sábado, 27 de agosto de 2022

EVANGELHO DE JOÃO CAPITULO 5

 




Paolo Cugini


VV. 1-18: o paralítico doente a mais de 38 anos é claramente o símbolo da humanidade apodrecida no pecado, que não acredita mais numa possibilidade de salvação. É por isso que Jesus pergunta: “Você que ficar curado?”. Não uma pergunta fútil, pois Jesus percebe a situação de descaso e de abandono do paralítico. Jesus, mais uma vez, vive este encontro com o doente como uma possibilidade de explicar o sentido da sua presença e da sua missão.

Logo que Jesus cura o paralítico, as autoridades começam a questioná-lo. “Então as autoridades começaram a perseguir Jesus”. É um dato evangélico extremamente profundo. Deus em Cristo entra na historia dos homens e mulheres mergulhados na morte e não é aceite. Atualizando podemos afirmar que cada vez que a Igreja vive o Evangelho produzindo vida, logo si torna motivo de questionamento e de critica por parte do poder.

 

VV 19-30: “O Filho faz apenas o que vê o Pai fazer”. “Eu não procuro fazer a minha vontade, e sim a vontade daquele que me enviou”.

Nestes dois versículos encontramos uma verdade profunda da identidade de Jesus. Sendo que o Filho quer fazer somente a vontade de Deus, e nada mais, isso quer dizer que nos seus atos e nas suas Palavras deparamos com a vontade de Deus, com o mesmo Deus.

Outros dois dados encontramos nestes versículos que estamos comentando. Em primeiro lugar É indicado que Jesus pode dar a vida porque, como Deus, Ele tem a vida em si mesmo. Por isso Ele realiza milagres, esbanjando vida. Por isso a sua Palavra é cheia de vida, porque Ele participa  da vida de Deus, Ele tem vida em si mesmo.

Em segundo lugar é precisado que Deus entregou o poder de julgar para o seu Filho Jesus. Se isso é verdade, quer dizer que o tempo presente é o tempo para fazer de tudo para deixar que Jesus nos conheça e também para que possamos conhecer a Jesus.

VV. 31-47: “Vocês vivem estudando s escrituras, pensando que vão encontrar nelas a vida eterna”.

Se o estudo das Escrituras não nos leva a reconhecer Jesus na historia, não adianta a nada este estudo. Toda a Bíblia fala de Jesus, então devemos procurar a Bíblia não para resolver os nossos problemas, mas para melhor conhecer a Jesus. Ao longo da semana deveríamos nos questionar: que tipo de conhecimentos temos da Bíblia? Porque a folhamos? O que procuremos nela?

“Eu não aceito elogios dos homens”. Porque é tão importante conhecer a Jesus, ler a Palavra de Deus? A resposta a encontramos neste versículo: para vivermos em modo diferente do mundo. De fato, os homens e as mulheres no mundo gostam de serem aplaudidos, buscam a gloria dos homens e isso por casa do vazio que está dentro deles. Se de verdade só Deus basta a nossa vida, se estamos vivendo somente por Ele, então a nossa vida se torna escondida com Cristo em Deus (Col3, 3). Jesus critica radicalmente o estilo de vida do mundo. Por isso é importante conhece-lo assim como ele é de verdade e não como queremos que seja Só Ele pode nos conduzir fora de uma vda vazia, em sentido.

Caminhemos, então, em busca da Verdade que, em Cristo, se deu a conhecer. E se deu a conhecer isso quer dizer que capacitou o homem e a mulher para captá-lo. 

EVAGELHO DE JOÃO CAPITULO 4

 

 



 

 

Comentário pastoral de pe Paolo Cugini


O encontro com a Samaritana

 

VV. 1-15: È um capitulo fundamental por tudo aquilo que expressa. É a narração do encontro de Jesus com uma mulher estrangeira, Samaritana (ou seja, da Samaria). Jesus perto do poço de Jacob pede de beber a esta mulher. É este o motivo que leva Jesus a afirmar que Ele tem uma água que quem beber nunca mais terá sede. Jesus sem duvida estava se referindo não apenas água material, mas sim á insatisfação que está no homem e que procura uma busca de sentido. A sede da humanidade é uma sede de sentido da vida, sede que, quando não for satisfeita, gera insatisfação, tristeza.

“Quem bebe desta água que eu vou dar esse nunca mais terá sede” (Jo 4, 14).

 

O problema da humanidade toda em busca de um sentido a vida, é este: como procurar esta água? E, sobretudo aonde?

 

VV. 16-26: “Mulher está chegando a hora em que não adorarão o Pai, nem sobre esta montanha nem em Jerusalém”.

A vinda de Jesus livra o espaço de qualquer forma de idolatria. De agora em diante o verdadeiro templo é a pessoa humana, espaço autentico para o encontro com Deus. Será São Paulo que afirmará que o corpo é templo do Espírito. Tarefa do Homem, da mulher, é isso mesmo, é procurar Deus dentro de si. De fato, os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em Espírito e Verdade. È claro que para conseguir isso precisamos espiritualizar a nossa vida, sair do materialismo religioso feito de pratica exteriores que nada produzem se não uma satisfação interior alienante. A verdadeira religião exige que o homem faça espaço na própria vida para o Espírito de Cristo, Espírito criador que age transformando as pessoas e transformando a historia.

 

VV. 27-38: “O meu alimento é fazer vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra”.

Nestes versículos é evidente a dificuldade dos discípulos entenderem o discurso de Jesus. De fato, enquanto Jesus vive na busca da vontade de Deus, o discípulo são ainda mergulhados no egoísmo humano. Isso quer dizer que se quisermos entender o Evangelho para vivê-lo no nosso dia dia, precisamos despojarmos do nosso egoísmo. Aquilo que aconteceu com os discípulos, aponta para uma dificuldade que a Igreja toda encontra quando vive os mandamentos somente no sentido material, buscando uma satisfação material, ditada pelo egoísmo. A religião que Jesus Propõe é a religião do coração, a religião da interioridade, que não é fuga no individualismo mas, pelo contrario, sendo que é esforço de escuta interior, alicerça a própria ação não em qualquer beneficio interior, mas sim na Palavra de Jesus.

 

VV 39-45: “E Jesus ficou ai dois dias. Muitas outras pessoas acreditaram em Jesus ao ouvir sua Palavra”.

O que provoca a fé das pessoas? É a convivência com Jesus, o contato com Ele. É isso que provoca o interesse pela sua pessoa, pela sua Palavra, pela sua proposta. Procuramos, então, nestes dias de nos aproximarmos de Jesus, para conhece-lo com mais profundeza, para interiorizar a sua mensagem e assim vive-la na nossa vida corriqueira.

 

VV. 46-54: “Se vocês não vêem sinais e prodígios, vocês não acreditam”.

Jesus não é um palhaço que veio pra provocar a nossa gargalhada. Se Ele faz milagres é para manifestar a sua abundancia e vida. Ele é a vida e todos os sinais que realiza são nesta linha de vida em abundancia. Aproximamo-nos, então, para recebermos esta vida, para vivermos na busca desta vida, nos dispondo para derrubar os sinais de morte.

 

EVAGELHO DE JOÃO CAPITULO 3

 

 



 

 

Comentário pastoral de pe Paolo Cugini

 


vv. 1-21 O encontro com Nicodemos.

Nicodemos é sem duvida o símbolo da pessoa em busca da verdade que encontrando Jesus, escutando a sua Palavra, assistindo aos seus milagres ficou questionando a sua mesma religião. Nicodemos é o símbolo de qualquer pessoa que se deixa questionar por Jesus.Ele, de fato, procura Jesus de noite. Também este é um dato que deve ser interpretado. A noite é o reino do mal, o momento do dia aonde é mais fácil sermos seduzidos pelo demônio. Nicodemos procura Jesus de noite porque percebe nele a força que pode derrubar o inimigo. É a noite da fé, pois Nicodemos procura o homem cuja atitudes confundiu as próprias crenças, as próprias seguranças.

Perante o questionamento de Nicodemos Jesus responde que precisa renascer do alto, nascer novamente: quer dizer isso? Nascer novamente significa que é impossível acolher Jesus e a novidade do seu Evangelho, do jeito que a gente é. É preciso uma transformação radical que somente o Espírito é capaz de realizar. Para acolher a novidade do Evangelho é preciso uma intervenção do alto. Este é o sentido do Batismo e da vida sacramental em geral.

 

vv. 17: “Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”.

 Versículo extremamente esclarecedor sobre a postura que um cristão deve ter no confronto do mundo. Os cristãos não são chamados a jogar pragas contra o mundo, mas a viver de uma forma tal que o mundo se sinta atraído para um caminho de conversão. Deus, através de seu Filho, quer salvar o mundo: esta é a verdade positiva que a Igreja deve anunciar com as palavras e com a vida.

 

vv. 22.36 Ministério de Jesus na Judéia. Último testemunho de João.

                                          

v. 30: “É necessário que ele cresça e eu diminua”:

Deve ser a postura de qualquer cristão que anuncia o Evangelho: ser uma ponte, um meio, um instrumento para que o anuncio de Cristo possa chegar em qualquer lugar e afetar o corações dos homens e das mulheres que encontramos. Quem busca gratificações pessoais na Igreja escolheu o lugar errado. É a humildade o sentimento interior que o Espírito constrói na nossa alma para fazer espaço a Cristo. E esse mesmo sentimento que deve acompanhar a nossa caminhada.

 

v. 31. “Aquele que vem do alto está acima de todos; o que é da terra é terrestre e fala como terrestre”.

Este versículo aponta muito bem o caminho que devemos realizar caminhando atrás de Jesus: sair de uma mentalidade terrena que nos escraviza, para conseguirmos pensar as coisas do alto. Somente acolhendo o Espírito de Cristo poderemos mudar a nossa mentalidade humana, que pensa só nas coisas terrenas, para uma atitude e um pensamento mais evangélico.

 

vv. 35-36. “O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão. Quem crê no Filho tem a vida eterna”.

Chegamos a Deus passando por Cristo. Todo o tempo que dedicamos a leitura e meditação da Palavra é tempo proveitoso, pois nisso testemunhamos que almejamos a vida eterna.

 

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

EVANGELHO DE JOÃO CAPITULO 2

 


 

Comentário pastoral de pe Paolo Cugini

 

 

CAPITULO 2

 

VV. 1-12: ás núpcias de Caná. O milagre que Jesus realizou durante as bodas de Caná, ou seja, de transformar a água em vinho, é chamado por João de sinal. Isso quer dizer que o milagre de Jesus não deve ser interpretado pé da letra, mas significa algo que somente o Espírito Santo pode interpretar. Então, o que Jesus quis dizer com este milagre?

 

  1. Em primeiro lugar, Jesus realiza a profecia de Isaias. De fato, a vinda do Filho do Homem era esperada como um banquete “de carnes gordas, um banquete de vinhos finos” (Is 25,6s). Apresentando-se ás bodas de Caná Jesus manifesta a hora da realização das profecias.

 

  1. O milagre da transformação da água em vinho aponta para o sentido do seguimento a Jesus, ou seja, a transformação da nossa humanidade. Quem segue a Jesus e vive a sua Palavra, alimentando-se do seu corpo será transformado pelo poder do Espírito Santo. Aquilo que Deus realiza na nossa humanidade é visível na humanidade de Jesus: amor, justiça, misericórdia, bondade.

 

  1. Neste milagre podemos ver, também, os sinais dos dois sacramentos principais da Igreja, ou seja o Batismo e a Eucaristia (água e vinho). O batismo que recebemos deve transformar a nossa vida em amor, em eucaristia, em partilha, em vida doada por amor.

 

  1. Uma ultima indicação a encontramos nas palavras de Maria: “Fazei tudo que ele vos disser”. O cristão é aquele que escuta a Palavra de Deus e a obedece. Maria aponta para Cristo. Maria deseja que todos obedeçam á Palavra do seu Filho Jesus. Este é o sentido profundo da espiritualidade mariana: o desejo que se realize o Reino de Deus que Jesus anunciou.

 

vv. 13-22. A purificação do Templo. Este episodio mostra uma atitude de Jesus que deve chamar a nossa atenção. Porque Jesus agiu desta forma? Não é estranho? Sem duvida a violência usada por Jesus no templo contrasta com a imagem que nós temos dele. Se ele, porém, é a Verdade, então esta não aceita a mentira. Em algumas circunstâncias, quando a dureza dos corações dos homens transformou no tempo o sentido da Palavra de Deus em preceitos humanos, talvez para recolocar tudo no eixo precisa de uma intervenção mais firme, mais decidida, como no caso que estamos analisando.

O Corpo como templo é um tema tratado também por Paulo: 1 Cor 6,19.

O templo de Jerusalém foi destruído três vezes. A ultima foi no 70 d.C. pelos romanos.

 

vv. 23-25. Estada em Jerusalém. Jesus conhece a todos, Jesus conhece o coração do homem. Esta anotação do evangelista João é muito importante na nossa caminhada. Isso, de fato, quer dizer que perante Jesus não precisamos disfarçar, botar mascaras, pose. Jesus não olha a aparência, mas o nosso coração (Cf. 1 Sam16). O sentido da nossa caminhada cristã é manter um coração limpo, em constante contato com Deus, com a sua Palavra, para que em qualquer momento seja feita a sua vontade.

 

O compromisso que podemos realizar nesta semana é aquilo de aprofundar a espiritualidade mariana, lendo e meditando este capitulo e se esforçando de por em pratica aquilo que entendemos.

 

EVAGELHO DE JOÃO 1



 

 

Comentário pastoral de pe Paolo Cugini

 

 

CAPITULO 1

 

O primeiro capitulo pode ser dividido em três partes.

 

A primeira - vv. 1\18- é o assim chamado Prólogo, aonde João sintetiza o mistério da Encarnação e, ao esmo tempo, desvende o mistério de Jesus Cristo, o Verbo de Deus presente desde a eternidade. O verbo é Deus: é esta a afirmação mais forte que encontramos logo nos primeiros versículos, que nos alertam da divindade daquele homem que pisou o solo da Palestina anunciando o Reino de Deus. Além do mais João nos lembra que Jesus é a luz que ilumina todo homem, pois ele é a Verdade. Apesar disso o Verbo de Deus vindo ao mundo não encontra uma acolhida digna, mas é recusado: os seus não o receberam. Este é um outro grande mistério sobre o qual é importante refletir, para não criar expectativas erradas e, sobretudo, para não anunciar um Verbo edulcorado demais que não corresponde á realidade, que é o caminho da recusa e da cruz. Embora o Verbo Seja recusado para todos “que o receberam deu o poder de se tornarem Filhos de Deus”. È essa a esperança do cristão e,ao mesmo tempo, o caminho da conversão: a possibilidade que Deus nos ofereceu através a acolhida do seu Filho Jesus de também nós nos tornarmos seus filhos.

 

vv. 19-34: É uma reflexão sobre a figura de João Batista. Ele foi escolhido para ser a voz que prepara a vinda de Jesus. Porque é importante a figura de João Batista? Do ponto de vista espiritual nos ensina que vê difícil chegar a Jesus sem alguém que aponte para Ele. “Eis o Cordeiro de Deus”. Foi João que falou isso com dois dos seus discípulos mostrando pra eles o verdadeiro Mestre, ou seja, Jesus. É difícil conhecer a Jesus se não tiver alguém que nos ajude a descobri-lo. Sobretudo no mundo de hoje, cheio de pessoas que falam de Deus, descobrir o Deus verdadeiro, o Único Senhor é fruto do dom do Espírito e de alguém que nos acompanhe no mistério da sua pessoa da sua identidade. Por isso é importante meditar com atenção estes versículos para aprendermos o jeito que Jesus escolheu para entrar na historia e ser apresentado.

 Além disso, João nos ensina que para acolher Jesus na nossa vida precisamos de muita humildade. “Aquele que vem depois de mim, do qual não sou digno de desatar a correia da sandália”.

João é o exemplo da humildade, do homem que faz espaço na própria vida para acolher o Verbo de Deus. Numa pessoa cheia de sim, Jesus não entra. Numa pessoa orgulhosa, preocupada só em aparecer, Jesus não entra porque não encontra o espaço necessário.

João Batista, com a sua humildade ofereceu a oportunidade aos primeiros discípulos de reconhecer o mestre Jesus.

 

vv. 35-51: os primeiros discípulos. “E permaneceram com ele aquele dia”.

 Ser discípulo é permanecer com Jesus. A vida do discípulo é toda cheia da Palavra do mestre, é uma busca constante da sua vontade. Além do mais, para seguir a Jesus é preciso deixar por trás as próprias seguranças: “Rabi, onde moras? Disse-lhes: vinde e vede”. O discipulado é um sair de si mesmo, do próprio comodismo, para ver Jesus e permanecer com Ele. Quando esta experiência de discipulado é autentica, purificada de qualquer outro objetivo, provoca o desejo da partilha. “André encontrado o seu próprio irmão Simão e lhe diz: ‘Encontramos o Senhor”.

Quem encontra na própria vida o Senhor, não consegue segurá-lo só pra sim, mas deseja comunicá-lo aos outros, sobretudo as pessoas mais queridas.

 

sábado, 30 de julho de 2022

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 8





Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini

 

1-3. É um trecho importante porque é o único texto do NT que relata o fato que entre os discípulos de Jesus tinha também mulheres. É um dato importante porque quebra o preconceito machista e abre as portas para uma estruturação nova da Igreja, mais humana e, por isso, menos machista e com o marco também das mulheres. Jesus não quis criar uma Igreja só de homens, mas sim uma comunidade de iguais: homens e mulheres.

4-18. A parábola do semeador é a ocasião para Jesus explicar o sentido do discipulado e a relação com a sua Palavra.

“A fim de que vejam sem ver e ouçam sem entender?”. Quer dizer este versículo? Jesus quis dizer que para entender a sua Palavra, não basta escutá-la com o ouvido, mas precisa segui-la. Somente para as pessoas que seguirão os ensinamentos de Jesus, que se tornarão seus discípulos, Jesus explica o sentido profundo da sua Palavra. Quem fica de fora não entenderá nada e, por isso, começará a polemica duríssima com os fariseus, que ouviram a Palavra de Jesus, mas não entenderam nada porque não quiseram segui-lo e se tornar seu discípulo.

“A quem tem será dado e ao quem não tem será tirado até aquilo que tem”. Sem duvida é um versículo que deve ser interpretado no seu sentido espiritual não pé de letra. Aqueles que tem são as pessoas cuja vida espiritual brotou frutos de justiça, de verdade e de amor: estes serão abençoados com algo a mais. As pessoas que não viveram o próprio batismo é não levaram a serio a Palavra e a vida de comunidade, será tirado tudo e dado para aqueles que frutificaram numa vida nova.

19-21. Lido com superficialidade o texto parece indicar que Maria teve outros filhos. Na realidade, escutando atentamente o Evangelho na sua proposta global é um dato impossível, pois Deus preparou Maria para ser a Mãe de Jesus Cristo. Irmãos é uma maneira semítica (hebraica) de apontar primos.

22-25. O mar no sentido bíblico é o símbolo do caos e anoite o lugar das trevas. Problema: como é que Jesus consegue  ficar tranquilo em situações como esta? A resposta pode ser esta: Jesus vive numa constante relação com o Pai e por isso consegue ficar tranquilo em qualquer circunstancia.

26-39. A história do endemoninhado mostra mais uma vez a identidade de Jesus. Se nas paginas do Evangelho encontramos varias historias de endemoninhado, que aos nossos dias são raros é porque a presença do Santo de Deus provoca o demônio, que não aguenta a santidade e se manifesta e, por isso, é derrotado.

40-55. A história da cura da hemorroíssa demostra que perante Jesus é necessário ter fé nele. Tinha muita gente ao redor de Jesus, mas somente esta mulher doente foi curado: porque? Porque ela acreditava interiormente que se tivesse tocado Jesus teria sido curada. E assim aconteceu. Não adianta comer o pão eucarístico se não acreditamos que alí tem a presença de Jesus.

 

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 7

 




Estudo Bíblico para CEBs

 

Paolo Cugini

1-10.  O Centurião é um romano, ou seja, é um pagão enquanto não pertence ao povo hebraico. Por isso este trecho está dizendo que também aos pagãos é aberto o caminho da salvação, pois a fé não é privilegio de um povo, mas é adesão à Palavra de Jesus.  Este trecho é importante, pois nos ensina que a fé se manifesta na confiança da Palavra de Jesus. Por isso quem não gosta muito de ler o Evangelho é porque não tem muita fé em Deus.

11-17. Esta ressurreição é parecida com aquela de Lazaro é sinal da ressureição definitiva de Jesus. É um evento que ajuda a entender o sentido da presença de Cristo na historia com sinal de vida verdadeira.

18-35. Um dos grandes focos do capitulo 7 é a figura de João Batista. Jesus citando  o texto de Malaquias 3,1 (Lc 7, 27), identifica João Batista com Elias, pois os profetas do Antigo Testamento declaravam que antes do Messias, devia vir alguém que preparasse o terreno. João Batista manda procurar se Jesus era o mesmo Messias, pois tinha também varias profecias que declaravam que o Messias teria sido um rei poderoso. A resposta de Jesus é na linha do profetismo que indicava no Messias um salvador pacifico e, sobretudo, um amigo dos pobres e marginalizado, pronto a defende-los.

31-35. A polemica de Jesus com os fariseus é sobre a atitudes deles no confronto com João Batista. De fato, conforme também ao relato de Lc 3, perante a pregação de João Batista, muito se converteram, mudando de vida, enquanto os fariseus ficaram botando gosto ruim. Por isso Jesus contou esta parábola: os fariseus não se mexeram nem perante a pregação duríssima de João Batista.

36-50. O texto que narra o encontro de Jesus com a pecadora é um dos mais intensos e comentado de todo o Evangelho de Lucas. É interessante a maneira de Jesus lidar com as mulheres, quebrando tabus e preconceitos. Em um clima cultural de grande machismo, que considera a mulher como algo de desprezível, contagioso, Jesus se deixa tocar, lavar os pés, perfumar. Jesus nos ensina que quando encontramos uma pessoa devemos buscar a sua essência mais profunda e, por isso, precisamos ir além das culturas preconceituosas e dos nossos esquemas mentais. 

“A tua fé te salvou”. É o que a fé neste trecho especifico? É a capacidade de amar, de se entregar a Deus, de busca-lo contra toda opinião diferente. De fato, não foi apenas Jesus que fez um caminho de ruptura com a cultura, mas também a mulher pecador que não se importou de entrar na casa de um fariseu e debruçar sobre os pés de Jesus. A fé é isso mesmo: amor que passa acima das montanhas dos preconceitos, das mentalidade humanas e busca a essência das pessoas. Esta é fé. 

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 6

 




Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-11: A polemica de Jesus com os fariseus sobre o tema do sábado é muito importante. O sábado era  o dia do descanso de Deus na primeira criação. O pecado de Adão estragou o projeto bonito de Deus. Jesus nestes dois trechos mostra o sentido autentico da Lei, que é aquela de servir o homem, a mulher e por isso a Lei de Deus nunca é fim a si mesma. Jesus é o homem novo que veio inaugurar a Nova Criação, por isso ele é o Senhor do sábado, pois revela o sentido profundo desta instituição, além de manifestar publicamente que ele mesmo é Deus. A verdade de tudo isso será manifestada no dia da Ressurreição de Jesus, que marcará também o sentido do sábado. De fato, sendo Jesus ressuscitado no domingo de madrugada, será o domingo o dia do Senhor na Nova Criação e não mais o Sábado da Antiga criação.

12-16. Nos momento importante da vida, Jesus antecipa as decisões com um momento prolongado em oração. Neste trecho é narrada a escolha dos doze discípulos, que é antecipada de uma noite em oração. É sem duvida um grande ensinamento para nós. Perante as decisões importantes da vida, em vez de endoidar é bom apreender a entregar tudo nas mãos de Deus.

17-36. A verdade da nossa busca do Reino de Deus deve ser visível na vida corriqueira. A que adianta que pra nós Deus é tudo se depois passamos o tempo acumulando terras, dinheiro, construindo mansões? Por isso Jesus declara bem aventurados os pobres, porque se aqui na terra são injustiçados, Deus dará para eles o Reino de Deus. Aqueles que aqui na terra buscam a vida boa sofrerão as penas do inferno na vida futura. Aqueles que aqui na terra sofreram por causa das injustiças dos poderosos do mundo serão colocados lá em cima no Reino de Deus. Esta é a justiça de Deus.

Amar os inimigos, assim como Jesus pede neste trecho, é o sinal da nossa liberdade e da nossa confiança em Deus e não nas nossas forças. Se não quisermos ser afetados do mal produzido pelo ódio dos nosso inimigos, precisamos seguir as indicações de Jesus que nos convida a rezar por eles até o ponto de chegar à ama-los: é mole?

36-45. A essência da vida cristã é a misericórdia, o perdão. Quem não é capaz de perdoar, de dar o braço a torcer é porque não tem Deus no coração. Se frequentamos a Igreja é para abastecermos a nossa alma do amor daquele Senhor Jesus que em cima da cruz teve palavras de misericórdia para os seus algozes.

46-49. A pessoa é sabia e inteligente quando aprende a dedicar tempo á própria formação espiritual e humana: isso exige tempo e dedicação. Quem ,pelo contrário, é apenas preocupado pela aparência, com aquilo que os outros pensam e dizem, gastará o tempo a enfeitar o externo e a vida dele será como uma casa construída em cima da terra, que o primeiro vendaval a derruba. 

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 5

 




Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-11. A multidão estava ao redor de Jesus para ouvir a Palavra de Deus. É muito bonita esta imagem porque relata aquilo que Jesus era acostumado a fazer: anunciar a Palavra de Deus: é por isso que as multidões de pobres o seguiam. Existe toda uma humanidade sedenta de palavra de Deus, de Palavra de Vida: é isso que a Igreja, a comunidade deve fazer: anunciar, explicar a Palavra de Deus.

Na dinâmica da pesca milagrosa é importante salientar que o milagre acontece porque Pedro obedece à Palavra de Jesus contra qualquer evidencia. “Assim fizeram e apanharam tamanha quantidade de peixes”. Os discípulos fizeram exatamente aquilo que Jesus pediu. Na nossa vida muitas vezes não acontece nada porque queremos fazer tudo da nossa cabeça, sem nos importar daquilo que vem de Deus. O gesto de Pedro e as suas palavras são emblemáticas, pois manifestam a verdade do encontro com o Senhor. O encontro com Deus, quando é autentico, provoca a tomada de consciência do nosso pecado: “Senhor, afasta-te de mim porque sou um pecador”. Deste encontro e desta tomada de consciência nasce a vocação, o chamado: “De hoje em diante você será pescador de homens”.

12-16. Perante o sucesso Jesus não aproveita, mas se retira, porque ele não buscava a gloria dos homens, a gloria do mundo, mas sim a gloria de Deus. Jesus vive uma vida escondida do mundo porque está totalmente satisfeito e preenchido com a gloria que ele recebe do seu Pai.

17-26. Jesus é Deus, é isso que estes versículos querem nos mostrar, porque Jesus age como Deus: cura e perdoa os pecados. Significativa é a atitude dos fariseus, que apesar de presenciar milagres impressionantes, continuam questionando Jesus e a sua ação. Quem tem um coração duro não consegue perceber a presença de Deus na história.

27-32. Jesus chama para ser discípulos quem ele quiser: é a liberdade do Reino de Deus. Liberdade que incomoda as pessoas acostumadas a medir a vida dentre parâmetros preconceituosos, como é o caso dos fariseus que questionam mais uma vez as escolhas de Jesus.

33-39. O vinho novo do Evangelho exige barris novos, ou seja, pessoas novas, renovada para acolher esta grande novidade. Jesus está dizendo isso para os fariseus que, ao longo de todo o capitulo ficaram questionando-o. Jesus explica o motivo da incapacidade deles de entender a sua palavra e as suas atitudes: o coração duro, a indisponibilidade para conversão. Somente um coração humilde consegue fazer espaço para grande novidade do Evangelho. 

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 4




Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-13. Toda a vida de Jesus é mergulhada no silencio. Dos 12 anos de idade até os trinta não temos noticias sobre a sua vida: silencio. Aos trinta anos, antes de iniciar a sua atividade publica, Jesus transcorre 40 dias no deserto. Quer dizer isso? Talvez seja este silencio profundo que Jesus buscou continuamente também ao longo dos três anos de atividade publica, o segredo da sua serenidade, da sua clareza de intenções. No deserto Jesus é tentado pelo satanás revelando assim a própria humanidade e o caminho para permanecer ao plano de Deus. A primeira tentação é o desafio de controlar a vida instintual. O homem e a mulher que não conseguem controlar os próprios instintos são condenados a uma vida de escravidão. O mesmo discurso vale pela tentação do poder e do dinheiro que futuca as pessoas ao longo da vida, em busca de uma vida fora do alcance de Deus e acima de Deus. É isso que a segunda e a terceira tentação tentam estimular: uma vida autossuficiente, independente de Deus. Se libertar destas tentações é o grande desafio da vida espiritual, pois as tentações nos acompanham ao longo de toda a vida.

14-21. Jesus começa a sua atividade publica numa sinagoga explicando a Palavra de Deus: será esta a grande caraterística da sua missão. Jesus é o Mestre que nos ensina os mistérios de Deus, que nos explica a Palavra. Neste trecho Jesus se apresenta como a chave de intepretação do Antigo Testamento: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura”. Jesus, a sua pessoa, os seus gestos e as suas palavras são o cumprimento, a realização de tudo aquilo que está escrito na Lei: de agora em diante é necessário prestar atenção a Ele, ao seu ensinamento. Esta frase de Jesus é uma grande indicação por todos aqueles que querem aprender a amar a Palavra: deve ser lida a partir de Jesus, pois sem Ele, torna-se incompreensível.

22-30. A reação do povo perante estas afirmação de Jesus é dura e não poderia ser diferente, pois Jesus tinha modificado de uma vez o sentido que o mesmo povo dava da Palavra. A tentação é de resistir à força da Sua Palavra e de julga-lo. O texto nos convida a ter paciência, a acompanhar a ação de Jesus até o fim.

31-37. A Palavra de Jesus manda sobre os demônios do mundo e as pessoas ficavam admiradas com o seu ensinamento porque não era apenas um papo, mas se realizava em atos concretos como a cura de um possuído. E as pessoas se questionam perante a sua identidade: quem é este homem? Este questionamento é importante e deve sempre acompanhar também a nossa caminhada.

38-41. Nestes poucos versículos é narrado um dia típico de Jesus, um dia feito de tantos encontros, sobretudo com pessoas doentes que cobram uma cura. A vida de Jesus é muito dura, pois a cobrança em cima dele é constante.

42-44. Como Jesus conseguiu lidar com tamanha cobrança sem se esgotar? É na oração, no dialogo constante e prolongado com o Pai que Jesus encontrava a força para enfrentar a luta do dia a dia e, sobretudo, para fugir da tentação do poder. 

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 3

 



Estudo Bíblico para CEBs

Pe Paolo Cugini

1-3. A insistência de Lucas sobre os homens políticos daquele tempo é para salientar que Jesus Cristo não é uma invenção literária, mas o Filho de Deus veio ao mundo mesmo, se fez carne em um momento histórico preciso. Por isso estes dados históricos são importantes: para situar com clareza o momento preciso da vinda de Cristo na história.

4-18. A pregação de João Batista é muita dura e radical: o objetivo é provocar a conversão dos ouvintes. Citando Isaias, João Batista se coloca na tradição profética e, ao mesmo tempo, se identifica com a personagem que no A.T. era designado para preparar o cominho do Messias.

“Que devemos fazer?”. A dura pregação de João Batista surtiu efeito. De fato as pessoas se questionam e se colocam a disposição para uma mudança. A pergunta: que devemos fazer? É a pergunta da fé, da confiança em Deus, que acusa o pecado, mas ao mesmo tempo prepara caminhos de salvação.

“Quem tiver duas túnicas reparta-as”. As respostas de João Batista aos interlocutores mostram que o caminho da conversão acontece dentro da própria experiência de vida. Se quisermos nos converter de verdade, devemos concentrar a nossa atenção naquilo que estamos vivendo. A verdade do nosso seguimento a Jesus, da nossa adesão ao Evangelho, se demostra na maneira de viver no dia a dia.

Batismo com água é o batismo pregado por João Batismo, que exige uma mudança de vida, de atitude: consiste no esforço de tirar o mal da nossa vida. O Batismo no Espírito trazido pro Jesus consiste na acolhida do dom de Deus que vem do alto, que transforma a nossa humanidade. Estes versículos nos revelam que a mudança da nossa vida depende um pouco de nós, mas, sobretudo é fruto da ação de Deus que age na nossa vida somente se quisermos.

23-38. A genealogia é na linha do valor que Lucas dá aos dados históricos para mostrar que Jesus é uma personagem históricas e não uma invenção literária. Porque Lucas insiste nisso? Porque ao tempo de Lucas, mais ou menos os anos Oitenta do primeiro século da era cristã, alguns difundiram a noticia que Jesus era só um espírito e nada mais. No Evangelho de Lucas o mistério da Encarnação, ou seja, de Deus que se faz homens e entra na história, é documentado não apenas com dados históricos, mas também com uma genealogia, uma serie de nomes que demostram o parentesco de Jesus, que não era um anjo descido do céu, mas sim, um homem em carne e osso.