lunedì 14 settembre 2015

JESUS E' A VERDADE




Paolo Cugini

João  8

1.      O Capítulo 8 apresenta a continuação do “ ensinamento” que Jesus iniciou por ocasião da festa das Tendas: “ Jesus proclamou ainda...” (8,12;7,14). O contexto narrativo é lembrado: Jesus ensinava no Templo, e os adversários queriam apoderar-se dele antes da hora (8,20). Tudo se passa, então, no interior do santuário. Os interlocutores de Jesus são agora os fariseus, até aqui mantidos nos bastidores. O auditório entretanto inclui pessoas que freqüentavam o Templo: Jesus está na esplanada contígua à sala do Tesouro e a presença de grande número é assinalada no v. 30: “ Como proclamasse estas coisas, muitos creram nele”.
2.      O capítulo inteiro pode ser intitulado “Eu sou”, mas a expressão deve ser compreendida corretamente. Jesus afirma ser só por Deus, com quem está em relação constitutiva. Por outro lado, o Eu de Jesus torna-se exemplar para todo homem: se a fé requerida envolve não somente a palavra que Jesus pronuncia da parte de Deus, mas a sua própria pessoa, é porque o discípulo deve reconhecer nele o Filho e, por isso, o que ele próprio é chamado a tornar-se.
O texto está também unificado pela freqüência excepcional, na boca de Jesus, de expressões designando o ato da palavra. Isto reflete-se em muitas réplicas dos judeus e nos três comentários do evangelista. O leitor está na presença do Logos de Deus exprimindo-se em Jesus de Nazaré. O capítulo 8 complementa o prólogo.
3.      O texto apresenta uma seqüência de confrontações, ao longo das quais Jesus se choca não somente com mal-entendidos como no diálogo com Nicodemos, mas ainda com oposição sistemática, com incompreensão profunda, embora de ambas as partes a linguagem provenha de uma mesma tradição, a de Israel. Jesus sublinha a derrota da comunicação: “Por que não compreendeis minha linguagem?” (8,43). Uma tensão dramática resulta deste confronto que termina em tentativa de apedrejamento e, com alcance simbólico, na retirada de Jesus, que abandona o Templo. 
4.      O texto é formado por duas grandes partes, a primeira das quais comporta duas sub-unidades. Uma e outra parte começam por um apelo para seguir Jesus: ele é a luz do mundo (8,12); seu discípulo conhecerá a verdade que liberta (8,31). Na junção das duas partes encontra-se uma pequena nota positiva do narrador: “Como proclamasse estas coisas, muitos passaram a crer nele” (8,30); ela condiciona literariamente a retomada do ensinamento de Jesus no versículo 31: “Disse, então, Jesus aos judeus que haviam acreditado...”.
5.      Ao longo da primeira parte (8,12-30), Jesus justifica o testemunho inicial pelo qual ele se proclamou luz do mundo. Ele afirma por isto sua união com o Pai, que manifestará claramente sua “elevação”. A Segunda parte (8,31-59) é constituída em torno da figura de Abraão, aquele que crê, e de quem os ouvintes de Jesus dizem  “filhos”. Na perspectiva deste texto, todo homem é movido em sua conduta por um Outro, que é a fonte dele próprio. Esta origem não é fatalidade, mas escolha. É por isso que Jesus estigmatiza nos ouvintes a rejeição da verdade e a intenção homicida em que se exprime seu alívio: é o diabo que eles escutam, o Divisor por excelência. Seus comportamentos são o inverso do de Abraão, que acreditou na Promessa. Abraão acreditou n’Aquele que agora, por sua perfeita comunhão com o Pai, se define.
6.      Proclamando-se a luz do mundo, Jesus revela aquele que, ainda desconhecido dos homens, estava oculto em Deus para a salvação deles: afirmará que sua palavra, recebida do Pai, é verdade divina (8,45-47) e que guardá-la significa jamais ver a morte (8,51s). finalmente ele falará de seu “Dia” (8,56); este termo evoca o surgimento da claridade na obscuridade da noite.
Enfim, apresentando-se no Templo como a luz, Jesus afirma que se cumpriu em sua pessoa a longa expectativa, existente em Israel, da luz definitiva, aquela que preparava para a Luz da lei, depois para a sabedoria e que se identificaria com a luz messiânica.
7.      Após  as imagens do pão que alimenta para a vida eterna e da fonte que dessedenta para sempre, a da luz exprime a transformação da condição humana, segundo a esperança que já animava o Salmista. A treva que se opõe à luz não é aqui o nada mas, como mostra o texto, o desconhecimento de Deus como Pai.
8.      Jesus afirma primeiramente que seu testemunho vale em razão de seu saber. Ele já proclamou que vem do Pai e que retorna a ele: aqui insiste no conhecimento que tem de sua origem e do seu destino (8,14:


9.      cf.13,13): ele “sabe”, enquanto seus interlocutores permanecem na ignorância a seu respeito. Essa conseqüência pessoal situa Jesus fora do comum dos mortais: estes estão mergulhados num presente que não está imediatamente ligado à origem e ao fim; Jesus não está encerrado no seu espaço, ele domina o tempo e seu próprio ser. Por que, senão por ser do alto (cf. 8,23), perfeitamente unido àquele que o enviou, o Pai?  
De novo, o texto começa por um apelo relativo ao discípulo: Jesus, que chamou a “segui-lo” (8,12), convida agora a “permanecer” na sua palavra. Há progresso, ou pelo menos explicitação: se necessário passar de uma adesão pronta à  interiorização da palavra de Jesus, “guardá-la” (v. 51), é porque o próprio Filho “guarda” a palavra do Pai (v.55).
9.  A liberdade que a verdade (o Filho) dá é concedida aos discípulos de Jesus; tais são os dois pontos a         desenvolver: ser discípulo e tornar-se livre.
O anúncio inicial põe a condição para chegar ao estado de “discípulo” ( palavra que aqui aparece pela primeira vez na boca de Jesus) e de discípulo “verdadeiro”, distinguindo-se dos que abandonaram o Mestre (cf.6,66). Pensa-se no discípulo amado, protótipo daqueles que Jesus chama de “amigos”. O primeiro engajamento deve tornar-se fé autêntica. Não se tratará somente de “seguir”  Jesus (8,12) ou de confiar nele (8,31), mas de “permanecer” em sua palavra, de assimilá-la, de existir por ela e descobrir que ela é a palavra do próprio Deus. Permanecendo na palavra de Jesus, o discípulo “compreenderá”, entrará num conhecimento sempre mais profundo, que é comunhão com o objeto conhecido, a “verdade”.
Segundo sua etimologia hebraica, a palavra “verdade” (émet) expressa aquilo que assegura solidamente no ser; marcando à relação duradoura e sem cessar aprofunda entre dois seres, eqüivale à relação de “fidelidade”, termo que caracteriza o Deus da Aliança. A tradição sapiencial identifica a verdade à Sabedoria, e a apocalíptica, ao “mistério” do desígnio de Deus (Dn 10,21). Em João, a palavra conota o conhecimento imediato que o Filho tem do Pai. A proposição aqui parece nova: se antes da vinda do Filho o chamado a permanecer na palavra anunciada pelo Filho que saiu de Deus. Por isso, o Filho toma no v. 36 o lugar que tinha a verdade personificada (cf.1,14; 14,6.
10.    À guisa de introdução, Jesus diz uma frase surpreendente: “Vós não podeis ouvir minha palavra” (v. 43), o que é mais grave que a reprovação anterior: “Minha palavra não penetra em vós” (v.37); pois Jesus não diz: “Vós não quereis”, mas “vós não podeis”, como se eles fossem vítimas de um determinismo. Parece insinuar alguma predestinação para o mal. Os ouvintes estariam destinados a não compreender? Tal dedução desorientaria o leitor. Se eles não podem ouvir, é porque se tornaram incapazes; endureceram-se por causa deste “determinismo do pecado que se nutre de sua própria  substância”. Tornando-se surdos aos mandamentos de Deus, eles ficam fechados a toda nova palavra.
11.        O Combate de Jesus contra Satã torna-se para os crentes a luta por sua fé e por sua fidelidade a Jesus diante do assalto do “mundo”. Quando, na iminência da Paixão de Jesus, Satã se desencadeou contra ele, Jesus afirmou aos discípulos: “Sobre mim ele não tem poder algum” e “Ele já está condenado” (14,30; 16,11; 1Jo 3,8). Ameaçado nos seus pelo “mundo”, Jesus tem um defensor, o Paráclito, que demonstra ao coração dos fiéis o erro e a culpa do mundo, quer dizer daqueles que recusam obstinadamente a luz (16,7-11).

12.        Alguns preferem continuar a falar de Satã como de um indivíduo nefasto, outros acham que ele é a personificação do Mal universal. Que importa?! O essencial é que Jesus o derrubou quando, por fidelidade ao Pai, abriu definitivamente  aos homens a relação viva com Deus, aquela que Satã se esforçou por impedir ou por destruir. É inerente à nossa condição humana e também à autenticidade de nosso ‘sim’ que Satã nos afronte, pelos desvios do “mundo” fora de nós e em nós, com a sua presença ao mesmo tempo enfurecida e já vencida.

A LUZ DA VIDA







João 7 – 8

Paolo Cugini

7-8     Descreve o ministério de Jesus desde sua partida definitiva da Galiléia até as vésperas da semana que     procede a Páscoa.
Durante a festa das tendas, Jesus está ensinando no templo de Jerusalém.
Segundo o Quarto Evangelho, o ministério de Jesus na Judéia é ao mesmo tempo seu processo de condenação pelas autoridades judaicas, processo que os sinóticos situam após sua prisão.
João situa antes do discurso da vida pública o confronto entre o enviado de Deus e seus juizes: sobre um fundo fanático de hostilidade e de não – fé , Jesus prossegue  a revelação de sua identidade e da missão que recebeu, afirmando a revelação sem igual que o une a Deus, seu Pai, e proclamando um solene EU SOU.
“A pergunta quem és tu?” feita a Jesus pelos judeus (8, 25) subjaz ao texto dos capítulos 7-8 e o ensinamento de Jesus progride ao longo dos capítulos para culminar no EU SOU de 8,58; esta proclamação final responde ao pedido dos irmãos “ Manifesta quem tu és!” (7,4).

Alguns dados gerais:
1.          situação da Igreja joanina:
O texto reflete as controvérsias que, na época do evangelista opunham os meios oficiais do judaísmo aos discípulos de Jesus. Desde a queda de Jerusalém sob o poder dos romanos no ano 70 e a destruição  do templo que havia posto fim ao culto tradicional, ortodoxia farisaica permanecia como único garante da identidade judaica e da cesão do joio. Daí seu enrijecimento com relação a todo grupo distinto, em particular o dos cristãos de origem judaica.
Diante da recusa da sinagoga, o evangelista deixa de lado os múltiplos ensinamentos de Jesus que a tradição sinótica relatara, e até o comportamento de Jesus para com os deserdados da terra, para concentrar a mensagem exclusivamente na pessoa do enviado e em seu mistério. Ele mostra em Jesus bem mais que o Messias de Israel; mostra o logos porque o Pai se expressa e em quem os fiéis participam da filiação divina.

2.      Situação na narração evangélica -  Jesus já subiu duas vezes a Jerusalém (2,13 e 5,1) mas as breves estradas que o fizeram conhecido na cidade foram marcadas por ameaças contra Ele.
Esperando a chegada da hora, desenvolve-se o processo de condenação de Jesus diante dos Judeus, bem antes da prisão efetiva. Os capítulos 7 – 8 apresentam o primeiro ato, cujo tom já fora dado pelo capítulo 5. Este processo prossegue até o capítulo 10.
        
         3.  No templo: O confronto de Jesus com seu povo passa-se  no lugar sagrado. Após a tentativa de               apedrejamento provocado por seu supremo anúncio, Jesus “sai” do templo (8,59)   como não pensar em YHWH  que abandonou o santuário (Ez 11,23) ?.
              Jesus não ensinará mais no lugar santo, ele vai mesmo deixar a Judéia e retirar-se para além do Jordão (10,40).

4.      Na festa da Tendas – A festa das tendas ( das cabanas) é uma das mais importantes entre as quatro festas principais do ciclo anual ( Páscoa, Pentecostes, Tendas, Dia das Expiações) . De origem agrícola, ele corresponde à festa da colheita que se celebrava no outono (Ex 23,16); habitava-se então em cabanas construídas com folhagem, semelhante aos abrigos que se usavam nos vergéis no momento da colheita. Por sua vez, eles recordavam a vida dos hebreus no deserto no momento da saída do Egito ( Lv 23,42 a ) – Na época do Novo Testamento, a festa das Tendas  coroava a do Ano Novo e era celebrada de 15 a 21 tishri, isto é, mais ou menos no fim de setembro.






Se, Segunda a descrição de Lv 23, 34-43), esta festa era em agradecimento pela colheita obtida, sua liturgia, era orientada para o pedido da chuva para o ano que se iniciava. No último dia, ia-se em procissão à piscina de Siloé  tirar a água que um sacerdote derramava  em libação sobre o altar dos sacrifícios, dentro do templo.
        Lembrando a Deus seu compromissos para com Israel, a prece comunitária evocava também o fim dos tempos conforme as profecias que anunciavam, mediante o símbolo da fonte, a renovação espiritual de Sião. (Ez 47,1-12) fala da água que sai do lado direito do templo e Isaías anuncia: Tirareis com alegria a água das fontes da salvação” ( Is 12,3).

       No século I, em rito da luz também era celebrado durante a festa. Este de pano de fundo       litúrgico dos capítulos 7 e 8 permite melhor situar o apelo de Jesus para beberem da sua água e também, sua autoproclamação como luz do mundo.

5.    Os personagens – sozinho diante dos judeus, na ausência de qualquer discípulo, Jesus aparece perfeitamente livre, iluminado interiormente pela consciência de sua unidade com o Pai e de sua missão.
       Diante dele, os outros atores são representados em grupos: os irmãos, a multidão, algumas pessoas de Jerusalém, as autoridades, os fariseus e os sacerdotes, os guardas do templo e, de modo geral, os judeus.
       Estes grupos estão todos alvoroçados, agitados por sentimentos diversos. No proxênio , a multidão de peregrinos e de pessoas de Jerusalém distribuíam-se em facções de tendências opostas ou então se debatem entre as evidências contrárias a respeito de eventual Messias.
       Entre Jesus e seus interlocutores não haverá diálogo algum porque eles permanecem fechados a todo anúncio que não se enquadra em seu sistema de pensamento (8,43).
      
6.   Dois perigos maiores ameaçam o fiel que se apoia num texto revelado. O primeiro é o tradicionalismo. Os “ judeus” do relato têm certa razão de agarrar-se à tradição da Lei; eles erram ao fechá-la num sistema que não deixa mais espaço ás aberturas que ela mesma contém, nem a Deus, o vivente, que renova sem cessar as leituras que o homem faz da Sagrada Escritura. Eles preferem a letra bem estabelecida ao espírito que nem sempre predomina. Jesus falava de “palavra” e de “ensinamento”; eles se referem às santas Letras, da qual se consideram os depositários: Deus exprimiu-se num texto num texto definitivo. Assim encarado, este não arrisca sufocar a Palavra viva? E eis o tradicionalista resvalando pelo declive do integrismo.
       Um segundo perigo ameaça aquele que, conscientemente, se interessa por levar à prática os preceitos de sua Igreja. Para apreciar a qualidade de um comportamento, ele julga a partir da observação ou da transgressão de uma Lei cujo sentido foi fixado numa prática  precisa, que não admite exceção. Considerando-se fiel a estes mandamentos, o praticante arrisca julgar o comportamento dos outros sob o prisma de sua ótica estreita. Como poderia ele abrir-se, então, ao apelo bem mais abrangente que lhe dirigem os “incrédulos” e os abandonados da terra?
       Na origem destas atitudes deformadas está certa concepção da Lei. A Lei vale na medida em que mostra a vontade de Deus e é o caminho da Palavra viva. Se o decálogo não convida ao diálogo, ele se torna um simples catálogo, colete que pode fazer a pessoa manter-se ereta, mas que paralisa o mensageiro de Deus. Jesus chama todo homem, não a afastar a Lei, mas a ouvir Deus que fala através dela. Enquanto S. Paulo se empenha em mostrar qual é o verdadeiro cristão, João provoca seu leitor para tomar consciência de qual é o verdadeiro judeu, aquele põe em prática as riquezas da Lei.
  

NOTAS DE ESPIRITUALIDADE PRESBITERAL



 Jesus é o bom Pastor

Paolo Cugini


Primeira meditação

1. Em primeiro lugar é preciso salientar que existe somente um bom pastor, ou seja, Jesus. Isso quer dizer que bispos e padres são pastores por participação do único pastor que é Cristo. Somos pastores, por assim dizer, em sacramento. Somos instrumentos de Cristo: através da nossa atividade pastoral deveria se manifestar a bondade do pastoreio de Cristo. È uma grandíssima responsabilidade. È nessa altura que podemos pensar ao sentido do sacramento que recebemos. Podemos, então, nos perguntar, qual é a ação do Espírito sobre de nós? Quais são os sentimentos, os sinais de Cristo Bom Pastor que o Espírito Santo reproduz, ao longo dos anos na nossa humanidade?

2. “O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas”. Jesus pastoreou o seu rebanho doando a vida pelas suas ovelhas. Em poucos versículos (11,15,17) esta idéia é repetida três vezes, quer dizer que é bem importante. O jeito de Jesus pastorear o seu rebanho foi de entregar a vida pelas suas ovelhas. Este é o marco característico de Jesus. Quer dizer dar a vida pelas ovelhas? Antes de tudo significa gratuidade, não buscar o próprio interesse, mas dos outros.  A ação de Jesus para com as suas ovelhas foi aquela de buscar o interesse delas, e não o seu. O pastor pra ser bom, deve ter esta atitude: de forma contraria vira mercenário e, assim, não é mais um bom pastor, mas sim ruim. Jesus doou a sua mesma vida pelas ovelhas protegendo-as dos lobos ferozes que, neste caso eram os fariseus, os escribas e os chefes da lei que questionavam continuamente Jesus e os seus discípulos. Jesus protegia as suas ovelhas rezando pra elas (Jo 17), pra elas conseguirem a cumprir a própria missão. Jesus protegeu as ovelhas também explicando pra elas os mistérios do Reino de Deus. Cada vez que Jesus contava uma parábola, depois a só chamava os discípulos para explicar o sentido profundo daquilo que tinha colocado no meio da multidão (Mc 4). Jesus protegia as suas ovelhas não com a força e a violência, mas com o amor, o dialogo a compreensão.
Outra reflexão que podemos realizar é esta. Pensando atentamente sobre aquilo que Jesus coloca como atitude fundamental do seu pastoreio das ovelhas, ou seja, o doar a vida pra elas, dá pra entender que para levar pra frente uma atitude deste jeito é preciso uma concentração total no projeto que se consegue alcançar. Vou me explicar. Uma doação gratuita exige uma motivação enorme. Ninguém faz nada de graça. A característica do pecado que se manifesta no egoísmo humano é querer se apoderar de tudo e de todos. Por isso manipula as pessoas para conseguir os próprios objetivos.  Jesus, pelo contrario, ao longo da sua vida, fica sempre com o objetivo da sua existência bem claro. Também nas horas terríveis da sua morte, Jesus não vacilou, mas, pelo contrario, soube ficar firme e usar palavras e misericórdia para com os seus algozes. Como se consegue tal força? Sem duvida mantendo viva a motivação que anima a própria vocação através do dialogo com Deus, a oração. É aquilo que Jesus fazia.
Jesus pastoreou os seus discípulos mostrando pra eles o sentido da historia, as artimanhas do poder, a hipocrisia o poder religioso.
Jesus pastoreou o seu rebanho se despojando e tudo, servindo as suas ovelhas e não querendo que elas o servissem (cf. Jo 13).
Jesus doou a vida pelas suas ovelhas em cada momento da sua existência, em cada palavra, em cada ato. A vida de Jesus, de fato, foi totalizante. A sua experiência religiosa não foi parcial, feita de momentos. Em Jesus não se percebe a distinção entre sagro e profano: tudo é de Deus e tudo deve ser oferecido a Ele. Em tudo aquilo que Jesus fazia e dizia era implicitamanete presente o Pai, também porque Jesus fazia questão de dizer que a única coisa que buscava era exatamente isso: a vontade de seu Pai.
Morrer pelas suas ovelhas exige, então, umas motivações enormes, que deve ser alimentada e atualizada toda hora, pra não acabar esgotado. Colocando esta reflexão na luz do texto de Isaias 53, o famoso canto do servo onde está escrito que “Javé quis esmagá-lo” (Is 53,7), percebe-se que aquilo que aconteceu na morte humilhante de Jesus parece ser como o método que Deus escolheu para salvar a humanidade. Sendo que o homem mergulhado do pecado não entende mais nada e, além do mais tem a faculdade da vontade totalmente incapaz de obedecer aos comandos de Deus, o único recurso para isso parece ser a morte humilhante e violente do justo inocente.
Se isso é verdade, também o pastor que participa da bondade do único Bom Pastor, deve ser disponível a ser esmagado pelo egoísmo humano personificado nos detentores do poder político de forma corrupta. Este é um elemento importante daquilo que podemos chamar de espiritualidade do padre diocesano e, em geral, de qualquer consagrado a Deus. A unção sacramental produz em nós a capacidade de agüentar o pecado do mundo que, em algum casos, pode chegar até as extremas conseqüências da morte violenta, os seja, o martírio. São Paulo, neste mesmo sentido, nos lembra que, no Batismo, fomos sepultados na morte com Jesus e, então que no Batismo somos sacramentalmente mortos. A vida sacerdotal leva a seu Maximo desenvolvimento esta morte sacramental, produzindo no sacerdote a capacidade de agüentar o mal do mundo.

3. “Conhece as suas ovelhas e as suas ovelhas reconhecem a sua voz”. É a prioridade da relação sobre o conteúdo. Quer dizer que, de uma certa forma a relação precede o conteúdo. É de fato, difícil passar um conteúdo tão profundo e autentico como o evangelho, sem tentar de tecer um relacionamento com as pessoas que se quer atingir com este conteúdo. É a este nível que acho importante resgatar o sentido original da Eucaristia. De fato o que foi a ultima ceia? Foi o ato final de uma historia de amizade, de amor entre Jesus e os seus discípulos. Desejando dar continuidade a este relacionamento, Jesus inventou um instrumento para que os discípulos pudessem ficar com Ele para sempre, também depois da morte. Alem do mais, entregando o pão e o vinho, Jesus profetizou não apenas a sua morte, mas revelou o sentido da mesma. Dizendo “este é o meu corpo, este é o meu sangue” Jesus profetizou a sua morte, os acontecimentos da sexta feira. “Que é dato por vocês”: Jesus quis dizer que ele não estava simplesmente morrendo por causa da maldade dos chefes da lei, mas a sua morte era o ato conclusivo de uma vida vivida como Filho obediente ao Pai, que não recuava perante ninguém, nem a morte. Em Jesus se manifesta o sentido profundo do amor de Deus, que não é um conceito abstrato, filosófico. Amor é doação total de si mesmo: é isso que enxergamos em Jesus e é também isso que os discípulos viram em Jesus, na sua firmeza perante os algozes.
Se tudo isso tem sentido quer dizer que a Eucaristia não é apenas um rito que deve ser celebrado de qualquer maneira. O problema que, como padre, devo sempre colocar na minha frente deveria ser este: como posso criar laços de amizade com as pessoas que participam da missa? De que forma preencher de sentido humano e espiritual a celebração eucarística para que não se torne um rito de lembranças do passado?
É claro que num contexto como o nosso da Bahia, aonde tem paróquias com mais de 50 o até 100 comunidade, esta idéia deve ser repensada, incolturada. Talvez, neste contexto, poderia se privilegiar o relacionamento com as lideranças, com as pessoas que pelo menos tem uma tarefa nas comunidades.

4. Tenho ainda muitas ovelhas que não estão no redil”. O ultimo sentimento que o Espírito Santo deveria formar na humanidade dos padres é tensão missionária. Esta tensão, porém, não pode parar apenas na busca das pessoas batizadas que não freqüentam a Igreja, mas ir além. Sobretudo neste mundo pós-moderno que muda rapidamente e que relativiza qualquer elemento valorial seja moral que religioso, torna-se urgente aprender a inventar de forma criativa projetos que possam alcançar aquelas pessoas de boa vontade que na manifestam nenhum interesse pelas coisas de Deus. É a este nível que é possível elaborar projetos de cunho cultural, político, artístico. Importante é não se fossilizar no simples ritualismo, na desobriga: isso seria a morte do espírito missionário. O fruto da oração sacerdotal deveria ser também isso. Ou seja, produzir nas nossas almas o desejo corriqueiro que tudo mundo se salve e, para isso, a vontade criativa de elaborar projetos para que, de qualquer maneira, a humanidade se encontre com Deus.

5. Jesus se identifica totalmente com o seu ministério: este é o sentido profundo da sua identidade. Nele não encontramos nenhuma separação entre divino e humano. Os seus atos humanos desvendem a sua origem divina e, ao mesmo tempo a sua natureza divina transparece nos seus gestos, atos e palavras. \alem do mais em Jesus não encontramos também nenhuma separação entre sagrado e profano. Jesus veio anunciar o Reino de Deus, mas aquilo que chama atenção é que raramente o encontramos na sinagoga mas, sim, nas praças, ruas, casas.




lunedì 20 luglio 2015

DO MINISTERIO AO MISTERIO



Paolo Cugini


1. 1 Reis 19, 1-18. É um texto tirado do ciclo de Elias.

O texto lido começa com a ameaça de Jezabel na forma de juramento. É importante lembrar que o nome de Elias quer dizer “O meu Deus é Javé”. Toda a vida de Elias foi um luta para o Javismo, uma luta contra toda qualquer forma de idolatria e de sincretismo.

2. A fuga e Elias.

Este trecho diz, antes de tudo, que a fuga de Elias é uma fuga para salvar-se, mas no contexto do caminho, percebe-se que á Elias desapareceu a vontade de viver. Isso é estranho, pois a Bíblia apresenta Elias como um grande lutador, que nunca desiste, com um espírito de valente. Apesar disso, neste trecho, parece que Elias não tenha mais vontade de viver.
Agora basta Senhor”. Deixou o seu servo por esta vontade de morrer, de se deixar morrer.

“Não sou melhor que meus pais”. Esta é a motivação que Elias coloca pra pedir a Deus a morte. È a incapacidade de ver um futuro na própria vida. A vida tem sentido quando é um caminho de crescimento, de enriquecimento; a vida é pensada assim: é feita de transformações e, a transformação, deve ir inevitavelmente rumo ao melhor. Quando esta esperança d melhorar ávida desaparece, desaparece também a vontade de viver. Elias, então, parece ter chegado ao topo da vida, a este ponto aonde não consegue enxergar mais nada na frente. Se deita e dorme: este sono é como uma sorte de antecipação da morte. É uma maneira de aplacar a consciência, de adormecer o sentido de falimento, de fracasso total da vida que Elias está sentindo. Este sentimento negativo está tirando á Elias toda a energia psíquica e espiritual para continuar a viver.

Levanta-te e come”. Se Elias não morreu é porque Deus entrou no meio da historia. Por duas vezes o anjo do Senhor convida Elias pra se levantar e comer. A segunda vez o anjo acrescenta uma motivação importante: “O caminho te será longo demais”. Claramente a referencia não é apenas ao caminho físico que Elias deve realizar, mas ao mesmo caminho da vida, á vocação de Elias, ao seu ministério. É por isso que Elias deve aceitar de se alimentar, alias, que o anjo de Deus o alimente. Nessa altura a fuga se torna uma romaria com uma meta bem precisa: o monte de Deus, o Horeb. É nesta montanha que Moises encontrou o Senhor (Ex 33, 23). De uma certa forma a romaria se transforma em uma viajem á busca da fonte do Javismo e, então, da mesma vocação de Elias.

3. A teofania.

“Que fazes aqui Elias?”. É uma pergunta que parece ser uma reprovação. É uma pergunta que deve provocar a reflexão de Elias, sobre o motivo do próprio fracasso, da fuga que o levou ao deserto do Sinai. É uma pergunta que deve ajudar Elias a entender a origem de todos estes sentimentos que o levaram tão longe do seu ministério, descobrir a fonte do seu medo. Elias foi longe do lugar do seu ministério, pois o seu ministério não é ali, não é no Sinai, mas é em Israel, pois é em Israel que está sendo travada a luta entre o Javismo e o baalismo. Esta é a luta pela qual Elias foi chamado por Deus e é exatamente ali que Elias deve se encontrar.
Os Israelitas abandonaram a tua aliança”. É a desculpa de Elias. De uma certa forma a desculpa de Elias é uma mentira. De fato não é verdade que Israel esqueceu Javé, pois no cap 18, 39 ouvimos este grito: “Javé é Deus!”. Também não é verdade que “demoliram os altares”, porque no Carmelo foi reconstruído o altar do Senhor (18,30). Isso é normal pois quando uma pessoa vive uma crise existencial não consegue enxergar as coisas de uma forma real, autentica, ma muito distorcida. É a amargura que fecha os olhos de Elias, o seu medo de Jezabel que provoca estes sentimentos negativos e um julgamento excessivamente pessimista sobre a realidade que o rodeia.

“Sai e fica na montanha diante de Javé”. No começo do ciclo de Elias oprofeta tinha-se apresentado assim: ”Pela vida de Javé, o Deus de Israel, que eu sirvo” (17,1). Neste contexto é confirmada a vocação, a identidade do profeta.
vv. 12-13: Não é possível identificar o Senhor com as forças da natureza. Quando o Senhor vem podem chegar relâmpagos, como já aconteceu na teofania do Sinai com Moises (Ex 19,16). Só que não podemos identificar o Senhor com a natureza e as suas forças. É por isso que o Senhor se manifesta perante Elias de uma forma surpreendente, inesperada, como “o ruído de uma leve brisa”. A tradução literal seria: “Uma voz do silencio leve”. Voz e silencio são duaspalavras contrarias. Isso quer dizer que não é possível definir a Deus. È de uma certa forma aquilo que afirmava a teologia negativa de Cusano. Deus, apesar de tudo, permanece um mistério para o homem e qualquer tentativa de defini-lo, identificá-lo, como, por exemplo, com as forças da natureza, é sempre um caminho errado. Deus é um mistério inexprimível, que a Bíblia para dizer algo sobre Ele utiliza dois contrários: voz e silencio. Que Deus seja voz, ninguém tem nada a dizer contra: a Bíblia é sem duvida nenhuma a expressão plena desta voz. Deus porem é também silencio, no sentido que é inexprimível, inefável. Claramente esta que encontramos é uma maneira de expressar a diversidade de Deus, no confronto de todas as imagens que o precederam e de colocar o homem perante á aceitação do mistério, do fato que o homem não pode nunca tentar de encaixar nos próprios esquemas as intervenções de Deus.

“Que faz aqui Elias?”.A resposta é a mesma de antes. E Deus convida Elias a voltar atrás, lá aonde acontece a luta, aonde tem que servir, aonde precisa testemunhar o Senhor, aonde precisa se opor a todas as alterações e deformações do nome do Senhor. (O ministério é também isso. É testemunhar o Senhor num mundo que não o conhece sabendo que este mundo é amiúde no mesmo contexto eclesial). Deus pede Para Elias não ter medo, não e deixar vencer do medo. A historia não se tornou aquele caos insuportável que Elias reclamava: pelo contrario, a historia está bem firme nas mãos de Deus. Elias pode voltar tranqüilo, pois a vida é assim mesmo, é um continuo contraste, conflito que se vence somente se  aprende a viver constantemente em Deus.

Ungiras Eliseu”. É anunciado o fim de Elias, o fim da sua profecia, do seu ministério. Elias deve aceitar também de desaparecer. A final de conta ele, como todos os profetas, é apenas um enviado de Deus, um instrumento nas suas mãos. O fim de Elias não significa que Elias perdeu, mas pelo contrario que a causa pela qual ele lutou continua. Ser ministro de Deus pressupõe aprender a viver despojado, a não se apegar demais as próprias idéias, a própria força,aquilo que se constrói, pois tudo está nas mãos de Deus. A unção de Eliseu quer dizer que Deus decidiu de dar continuidade ao trabalho realizado por Elias. O designo de Deus é maior do que Elias. Elias é extraordinariamente grande, mas o designo de Deus é uma outra coisa.

“Me pouparei em Israel sete mil homens”. É o famoso resto de Israel. Este grupo de pessoas é o futuro do Javismo, é o futuro do designo de Deus em Israel.

4. A renovação do compromisso profético de missão.

Atualizar este texto na nossa vida, no nosso ministério.
- Quais são as ameaças que hoje estão nos amedrontando?
Quais são os mecanismos de fuga que inventamos? Talvez não estamos fugindo, mas existem vários mecanismos de fuga, como, por exemplo, criar outros interesses, etc.

- Como transformar a fuga em romaria? Não pensar o nosso caminho como determinado pelos fracassos, decepções, mas orientado rumo a que? Uma romaria rumo ao Senhor, aprendendo a colocar nas suas mãos todas as nossas crisis, frustrações. Como encontrar a força para realizar este caminho? Que alimento utilizar?
- A pergunta do Senhor: “Que fazes aqui Elias?” Estou no meu lugar atualmente no ministério? Quais são as minhas justificativas?

- Como reencontrar a confiança no cumprimento do plano de Deus?




sabato 18 luglio 2015

RETIRO ESPIRITUAL





Retiro espiritual 6-7 outubro 2007


Sábado à noite; primeira meditação

O sentido da amizade na vida cristã e as nossas dificuldades (poderia ser feito o histórico da nossa caminhada).

Perguntas:
Quais são os sentimentos negativos que atrapalham a minha vida e que não consigo tirar?
como está sendo o nosso relacionamento?
O que impede um melhor entrosamento entre nós?

Cf. João 13-16; Atos 2,42ss.
Atrás de Jesus para transfigurar os nossos sentimentos negativos.

Temas:
O sentido do discipulado.
             Ser discípulos no contexto da nossa cidade de Tapiramutá
             A Vida no Espírito que recebemos no Crisma.

Idéias sobre a amizade, assim como aparece na postura de Jesus.

- a amizade é um relacionamento particular, a sos com um adulto que me acompanha na descoberta de mim mesmo, para discernir a minha vocação (cf. Mc, 10; Mc 6, 30).

- Neste relacionamento aprendo a abrir o meu mundo, o meu universo interior, por alguém do qual confio, partilho com ele os meus sonhos, anseios, angustias (Mt 19, 16).

- No caminho de discipulado com Jesus, aprendo a minha identidade, a perceber a minha diferença, ou fato que Deus me criou por um compromisso especifico.  Quando entendemos isso deixamos cair as mascaras que construímos pra me defender dos outros. Neste sentido é importante refletir sobre o fato que Jesus escolheu 72 discípulos (Lc 10,1s), entre eles escolheu os 12 (Lc 6, 12), entre os 12 escolheu três (Pedro, Tiago e João) Lc 9, 28 ss., entre os três escolheu Pedro como chefe da Igreja (cf. Mt 16, 18), e João era o discípulo que Ele amava (Jo 19,26). Só na aproximação com Jesus percebemos o sentido da nossa presença na terra, da nossa identidade.



A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA NA IGREJA




Síntese de Paolo Cugini

            [1] método histórico-crítico

            Histórico: não é porque se aplica a textos antigos, mas também Cristo ele procura elucidar os processos históricos de produção dos textos bíblicos.
            Os textos bíblicos, em suas diferenças.
            Crítico: com a ajuda de critérios científicos tenta tornar acessível ao leitor moderno o sentido dos textos.

            Etapas do método:
1)                          critica textual – procura estabelecer um texto bíblico que seja tão próximo quanto possível do texto original. (mostrar códigos do eu grego).
2)                          Analise lingüística: morfológica, sintaxe (cfr Paulo e cartas pastorais).
3)                          Critica literária: verifica a coerência interna do texto Jo 20, 30; Jo 4, 25 e Is 2(repetições, divergência, inconciliáveis -manifesta o caráter composto do texto); busca a origem das diferentes fontes.
Hinos, Salmos, históricos  4) crítica dos gêneres – ambiente de origem, traços específicos e evolução desses textos.
(J.E.D.P) 5) critica das tradições: situa os textos em correntes de tradição, dos quais ela procura determinar a evolução no decorrer da história.
6) critica da redação: estuda as modificações que os textos sofreram antes de terem um estado fixado.
7) critica histórica: se aplica quando o gênero literário é em relação com acontecimentos da história. (Isaías e Profetas).

Objetivo deste método: colocar em evidência o sentido expresso pelos autores e redatores.

Sentido da Escritura inspirada

Sentido literal: não é suficiente traduzir um texto palavra por palavra para obter seu sentido literal.
É aquele que foi expresso diretamente pelos autores humanos inspirados. Sendo o fruto da inspiração, este sentido é também desejado por Deus, autor principal.
Ele é discernido graças a uma análise precisa de texto, situado no seu contexto literário e histórico.
Geralmente o sentido literário de um texto é único, mas não se trata de um principio absoluto (ex Jo 11, 50).
Aspecto dinâmico: ex. Salmos rei – instituição verdadeira
                                                       - visão ideal da realeza.

Um texto escrito tem a capacidade de ser colocado em circunstâncias novas que o iluminou de forma diferente, acrescentando ao seu sentido novas determinações.
Sentido literal – é desde inicio, aberto a desenvolvimento culturas, que se produzam graças a “releituras” em contactos novos.

Sentido espiritual: o acontecimento pascal, morte ou ressurreição de Cristo, deu origem a um contexto histórico radicalmente novo, que ilumina de maneira nova os textos antigos e os faz sofrer na imitação do sentido.

Sentido expresso pelos textos bíblicos, logo que são lidos sob influencia do Espírito Santo no contexto do mistério pascal de Cristo e da vida nova que resulta dele. É então normal reler as Escrituras à luz deste novo contexto, que é aquele da vida no Espírito.
O sentido espiritual não pode ser confundido com as interpretações subjetivas ditadas pela imaginação ou a especulação intelectual.

3 níveis de realidade;
a) texto bíblico
b) mistério pascal
c) circunstâncias presentes de vida no Espírito.

Aspecto dipológico – Adão figura de Cristo (Rom 5, 14)
Dilúvio figura de Batismo (1 Ped 3, 20-21)

Sentido pleno: trata-se ou do significado que um autor bíblico atribui a um texto bíblico que lhe é anterior, quando ele o retoma em um contexto que lhe confere um sentido literal novo, ou ainda do significado que a tradição doutrinal autêntica ou uma definição conciliar dão a um texto bíblico.
Ex: 1) M 1, 23 dá um sentido pleno ao oráculo de Is 7, 14
      2) dogma trindade.
      3) dogma do pecado original Rom 5, 12-21

Seu fundamento: o Espírito Santo, autor principal da Bíblia, pode guiar o autor humano a escolha de suas expressões de tal forma que estas últimas expressam uma verdade da qual ele não percebe toda a profundidade.



A interpretação da Bíblia na vida da Igreja

Atualização
Já no interior da própria Bíblia pode –se constatar a prática da atualização.

Princípios:
1.      a at. é possível, pois a plenitude do sentido do texto bíblico dá-lhe  valor para todas as épocas e todas as culturas (Is 40, 8; 66, 18-21)
2.      a atualização é necessária: os textos foram redigidos em função de circunstancias passadas  é necessário aplicar a mensagem desses textos às circunstâncias presentes e exprimi-las uma linguagem adaptada a época atual.
3.      a atualização afetua-se levando em conta a  confimidade  A.T/ N.T.
4.      a atualização realiza-se graças ao dinamismo da tradição viva da comunidade de fé.
5.      o magistério da Igreja não está acima da Palavra de Deus, mas ele a serve ensinando só aquilo que foi transmitido.

Métodos:
A –at pressupõe um correta do texto.
A interpretação da Escritura pela Escritura é o método mais seguro – cfr: ex 16; sb 16, 20-29; Jo 6

Três etapas:
1)      escutar a palavra a luz da situação presente.
2)      Discernir os aspectos da situação presente que o texto bíblico ilumina.
3)      Tirar da plenitude de sentido do texto bíblico os elementos suscetíveis de fazer evoluir a situação presente de maneira fecunda.

Dimensões e características da interpretação Católica da Bíblia

·         A exegese católica não procura se diferenciar por método científico particular. (explicar).
·         Ele utilizou todos os métodos que permitam melhorar aprender o sentido do texto.
·         O que caracteriza a interioridade católica é que ela se situa conscientemente na tradição viva da Igreja, cuja primeira preocupação é a fidelidade à revelação atestada pela Bíblia.

1-      Releituras
 O que contribuiu para dar a Bíblia sua unidade interna, é o fato de que os escritos bíblicos posteriores apóiam-se muitas vezes sobre os escritos anteriores.
a) A herança de uma terra: gen 15, 7-18 – enredo no santuário Ex 15, 17 – participação ao repouso de Deus (Sl 132, 7-8) enredo no santuário celeste (Hb 6, 12. 18-20).
b) O oráculo do profeta Natã 2 San 7, 12-16 – 2 Sem 23,5; 1 Rs 2,4,3,6; 1 Cr 7, 11-14; Sl 89, 20-38; Sl 2, 7-8; Am 9, 11; Is 7, 13-14; Jr 23, 5-6; Os 3,5; Jr 30,9; Mc 11,10.
O reino prometido torna-se universal – Sl 2, 8; Dn 2, 35-44; 7,14; Mt 28, 18.
Ele realiza plenamente a vocação do homem. Gen 1, 28; Sl 8, 6-9; Sb 9, 2-3; 10,2.
c) Oráculo de Javé sobre os 70 anos de castigo. Jr 25, 11-12; 29, 10 é lembrado em 2 Cr 25, 20-23. é reme ditado de muito tempo Dr 9, 24 ss.
d) A afirmação da justiça retributiva de Deus (Sl 1, 1-6; 112, 1-10; Lv 26, 3-33) chocasse com a experiência imediata. Protesto – Sl 44; Jó 10, 1-7; e aprofunda regressivamente o mistério (Sl 37; Is 53; Sb 3-5).

2-      Relações entre A.T e N.T

·         As relações intertextuais assumem uma densidade extrema nos escritos do N.T, todo ferroado de alusões ao A.T.
Os autores do N.T, proclamou que a revelação encontram sua realização em Cristo – 1 Cor 15, 3-5; 1    Cor 15, 11 – segundo as escrituras.
·         A forma de Jesus viver manifesta não um capricho, mas uma fidelidade mais profunda à vontade de Deus – Mt 5, 17; 9, 13; Mc 7, 8-13.
·         A morte e a ressurreição de Cristo provocaram em alguns peitos um rompimento completo e ao mesmo tempo uma abertura inesperada de nomes (Mc 15, 26) provocou uma transformação na interpretação terrestre dos salmos reais. Sua ressurreição e sua glorificação celeste deram a estes mesmos textos uma plenitude de sentido inconcebível anteriormente, expressões que pareciam hiperbólicas devem doravante ser tomadas ao pé da letra.


              O Senhor – Sl 110,1
              No sentido mais forte: At 2, 36; Fil 2, 10-11; Hb 1, 10-12
   Jesus é realmente              Filho de Deus Sl 2, 7; Rom 1, 3-4
                                            Deus com Deus: Sl 45, 7; Hb 1, 8; Jo 1,1
                                            Seu reino não terá fim Lc 1, 32-33; Sl 45,7; 1 Cor 17, 11-14
                                            Sacerdote eterno Sl 110, 4; Hb 5, 6-10; 7, 23-24
                                        

            - Foi a luz dos acontecimentos da Páscoa que os autores do N.T releram o A.T.
           - O Espírito Santo os fez descobrir o sentido Espiritual. Foram assim conduzidos a afirmar o sentido profético do A.T, mas também a tornar fortemente relativo seu valor de instituição salvífica. (Mt 11, 11-13; Jo 4, 12-14; 5, 37; 6, 32)

             Paulo e o autor da carta aos Hebreus demonstram que a terá enquanto revelação, anuncia ela mesma seu próprio fim como sistema legislativo (Gl 2, 15-5,1; Rm 3, 20-21; Hb 7, 11-19; 10, 8-9;) – (ler p 109).
Conclusões:
  • A Bíblia é ela mesma uma interpretação.
  • É segundo a interpretação das comunidades e em relação àqueles que foram reconhecidos como Santa Escritura – ler p 111-112.
  •  

A interpretação na Tradição da Igreja

  • Os primeiros discípulos de Jesus sabiam que não estavam à altura de compreender imediatamente a totalidade da Palavra que tinham recebido.
  • Na vida da comunidade, faziam experiências de uma explicitação progressiva da revelação recebida. Eles reconheciam nisso a influencia e a ação do Espírito Santo ( Jo 16, 12-13; Jo 14, 26)


   Formação do cânon
  • Guiada pelo Espírito à luz da tradição, a Igreja discerniu os escritos que devem ser olhados como Santa Escritura.
  • O discernimento de um cânon das Santas Escrituras foi a conclusão de um longo processo.


[1] As comunidades da Antiga aliança reconheceram um certo número de textos a Palavra de Deus que lhes suscitava a fé e os guiava na vida, eles receberam estes textos como um patrimônio a ser guardado e transmitido.

O N.T. atesta sua veneração por estes textos: Rm 1,2; 2 Tm 3, 16; 2 Pd 1, 20s; Jo 10, 35; 2 Cor 3, 14.

[2] Esses textos a Igreja uniu os escritos que ela reconheceu.
a) de um lado o testemunho autentico proveniente dos apóstolos ( Lc 1, 2; 1 Jo 1, 1-3) e garantido pelo Espírito Santo (1 Pd 1, 12) sofre todas as coisas que Jesus fez (At 1,1).
b) do outro lado instituições dadas pelos apóstolos mesmos.

[3] Nesse processo numerosos fatores tiveram um papel:
a)  a certeza de que Jesus tinha reconhecido o A.T. e que esta recebia sua realização na Páscoa.
b) a convicção de que os escritos do M.T. provêm da pregação Apostólica.
c) a constatação da sua conformidade com a regra da fé e da sua utilização na liturgia Cristã.
d) a experiência da conformidade deles com a vida eclesial das comunidades.