segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Homilia do Domingo XXII/A

 



 

Paolo Cugini


1. O outro dia falando com um meu amigo, me disse que gostou de ver numa Igreja Jesus de braços aberto, ressuscitado. Até aqui tudo bem. Só que ele acrescentou algo que me deixou pensativo. Disse, de fato, que nas igrejas o crucifixo deveria ser escondido, para podemos anunciar um Jesus alegre. A proposta pode ser interessante e até seduzinte, mas esconde um dato inquietante, ou seja, a vontade de camuflar o Evangelho, de calá-lo. A cruz dói, machuca. O fato que cristo foi crucificado significa que algo não deu certo, não nele, mas na humanidade que o crucificou. E se a humanidade errou, crucifixo pendurado na parede é uma constante lembrança deste erro, que é o nosso. Este discurso serve para introduzir o dialogo entre Jesus e Pedro do Evangelho de hoje, um dialogo rico de indicações para nós cristãos que queremos seguir Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida.

 

2. “Vai para longe, satanás! Tu es para mim uma pedra de tropeço porque não pensas coisas de Deus, mas sim, as coisas dos homens” (Mt 16, 23).

Este versículo de Jesus revela que o mistério da morte, do sofrimento, da paixão e da cruz de Jesus está dentro do plano de Deus, plano anunciado pelos profetas e realizado na historia através da existência de Jesus. Por isso o cristão se identifica como aquele que escuta a Palavra de Deus, e não questiona, mas deve busca simplesmente de se tornar dócil á Ela. O mistério da cruz esconde o mesmo mistério de Deus, o mistério do seu amor. A reação de Pedro perante a explanação deste mistério é compreensível, pois é humana, enquanto expressa a preocupação de um amigo que não quer que o próprio parceiro sofra. E compreensível mas não é conforme o pensamento de Deus, que não se deixa mergulhar nos eventos do presente, mas olha no futuro e nas profundezas da humanidade. Entrar no pensamento de Deus, nas coisas de Deus é o caminho que a humanidade, a Igreja deve realizar. Claramente este caminho não é fácil, porque depara e, ao mesmo momento se defronta com toda uma serie de elementos terrenos, que constituem a tradição humana. Em quanto o homem pensa e age conforme os instintos de sobrevivência que o levam a fugir dos sofrimentos, das situações perigosas, pelo contrario Deus pensa no horizonte da vida eterna, que amiúde passa também por caminhos tortuosos, imprevisíveis, como por exemplo, a cruz de Cristo. É dentro este mistério que Jesus no Evangelho quer nos conduzir.

 

3. “Se alguém quer me seguir renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la” (Mt 16, 24-25).

As palavras de Jesus são radicais: não deixa espaço a mal entendidos. Se quisermos seguir a Jesus no Caminho da vida precisamos nos afastar dos nossos caminhos, que a luz do Evangelho, são caminhos de morte. Renunciar a si mesmo, como exigência fundamental do Evangelho, significa isso mesmo, abandonar os próprios projetos humanos, pois são sempre baseados sobre o próprio egoísmo. Renunciar a si mesmo significa renunciar as nossas estratégias de salvação, ou seja, aqueles mecanismos que ativamos para tirar a nossa vida dos perigos, tirar nosso corpo fora das situações constrangedoras, para nos preservarmos. Seguir a Jesus significa aprender a colocar toda a confiança nele, na sua proposta que nos leva no meio da disputa entre o bem e o mal. Seguir a Jesus significa aprender a viver no meio do fogo sem se queimar, viver no meio dos perigos sem nos machucar. Seguir Jesus significa aceitar de sermos insultados, pois sabemos que toda vez que fomos insultados por causa do evangelho, somos bem-aventurados. Quem desejar uma vida tranqüila, sem problema, distante das preocupações, não é feito pelo Reino dos céus. Alem disso, é bom salientar que a renuncia a si mesmo não é só uma decisão que uma pessoa toma uma vez para sempre, mas sim uma luta constante. Aprendemos a renunciar aos desejos do mundo, somente se tivermos a inteligência de preencher a nossa alma cotidianamente com os sonhos de Deus, que encontramos na Sua Palavra, participando das liturgias e da vida da comunidade.

 

4. “Que adianta o homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dae em troca de sua vida?” (Mt 16, 26).

É este o grande questionamento que Jesus dirige hoje para cada um de nós! Que adianta ganhar o mundo se depois perdemos a vida. Que adianta sermos considerados não sei o que pelo mundo e depois termo uma alma vazia. Estas de Jesus são perguntas cujo objetivo é nos alertar sobre o rumo que a nossa vida está tomando. A cada momento devemos nos perguntar se aquilo que estamos fazendo é no rumo da vida ou da morte, se os nossos planos são conforme o evangelho ou a mentalidade do mundo. Neste período eleitoral aonde muita gente endoida atrás de favores de candidatos, ou fica estressado pelo medo de perder as eleições, Jesus entra com este questionamento fortíssimo que tira do serio qualquer pessoa. Tudo aquilo que o mundo oferece não é nada mais que vaidade, pois não permanece no tempo, mas é destinado a perecer. Só Deus permanece para sempre. Só os Seus caminhos são caminhos de Vida verdadeira, que dura no tempo. Este é o grande desafio da vida cristã: resistir as aparências do mundo, agüentar a impressão, que em alguns momentos é fortíssima, de que a verdade está naquilo que o mundo fala. Mais uma vez: somente um constante contato com a vida de Deus, nos ajuda a desmascarar estas fantasias.

 

5. “Seduziste-me Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder” (Jer 20,7).

È isso que deve acontecer conosco: deixarmos que o Senhor nos seduza com o seu amor; deixar que nos atraia com os laços da Sua Palavra; fazer com que o Seu poder entre em nós e derrube as nossas resistências, o nosso egoísmo, o nosso orgulho. Viver a experiência cristã não como um dever ou uma obrigação, mas sim como uma historia de amor, que envolve todos os nossos sentidos, a nossa pessoa sem deixar nada fora. Que esta Eucaristia nos encontre desta forma, nos seduza para podermos viver a semana toda com o fogo na alma do amor de Deus.

 

 

Domingo XXIX/A

 



(Is 45, 1.4-6; Sal 96; 1Ts 1,1-5; Mt 22,15-21)

 

Paolo Cugini

1. O tema da liturgia da Palavra de hoje é extremamente atual e de grande importância na vida da comunidade. Seja a primeira leitura que o Evangelho falam do delicado problema entre a política e a religião, entre poder político e poder religioso. Tema importante visto que acabamos de sair de um processo eleitoral que em muitas maneiras nos envolveu e que tantos sofrimentos provocou dentro da comunidade. Quantos questionamentos entre os cristãos: é licito que a Igreja se meta na política? Qual seria a atitude de Jesus perante este problema? E também o que nos ensina a Palavra de Deus sobre este tema delicado do relacionamento entre poder político e poder religioso? As leituras de hoje sem duvida nos ajudam a entrar no problema purificando as nossas idéias humanas e, de certa forma, interesseiras.

 

2. “Isto diz o Senhor sobre Ciro, seu ungido: ‘Tomei-o pela mão para submeter os povos ao seu domínio, dobrar o orgulho dos reis” (Is 45, 1).

A primeira leitura nos apresenta o caso de um rei, Ciro que foi suscitado por JHWH não para ferir o povo de Israel, com já no passado tinha acontecido com os reis Senaquerib e Nabucodonosor, mas para libertá-lo. Além disso, este rei Ciro é chamado pelo profeta de ‘ungido’, da mesma forma que será chamado o futuro Messias, Jesus, o ungido de Deus, o libertador da humanidade. A Palavra de Deus nos convida, assim, a olhar neste rei, não apenas para o seu alcance histórico imediato, como libertador do povo de Israel que naquela época – o sexto século antes de Cristo – se encontrava no cativeiro do exílio em Babilônia, mas naquilo que esta libertação pode representar dentro o quadro do plano de Deus. Desta maneira, um evento político bem determinado, com um líder político especifico, é colocado pela mesmo Palavra de Deus como símbolo de libertação que antecipa a libertação definitiva do Filho de Deus, Jesus Cristo.

 Que ensinamentos podem trazer desta pagina?  Em primeiro lugar a Palavra de Deus nos ensina a considerar a historia humana como o espaço da intervenção libertadora de Deus. Se o mundo existe, se a humanidade existe é porque Deus quis com um ato criativo livre. Esta criatividade não é um ato definitivo colocado no inicio dos tempos e depois largado ao arbítrio de quem quiser. Deus é presente na historia dos homens e das mulheres e se serve de qualquer coisa para manifestara sua presença. A política, neste sentido, não foge ao plano de Deus, seja no mal como no bem. No mal quando Deus utiliza, por assim dizer, políticos, reis cruéis para castigar o seu povo rebelde. No bem quando decide de libertar Israel das amarras do poder autoritário e tirano. Foi assim na época de Moisés, quando Deus ouviu o grito desesperado do povo, e foi assim na época do Exílio em Babilônia, quando JHWH enviou o rei Ciro, como acabamos e ouvir. Deus nos acompanha na historia cotidiana: nos deixa livres, mas coloca a nossa disposição os instrumentos para sairmos das situações de opressão. Com Jesus, Deus ofereceu tudo aquilo que tinha a disposição para realizar a salvação da humanidade. O problema é saber se temos consciência disso e se estamos utilizando estes meios de salvação que nos são oferecidos gratuitamente.

 

3. “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21).

Numa leitura superficial este versículo aparenta dar razão àquelas pessoas que sustentam que a Igreja não deve se meter em política e que a religião não tem nada a ver com a política. Na realidade é preciso considerar o versículo no contexto cultural semítico no qual foi pronunciado. De fato, ambiente semítico numa frase composta de duas proposições, o conteúdo daquilo que se entende dizer é colocado na segunda parte. Assim, na colocação de Jesus não devemos nos perguntar o que devemos a César, mas sim o que devemos a Deus. Então, podemos nos perguntar: o que devemos a Deus? A reposta imediata é: tudo! É Ele o Senhor do universo, tudo é dele e tudo devemos dar de volta a Ele. A vida que vivemos, o alimento de cada dia, o ar que respiramos: tudo é de Deus, fruto da sua grande bondade. E ali vem o problema. Se devemos dar tudo a Deus, então, vamos dar o que a César? O enigma virou em favor de Deus. Aquilo que a uma leitura superficial parecia apontar por uma igual divisão dos bens, nesta perspectiva tipicamente bíblica, a balança pende totalmente para o lado de Deus. Então, mais uma vez, nos perguntamos: se tudo é de Deus e tudo devemos a Ele, vamos dar o que a César? A tentação imediata seria aquela de dizer: nada! Na realidade não é assim, pelo menos não parece ser assim aquilo que Jesus quis dizer. Se devemos dar tudo a Deus, porque tudo é dele, a César, que é o símbolo do Estado, devemos dar Deus. É este o sentido profundo do Evangelho de hoje. Nós cristãos não podemos entrar no mundo, no Estado, na política, de mãos vazias, mas sim com aquele estilo de vida que o Senhor nos ensinou. É por essa razão que a Igreja católica toda vez que tem uma eleição política nos orienta a doar o jeito de Deus votar, para o mundo. E assim, se vivemos em um mundo corrupto, um mundo feito de injustiças, um mundo que considera as pessoas como uma coisa material, á qual podemos até atribuir um preço – pois é esta a terrível realidade escondida na mesquinha moda da compra de voto -, nós entramos neste mundo perdido com alógica de Deus, que nos ensina que cada um de nós e único e irepetivel, pois fomos criados a imagem e semelhança de Deus.

 

4. “Mestre, sabemos que es verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus” (Mt 22, 16).

Estas palavras, pronunciadas pelos fariseus com o objetivo de colocar uma armadilha para Jesus, revelam na realidade o sentido verdadeiro da presença de Jesus no mundo. O problema é que talvez, também nós como os fariseus do Evangelho de hoje, não levamos muito a serio a sua proposta, ficando assim, presos nas nossas idéias preconceituosas. Pedimos, então, ao Divino Espírito Santo que nos ilumine, que provoque o desejo de uma vida sempre mais parecida como aquela de Jesus. Procuremos ao longo desta semana buscar a palavra de Jesus para entrarmos no Caminho que Ele mesmo percorreu: o caminho do amor e da justiça.

 

 

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 13

 

 


Estudo bíblico para CEBs

 

Paolo Cugini

1-12. É o Espírito Santo o grande protagonista da formação da Igreja! Sem dúvida a maneira do Espírito Santo se comunicar com Paulo é de forma mediada, ou seja, através de pessoas ou eventos, mas é interessante a consciência que a primeira comunidade tem de que tudo aquilo que está acontecendo é obra do Espírito Santo. É Ele que fala aos discípulos e os envia na missão. É o reconhecimento que atrás de decisões humanas é o Espírito Santo que está agindo. Além disso, é sempre o Espírito Santo que dá a Paulo a coragem de passar a verdade na cara ao Mago Elimas a verdade. “Homem cheio de toda falsidade e toda malicia”. Precisamos estar abertos à ação do Espírito Santo se quisermos que os nossos atos sejam o reflexo da sua presença na nossa vida.

13-44. Aqui encontram mais uma pregação típica da primeira comunidade. Diante dos judeus, Paulo lembra para eles a história da salvação desde a saída do Egito até a morte de Cristo. Interessante que Paulo, nesta pregação, inclui também o trabalho missionário que os apóstolos estão realizando. “Quanto a nós anunciamos a Boa Nova” (13,32). Mais uma vez foi uma pregação que deu certo, pois o texto relata a conversão de muitos judeus.

“Toda a cidade se reuniu para ouvir a Palavra de Deus” (13,44). A maneira nova de Paulo pregar chama a atenção do povo. De maneira se trata? É a capacidade de Paulo de ligar na pregação os fatos do passado com o presente da história, a atualidade. O povo, escutando Paulo, percebe que a vida deles está incluída no plano de Deus, por isso sentem a vontade de escutar a pregação de Paul, pois recebem indicações concretas sobre o sentido da vida.

É claro que o trabalho de Paulo e Barnabé provocou o ciúme dos judeus, os quais fizeram de tudo para atrapalhar o trabalho missionário deles. A Decisão de Paulo de ir para outros lugares, significa que os missionários não são chamados para fazer a cabeça das pessoas e, além do mais, para acolher o Evangelho precisa da liberdade. Ninguém pode se converter com a força. Foi por causa da resistência do judeus que os discípulos perceberam que Deus tinha decidido de espalhar o Evangelho para todos os povos da terra. “Desse modo, a Palavra do Senhor se espalhava por toda a terra” (13,49). Mais uma vez fica claro que os métodos de Deus não são os nossos, pois a Palavra de Deus não se espalhava por causa de um planejamento, mas sim devido às circunstancias hostis que a primeira pregação encontrou no mundo judaico.  

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 12



Estudo bíblico para CEBs

 

Paolo Cugini

1-11. É uma narração sobre a perseguição que se espalhou por toda a Judeia contra os cristãos, não apenas os fieis, mas também os chefes. Mataram Tiago o irmão de João e botaram Pedro, o chefe da Igreja, na prisão. A presença dos cristãos estava incomodando o império romano, que tem poder sobre os homens, mas não sobre Deus. A libertação prodigiosa de Pedro operada por meio de um anjo de deus quer salientar este dato importante: É Deus o Senhor da História, é Ele que decide o rumo da história. O mesmo Pedro fica meio perdido no meio desta libertação prodígios e somente no final percebe que tudo aquilo que estava acontecendo era real. “Agora sei realmente que o Senhor enviou um anjo” (At 12,11). Quantos anjos o Senhor manda na nossa vida para nos libertarmos de situações constrangedoras e não o agradecemos, porque não somos atentos à sua presença e às suas manifestações.

12-19. Cena muito engraçada. Pedro prodigiosamente libertado se dirige de noite numa casa de amigos, que estavam reunidos rezando pela libertação de Pedro. É bonito ver a comunhão da Igreja reunida em oração, lutando contra as forças do mundo não com as armas dele, mas sim com a simplicidade da oração. E assim é tanta a surpresa e a alegria de ver Pedro que, a criada de nome Roda que atendeu a porta esqueceu de abrir e foi logo contar que Pedro estava lá fora! Significativo também que no texto é dado o nome à criada, sinal de dignidade e que na Igreja si vive mesmo aquilo que o Espírito manifesta: a dignidade de todos e todas.

20-23. A morte misteriosa de Herodes, o grande e terrível perseguidor dos cristão, confirma aquilo que acabamos de dizer: É Deus o dono da História. Por isso valem ainda hoje as Palavras de Jesus: “Não tenhais medo dos que matam o corpo e depois disso nada mais podem fazer... Não tenhais medo!” (Lc 12, 4.7). Abraçar a fé em Jesus significa ter a coragem de enfrentar os lobos rapazes deste mundo que não gostam de Deus e dos seus seguidores. É o Espírito Santo, grande protagonista do livro dos Atos dos Apóstolos que estamos comentando, que impele em nós a força e a coragem para testemunharmos com fé a vitória de Cristo sobre a morte.

24-25. “Entretanto a Palavra de Deus crescia e se multiplicava”. Isso quer dizer que apesar dos contrastes e das perseguições sofridas, a Palavra de Deus avançava nos corações das pessoas e provocava mudanças de vidas. Como já vimos na vida da Igreja as perseguições provocam o fortalecimento da comunidade.

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 11

 

        


Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-18. Pedro explica para os apóstolos de Jerusalém o evento de um pagão (Cornélio) batizado. Na primeira fase do cristianismo, como é possível perceber nestes capítulos iniciais, A Igreja de Jerusalém era a mais importante, também porque foi a primeira a ser fundada. Além disso, os apóstolos moravam lá e toda obra missionária tinha sempre como referencia a Igreja de Jerusalém e os Apóstolos. Não de estranhar o fato que os Apóstolos não tinham ainda entendido que a salvação era oferecida para todos e não apenas para os judeus. De fato, o mesmo Jesus em algumas ocasiões tinha falado que Ele foi enviado antes de tudo pelas ovelhas perdidas da casa de Israel (). É nestes contextos que podemos entender a ação do Espírito Santo, que ajuda os cristãos a entender na plenitude a vontade de Deus que se manifestou nas palavras e nas obras de Jesus. A Palavra de Jesus não é morta, um documento do passado, mas viva e eficaz pela ação do Espírito Santo. “Desceu o Espírito Santo sobre eles, assim como sobre nós no principio” (At 10,15).

Esta descoberta manifestada por obra do Espírito Santo ajuda os Apóstolos e toda a Igreja a entender outra grande questão. Os Hebreus não podia comer certo tipo de carne. O fato que os primeiros cristãos eram todos de origem hebraica, fazia com que trouxessem por dentro do cristianismo muitas doutrinas do hebraísmo, entre elas as prescrições alimentares. “Ao que Deus purificou não chames tu de profano”. Na nova Aliança inaugurada por Cristo nenhum alimento é impuro, por isso podemos comer qualquer coisa sem problemas. É estranho, portanto, que depois de tantos séculos tem ainda pessoas que se dizem cristão, que leram estes passos bíblicos e vivem com a proibição de alguns alimentos como a carne de porco. At 11 sobre este assunto é bem claro.

19-26. A comunidade de Antioquia foi fundada com o pessoal que fugiu da perseguição começada na época do martírio de Estevão (Capitulo 7). Podemos mesmo afirmar que não perderam tempo! “Falaram também aos gregos anunciando-lhes a Boa nova de Jesus”. A pregação da Palavra provoca a conversão de muitas pessoas. A Igreja de Jerusalém, que como vimos nesta primeira fase era o centro da vida da Igreja enviou Barnabé para fortalecer o trabalho missionário e Barnabé foi atrás de Paulo em Tarso. É fascinante escutar o testemunho das premerias comunidades cristãs e dos primeiros missionários, que com muito amor e zelo se dedicavam ao anuncio do Evangelho.

27-30. O profetismo é uma característica das primeiras comunidades cristãs. Estes profetas, assim como os profetas do Antigo Testamento, tem um cunho carismático, falam em nome de Deus sob a ação do Espírito Santo, ajudam o povo a interpretar os sinais dos tempos. Neste caso especifico o profeta Ágado alerta sobre uma iminente carestia. Nestes versículos aparece pela primeira vez a palavra: presbíteros, que em grego que dizer anciãos. Estes anciãos são os responsáveis das comunidades cristãs. A função do padre na comunidade é exatamente esta: ser o ancião (presbítero) na comunidade, não no sentido biográfico (idade), mas sim espiritual, ou seja aquele que recebeu o mandato de orientar espiritualmente a comunidade. Quando os nossos irmãos evangélicos dizem que a palavra padre não existe na bíblia é porque não conhecem o grego e nem a história da Igreja. Bastaria somente ler este versículo.

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 10

 

        


Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-33. A conversão de Cornélio, um centurião romano, um pagão, ou seja uma pessoa que não pertencia ao povo eleito, o povo hebraico, não é um simples ato individual, mas tem uma abrangência universal. A conversão de Cornélio é o sinal que em Jesus Cristo Deus decidiu de chamar à salvação todos os povos. É a dimensão universal da salvação. Dai o nome de católica (= universal) à Igreja, frisando este dado importante, ou seja, que o caminho da salvação não exclusivo para alguém, mas é oferecido para todos e todas em Cristo Jesus. Este alcance universal da salvação se deduz da mesma narrativa e de sua insistência nas visões de Pedro e de Cornélio.

Interessante também salientar um dato importante desta narrativa, ou seja, as visões. Pedro e Cornélio recebem visões, nas quais percebem a vontade de Deus. A nossa mentalidade materialista tem dificuldade a acreditar nisso. O fato é Deus que escolhe a maneira de entrar em contato conosco. A Bíblia é cheia de pessoas que recebem a vontade de Deus em sonhos ou em visões. Um exemplo disso é José, o Pai de Jesus. Com relata o Evangelho de Matheus, toda vez que Deus que manifestar a própria vontade para José é através do sonho (Mt 1-3). Sonhos e visões são formas escolhidas por deus de entrar em contato conosco. É claro que para entender isso precisa de uma alma pura, sensível ao chamado de Deus, uma alma que todo dia é acostumada a aprimorar a própria vida interior.

Outro dado interessante da narração: Cornélio envolve toda a família e os amigos para o encontro com Pedro, que teria terminado no batismo. A vida cristã se vive na comunidade e, a verdade do nosso seguimento ao Senhor se mede também na nossa capacidade de envolver as pessoas mais próximas como amigos e parentes.

34-48. A pregação de Pedro não é nada mais que a narração da vida de Jesus, desde o começo até a morte e ressurreição. A pregação começa com a grande intuição que o centro de todo o capitulo 10: “Deus não faz acepção de pessoas, mas em qualquer nação, quem o teme e pratica a justiça, lhe é agradável” (10, 34).

 Pregação muita boa aquela de Pedro, pois desemboca primeiro na descida do Espírito Santo e depois no pedido do Batismo. Palavra e Espirito são os dois canais privilegiados para que o sacramento do Batismo possa brotar frutos de Santidade nas pessoas que o recebem. No texto que estamos analisando o Batismo é a adesão de uma nova vida, uma nova maneira de pensar, que contrasta com o estilo do mundo. De fato, se no mundo as pessoas se separam e dividem em grupos antagonistas, na história que acabamos de ler fica claro que todos somos irmão e irmão, pois ninguém é excluído no Reino de Deus. Pedimos a Deus que nos ajude a viver neste espirito novo.

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 9





Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-19. O encontro de Paulo com o Senhor muda radicalmente a sua vida. E, assim, de perseguidor dos cristãos, se torna o grande Apóstolo e missionário da Igreja a serviço do Evangelho de Jesus. Sem duvida nenhuma a vocação de Paulo nasceu de uma experiência prodigiosa, um chamado forte e claro. Isso não deve tirar nada da dinâmica da vocação. O encontro com Jesus, quando é autentico, deve provocar uma mudança de vida e de atitudes e, ao mesmo tempo, a disponibilidade ao anuncio do Evangelho.

15. “Este homem é para mim um instrumento para levar o meu nome diante das nações pagãs, dos reis e dos israelitas”. Os critérios de Deus escolher não são os nossos, também porque não são méritos humanos, o títulos mundanos que decidem o seguimento à Jesus, mas outros critérios que estão na mente de Deus. A nós cabe apenas escutar o chamado e aceita-lo ou recusá-lo.

18. “Logo caíram-lhe dos olhos uma como escamas”. O processo de conversão é como passar das trevas à luz, é um voltar a ver com olhos novos, é enxergar a realidade com olhos novos.

20-31. O processo de conversão não é imediato, de um dia para o outro, mas a assimilação da novidade do Evangelho, da proposta de vida nova de Jesus exige tempo e dedicação. Paulo, logo a pós o encontro prodigioso com Jesus, passa um tempo refletindo sobre a novidade da proposta do Senhor, e depois foi para Jerusalém a conversar com os Apóstolos do Senhor para melhor entender a proposta de Jesus. Interessante é notar que Paulo não começou a pregar o Evangelho nas sinagogas – eram as capelas dos Hebreus – depois do período de reflexão, mas já neste período. Isso quer dizer que a mesma pregação, o mesmo anuncio do Evangelho faz parte da nossa preparação. Interessante notar que, como aconteceu com Jesus, também Paulo provocou o ódio dos Hebreus que logo se articularam para mata-lo. O motivo deste ódio é claríssimo. De fato, Paulo, não era qualquer um, mas sim um dos discípulos prediletos de Gamaliel, doutor da Lei e muito respeitado pelo povo (cf. At 5,34). A pregação de Paulo estava provocando muita confusão nas fileiras dos hebreus, pois se questionavam como uma pessoa tão culta e esclarecida sobre a Sagrada Escritura pudesse entrar no caminho dos cristãos. O foco da pregação de Paulo era exatamente isso: com a Bíblia na mão, que ele conhecia muito bem, demostrava utilizando os textos do Antigo Testamento, que Jesus era o Cristo (At 9, 22), ou seja, o Messias que os profetas tinham anunciado. Não de estranhar também a resistência dos discípulos de Jerusalém a respeito de Paulo (Versículo 26), porque a fama de grande perseguidor dos cristãos tinha-se espalhado por toda a região.

32-43. Aqui são narrados dois milagres de Pedro. O poder de Jesus de fazer milagres é repassado na primeira geração de discípulos e, em modo especial entre os 12 Apóstolos. Este poder não se encontrará mais nas gerações sucessivas, a não ser em casos especiais. Os milagres são sinais que deviam induzir as pessoas à acreditarem na Palavra anunciada. Hoje somos convidados a realizar outro tipo de sinais para dar força à palavra que anunciamos. São os sinais da comunhão entre nós, da partilha com os mais pobres, do zelo para com as pessoas doentes e idosas da comunidade que oferecem credibilidade à nossa ação litúrgica. 

 

 

ATOS DOS APÓSTOLOS CAPITULO 8

 



Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-3. Interessante observar que a expansão da Igreja não acontece por causa de um planejamento bem estudado, mas por causa da perseguição. A Igreja se estendeu pelas regiões da Judeia e da Samaria por causa da perseguição contra a Igreja de Jerusalém. Esta é a assim chamada a segunda etapa da expansão da Igreja (cf.At  1,8).


4-8. “Entretanto os que haviam sido dispersos iam de lugar em lugar, anunciando a Palavra da Boa Nova”. Os primeiros cristãos transformavam situações humanamente negativas, como uma perseguição, em ocasiões para pregar o Evangelho. Os sinais que os discípulos realizavam se tornavam instrumento de conversão, porque davam valor às Palavras que pregavam. Sem duvida hoje não somos chamados a realizar este tipo de sinais, como cura e milagre, mas outros sinais como a comunhão na comunidade, a partilha com os mais pobres, a gratuidade no nosso serviço. São estes os sinais que rendem visível a Verdade da Palavra que estamos anunciando.

9-25. O caso de Simão o mago narrado neste trecho mostra a realidade religiosa que o cristianismo das origens teve que enfrentar. A magia era o grande cerne da religião, a capacidade de realizar prodígios era o sinal da verdade dos deuses (religião politeísta). A força do Espírito Santo, que na primeira fase da Igreja se manifestou também com sinais e milagres prodigiosos realizados pelos apóstolos e discípulos, provocou rapidamente o fim das religiões milagreiras. O exemplo de Simão mostra também até onde chegava a ignorância religiosa. Foi exatamente a partir deste episodio, aonde Simão tenta comprar com dinheiro o Espirito Santo, que nasceu a palavra simonia, para apontar o comercio das coisas santas que se difundiu no Ocidente medieval na época da construção da igreja de São Pedro em Roma. O episodio nos ensina que os dons de Deus são gratuitos e, para recebê-los, precisamos somente acolhe-los com um caminho de conversão e humildade.

26-35. Filipe, um dos diáconos que foi escolhido para servir as mesas dos pobres (capitulo 6) tinha também o dom da Palavra como Estevão (c. 7). Impelido pelo Espírito Santo se aproximou de um estrangeiro que estava lendo um trecho de Isaias, o capitulo 53, que fala do servo de Deus, mas não estava entendendo nada. “Entende o que lês? Como posso entender se ninguém me explicar?”. É esta a função da uma comunidade: explicar a Palavra de Deus aos fieis. “Abrindo então a boca e partindo deste trecho da escritura Filipe anunciou-lhe a boa Nova de Jesus”. É uma afirmação rica de sentido pela nossa caminhada. Talvez alguém pode duvidar sobre o sentido do Estudo Bíblico que estamos realizando. Alguém pode pensar que seja invenção do padre. Não, não é invenção do padre, é uma necessidade da Igreja, aliás é exatamente aquilo que a Igreja deve fazer: explicar a Sagrada Escritura. É claro que para fazer isso exige conhecimento. Por isso é bom que dentro da comunidade alguém desperte o interesse pelo estudo mais aprofundado da Palavra de Deus para ajudar os outros a entender melhor. O texto que acabamos de ler mostra que as paginas do Antigo Testamento são importante para aprofundar o conhecimento de Jesus, pois o Filho de Deus não veio a toa, mas dentro de um projeto divino que iniciou muitos séculos antes.

36-40. O Batismo é realizado depois de Filipe ter explicado a Sagrada Escritura para o estrangeiro. Isso quer dizer que o Batismo não é apenas um rito formal, mas sim a porta de entrada de uma caminhada de fé à qual devo aderir com todas as minhas forças e, para isso, devo compreender. Por isso a Igreja exige para batizar crianças a participação dos pais e dos padrinhos na caminhada da Igreja, pressupondo neles um certo conhecimento de Jesus e da vivencia na Igreja.

 

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

CARTA AOS ROMANOS CAPITULO 15

 



Estudo bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-13. De que fortes Paulo está falando? Sem duvida não está falando num sentido físico, mas sim espiritual. Então com estas palavras Paulo quis dizer que as pessoas que estão mais firmes na caminhada devem ajudar os mais fracos, os recém chegados. Paulo coloca como exemplo desta atitude o mesmo Cristo, que aqui na terra não buscou uma satisfação pessoal, mas pelo contrario, carregou sobre de si os erros de muitos. Nós acreditamos no Deus da perseverança e da consolação, que proporciona um caminho de comunhão e fraternidade, pois a finalidade da caminhada de fé é ter um só coração e uma só voz, ou seja, um caminho de comunhão. Por isso devemos aprender a nos acolhermos um aos outros. O versículo 13 marca o sentido da vida fraterna e a presença do Espírito Santo no meio da comunidade que não faz outra coisa que encher os corações dos fieis e esperança.

14-21. Significativa é a consciência que Paulo tem da própria vocação. Paulo sente-se chamado por Deus a ser ministro, ou seja, servidor da Palavra, do Evangelho. E foi isso mesmo que, como sabemos, Paulo fez ao longo de toda a sua vida, assim como é relatado no livro dos Atos dos Apóstolos. Paulo não enche o peito para se vangloriar de coisas humanas, de ter acumulado outro ou terras, ou por causa de poderes humanos alcançados. Pelo contrário, Paulo estufa o peito para ter servido o Senhor, se colocando como instrumento dócil do Espírito Santo, sendo testemunho de tudo aquilo que o Senhor realizou graça a sua docilidade.

22-33. Paulo partilha os seus planos de viagem. Paulo está pronto para ir para Espanha e passar também por Roma. Porque Paulo quer ir para a Espanha e para Roma? Paulo recebeu do Senhor a missão de levar a Palavra de Deus a todas as nações. Roma, naquele tempo, era a capital do Império Romano, que abraçava todas as nações do mundo conhecido naquela época. Na Espanha existia um lugar que se dizia fosse os confins do mundo. Roma e Espanha, então, na mente de Paulo simbolizavam a totalidade do mundo e, por isso, chegando até lá poderia considerar terminado o trabalho. Sabemos que Paulo conseguiu chegar até Roma, mas nunca foi pela Espanha porque morreu em Roma degolado no ano 64 d.C. Paulo enquanto escreve esta carta se encontra preso na Grécia, aguardando de ser julgado em Jerusalém. Sabemos, também, que durante o processo Paulo se apelou a Roma, sendo ele cidadão romano e, desta maneira, conseguindo fugir das armadilhas dos hebreus que de toda maneira queriam mata-lo. Foi por isso que Paulo chegou em Roma, não com uma própria decisão, mas sim preso para fugir dos hebreus. Os planos de Deus são verdadeiramente misteriosos.

CARTA AOS ROMANOS CAPITULO 16

 



Estudo bíblico para CEBs

 Paolo Cugini

1-16. 21-23.  É uma lista de nomes de pessoas que Paulo encontrou nas suas viagens. Ela lista demostra a humanidade de Paulo e o fato que a missão, não é feita de atos burocráticos, frios, mas sim de relações. Isso nos ensina que a verdade da evangelização passa através da instauração de relações sadias, autenticas. Uma comunidade não é feita de meros atos cultuais, mas de relações humanas. Aliás, podemos afirmar que a verdade do culto celebrado se manifesta na dinâmica das relações que acontecem entre os membros.

17-20. Paulo adverte o pessoal da comunidade para ficar atentos com pessoas que entram na comunidade não para fazer o bem, mas para provocar, e criar escândalos e bagunçar a comunidade. Este tipo de alerta é típica em Paulo (cf. Gal 6, 12-17). Tem sempre alguém que gosta de semear o mal; o importante é cortar logo este tipo de pessoas, não dar ousadia, pois se der, é a comunidade que vai sofrer.

25-27. Texto chamado de “doxologia”, ou seja, de glorificação. São poucos versículos riquíssimos de significado teológico. A mensagem que Jesus Cristo revelou ao longo do seu ministério foi o desvendamento de um mistério que estava envolvido no silencio desde os séculos eternos. Em Cristo este mistério foi revelado e dado a conhecer a todas as nações, com o objetivo de levar todos os povos à obediência da fé. É por isso que devemos dar gloria a Deus (doxologia) que por meio de Jesus Cristo consegue atrair a si todos os povos.

 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

CARTA AOS ROMANOS CAPITULO 9-11





Estudo bíblico para CEBs
 Paolo Cugini

Sendo que nestes capítulos da carta aos Romanos Paulo trata do mesmo tema achamos necessário que nos círculos bíblicos sejam lidos juntos, para não perder o fio da conversa.

9,1-29. O tema destes três capítulos é a conversão de Israel. Paulo tenta responder a um tema importante no debate das primeiras comunidades, ou seja, o destino do povo hebraico, o mesmo povo de Jesus, dos Apóstolos e de Paulo. O problema deriva do fasto que foi o povo hebraico a matar Jesus, o povo que tinha recebido as promessas. Por isso Paulo se pergunta: será que Deus esqueceu as promessas feitas aos patriarcas? Será que Deus é infiel? De jeito nenhum. Paulo faz o exemplo do oleiro para explicar como Deus é capaz de moldar a massa, qualquer que ela seja. Para reforçar esta tese Paulo traz por dentro do discurso algumas citações do A.T.: Is, 1,9; Os 2.

10,1-21. Problema: será que os hebreus não tiveram a oportunidade de ouvir o anuncio da vinda do Salvador? De jeito nenhum! De fato, Paulo mostra como desde o Antigo Testamento muitos profetas anunciaram a vinda do Salvador. “Será que eles não ouviram? Entretanto pela terra inteira correu a sua voz; até os confins do mundo as suas palavras” (10,18).

11, 1-36. É neste capitulo que Paulo dá a resposta clara utilizando a parábola da oliveira silvestre a oliveira cultivada. “Assim aconteceu para que a queda de Israel tornasse possível a salvação para os pagãos e para que Israel ficasse com ciúme”( 11,11). Neste versículo fica clara a posição de Paulo, que ele explica nesta parábola da oliveira. Na oliveira foram cortados alguns ramos e foram enxertados ramos de oliveira selvagem, não deve ser motivo de envaidecimento, pois como Deus cortou os ramos da oliveira boa, pode cortar também os ramos enxertados da oliveira selvagem. Problema: o povo de Israel, que recebeu as promessas pelos patriarcas, será que ficará de fora da salvação pelo fato que no momento presente não reconheceu em Jesus o Messias anunciado pelos profetas? A resposta de Paulo é, como sempre, muito clara: “O endurecimento de uma parte de Israel vai durar até quando chegue a plenitude das nações. Então todo Israel será salvo” (11,25-26). Então para Paulo a desobediência momentânea de uma parte do povo de Israel tem uma finalidade pedagogia para permitir que a salvação chegasse também para os pagãos. E assim, depois que todos os povos reconhecem o Senhor Jesus como único salvador, também Israel reconhecerá Jesus como único mediador de salvação.