitado.

3. Como podemos verificar se a nossa experiência de fé é  fruto do encontro com o ressuscitado?
É são Paulo que, na Segunda leitura de hoje, nos oferece uma indicação bem clara.
“Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus” (Col 3,3).
É importante salientar logo, que Paulo  está falando para uma comunidade como a nossa. Isso quer dizer que, pra são Paulo, a vida cristã é vida no escondimenento, ou seja que aquilo que caracteriza o estilo de vida dos cristãos é a vida escondida, como fruto da morte ao pecado.  Os cristãos, pelo fato que seguem o ressuscitado, buscam as coisas do alto, que são invisíveis aos olhos da carne. A verdade desta vida escondida com Cristo em Deus, está no desapego as coisas do mundo, no despojamento. Se o mundo exerce ainda uma atrativa sobre de mim, isso quer dizer que o Ressuscitado na minha vida é ainda uma teoria, uma teologia, uma letra que ainda não se fez carne. Pelo contrario a intensidade que colocamos na busca das coisas de Deus, a força e a determinação da nossa resposta pessoal, são sintomas claríssimos de  um encontro que modificou profundamente, substancialmente a nossa existência. Jesus é a totalidade cuja presença preencheu o universo de  sentido e, quem o encontra, não deseja mais nada que esteja além da sua proposta.
Sempre neste versículo que estamos comentando, Paulo mostra como é que se torna possível uma vida escondida em Deus. “Pois vós morrestes”: o cristão é um homem morto, que participa sacramentalmente da morte de Cristo ao pecado. Este é o primeiro fruto do encontro com o ressuscitado: o desprezo do pecado e a luta extrema para extirpar o pecado da própria vida. Esta morte ao pecado é ao mesmo tempo um dom e um compromisso. É de fato, um dom de Deus, que através da ressurreição doe seu Filho Jesus, destruiu definitivamente a força do pecado; mas é ao mesmo tempo um compromisso de cada um de nós, pois a nossa natureza permanece sensível a atraída pelo pecado. Exultando no dia de Páscoa pelo grande prodígio que Deus realizou em seu Filho Jesus, ressuscitando-o da morte, devemos ao mesmo tempo exultar por ter-nos oferecido o caminho autentico da salvação. Caminho que, com a força do Espirito Santo, somos convidados a percorrer todos os dias. É nesse caminho que poderemos devagarinho contemplar na nossa vida, os benefícios da Ressurreição de Jesus.

4. Que o Senhor Jesus acompanhe a nossa caminhada neste tempo pascal, para que em nós e através de nós, possa se manifestar a gloria de Deus.


Tapiramutá, 16.4.2006                                                                       Pe Paolo Cugini