sábado, 30 de julho de 2022

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 6

 




Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-11: A polemica de Jesus com os fariseus sobre o tema do sábado é muito importante. O sábado era  o dia do descanso de Deus na primeira criação. O pecado de Adão estragou o projeto bonito de Deus. Jesus nestes dois trechos mostra o sentido autentico da Lei, que é aquela de servir o homem, a mulher e por isso a Lei de Deus nunca é fim a si mesma. Jesus é o homem novo que veio inaugurar a Nova Criação, por isso ele é o Senhor do sábado, pois revela o sentido profundo desta instituição, além de manifestar publicamente que ele mesmo é Deus. A verdade de tudo isso será manifestada no dia da Ressurreição de Jesus, que marcará também o sentido do sábado. De fato, sendo Jesus ressuscitado no domingo de madrugada, será o domingo o dia do Senhor na Nova Criação e não mais o Sábado da Antiga criação.

12-16. Nos momento importante da vida, Jesus antecipa as decisões com um momento prolongado em oração. Neste trecho é narrada a escolha dos doze discípulos, que é antecipada de uma noite em oração. É sem duvida um grande ensinamento para nós. Perante as decisões importantes da vida, em vez de endoidar é bom apreender a entregar tudo nas mãos de Deus.

17-36. A verdade da nossa busca do Reino de Deus deve ser visível na vida corriqueira. A que adianta que pra nós Deus é tudo se depois passamos o tempo acumulando terras, dinheiro, construindo mansões? Por isso Jesus declara bem aventurados os pobres, porque se aqui na terra são injustiçados, Deus dará para eles o Reino de Deus. Aqueles que aqui na terra buscam a vida boa sofrerão as penas do inferno na vida futura. Aqueles que aqui na terra sofreram por causa das injustiças dos poderosos do mundo serão colocados lá em cima no Reino de Deus. Esta é a justiça de Deus.

Amar os inimigos, assim como Jesus pede neste trecho, é o sinal da nossa liberdade e da nossa confiança em Deus e não nas nossas forças. Se não quisermos ser afetados do mal produzido pelo ódio dos nosso inimigos, precisamos seguir as indicações de Jesus que nos convida a rezar por eles até o ponto de chegar à ama-los: é mole?

36-45. A essência da vida cristã é a misericórdia, o perdão. Quem não é capaz de perdoar, de dar o braço a torcer é porque não tem Deus no coração. Se frequentamos a Igreja é para abastecermos a nossa alma do amor daquele Senhor Jesus que em cima da cruz teve palavras de misericórdia para os seus algozes.

46-49. A pessoa é sabia e inteligente quando aprende a dedicar tempo á própria formação espiritual e humana: isso exige tempo e dedicação. Quem ,pelo contrário, é apenas preocupado pela aparência, com aquilo que os outros pensam e dizem, gastará o tempo a enfeitar o externo e a vida dele será como uma casa construída em cima da terra, que o primeiro vendaval a derruba. 

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 5

 




Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-11. A multidão estava ao redor de Jesus para ouvir a Palavra de Deus. É muito bonita esta imagem porque relata aquilo que Jesus era acostumado a fazer: anunciar a Palavra de Deus: é por isso que as multidões de pobres o seguiam. Existe toda uma humanidade sedenta de palavra de Deus, de Palavra de Vida: é isso que a Igreja, a comunidade deve fazer: anunciar, explicar a Palavra de Deus.

Na dinâmica da pesca milagrosa é importante salientar que o milagre acontece porque Pedro obedece à Palavra de Jesus contra qualquer evidencia. “Assim fizeram e apanharam tamanha quantidade de peixes”. Os discípulos fizeram exatamente aquilo que Jesus pediu. Na nossa vida muitas vezes não acontece nada porque queremos fazer tudo da nossa cabeça, sem nos importar daquilo que vem de Deus. O gesto de Pedro e as suas palavras são emblemáticas, pois manifestam a verdade do encontro com o Senhor. O encontro com Deus, quando é autentico, provoca a tomada de consciência do nosso pecado: “Senhor, afasta-te de mim porque sou um pecador”. Deste encontro e desta tomada de consciência nasce a vocação, o chamado: “De hoje em diante você será pescador de homens”.

12-16. Perante o sucesso Jesus não aproveita, mas se retira, porque ele não buscava a gloria dos homens, a gloria do mundo, mas sim a gloria de Deus. Jesus vive uma vida escondida do mundo porque está totalmente satisfeito e preenchido com a gloria que ele recebe do seu Pai.

17-26. Jesus é Deus, é isso que estes versículos querem nos mostrar, porque Jesus age como Deus: cura e perdoa os pecados. Significativa é a atitude dos fariseus, que apesar de presenciar milagres impressionantes, continuam questionando Jesus e a sua ação. Quem tem um coração duro não consegue perceber a presença de Deus na história.

27-32. Jesus chama para ser discípulos quem ele quiser: é a liberdade do Reino de Deus. Liberdade que incomoda as pessoas acostumadas a medir a vida dentre parâmetros preconceituosos, como é o caso dos fariseus que questionam mais uma vez as escolhas de Jesus.

33-39. O vinho novo do Evangelho exige barris novos, ou seja, pessoas novas, renovada para acolher esta grande novidade. Jesus está dizendo isso para os fariseus que, ao longo de todo o capitulo ficaram questionando-o. Jesus explica o motivo da incapacidade deles de entender a sua palavra e as suas atitudes: o coração duro, a indisponibilidade para conversão. Somente um coração humilde consegue fazer espaço para grande novidade do Evangelho. 

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 4




Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-13. Toda a vida de Jesus é mergulhada no silencio. Dos 12 anos de idade até os trinta não temos noticias sobre a sua vida: silencio. Aos trinta anos, antes de iniciar a sua atividade publica, Jesus transcorre 40 dias no deserto. Quer dizer isso? Talvez seja este silencio profundo que Jesus buscou continuamente também ao longo dos três anos de atividade publica, o segredo da sua serenidade, da sua clareza de intenções. No deserto Jesus é tentado pelo satanás revelando assim a própria humanidade e o caminho para permanecer ao plano de Deus. A primeira tentação é o desafio de controlar a vida instintual. O homem e a mulher que não conseguem controlar os próprios instintos são condenados a uma vida de escravidão. O mesmo discurso vale pela tentação do poder e do dinheiro que futuca as pessoas ao longo da vida, em busca de uma vida fora do alcance de Deus e acima de Deus. É isso que a segunda e a terceira tentação tentam estimular: uma vida autossuficiente, independente de Deus. Se libertar destas tentações é o grande desafio da vida espiritual, pois as tentações nos acompanham ao longo de toda a vida.

14-21. Jesus começa a sua atividade publica numa sinagoga explicando a Palavra de Deus: será esta a grande caraterística da sua missão. Jesus é o Mestre que nos ensina os mistérios de Deus, que nos explica a Palavra. Neste trecho Jesus se apresenta como a chave de intepretação do Antigo Testamento: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura”. Jesus, a sua pessoa, os seus gestos e as suas palavras são o cumprimento, a realização de tudo aquilo que está escrito na Lei: de agora em diante é necessário prestar atenção a Ele, ao seu ensinamento. Esta frase de Jesus é uma grande indicação por todos aqueles que querem aprender a amar a Palavra: deve ser lida a partir de Jesus, pois sem Ele, torna-se incompreensível.

22-30. A reação do povo perante estas afirmação de Jesus é dura e não poderia ser diferente, pois Jesus tinha modificado de uma vez o sentido que o mesmo povo dava da Palavra. A tentação é de resistir à força da Sua Palavra e de julga-lo. O texto nos convida a ter paciência, a acompanhar a ação de Jesus até o fim.

31-37. A Palavra de Jesus manda sobre os demônios do mundo e as pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento porque não era apenas um papo, mas se realizava em atos concretos como a cura de um possuído. E as pessoas se questionam perante a sua identidade: quem é este homem? Este questionamento é importante e deve sempre acompanhar também a nossa caminhada.

38-41. Nestes poucos versículos é narrado um dia típico de Jesus, um dia feito de tantos encontros, sobretudo com pessoas doentes que cobram uma cura. A vida de Jesus é muito dura, pois a cobrança em cima dele é constante.

42-44. Como Jesus conseguiu lidar com tamanha cobrança sem se esgotar? É na oração, no dialogo constante e prolongado com o Pai que Jesus encontrava a força para enfrentar a luta do dia a dia e, sobretudo, para fugir da tentação do poder. 

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 3

 



Estudo Bíblico para CEBs

Pe Paolo Cugini

1-3. A insistência de Lucas sobre os homens políticos daquele tempo é para salientar que Jesus Cristo não é uma invenção literária, mas o Filho de Deus veio ao mundo mesmo, se fez carne em um momento histórico preciso. Por isso estes dados históricos são importantes: para situar com clareza o momento preciso da vinda de Cristo na história.

4-18. A pregação de João Batista é muita dura e radical: o objetivo é provocar a conversão dos ouvintes. Citando Isaias, João Batista se coloca na tradição profética e, ao mesmo tempo, se identifica com a personagem que no A.T. era designado para preparar o cominho do Messias.

“Que devemos fazer?”. A dura pregação de João Batista surtiu efeito. De fato as pessoas se questionam e se colocam a disposição para uma mudança. A pergunta: que devemos fazer? É a pergunta da fé, da confiança em Deus, que acusa o pecado, mas ao mesmo tempo prepara caminhos de salvação.

“Quem tiver duas túnicas reparta-as”. As respostas de João Batista aos interlocutores mostram que o caminho da conversão acontece dentro da própria experiência de vida. Se quisermos nos converter de verdade, devemos concentrar a nossa atenção naquilo que estamos vivendo. A verdade do nosso seguimento a Jesus, da nossa adesão ao Evangelho, se demostra na maneira de viver no dia a dia.

Batismo com água é o batismo pregado por João Batismo, que exige uma mudança de vida, de atitude: consiste no esforço de tirar o mal da nossa vida. O Batismo no Espírito trazido pro Jesus consiste na acolhida do dom de Deus que vem do alto, que transforma a nossa humanidade. Estes versículos nos revelam que a mudança da nossa vida depende um pouco de nós, mas, sobretudo é fruto da ação de Deus que age na nossa vida somente se quisermos.

23-38. A genealogia é na linha do valor que Lucas dá aos dados históricos para mostrar que Jesus é uma personagem históricas e não uma invenção literária. Porque Lucas insiste nisso? Porque ao tempo de Lucas, mais ou menos os anos Oitenta do primeiro século da era cristã, alguns difundiram a noticia que Jesus era só um espírito e nada mais. No Evangelho de Lucas o mistério da Encarnação, ou seja, de Deus que se faz homens e entra na história, é documentado não apenas com dados históricos, mas também com uma genealogia, uma serie de nomes que demostram o parentesco de Jesus, que não era um anjo descido do céu, mas sim, um homem em carne e osso.

 

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 2



Estudo Bíblico para CEBs

Pe Paolo Cugini

1-20. Nestes versículos é lembrada a origem pobre de Jesus, que nasceu de uma família pobre e numa cidade pobre. De fato, Jesus não nasceu na capital, Jerusalém, mas sim na periferia, em Belém, que era uma cidade onde moravam os pastores que não podiam morar em Jerusalém por causa do fedor deles. Os pastores era uma categoria de pessoas excluída, discriminada. Deus decide que o próprio filho não nascerá na capital, mas a periferia, no meio dos pobres e excluídos, e não entre os ricos e poderosos. Este será um dado que perpassa todo o Evangelho de Lucas.

21. A circuncisão era um rito de entrada no povo de Israel, que corresponde ao nosso batismo. Sendo que consistia num corte no pênis, é claro que as mulheres eram excluídas. O batismo de Jesus, será uma verdadeira revolução cultural e religiosa.

22-38. Os pais de Jesus, José e Maria, eram pessoas piedosas, faziam tudo conforme a Lei de Moisés.

Simeão profetiza que Jesus será sinal de contradição: quer dizer isso? As palavras do velho Simeão revelam o sentido da vida de Jesus, que não veio para agradar as pessoas, mas sim para dizer e mostrar o Caminho da Verdade. Jesus trouxe a paz para todos e todas os seus discípulos, ou seja, para todas as pessoas que se decidem por Ele; ao mesmo tempo, porém, Jesus trouxe o fogo no mundo, ou seja, por toda aquela realidade que não acredita nele e que resiste à sua pregação. Sempre Simeão não esconde o sofrimento que deverá enfrentar a sua mesma mãe Maria: “uma espada traspassará a tua alma”. Seguindo Jesus a Igreja é chamada a ser no mundo sinal de contradição, desmascarando toda forma de corrupção, de maracutaias: só assim será profética e permitirá que a Verdade de Deus conquiste os corações.

41-49. O episodio narrado somente em Lucas mostra o desenvolvimento da consciência de Jesus e a busca do sentido da própria vida. Jesus busca conhecer a vontade do Pai: é isso que deveriam fazer os pais, ou seja, criar uma situação tal que permita aos filhos de descobrir a própria vocação. A nossa felicidade depende da descoberta e da vivencia da nossa vocação: tudo aquilo que como família e comunidade fazemos por isso é positivo.

51-52. A postura de Maria é importante: ela guardava tudo no seu coração, ou seja, não passava nas casas contando a própria vida e dos outros. A vida escondida e secreta é típico das pessoas que buscam a gloria de Deus e não aquela do mundo.

 

CARTA AOS ROMANOS CAPITULO 1

            



Estudo bíblico para CEBs

 

 Paolo Cugini

 

1-16. Na saudação inicial Paulo manifesta a clareza da própria vocação: não foi ele que quis ser discípulo, mas sim foi Deus que o chamou para uma especifica missão: anunciar o Evangelho. É sobre esta convicção que se fundamenta toda a experiência de Paulo, convicção baseada sobre uma história de vocação autentica relatadas várias vezes no Novo Testamento (cf. Gal 1; At 9).  Porque é tão importante para Paulo este anuncio do Evangelho? Porque, segundo ele, no Evangelho de Jesus está escondida a força de Deus, aquela mesma energia que Deus utilizou na Ressurreição do seu Filho Jesus. Por isso segundo Paulo é de extrema importância o anuncio do Evangelho porque é o instrumento que Deus escolheu para salvar o povo (v. 16). É por isso que os cristãos deveriam colocar maior atenção ao Evangelho e a sua leitura, pois é o instrumento escolhido por deus pela nossa salvação.

18-32. A ira de Deus se manifestará contra toda forma de injustiça, que se expressa toda vez que o homem não agradece a Deus. Através da natureza o deus invisível se rendeu inteligível, ou seja, conhecível. O problema é que o homem trocou o criador com as criaturas caindo em toda forma de idolatria. Segundo Paulo foi exatamente a idolatria a causa da perversidade em campo moral.

24-27. É o texto do Novo Testamento e, aliás, de toda a Bíblia aonde se fala de forma explicita sobre o problema do homossexualismo seja masculino que feminino. É claro que neste texto não se fala da bondade das pessoas homossexuais, mas sim da Atividade sexual deles que segundo Paulo está errada. De fato, a Bíblia ensina que o relacionamento sexual correto é aquele entre homem e mulher e, por isso, o qualquer outro tipo de relacionamento é considerado contra a natureza, ou seja, contra o plano de Deus.

28-32. A incapacidade de reconhecer o Criador presente na natureza, trocando-o para as criaturas levou a humanidade, sempre na analise de Paulo, a toda uma serie de erros. A final de conta somente uma vida orientada em Deus pode desembocar numa vida ética coerente e integra. 

domingo, 22 de maio de 2022

A LUZ DO RESSUSCITADO NOS LIBERTA DA FALSA RELIGIÃO

 



DOMINGO 22 DE MAIO DE 2022 - VI DO TEMPO DA PÁSCOA / C

 

 

 

Paolo Cugini

 

 

Durante a Páscoa, a liturgia nos oferece uma reflexão sobre o significado da presença do Ressuscitado na vida da comunidade cristã, na vida daqueles que o encontraram. De fato, este deve ser o sentido da Igreja, ou seja, o grupo de pessoas que fizeram a experiência do encontro com o Ressuscitado e o testemunham com um novo estilo de vida, que tem características específicas. Na narração dos Actos dos Apóstolos, cada vez que Paulo é chamado a defender-se perante as autoridades romanas das acusações dos judeus (Actos 22 e 26), fá-lo narrando a sua mudança provocada pelo encontro com o Ressuscitado. Esta é então a pergunta que busca abrir o sentido das leituras propostas hoje pela liturgia: o que deve acontecer com as pessoas que encontraram o Ressuscitado?

 

As duas primeiras leituras nos oferecem um material semelhante para nossa resposta, que poderíamos formular assim: o encontro com o Ressuscitado nos liberta da religião falsa, feita de normas e prescrições, que escravizam homens e mulheres ao invés de libera-los. Esta foi a experiência de Paulo que ele tenta compartilhar em suas viagens missionárias, afirmando que o Evangelho de Jesus libertou a humanidade de todas aquelas prescrições que, em vez de aproximar a humanidade do Pai, a distanciam. Será precisamente neste ponto que Paulo e Barnabé encontrarão forte resistência por parte dos judeus convertidos ao cristianismo, que queriam impor as leis mosaicas também aos pagãos convertidos. Naqueles dias, alguns que vinham da Judéia ensinavam aos irmãos: "Se não forem circuncidados segundo o costume de Moisés, não poderão ser salvos" (At 15, 1). O Concílio de Jerusalém, do qual um trecho do documento final é relatado em primeira leitura, discutirá precisamente este ponto e os testemunhos de Pedro e Paulo sobre a descida do Espírito Santo também sobre os pagãos serão fundamentais. Em sintonia com este caminho, estão as palavras do Apocalipse relatadas na segunda leitura, que afirma que, na nova Jerusalém, conforme a visão de João, não haverá templo, porque: "o Senhor Deus, o Todo-Poderoso e o Cordeiro são o seu templo”. (Ap 21, 22). O templo de Jerusalém, em particular o segundo templo, aquele reconstruído ao retornar do exílio na Babilônia, tornou-se o símbolo de uma religião feita de tantos preceitos e normas que se tornou impossível uma relação pacífica com Deus. no diálogo com a mulher samaritana, Jesus dirá que, para um diálogo autêntico com o Pai, não haverá mais necessidade de templos porque: "os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e em verdade" (Jo 4,23).

A comunidade dos que encontraram o Ressuscitado, além de se libertar da falsa religião dos preceitos, torna-se presença de paz no mundo. A paz vos deixo, a minha paz vos dou. Não como o mundo a dá, eu a dou a você (Jo 14, 25-26). A Sagrada Escritura considera a paz não só como ausência de guerra, mas sobretudo como dom de Deus e como plenitude de todas as suas bênçãos. Esta é a mensagem central da esperança messiânica anunciada pelos profetas, que a vêem realizada na harmonia das origens entre o homem e a criação: "O lobo habitará com o cordeiro..." (Is 11, 6-9; Cfr. Is 65,25) e na convivência pacífica e fraterna: "Quebrarão as suas espadas e delas farão arados, das suas lanças farão foices... não aprenderão mais a arte da guerra" (Is 2: 4). É esta paz que Jesus trouxe entre nós, como rejeição de todas as formas de violência. Com efeito, Jesus, como nos diz São Paulo, reconciliou os povos em conflito atraindo o ódio deles à sua própria carne (cf. Ef 2, 14 ss). A vida do Ressuscitado é visível, então, no esforço que fazemos todos os dias para construir a paz, reconciliar as pessoas, fazer com que os opostos possam coexistir.

sábado, 16 de abril de 2022

HOMILIA DA NOITE DE PÁSCOA 2022

 




Paolo Cugini

 

A vigília é um rito muito antigo - a celebração de uma Páscoa anual já se encontra em meados do século II e que em 1900 viu algumas mudanças significativas. A reforma fundamental foi feita em 1951 por Pio XII, que trouxe a vigília de volta as horas noturnas, pois até então se celebrava na manhã do sábado, enquanto cantava, no anúncio da Páscoa, "Esta é a noite...". Em 1955 chegou a reforma de toda a Semana Santa. O Concílio desenvolveu alguns elementos, como a escolha das leituras, mas no fundo retomou uma reforma já feita

O primeiro pensamento vai para o rito do fogo, da luz . A Páscoa é a passagem da morte para a vida, das trevas para a luz. O que isso significa? Que a ressurreição de Jesus indica o caminho de humanização que somos chamados a empreender, que a partir de agora há a possibilidade de cada um de nós sair dos caminhos da morte, para ir para a vida. A ressurreição do Senhor significa que nem tudo está perdido para sempre, que há um caminho que Jesus abriu para todos, um caminho dentro da história que todos podemos acompanhar: basta seguir a luz.

Então, uma vez na igreja, foi proclamado o exultet, um hino de autor desconhecido - alguns dizem que é de Santo Agostinho - que expressa de forma original o mistério da salvação que aconteceu através da ressurreição de Jesus . necessário o pecado de Adão, que foi destruído com a morte de Cristo. Feliz culpa, que merecia ter tão grande redentor! ». É difícil encontrar palavras mais ousadas na liturgia do que estas do exultet. Neste hino tão ousado, tem um olhar diferente sobre o pecado. Uma expressão decididamente forte, mas que se conjuga com um simbolismo litúrgico igualmente sugestivo. O poeta francês Charles Péguy dizia que o pecado é como uma brecha na qual se insere a graça, o amor de Deus: aprender a olhar a própria história pessoal com os olhos do Pai, aprender a não maltratar os próprios limites, pra ser envolvido por sua misericórdia.

ouvimos as leituras , que nos contaram uma história, que é a história do povo de Israel, que é a nossa história. A história de um povo que aprendeu a reconhecer Deus dentro dos acontecimentos e não fora do mundo. Essa é a característica desse povo. Uma história em que as pessoas experimentam seus limites, a dificuldade de administrar sua humanidade e orientá-la na direção do Senhor. É uma história não linear, mas feita de momentos perdidos, de saltos para frente e paradas repentinas. Mais uma vez, deve-se dizer que a história do povo de Israel é muito semelhante à nossa e é relido pelo hino do exultet, que proclamamos há pouco.

A Vigília Pascal gira em torno de quatro sinais que dizem o ser humano transformado pela ressurreição. A luz, com o círio pascal; a Palavra , com as inúmeras leituras bíblicas; água, com o Batismo; pão e vinho , com o banquete eucarístico. Há quatro elementos essenciais para o homem: sem luz não pode haver vida; falar, comunicar é um ato fundamental; a água faz crescer, lava, regenera; depois a comida, a nutrição. E a liturgia escolhe esses elementos essenciais para contar o mistério de Cristo. Estes são elementos primordiais: Luz e trevas, águas que se dividem, etc. A ressurreição de Cristo recria o universo.

O círio pascal é preparado com os grãos de incenso enfiados em forma de cruz, pois a forma do crucifixo ressuscitado está impressa na vela; o fato de a cera iluminar-se consumindo-se é um lembrete da dimensão do dom; a cera ilumina e enquanto isso se consome, oferece- se para iluminar, como o dom da vida de Jesus Cristo.

 


quinta-feira, 14 de abril de 2022

QUINTA-FEIRA SANTA 2022

 




(Jo 13: 1-15)

Paolo Cugini

 

Quinta-feira Santa significa João 13, aquela página do Evangelho que nos faz estremecer, empalidecer, chorar. Encontramos Deus na humanidade de Jesus, é isso que o Evangelho e a Igreja nos ensinam. Isso significa que no gesto de Jesus lavando os pés de seus discípulos encontramos Deus.

O que significa esse gesto? É o mestre que lava os pés do discípulo, é o maior que se rebaixa ao menor: este é o ensinamento de Jesus, esta é a sua humanidade. Significa que quando reproduzimos essa atitude no cotidiano encontramos Deus, percebemos nossa humanidade que foi criada à imagem de Deus, não de qualquer Deus, mas do Deus que se manifestou na humanidade de Jesus, um gesto de amor de Jesus para com seus discípulos. É o que está descrito no início da passagem: Jesus, sabendo que era chegado o seu tempo de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim (Jo 13, 1) . O amor é um caminho de rebaixamento em direção a quem você ama. Não há teste de força, enrijecimento, mas abaixamento. Jesus teria todos os motivos do mundo para endurecer-se com seus discípulos, mas não o faz, porque não quer perdê-los. Jesus veio para salvar tudo e todos, por isso se humilha continuamente ensinando-nos que na humilhação está o mistério do amor que deseja ganhar alguém a qualquer custo, colocá-lo nas mãos do Pai. Você ama seu filho: desça, lave os pés dele. Ele merece dois tapas: deixe de lado os rancores, as reclamações, o rancor, mas conquiste-o com amor: abaixe-se, lave-lhe os pés. É o teste final do amor.

“Durante a ceia, Jesus, sabendo que o Pai lhe dera tudo e que ele vinha de Deus e para Deus voltava, levantou-se da mesa, despiu as roupas, pegou uma toalha e a enrolou na cintura. Em seguida, derramou água na bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha que estava usando”.

 O texto diz que a ação de Jesus não é espontânea, mas pensada. Jesus sabendo. O que Jesus sabe, o que ele entendeu? Que o Pai lhe dera tudo em suas mãos : o que significa esta afirmação? Significa que Jesus não nasce instruído, mas, sendo um verdadeiro homem, como todos os homens e mulheres, aprende, compreende. Na narração de João, parece que Jesus compreendeu a grandeza de sua identidade nas últimas horas de sua vida. Com essa compreensão de si mesmo, ele vai na mesma direção em que sua humanidade sempre o conduziu, ou seja, não a serviço de um narcisismo exacerbado que não lhe pertence, mas num caminho de amor para com as pessoas que encontra.

São sete os verbos que descrevem a ação de Jesus , que é uma ação que descreve seu amor, pois seu amor toma forma na concretude da vida cotidiana. Ainda. Não são ações feitas por acaso, mas que surgem de um entendimento. De fato, o texto diz: Jesus conhecendo... Há uma consciência que provoca uma ação consciente: o que Jesus faz não é por acaso, mas quer comunicar alguma coisa. Ele faz um gesto que comunica um conteúdo. O amor manifestado por Jesus sempre propõe palavras e ações que vão na lógica oposta das razões humanas, vão na direção do amor que se torna serviço humilde. É um gesto que segue a mesma lógica das palavras que Jesus diz na cruz para seus algozes: Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que estão fazendo.

Durante a ceia, quando o diabo já havia colocado no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, que o traísse. O gesto de Jesus de lavar os pés dos discípulos, além das considerações feitas acima, deve ser enquadrado, emoldurado no que Jesus entendeu, ou seja, a traição de Judas e a negação de Pedro que, entre outras coisas, estão entre os protagonistas desta passagem, no sentido em que são citados. Mais uma vez, Jesus tinha todos os motivos para enviar aquele grupo de inúteis de seus discípulos para aquele país, mas faz um gesto que vai na direção oposta de suas razões. Jesus lava os pés daqueles que ele sabia que o trairiam, o renegavam. O caminho do seguimento do Senhor não se baseia no sucesso humano, mas exclusivamente no amor do Pai. Há um olhar de amor entre Jesus e o Pai que filtra todos os relacionamentos. Jesus aprendeu a não basear suas escolhas no sucesso humano: também este é um grande ensinamento.

Então ele foi ter com Simão Pedro e lhe disse: "Senhor, você está lavando os meus pés?" Jesus respondeu: 'O que estou fazendo você não entende agora; você vai entender mais tarde ». Pedro lhe disse: "Você não vai lavar meus pés para sempre!"

 Há outro aspecto interessante na cena do lava-pés, destacado pela atitude de Pedro. O discípulo não quer que Jesus lave seus pés. Como traduzir a resistência de Pedro? É o símbolo da não aceitação de que a humanidade de Jesus nesta sua manifestação extrema é a ponte para o encontro com Deus. A atitude de Pedro descreve a dificuldade que todos aqueles que não conseguem se livrar de suas idéias sobre Deus, aquelas idéias que recebemos da tradição, ou que simplesmente nos são transmitidos pelo senso comum, que pensa Deus como algo totalmente diferente do homem, do mundo e, consequentemente, deve ser reverenciado. Pedro é o símbolo daqueles que não aceitam que é Deus quem reverencia o homem, não aceitam o Deus que se humilha, que se faz pequeno, porque não querem se envolver neste caminho de humilhação: querem continuar a manter distância, para poder fazer o que eles querem. Jesus, por outro lado, lava-nos os pés para nos fazer caminhar com Ele, para nos ajudar a compreender que o sentido profundo da vida não está em fazer o que se quer, mas em dar-se de forma livre e desinteressada.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

V DOMINGO DA Quaresma C

 



Paolo Cugini

 

Há uma novidade que somos chamados a apreender neste tempo de Quaresma, uma novidade de vida nova, capaz de dar sentido à nossa existência, de dar água no deserto dos nossos caminhos áridos. Parece inacreditável, mas é assim que é. Para poder apreendê-lo, porém, é necessário um requisito fundamental, indicado pelo profeta Isaías na primeira leitura de hoje, a saber, deixar de pensar no passado.

Não se lembre mais das coisas do passado,
não pense mais nas coisas velhas!Eis que estou fazendo uma coisa nova: agora brota, você não percebe?
(Is 43:18).

Encontramos a mesma ideia na segunda leitura de hoje, quando Paulo afirma: Creio que tudo é uma perda por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele abandonei todas essas coisas e as considero lixo, para ganhar a Cristo e ser achado nele (Fl 3,8). Há, portanto, uma atitude espiritual que não nos permite captar a novidade de Jesus, sua mensagem inovadora, sua presença salvífica para a humanidade. Aqueles que permanecem ancorados nas formas tradicionais de religião não conseguem compreender plenamente a novidade que é Jesus.

Do que se trata e qual a profundidade qualitativa desta novidade está expresso no trecho evangélico de hoje, que conta uma história que levou séculos para ser admitida no cânon? De fato, o 'perdão de uma adúltera por parte de Jesus foi considerado inadmissível, porque teria criado, segundo os detratores de Jesus, um clima de frouxidão que abriria caminho para justificar a traição das esposas contra seus maridos. A imagem machista da cena também é interessante, na qual é apenas a mulher que é trazida diante de Jesus para julgamento: e o homem, e o adúltero, por que ele não foi indiciado? É fruto dessa cultura patriarcal que, ao longo dos séculos, cavou uma lacuna entre a condição masculina e a feminina, uma lacuna feita de injustiças e abusos.

Disseram isso para testá-lo e ter motivos para acusá-lo. Os escribas e fariseus procuram Jesus não para ouvi-lo, como fazem as pessoas, mas para colocá-lo à prova. É interessante que o verbo que o evangelho usa para explicar o motivo de sua aproximação de Jesus é o mesmo que é usado para explicar a atividade de satanás: testá-lo. Os escribas e fariseus não estão interessados em ouvir Jesus, eles querem desacreditá-lo diante do povo, porque com sua ação e sua palavra, ele está perturbando aquelas tradições religiosas, que dão poder e sustentação à classe sacerdotal. Portanto, há mal na ação dos escribas e fariseus, aquele mal que surge daqueles que estão cegos pelo passado, daqueles que não querem olhar para a novidade do presente, porque isso significaria questionar-se, colocar-se numa perspectiva de mudança de vida.

À provocação dos escribas e fariseus, Jesus responde escrevendo no chão em silêncio: por quê? O que significa essa atitude? Na realidade, é um gesto profético que remete a uma passagem de Jeremias: “os que te abandonam ficarão confusos; aqueles que se desviarem de ti serão escritos no pó, porque abandonaram o Senhor, fonte de água viva (Jr 17:13). Afinal, havia pouco a dizer, porque do lado dos fariseus não havia o menor desejo de ouvir e se envolver. É por isso que Jesus não entra no campo da diatribe teológica, mas provoca um caminho de interiorização. Levantou-se e disse-lhes: "Aquele que dentre vós estiver sem pecado, atire-lhe primeiro uma pedra". É na consciência pessoal que Jesus provoca a reflexão dos ouvintes, porque é aí que existe a possibilidade de escutar aquela voz interior que revela o sentido autêntico das coisas.

'Mulher, onde eles estão? Ninguém te condenou? ». E ela respondeu: "Ninguém, Senhor." E Jesus disse: “Nem eu te condeno; vá e de agora em diante não peques mais ». Este é o escândalo, a afirmação que os escribas e os fariseus não quiseram ouvir e que durante vários séculos deixou esta passagem fora do cânone: nem eu te condeno. Jesus é só amor, só misericórdia, é a possibilidade de todos e de todas voltarem a partir, retomar o caminho. Esta é a palavra que a Igreja deve saber dizer ao mundo: também não vos condeno e, assim, abro caminhos de misericórdia, libertando homens e mulheres dos sentimentos de culpa que os escravizam e que produzem a imagem de Deus, terrível, legado de medos ancestrais.

O sentido do caminho quaresmal deveria ser precisamente este: fazer-nos descobrir o rosto totalmente bom e misericordioso do Pai. Nenhuma condenação, nenhuma imposição , mas a possibilidade de um novo caminho.

 

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

SANTA FAMÍLIA DE JESUS, MARIA E JOSÉ ; 26 DE DEZEMBRO 2021

 




(Lk 2, 41-52)

 

Paolo Cugini

 

A festa da sagrada família recorda-nos que a dinâmica da fé, o conhecimento dos seus mistérios e as indicações do caminho que somos chamados a percorrer, se realizam na vida familiar. Esta já é uma primeira e profunda indicação. Encontramos Deus, seu caminho para nós, quando vivemos com autenticidade as relações que o Senhor nos deu. Na verdade, não escolhemos o pai, a mãe, os avós, os irmãos e as irmãs, mas os encontramos ao nascer. Não são como os amigos, que encontramos ao longo da vida e que mudamos a partir dos lugares e situações em que vivemos. As pessoas de uma família são o dom que Deus nos dá para crescermos humanos. A atenção às relações familiares é o primeiro passo significativo, não só para o nosso caminho de humanização, mas também espiritual. A compreensão deste aspecto da vida de fé, passa imediatamente pelo compromisso de investir cada vez mais na qualificação das relações familiares, atenção aos que nos rodeiam, àqueles que compartilham o caminho da vida todos os dias.

O segundo aspecto significativo que aparece na festa da sagrada família é a sua pobreza. Deus decide nascer não apenas em uma família pobre, mas também em uma região e território caracterizado pela pobreza. Deus escolheu não nascer rico, em um castelo, mas pobre entre os pobres. Jesus nasceu e foi criado com uma mãe analfabeta, pai carpinteiro, considerado, naquela época, um trabalho infame, uma casa pobre. Jesus cresce vivendo sobre a própria pele o fruto das desigualdades sociais, nas quais poucos detêm a maior parte dos benefícios, enquanto a maioria vive da migalha. Jesus e sua família viveram, como muitos, de migalhas. Este aspecto da pobreza de Jesus, que também encontramos de novo nos anos de maturidade, de sua vida pública, deve ser levado a sério. O que nos ensina esse fato bíblico que, ao mesmo tempo, é escolha de Deus? Diz-nos que a nossa fé ,não amadurece na riqueza, no luxo, no conforto. Ao contrário, uma vida essencial, uma família que se esforça continuamente para compartilhar o que tem, investe não só para responder às próprias necessidades, mas se abre para os outros, para os pobres que encontra ao longo do caminho, se esforçando continuamente para manter um baixo estilo, essencial, cria o terreno para que a fé amadureça, a confiança na justiça de Deus, na sua bondade e misericórdia.

O terceiro aspecto que podemos destacar desta sagrada família é a liberdade de cada membro com a tradição dos pais. Maria aceita a escandalosa proposta de ser mãe antes do casamento, colocando-se imediatamente em uma situação gravíssima do ponto de vista da lei mosaica. Maria se entrega a Deus e aceita o risco de ser morta pela comunidade, porque transgride o preceito. Não menos importante é José, que os evangelos o definem como justo, isto é, um homem que obedece aos mandamentos de Deus. Chocado com a notícia da gravidez de Maria, aceita a proposta do anjo em sonho e transgride a lei mosaica, que previa o apedrejamento em caso de adultério, ele a leva consigo e a guarda, cuidando dela. Finalmente, todos nós sabemos o que o filho Jesus fará, seria melhor dizer aprontará,  quando começará a atividade pública. Desde o início do seu ministério, Jesus transgrediu o primeiro e fundamental mandamento cuja transgressão levava à morte: o respeito pelo sábado. Uma família, portanto, de rebeldes, uma rebelião contra uma lei que sufoca a vida, na busca contínua da vontade de amor do Pai. Também neste caso, como em outros, encontramos na humanidade de Jesus, em seu estilo, os traços marcantes de seus pais, que eram pobres, mas grandes em sabedoria e amor ao Pai.

É a vida essencial que nos leva a apegar-nos à Palavra do Senhor, para buscarmos o seu conforto e descobrir sua delicada presença em algumas experiências pessoais, nas quais nossas forças são testadas até o limite. É precisamente nestas situações extremas, que se torna importante ter alguém familiar que nos possa apoiar, aconselhar e com quem nós próprios possamos falar, partilhar a nossa situação. A sagrada família de Nazaré, vista de perto, ensina tudo isso e muito mais.