sexta-feira, 2 de junho de 2023

SEGUNDA CARTA AOS CORINTIOS CAPÍTULO 6

 



ESTUDO BÍBLICO para CEBs

Pe Paolo Cugini

 

1-2 liga-se com o que precede. O perdão, que renove o pecado, completa-se com a graça, que é uma nova situação favorável. Chegou o dia do grande jubileu do perdão de dívidas (Lv 25; Dt 15, 1-11; Is 61,1). É preciso aproveitá-lo beneficiando-se dele. O texto bíblico (Is 49,8) é tirado do segundo cântico do servo: contém uma mensagem de reconciliação e um anúncio de repatriação: isso se cumpre plenamente na obra de Cristo. O segundo êxodo aponta para o terceiro e definitivo.

Não receber em vão a graça de Deus: pode acontecer de acolher a graça de Deus só exteriormente e ela não vai brotar nenhum fruto. Estas palavras duras visam alertar contra as falsas seguranças.  

Em vão- grego- eis kenon- ? – É preciso avaliar a própria caminhada para que se percebermos que na nossa vida não está saindo nenhum fruto é preciso restabelecer uma nova caminhada de conversão para com Cristo.

Vede, este é o tempo favorável- Kairós: Paulo, nas palavras do profeta Isaías percebe que Deus está dando através de Cristo , uma possibilidade aos homens para se converter, uma possibilidade que não voltará (cf Hb 4) [Fazer uma pesquisa sobre a palavra Kairós]

 

Pobreza e riqueza do ministério [6,3-10]

3-4: Paulo sabe que tendo aquilo que de negativo é falado sobre o Apóstolo vai ter uma repercussão sobre o seu ministério. Paulo então, se esforça de evitar qualquer escândalo.

Paulo recusa-se de recomendar a si mesmo com palavras (3,1; 5,12; 10,12).

Ele quer mostrar aqui a própria conduta.

Os apóstolos são ministros de Deus – diakonia- Jesus nas parábolas apresenta várias vezes como servo fiel de Deus (Mt 20,1-16; Mt 24,45-51).

O serviço é o comportamento do discípulo (Mc 10,43)- Além disso Paulo é ministro de Deus como apóstolo (cf. Col 1,23; 2Cor 1,1). Como Apóstolo, ele é de tal forma ao serviço do Senhor que não consegue mais dispor de si mesmo. Servo- aponta também ao despojamento de si mesmo que faz parte do ministério apostólico, que o coloca a total serviço de Deus. As fadigas e os sofrimentos, são uma conseqüência.

Paciência: ficar debaixo- indica a resistência e a perseverança, na espera confiante da intervenção de Deus e da salvação final.

Tribulações (angústias): fazem parte da vida cristã no mundo (Lc 8,15; 21,19); são participações à paixão de Cristo, que sofre nos seus membros (4,10ss). Estas tribulações e angústias são a marca do tempo presente como tempo escatológico (cf. Mt 24,21; Ap 1,9; Rm 8, 14).

v.5: lista de sofrimentos que se encontram no ministério apostólico.

Açoites: nas praças, nas sinagogas.

Prisões: várias vezes Paulo ficou preso At16, 23;  23,35; 28,16; Ef 3,1; Fil 1,7; Col 4,18)

Motivos: At 13,50; 14,18; 16,19; 19, 28

Fadigas: são aquelas de trabalho apostólico em todas as comunidades que se tornam difícil para com aquelas caminhadas rebeldes.

Vigílias: Paulo passou mais de uma noite sem dormir na prisão (At 16, 25); as vezes exercia o ministério da noite (At 20, 31). Talvez de dia trabalhava como artesão pra ganhar o pão e então podia fazer o trabalho apostólico só de noite (1 Cor 4, 11; 1 Ts 2, 8).

Jejum: privações de alimentos na prisão, no trabalho e por conseqüência da pobreza.

 

6-7 Agora Paulo fala das virtudes e dos dons espirituais que alcançam no ministério.

Pureza: integridade – santidade de vida em sentido geral.

Conhecimento: gnosei – só aquele que tem o Espírito pode ter conhecimento (cf 1 Cor 14, 6); é a tarefa do Apostolo difundir o conhecimento (2, 14).

Benevolência e bondade: é o instrumento do ministério para ganhar os homens a Cristo.

Caridade sem fingir: só esta caridade autêntica fica para sempre.

Palavra de verdade: pode apontar aquela palavra firme e sincera que Paulo sempre usou; mas também pode apontar ao Evangelho que é verdade e comunica a verdade (cf Ef 1, 13; Col 1, 5; 2 Tm 2, 16).

Força de Deus: Deinomis Then

8-10 – A linguagem de Paulo alcança uma grande eficácia pelo fato que as expressões são ligadas de duas em duas, colocadas a antítese e, no mesmo tempo unidas. Os homens julgaram os apóstolos de uma forma ou de outra forma. Mas este julgamento não consegue prender Paulo, na sua caminhada.

Paulo nos ensina a aprender a caminhar nas contradições da vida e passar em frente com os olhos sempre fitos no Senhor Jesus.

 

- Perante o mundo os apóstolos são considerados impostores. Mas no julgamento da própria consciência os apóstolos são autênticos: os apóstolos de fato são os servos da verdade.

Conhecidos: eles não são conhecidos como os grandes do mundo, mas na verdade eles são bem conhecidos pelas pessoas da Igreja que buscam a verdade.

Castigo – cfr Sal 118, 7; 1 Cor 11, 32).

- Dificuldades e tribulações geram aflições. Mas apesar de serem tribulados, os apóstolos estão sempre cheios de alegria pela esperança da salvação futura.

 

•           Os apóstolos são pobres de bens exteriores, mas tem uma grande riqueza interior. A riqueza deles é também a promessa da vida eterna (Mt 16, 25) (Lc 6, 23) (Ap 2, 9). Atingindo da própria riqueza os apóstolos esbanjam consolação para com todos.

Schocheb vv. 8-10 – paradoxos. São 7 e aparecem derivados do mistério Pascal com algo do Espírito das bem-aventuranças. O que os homens julgam desprezível é o valor autêntico. (cf Sl 118, 18).

- Morrendo, ou seja, em perigo constante de morte, por causas humanas ou materiais. Mas vivos de uma vida superior (Lc 6, 20-21).

11-13: Das considerações gerais sobre o apostolado passa à relação concreta com os Corintios. Pessoa o tema do consolo (1, 3-7) e da alegria partilhada (2, 1-4).

A “largueza” não é aqui intelectual, como a de Salomão (1 Rs 5, 9), mas cordial, de afeto e compreensão, a qual os Coríntios devem corresponder, “dilatando” sua mesquinhez estreiteza (cf Is 49, 19-20; 54, 2-3) o texto interrompe bruscamente e continua com perfeita coerência em 7, 2-4.

12 – os Coríntios tem um grande espaço no coração de Paulo, mas eles concedem para Paulo só um lugarzinho. Aquilo que aperta o coração dos Coríntios é a desconfiança e o prestar ouvido as fofocas.

13 – Através da pregação o apostolo é pai da comunidade.

6, 14 – 7,1: É uma exortação breve e veemente para distanciar-se do mundo pagão.

5 preposições interrogativas (?), sublinham que é impossível fazer causa comum com os infiéis.

Justiça e injustiça: na origem esta é a antítese entre judaísmo e paganismo.

O Judeu busca a justiça perante Deus, na observância da lei. O pagão, e o homem sem lei: para o cristão a justiça é um dom gratuito de Deus, que ele deve realizar na vida.

Treva e luz: luz: é o reino de Deus (Lc 16, 8) o reino de Cristo (Ef 5, 14); as trevas são o reino de satanás (Lc 22, 53). (cfr – Jo 1, 5; 3, 19; 12,35) – sentido moral – Ef 5, 8; Rom 13, 12; 1 Jo 2, 9.

 

Cristo e Belchior: Ninguém pode servir ao mesmo tempo a Deus e ao Satanás (Mt 6, 24).

Templo de Deus e ídolos: no A.To maior pavor era colocar os ídolos no Templo (2 Reis 21, 7; 23; Dn 9, 27). Os deuses pagãos são mortos – (1 Ts 1, 9).

16b -19: As citações provêm da lei e dos profetas. A primeira é tirada das bênçãos do Levítico (Lv 26, 12). A segunda de Is (52, 11), convidando os desterrados sair da Babilônia num novo êxodo. A terceira vem da promessa dinástica de Deus (2 Sam 7, 14), que agora se estende a todos os cristãos; a especificação “filhos e filhas”  van de Is 43, 6.

- Paulo confirma e respalda as afirmações para ele mesmo feitas através de algumas citações do A. T.

17        Como povo santo de Deus, os cristãos não podem contaminar-se com os pagãos (Is 52, 11). Purificando no meio dos pagãos, deixem sair do mundo, separar-se dos vícios pagãos.

18        Deus é o Pai bondoso e todos são filhos e filhas de Deus. Isso mesmo é o Evangelho de Jesus: Deus é o Pai dos seus filhos. (Rom 8, 15; gal. 4, 63).

SEGUNDA CARTA AOS CORINTIOS CAPITULO 5



ESTUDO BÍBLICO para CEBs

 

Pe Paolo Cugini

 

 

 1-2: a vida em tendas recorda aos israelitas a vida patriarcal e a caminhada pelo deserto (encenada na festa das Tendas). A imagem se aplica ainda ao individuo (Is 38, 12; Jo 4, 19-21). O oposto são as casas que eles encontraram já construídas na terra prometida (Dt 6, 11; Is 24,13) – a casa celeste, sendo construída por Deus, é perspectiva.

 

3-4: Os judeus consideravam a nudez ofensiva, recordação permanente do pecado (Nóe, Gen 9,18ss; 2Sm 10,4; Is 20). Nu aqui equivale a morte. Por isso, o “nu” se veste, o vestido “vive” se reveste.

“Absorvido” corresponde talvez ao hebraico bl’ que significa também aniquilar (Is 25, 8 “aniquila a morte”).

 

5-8: Perante a alternativa de medo e esperança adiante ao destino de morte, Paulo responde com a certeza da fé. Deus criou o homem para viver. A garantia (?) que Deus completará a obra iniciada está no dom do Espírito. O espírito espiritualiza o corpo e a natureza do homem.

 

Talvez seja lembrança do exílio babilônico, com saudades de Sião (Sl13,7), experiência histórica exemplar (Hb 11, 13) e experiência individual dolorosa (Sl 120,5).

 

7: Aqui na terra ser com Cristo é sempre um caminhar na fé. Se na missão estamos claramente com o Senhor.

 

8:  O apóstolo e o cristão, desejam sair do corpo e morar com o Senhor. A comunhão com o Senhor  ficará também na morte e além da morte, e então é superado qualquer temor da morte. É a confiança que Paulo tenta infundir aos Tessalonicenses (1Tes4,17ss).

 

9-10: A esperança cristã não é uma fantasia. O esforço terreno deve ser aquele de agradar o Senhor.

No juízo o homem receberá a recompensa segundo o bem e o mal que fizera.

 

11: O temor de Deus é o fundamento do ministério de Paulo. Por isso, ele se esforça de conduzir os homens a Deus através da preparação.

 

12: A Igreja de Corinto deveria ser orgulhosa de Paulo.

 

14-15: Pela morte de Cristo morremos ao pecado e ao egoísmo. Vivendo para Ele, saímos do fechamento e vivemos da verdade: Cristo morto e ressuscitado por nós (por amor) nos oferece sua transcendência (anti-egoísmo) salvadora (cfr, Rom14,7-5). Sendo que Cristo morreu para todos e no lugar de todos, todos morreram. Cristo, na cruz, representa a humanidade toda, de maneira que a morte de Cristo é, no mesmo tempo, a morte de toa humanidade. Em Cristo a condenação de Deus foi pronunciada sobre todos, pois todos foram pecadores e na morte de Cristo a sentença foi executada em todos (cfr. Sentido de batismo em Paulo). Todos agora podem dizer: Eu sou crucificado com Cristo (Gal 2,13).   

 

15 – Cristo ressuscitou da morte – a comunhão com ele na morte produz o caminho com Ele na vida. Sendo ressuscitado Cristo, também nós vivemos com Ele e nele. (Rom 6, 8). Aquele que se encontram numa nova vida, não podem mais viver pra si mesmos, mas devem ser com toda a vida a serviço daquele que para eles morreu e ressuscitou. (cf Rom 14, 7).

 

16 Carne – transitoriedade tirana e mundana.

 

Ter conhecido Cristo na carne não tem valor nenhum. Aquilo que vale é pertencer ao Cristo glorificado que opera na Igreja.

 

17 – A Igreja é minha nova criação; o cristão é o homem novo.

 

A nova criação é real apesar de ser escondida com Cristo em Deus (cfr Col 3, 4s). Pela fé esta é a certa. Um dia quando Cristo será manifestado também esta nova criação será manifestada. Até aquele dia a nova vida.

 

É um empenho que deve ser realizado cotidianamente (cf Rom 6,4) – cf Ap 21, 5 – o renovamento do mundo na salvação não é só um evento realizado uma vez no passado: isso é atualidade sempre presente. Deus é aquele que sempre vence o passado através do perdão e da nova criação (cf 1 Jo 3, 20).

 

Esta nova criação não é obra do homem, mas vem de Deus, que é o criador. A nova criação tem o seu fundamento mais profundo no fato que o relacionamento de Deus para com os homens agora se tornam um outro. O pecado, que até agora se colocava no meio entre os dois, agora foi tirado. Deus mesmo o tirou, criando uma condição de paz. Esta obra de salvação é a reconciliação.

 

Deus cria um novo relacionamento entre si e o mundo quando justifica o pecador. (Rom 3, 26) – Deus, que realizou a reconciliação e a paz, fundou na Igreja o ministério da reconciliação.

 

19: Em Cristo Deus manifestou-se ao mundo. Manifestou-se como o Deus Santo o justo, exigindo a expiação para o pecado, expiação que lhe foi ofertada do Filho sobre a cruz. Mas Deus se manifestou também como o Deus misericordioso perdoando e acolhendo o homem. (cf Col 1, 20; Jo 3, 16; 1 Jo 2,2).

 

20: O ministério da reconciliação foi entregue a Igreja.

 

21: Paulo explica o porquê da reconciliação entre Deus e o mundo agora é agora possível e porque os homens podem ser considerados justos perante Deus. Cristo na cruz foi feito pecado e deste modo fomos justificados perante Deus. (cf gal. 3, 13; Dt 21,13)

 

Aconteceu uma troca – cf Rom 3, 22-26

 

Cristo mesmo interpretou assim o seu ministério (Mc 10, 45).

 

quarta-feira, 17 de maio de 2023

A ESPIRITUALIDADE DO JOVEM VOCACIONADO




(Retiro espiritual com os jovens do seminário Pau Alfonso: 19-21 março 2010)

Pe Paolo Cugini

Primeira meditação

·         É a espiritualidade do namoro, do jovem apaixonado, que vislumbra no Senhor o motivo fundamental da própria existência.

·         Nesta fase devem aparecer as mesmas dinâmicas que aparecem num relacionamento afetivo.

·         A dimensão esponsal perpassa todo o Antigo Testamento e é utilizada para apontar o relacionamento entre Deus e o seu povo Israel.

·         O motivo deste amor especial é um mistério que fica nos pensamentos de Deus: cf. Dt. 7,8. A eScolha de Israel é por amor e o amor é um mistério.

·         Objetivo do caminho no deserto Dt 8: é aprender a treinar a dimensão espiritual: se mama somente se si aprende a explorar a própria dimensão espiritual, se si aprende a se desapegar das coisas matérias, a lidar com elas. Somente o homem livre tem condições de amar e o homem livre é aquele que domina os próprios instintos.

·         Na reflexão profética é vislumbrada uma etapa na historia da salvação aonde se percebe que foi ali que o amor entre Deus e o povo brotou. É importante ler o texto no quadro do contexto fortemente polemico.

a.       Jer 2,2: é a caminhada do povo no deserto que é apontada como o lugar onde aconteceu a paixão;

b.      Os 2, 16-17: é reforçado este meso tema

Além disso, tem outros textos que manifestam o relacionamento afetivo de Deus com os seus escolhidos:

a.       Is 43,1-7: “Eu te amo”.

b.      Jr 1,4 s.

Encontramos expressões fortes que expressam este sentimento de Deus:

Tu es meu Is 43

Eu te amo: is 43, 1-7

Tu me pertence: Dt 7,6

Eu estou contigo (Jer 2,8; Is 43, 5; Lc 1; etc.)

 

·         O Amor se manifesta, na vida adulta, como busca do silencio e do relacionamento intimo com o Pai. Isso é bem visível na vida de Jesus que, a toda hora se afasta das multidões para buscar a paz, o isolamento, o silencio, o dialogo pessoal com o Pai (Cf.Mc 1,35; Jo 8,1; Lc 6,12).

·         Este relacionamento afetivo de amor, na perspectiva da espiritualidade bíblica, se manifesta como discipulado. Discípulo é aquele que quer ficar como o próprio mestre.

 

a.       Jo 6,68.: onde iremos Senhor...

b.      Jo 1, 35-39.

·         Discípulo é aquele que aprende a permanecer com o Mestre. Permanecer como Mestre significa abandonar o resto, é considerar o passado nada mais do que lixo (cf. Fil. 3,8). É dentro este relacionamento existencial e espiritual ao mesmo tempo, que os conteúdos específicos Do Reino de Deus são assimilados, pois envolvem a pessoa na sua totalidade.

·         Permanecer é um dos grandes temas do Evangelho de João. Cf. Jo 14-15. Somente dentre um relacionamento de discipulado é possível perseverar (cf. Lc 11). A permanência no relacionamento como Senhor é fruto do amor de Deus. “Quem me ama obedece aos meus mandamentos”(Jo 14,15).

 

 

Segunda meditação

O ministério presbiteral na continuação do ministério apostólico.

2 Cor 4,5. Ao centro de tudo é o Kerygma. O Kerygma não é fruto de uma reflexão pessoal de alguém, mas sim é a proclamação fiel de Jesus Cristo como realidade que é colocada á nossa frente e que impõe a nós.

At 2,36. A um padre é pedido que faça ressoar o grito da ressurreição de Cristo na história, no mundo. Somente através da pregação o evento de salvação é levado a contato com os homens e as mulheres e pode comunicar a salvação.

1 Ts 2,13. A Palavra de Deus é uma ação eficaz de Deus que envolve o homem na sua totalidade dentro uma nova aventura de vida[1]. A Palavra de Deus alcança os ouvidores através da Palavra concreta dos pregadores.

Entre o pregador e a Palavra de deve nascer uma ligação profunda.

2 Cor 5,18-20. O anunciador deve dizer o Kerygma com compromisso pessoal. A pregação tem sentido se quem a pratica acredita naquilo que faz[2]. Das palavras do pregador deve sair a alegria de Sr o instrumento de Deus.

Neste sentido a formação nos anos do seminário deve conduzir os jovens á amar Jesus de um jeito tão profundo de levá-los a desejar de se tronarem servos dos homens.

2 Cor 4,5b. Paolo foi golpeado pelo amor de Jesus. Neste amor ele colheu o amor eterno do Pai que se dirigia a ele como pecador, com o dom de uma graça não merecida e de agora em diante não pode mais viver a não ser dentro do pressuposto deste amor.

2 Cor 5, 14-15. Não basta uma pessoa aprender gestos litúrgicos para ser um anunciador da Palavra: deve ter amor. É preciso que todo o ministério desabroche do amor para Jesus, de uma experiência pessoal e profunda com Ele. Na memória do jovem deve ficar o marco deste encontro. Perigo: passar anos de estudos teológicos sem que Jesus se torne uma pessoa viva, concreta, determinante. Os anos de seminário devem se tornar anos de experiência viva, anos de namoro inesquecível com Deus[3].

A revelação quer nos colocar na comunhão com Deus, com um Deus verdadeiro que com liberdade decidiu de se comunicar conosco.

O problema é saber se os seminaristas lendo as paginas de teologia, do direito canônico, da historia da Igreja, da Patrística encontram o mistério de Deus. A verdade do nosso encontro com Cristo é que provoca em nós mudanças radicais, uma mudança de mentalidade, mudanças de visão do mundo.

Jo 9,1-41. A narração termina com o encontro pessoal com Cristo. Somente neste momento reconhece Jesus como Filho do homem. Como aconteceu este encontro? È Cristo que tomou a iniciativa.

Que encontra Jesus e o toma a serio chega a ver o mundo de uma forma diferente. O encontro com Jesus provoca uma mudança em nível de comportamento. O encontro com o Senhor transforma os nossos pensamentos, os nossos sentimentos instintivos.

Heb 4,12-13.

Assumir a forma do Evangelho. O Evangelho oferece uma forma de vida. A forma do Evangelho deve moldar toda a comunidade. É preciso que a aproximação á Palavra de Deus seja tal que transforme de verdade as pessoas.

Lectio continua. Seria esquisito um seminarista sair do seminário sem ter lido toda a Sagrada Escritura. Este primeiro passo, ou seja uma leitura integral da Bíblia da realizar varias vezes ao longo da vida, é a base para o encontro com a Palavra de Deus.

Lectio divina. É a Palavra que se torna oração. É a este nível que aprendemos a tomar as nossas decisões á luz da Palavra de Deus. Von Balthasar dizia que o anuncio do Evangelho deve ser tal de suscitar em quem acredita a capacidade de dar vida.

Quais são as condições necessárias para que a escuta da Palavra de Deus seja frutuoso?

1. Primeiro é bom o lembrar que para que a Palavra brote frutos é preciso o envolvimento da pessoa. Não se trata, de fato, de um conhecimento apenas intelectual, deve envolver a pessoa como um todo. A Palavra de Deus se apresenta ao homem com uma autoridade efetiva que exige uma adesão de fé. Nesta perspectiva a fé significa que considero a Palavra mais verdadeira de qualquer outra realidade.

Ex 14, 13-14. Fé significa acreditar mais nas promessas invisíveis de Deus do que as ameaças reais presentes.

2. Primeira condição para uma aproximação autentica da Palavra de Deus é a castidade e a pobreza. Para entrar na Bíblia, na Palavra é preciso passar através uma experiência, uma vida e desapego. Quem é apegado demais ao mundo se torna insensível á Palavra de Deus. Apegado ao mundo: é a situação daquela pessoa que é vulnerável as seduções do mundo, que não consegue agüentar aos chamados do mundo. Nesta perspectiva a castidade representa a liberdade na maneira de viver a energia da sexualidade: esta é a primeira e fundamental liberdade no confronto do mundo. Quem é amarrado ao sexo e as suas promessas tem dificuldade a dar peso ás promessas de Deus e por isso tem dificuldade para acolher a Consolação que vem das Escrituras. É por isso que na mitologia grega Eros é uma divindade. Ainda domina Eros no mundo tem pouco espaço para Deus. Nesta perspectiva perto da castidade deve ser colocado a pobreza: o apego ao dinheiro não deixa espaço ao coração do homem para desejar de atender as promessas de Deus.

Castidade e pobreza são as duas faces de uma única atitude de liberdade no confronto do mundo e das suas satisfações. Somente dentro desta liberdade, que em duvida não é perfeita, é possível uma abordagem verdadeira, existencial á Palavra de Deus, as suas promessas. Por isso é importante um compromisso ascético sereno. Castidade não é virgindade, por isso vale também pelos casais; castidade é a capacidade de vier a fidelidade da própria vocação e por isso marca a capacidade de não ser dominado pelas forças do mundo, mas afirmar a liberdade que vem de Cristo.  É bonito ver que o crente veja no mundo a ação criadora de Deus e então a riqueza do seu amor. É bonito também que assuma a realidade do mundo como ação de graça[4].    Aquilo que não ate na Escritura é uma existência que se torne idolatria do mundo, que se apegue de uma forma doentia as coisas, s pessoas, buscando nela a própria consolação, o próprio absoluto.

2. Liturgia.

3. Serviço.             

 

                                                   

Terceira meditação

A ESPIRITUALIDADE DO PRESBITERO

1 Pd 5,1-4: Para todos a santidade consiste na transformação da própria existência de experiência humana em amor. Um padre deve transforma a própria experiência em amor. O material sobre o qual se atua esta transformação depende de pessoas a pessoa, conforme as decisões fundamentais e a própria e especifica vocação. Neste texto encontramos algumas exortações:

  1. Primeira exortação: “Eu sou ancião como eles”; A primeira atitude importante é da empatia, a capacidade de se colocar espiritualmente, mas também materialmente, na vida das pessoas que somo chamados a servir. Não podemos pensar de anunciar o Evangelho somente através de palavras, pregações, aulas. O Evangelho é o mistério da encarnação, da Palavra que se fez carne e quem anuncia esta Palavra encarnada deve ele mesmo encarnar-se. Uma das verdades sobre a própria vocação é esta: que desejo tenho de me identificar com o povo? Pedro deseja se aproximar o mais possível aos seus interlocutores[5]. E para testemunhar isso Pedro oferece duas indicações:

a.       Sou testemunho dos sofrimentos de Cristo;

b.      Sou participe da gloria futura;

Testemunho: testemunho junto convosco. Pedro é testemunho dos sofrimentos de Cristo porque vive no cotidiano os seus sofrimentos por causa do anuncio do Evangelho[6]. A e b são dois elementos interligados: do mistério pascal e da existência cotidiana, sofrimento e gloria[7]. O sofrimento é sempre no tempo presente em quanto a participação da gloria é sempre no futuro.

  1. Secunda exortação: “zelai do rebanho de Deus”. O rebanho e de Deus é permanece de Deus, não se torna nosso[8]. Existe um só proprietário e é aquele que para o rebanho entregou a vida, que adquiriu o rebanho com o próprio sangue, pagando um preço salgado. Deu pede para nós o reconhecimento da soberania de Cristo sobre o rebanho que nos é entregue. O rebanho é nos entregue para zelá-lo como algo que não nos pertence. Esta disponibilidade nos coloca numa atitude de submissão original. Projetos e metas devem ser somente aquelas que o Senhor aponta para o seu rebanho. Isso exige uma grande liberdade interior. É preciso saber amar com todo o coração as pessoas que nos são entregue, e de ligar as pessoas a Cristo e não a si mesmos. Capacidade de saber caminhar com todos rumo ao Senhor. Paulo num texto famoso dos Atos dos Apóstolos recomenda os anciãos da comunidade de vigiar sobre eles mesmos[9]. A tarefa que exercemos se refere a Igreja. Isso significa que a tarefa de zelar do rebanho do Senhor não se dirige a coisas matérias, como o dinheiro ou poder, mas á mesma Trindade, algo que envolve o mesmo Deus. Neste texto doa Atos Paulo põe se mesmo como exemplo. O amor que nos deve envolver deve suscitar o desejo de ir além, deve produzir em nós o desejo de agir sempre mais, com criatividade, para zelar do rebanho do Senhor. Esta idéia se encontra em outros passos da Sagrada Escritura, como por exemplo: Ez 34;Jer 23; Jo 10.

No texto de Pedro que estamos comentando existem também três contraposições:

  1. Primeira contraposição. “De bom agrado e não forçados”. O ministério não é algo que devo fazer arrastado, contra a minha vontade, mas sim impelido de uma força interior que estimula a minha vontade. Paulo na segunda carta aos Corintos usa uma expressão forte para explicar esta disponibilidade total no ministério: não pregamos nós mesmos, mas sim Jesus Cristo[10]. De bom agrado: porque a nossa vida não vem de lógicas humanas, mas da resposta de um apelo divino, da Palavra de Deus, da submissão á sua vontade, ao seu Espírito. O ministério não é fruto de uma convicção mental, de uma decisão racional, mas sim de uma resposta á um chamado. É na submissão com fé que reconhecemos a presença do Senhor na historia e nas decisões da Igreja.
  2. Segunda contraposição. “Não por interesse, mas de boa vontade”. Cf. 1 Sam 12, 2-4. É a atitude fundamental do servo do Senhor[11]. Aprender a ficar perante o Senhor e não perante o povo. É claro que nós ficamos perante o povo, mas o serviço que realizamos é para o Senhor. Mesma idéia se encontra em São Paulo: At 20, 32-35 – “Não cobicei prata, ouro ou veste de ninguém”. É o caminho da liberdade. O povo não gosta do padre que pensa só ao dinheiro e que toda hora pede dinheiro ao povo. O apego as coisa materiais aponta para uma insegurança existencial e espiritual[12].
  3. Terceira contraposição.  “Nem como senhores daqueles que vos couberam por sorte, mas antes, como modelos do rebanho”. A lógica que determina os nossos relacionamentos não deve ser uma lógica de domínio e de afirmação sobre os outros, mas, sim, de serviço. “Entre vós não deve ser assim”[13]. Este principio evangélico deve marcar o nosso estilo de vida novo, pois em Cristo nos tornamos criaturas novas. Não somos donos do mundo, não somos donos do pedaço, mas de uma forma esquisita conseguimos a nos apegar a grudar, a nos apegar aos nossos meios de trabalho, aos nossos pequenos espaços de poder, que olhados de longe são ridículos, mas que amiúde determinam a nossa identidade. Precisamos deixar entrar a luz de Cristo que ilumine estas formas, as vezes doentias, de apego a uma realidade, a um pedaço de território que são sintomas de uma necessidade de afirmação mundana.Varias vezes no Evangelho de João, Jesus alerta as pessoas a não buscar a gloria dos homens, mas de Deus[14]. É importante aprender a avaliar as próprias atitudes, sobretudo quando se trata de atitudes autoritárias que esmagam as pessoas que estão relacionadas conosco. Existe um trecho importante de Paulo que nos ajuda a entender melhor isso: 2 Cor 1,23-24. Para se modelo do rebanho precisa apreender a assumir pessoalmente a responsabilidade dos atos conseguintes ao Evangelho. Nós podemos pedir aos outros aquilo que nós mesmo fizemos, se não, não temos moral para pedir nada! É aquilo que Jesus dizia, por exemplo, com os fariseus[15].

 

 

 

 

 



[1] Cf. DV 2.

[2] Cf. 1 Jo 1,3-4.

[3] Cf. Os 2; Jer.

[4] Cf. 1 Tm 4,5.

[5] Cf. Pd 1,1.

[6] Cf. 2 Cor 1,7.

[7] Cf. Rom 8,18.

[8] Cf. Jo 21, 15.

[9] Cf. At 20,28-31.

[10] Cf. 2 Cor 4,5.

[11] Cf. 2 Re 5,16a

[12] Cf. 1 Tim 6,6-7.

[13] Cf. Mc 9,35.

[14] Cf. Jo 5, 44.

[15] Cf. Mt 23 2-12.