mercoledì 13 febbraio 2019

Cristo rei do universo




Paolo Cugini

1.É o ultimo domingo do ano litúrgico e a mesma liturgia nos apresenta para a nossa reflexão um tema um pouco estranho, o tema do Cristo Rei do universo. É um tema estranho porque de um lado somos acostumados a identificar a figura do Rei com o poder, a riqueza, a arrogância e, do outro lado, a idéia que nós temos de Jesus é de uma pessoa humilde, simples. Então como é que se juntam estas duas idéias opostas? Em que sentido Jesus é Rei?

2. Um rei que se respeite deve ter um pedaço de chão para exercer o seu poder. Jesus, perante Pilatos, declara que ele tem um reino, só que este reino não é deste mundo. Quer dizer isso? Qual é o reino de Deus?
O mundo, na perspectiva do evangelho de João, não é o cosmo, a terra, mas é tudo aquilo que o homem constrói independentemente de Deus, é então aquela realidade fruto do egoísmo e do orgulho humano. Sobre os nossos projetos humanos feitos de rivalidades, inimizades, rixas, Cristo não tem poder, ou seja, não é Ele que manda, mas um outro.
Este é o segundo dato que aparece entre as linhas do Evangelho de hoje. Se Cristo é Rei significa que Ele domina sobre uma realidade, sobre um pedaço de humanidade. Isto quer dizer que o homem, a estrutura humana é feita para pertencer á alguém. Se não pertencemos ao reino de Deus pertencemos ao mundo: não tem escolha, alternativa. Não existe um terceiro espaço, um terceiro rei. Na perspectiva bíblica existe o Rei do universo, rei do reino do Céu e, do outro lado, existe o príncipe deste mundo, que reina sobre o mundo, ou seja, domina toda aquela humanidade, aquela realidade que os homens, as mulheres construam independentemente de Deus, como se Deus não existisse. Se na nossa vida corriqueira não estamos obedecendo a Deus, estamos nos entregando ao príncipe deste mundo.
A condição de vida no mundo é a escravidão, enquanto no Reino de Deus é a liberdade. Quem vive no mundo, quem se deixa guiar pelo príncipe deste mundo vive na escravidão, escravo das paixões, dos instintos, dos desejos humanos, desejo de poder, de dinheiro, de sexo (cf. 1Jo 2-3). Pelo contrario, as pessoas que vivem no Reino do Céu vivem livres, pois com a ajuda de Deus, da força e do poder de Deus que recebemos nos sacramentos, conseguimos dominar as paixões, os instintos, os desejos da carne. Esta solenidade de Cristo Rei do Universo nos lembra que a vida cristã é uma continua caminhada, uma romaria para passarmos deste mundo para o reino de Deus (cf Jô, 13,1-2), do domínio do príncipe deste mundo para o poder de Deus. Quem se conhece um pouco e está tomando a serio a própria vida, sabe muito bem que, esta romaria, não é nada fácil, mas muito desgastante e cheia de armadilhas, de recuos, de decepções, de momento de grande desanimo. Quem vive estes sentimentos é no bom caminho, pois quer dizer que está se esforçando para que o Reino de Deus possa ser a sua moradia constante. Pior é encontrar cristãos que brincam com a própria vida de fé. O cristão mais autentico, que vive com seriedade o próprio relacionamento com o Senhor, que deseja se tornar uma pessoa livre, é destinado a sofrer um bocado.

3. Existe somente um pedacinho de humanidade que o pecado não estragou que o diabo não afetou; este pedacinho de humanidade é Cristo, que até a morte ficou fiel e obediente a seu Pai. É por isso que estamos aqui adorando o Rei dos reis, O rei do universo, que testemunhou a Verdade até as extremas conseqüências. E isso deve nos ajudar na reflexão. Se Cristo faleceu, se Ele foi morto, pendurado á cruz é porque o mundo não quer escutar a Verdade. O mundo é tão mergulhado na mentira, é tão acostumado a comer mentiras, que não gosta da Verdade, não quer escutá-la. Cristo é o Rei do universo, porque testemunhou a verdade até o fim, encarando os algozes sem recuar, enfrentando a estupidez do mundo covarde e estúpido incapaz de realizar um gesto autentico.

4.  Cristo é Rei do Universo não porque se apoderou do poder com alguma artimanha, mas o recebeu. “Toda autoridade foi dada a mim no céu e sobre a terra” (Mt 28,18).
É o mesmo dado que ouvimos na primeira leitura de hoje. Jesus não tomou o poder, não se apoderou do Reino dos Céus, mas foi o mesmo Deus que o entregou para Ele. Isto vale também para nós. As coisas de deus não podemos comprá-las, mas somente acolhe-las, pois são fruto do amor e da misericórdia de Deus. Este ultimo domingo do ano litúrgico deveria nos ajudar a vasculhar na nossa vida de fé, na nossa caminhada de Igreja, se nos aproximamos a Deus com a arrogância  do mundo, querendo ser os donos do pedaço, ou, pelo contrario, com aquela humildade e simplicidade que caracterizou a vida de Jesus, que se entregou totalmente, com uma vida de doação e foi por isso que recebeu do Pai a vida eterna.

5. Nessa altura poderíamos nos perguntar: quais são os sinais que O Espírito Santo produz na nossa vida como marco evidente que pertencemos a Cristo e fazemos parte do Seu Reino?
O primeiro o encontramos escrito na primeira leitura, aonde se fala que o Reino de Deus é eterno. Quem participa da eternidade do reino de Deus, não desiste nunca perante os próprios compromissos, mas torna-se fiel até a morte, sem medo de enfrentar qualquer dificuldade, obstáculo, perseguição.
O segundo sinal é apontado na segunda leitura aonde se diz que o Senhor doou o seu sangue para nos libertar. Quem pertence ao reino de Deus torna-se uma pessoa livre, que não se deixa arrastar pelas paixões, os instintos, mas aprende a dominá-los e a dirigi-los aonde ele quiser.
O ultimo sinal da nossa pertença ao Reino de Deus é o mesmo Senhor que o revela. De fato, no final do Evangelho que acabamos de escutar, Jesus nos lembra que “ Que testemunha a verdade escuta a minha voz”. Um sinal claríssimo da pertença ao Senhor é o desejo de escutar a sua voz para que a própria vida se torne uma resposta ao Senhor.



SOLENIDADE DO CORPO E SANGUE DE CRISTO





(Gen 14, 18-20; Sal 110; 1 Cor 11, 23-26; Lc 9, 11-17)

Paolo Cugini

1. Celebrando a solenidade do Corpo e sangue de Cristo, a Igreja entende manifestar o próprio agradecimento a Deus Pai pelo dom do Seu Filho Jesus para a nossa salvação. Além do mais através desta solenidade os mesmos fieis são convidados a refletir sobre o mistério da Eucaristia, mistério do qual participamos no Domingo, dia do Senhor, aonde fazemos o memorial da sua morte e ressurreição. A Igreja desde a antigüidade nos ensina que o nosso Batismo é finalizado á Eucaristia, isso quer dizer que a nossa vida cristã se realiza e, ao mesmo tempo se fortalece, só através da Eucaristia, pois é naquela circunstância que nos alimentamos do mesmo Cristo que recebemos no Espírito no dia do Batismo. A vida cristã é vida em Cristo, pois a humanidade gloriosa de Cristo deve resplandecer na sua Igreja. As leituras que ouvimos nos apresentam o sentido da vida de Jesus que deve ser também o nosso. Aquilo que Jesus é por natureza, nós devemos alcançá-lo no sacramento. Por essa razão é importante aproveitar da solenidade para pararmos um momento e refletir sobre o mistério da Eucaristia no qual é contido também o mistério da nossa mesma existência.

2.Na noite em que foi entregue, O Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças o partiu e disse: isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isso em memória de mim. Do mesmo modo depois da ceia tomou o cálice...” (1 Cor 11, 23s).
 O problema que devemos enfrentar é este: o que Jesus quis dizer com este gesto? O que significa este rito? Porque Jesus pediu de repeti-lo?
Aquilo que Jesus realizou, se olhado bem de perto, purificado de qualquer pré-compreensão, é um ato extremamente humano, carregado de humanidade, pois com este gesto do pão e do vinho Jesus desvende uma vez para todas o sentido da sua vida. Outro dado importante é que este gesto, esta revelação Jesus a realizou perante os seus discípulos, ou seja, os únicos que o tinham acompanhado desde o começo. Isso quer dizer que, para desvendarmos o mistério deste rito, precisamos ser discípulos de Jesus, ou seja, precisamos querer conhecê-lo, amá-lo, segui-lo. O mistério da Eucaristia se desvende ao longo do caminho do discipulado: não é algo que se aprende com os instrumentos da pura razão, mas se desenrola ao longo da vida cristã.
Em segundo lugar é bom salientar que o gesto que Cristo realizou na ceia derradeira resume o sentido da sua vida. De fato, Jesus veio ao mundo para manifestar á humanidade toda, perdida no egoísmo, o sentido de uma vida no amor, uma vida que realizasse aquela vocação originaria, que Deus tinha entregado ao homem antes do pecado. Neste sentido, qualquer pecado é sempre algo que afeta a vocação ao amor. Jesus realizou a sua vida de amor entregando-se totalmente, doando-se sem poupar nada de sim. O pensamento dele era só para as pessoas que estavam ao seu redor: nada para sim, tudo para eles. A vida de Jesus foi uma vida totalmente partida, por assim dizer, para os seus. É isso que impressiona folhando com amor as paginas do Evangelho. Quando mais se doa tanto mais Jesus cresce: nunca se esgota. Multidões de pessoas se aproximam a Ele cada uma querendo tirar o próprio proveito, e Jesus nunca fica vazio, mas sempre tem de sobra de tudo, de amor, de atenção.  Jesus nunca se cansa de amar. O amor que Ele doa não depende do amor dos outros, daquilo que recebe em troca. A maneira de Jesus amar, que é o sentido autentico do amor, é uma critica radical e profunda da nossa maneira egoística de amar. Nos amamos com a pretensão humana de sermos correspondidos, pois a fonte do nosso amor está no outro. Em Jesus a fonte do amor está em Deus, no Pai que Ele busca dia e noite. É este amor divino que Jesus derrama de mãos cheias na humanidade que encontra. Por isso não se machuca se não for correspondido, pois não é isso que procura, mas somente que alguém receba um pouco do amor divino, que alguém participe daquela superabundância de amor do qual Cristo mesmo vive e participa.  Este amor desinteressado cuja fonte está em Deus, critica na raiz os nossos amores demasiadamente interessados que, na realidade, são formas disfarçadas de egoísmo. Por isso ficamos machucados se não formos correspondidos; ficamos tristes e até deprimidos toda vez que o nosso amor, por assim dizer, é desatendido. Nessa altura poderíamos nos perguntar: como é possível viver no mundo amando a todos e a todas sem nos esgotar? Como é possível vivermos como se fossemos também nós como Cristo, uma fonte inesgotável de amor (cf. Jo 7)?

3. “Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice estareis proclamando a morte do Senhor até que ele venha” (1 Cor 11, 26).
É impossível viver a nossa vocação ao amor do jeito que Jesus amou e da forma que Ele amou sem nos esgotar. Precisamos de algo que possa derreter o egoísmo que está enraizado em nós. Precisamos de algo que possa preencher o nosso vazio, pois toda vez que amamos e não somos correspondidos, ficamos com um vazio terrível dentro de nós. Toda vez que percebemos que alguém está se aproximando a nós por puro interesse, isso provoca sentimentos extremamente negativos. Para que a nossa fonte de amor não se esgote nunca precisamos do Corpo de Cristo, do corpo do Filho de Deus que veio ao mundo esbanjando amor sem nunca se esgotar. Na ceia derradeira Jesus não penas nos convidou para celebrarmos um rito, mas para imitarmos a sua vida. “Fazeis isto em memória de mim”, não é apenas um comando que se refere à forma externa dos gestos que Ele realizou naquela circunstância, quanto, sobretudo ao sentido que aqueles gestos tinham. Por isso, sendo que Jesus na ceia derradeira convidou os discípulos a continuar na historia o mesmo jeito dele amar, ofereceu para eles o alimento que os teria sustentado. Sem a Eucaristia ninguém consegue amar do jeito que Jesus amou. Por isso no domingo nos aproximamos á mesa Eucarística, não apenas para cumprir um preceito ou uma obrigação, mas para tomarmos o único alimento que nos permite de realizar a nossa vocação. Jesus nos convidou para comer, ou seja, num sentido espiritual, a interiorizar o seu corpo, ou seja, a sua pessoa, o seu jeito de ser, de viver, de amar. Jesus nos convidou a internalizar a sua mesma vida para que a pudéssemos doar aos outros.

4. Agradecemos a Deus de ter no oferecido o Seu Filho Jesus, alimento espiritual da nossa vida, motivo da nossa alegria plena.



Solenidade da Ascensão do Senhor/C





( At 1, 1-11;Sal 47; Ef 1,17-23; Lc 24, 46-53 )

Paolo Cugini

1. A solenidade da Ascensão do Senhor, que hoje celebramos, deveria nos ajudar a entender o sentido da missão da Igreja no mundo e também do nosso batismo, sendo que é neste sacramento que recebemos o Espírito Santo. De fato, é na Ascensão do Senhor que os discípulos recebem o mandato de anunciar a todos os povos o Evangelho. Tarefa da Igreja é, então, ser testemunha de Cristo. Além disso, a Ascensão do Senhor nos ensina que o Evangelho não apenas um anuncio terreno, que termina na Terra. O Evangelho não é um código de comportamento moral, mas é a indicação de um caminho que tem como meta o encontro como o Pai. Assim como Jesus passou através da sua paixão e morte, deste mundo para o Pai (Jo 13)- é este o sentido da sua Páscoa-também nós devemos escutá-lo para podermos passar também nós com Ele deste mundo para o Pai. É por isso que somos convidados a anunciar ao mundo o seu Evangelho, o seu único caminho de salvação. E aqui vem o problema:  Como é possível anunciar este caminho de salvação?

2. “Foi a Ele que Jesus se mostrou vivo depois da sua paixão” (At 1, 3).
Primeiro Critério para testemunhar Jesus no mundo é conhecê-lo, é a familiaridade com Ele. Jesus não é uma idéia abstrata, mas uma pessoa concreta.Jesus não uma criação literária, não é fruto da fantasia humana. Jesus é Deus que se fez homem e veio a morar no meio de nós: é Deus que se aproximou a nós. É por isso que é impossível conhecer a Jesus se não através de uma experiência viva, autentica, profunda. Jesus não envia os discípulos a anunciar uma idéia, e nem qualquer coisa, mas aquela experiência especifica que eles tiveram com o Senhor. Não é um caso que Jesus, depois da morte e ressurreição, apareceu somente aos discípulos, ou seja, aqueles que tinham as condições de reconhecê-lo. Por isso na raiz do nosso testemunho - pois é isso mesmo o sentido do nosso batismo!- deve existir a nossa experiência com o Senhor Jesus.  Não posso anunciar Cristo se não o conheço. Na primeira carta João relata essa mesma idéia: aquilo que nós ouvimos, aquilo que nós apalpamos com as nossas mãos nós o anunciamos a vós (cf. 1Jo 1, 1-4). A vida cristã não é feita apenas de palavras, mas sim de uma vivencia autentica com Cristo. É a aproximação dele que me permite de conhecê-lo e, assim, comunicá-lo. 

3.Recebereis o poder do Espírito Santo, que descerá sobre vós” (At 1,8).
Só que o conhecimento experiêncial e pessoal do Senhor não basta: precisamos do Espírito Santo.
Só o Espírito de Deus pode dar aos discípulos a coragem de anunciar, de testemunhar o Senhor ressuscitado num mundo que o odeia, que o massacrou, que odeia á Deus e, por conseqüência, odeia todos aqueles que falam do Filho. Esta coragem não é uma força psicológica, de origem humana, mas sim é algo que vem de Deus, do seu Espírito.
Tem algo a mais. Pra ser testemunho precisa da força que vem do fato de ser criveis. Isso quer dizer que se quisermos ser testemunhos do Senhor é preciso que o nosso encontro com o Senhor tenha modificado sensivelmente a nossa vida. De fato como podemos ser anunciadores do amor de Cristo para os inimigos, se nós odiamos alguém? Como podemos ser testemunhos da comunhão de Cristo se somos instrumentos de brigas, encrencas? Como podemos ser testemunhos da morte de Cristo que perdoou os nossos pecados, se nós não somos capazes de perdoar? Como podemos anunciar o amor de Cristo para os pobres se vivemos passando o tempo acumulando riquezas sendo, assim, instrumentos de injustiça? Testemunhar significa narrar aquilo que Jesus fez não apenas com as Palavras, mas também e, sobretudo, com a nossa mesma vida. A verdade daquilo que anunciamos deve ser bem visível na nossa carne, na nossa historia. Testemunhar não significa aquilo que Jesus fez, mas aquilo que Jesus fez para mim, a salvação que Ele troxe na minha vida. Se formos chamados a anunciar a Salvação que Cristo operou na historia por meio da sua paixão, morte e ressurreição, então tudo isso deve ser escrito na minha vida, deve ser bem visível na minha carne, no meu jeito de ser, viver, pensar. Isso se torna possível somente se o encontro com o Senhor provocou de verdade uma salvação na minha existência. Só nessa altura as palavras se tornam criveis, alcançando um peso e uma força impressionante, que penetra no coração do mundo, inquietando-o, preocupando-o, tirando-o do serio. É por isso que são Lucas, um pouco mais na frente dos Atos dos apóstolos, ao capitulo quarto, faz questão de dizer como era estruturada a comunidade dos primeiros cristãos, fruto da pregação dos discípulos.
“A multidão daqueles que tinham chegado à fé havia um só coração e uma só alma. Ninguém dizia sua propriedade aquilo que possui, mas tudo entre eles era em comum”.
É por isso que a pregação dos discípulos arrastava multidões: não era um problema de papo e de capacidade retórica, mas sim de testemunho. Aquilo que os discípulos anunciavam, ou seja, a salvação através do Evangelho de Jesus(cf. 1Cor 15,1-3) era bem visível nas suas comunidades, feitas de pessoas que em nome de Jesus viviam de uma forma totalmente nova, não mais animada pelo egoísmo humano que só provoca divisões e rivalidades, mas pelo amor de Jesus que fazia brotar entre eles a caridade e a partilha.

4. Quais são os sinais que o Espírito Santo produz na nossa humanidade que rende crível o nosso anuncio?
Em primeiro lugar a humildade. De fato, só Deus deve ser glorificado através da nossa ação. Só o Espírito pode produzir em nós este sentimento básico da vida cristã, tão presente na vida de Cristo.
Em segundo lugar a alegria. Os cristãos são alegres não por causa da conta no banco, ou de outros bens materiais, mas porque vivem com Jesus. Era isso que Santa Teresa de Jesus entendia dizer quando escrevia: “Quem a Deus tem nada lhe falta. Só Deus basta”.
Pedimos a Deus que nessa Eucaristia que estamos celebrando o Espírito Santo possa produzir na nossa vida aquela humildade e aquela alegria tão necessárias para o testemunho autentico do Seu Evangelho.





sabato 22 dicembre 2018

NATAL, O NASCIMENTO DO SENHOR




Vigília de Natal-2007
(Is 9, 1-6; Sal 96; Tt 2, 11-14; Lc 2, 1-14)


Paolo Cugini

Chegamos a esta noite com o coração vibrante de alegria pelo evento que estamos contemplando: nesta noite o eterno entra no tempo, o infinito se faz finito, aquilo que é imperecível se faz perecível. Contemplamos extasiados o mistério do Deus menino, o Onipotente solapado no pequeno corpo de uma criança recém nascida. Ficamos pasmos, sem fôlego por esta aproximação impressionante de Deus para conosco. Aproximação que expressa mais uma vez o grande desejo de Deus de encontrar o homem, a mulher. O Natal é isso mesmo: o cumprimento do sonho antigo de Deus se fazer presente no meio da humanidade, de morar no meio de nós e, para realizar este sonho, Deus se faz homem, o tudo de Deus entra no fragmento pequeno do corpo humano. Mistério sublime que desvende até a que ponto chega o amor verdadeiro de Deus, o amor que pela sua intrínseca natureza exige a doação, a partilha e, por isso, não mede riscos, não calcula as conseqüências.  E, assim, por todos nós neste momento são autenticas as palavras do salmista quando, perante o mistério de Deus contemplado na criação, se pergunta: “É o que o homem para merecer tudo isso?” (Salmo 8). Nós também nesta noite tão luminosa nos perguntamos deslumbrantes: oh Deus porque fez tudo isso? Será que a gente merece um tão grande presente? Será que precisava mesmo que Deus se fizesse menino para nos encontrar? E é o que isso significa? O que Deus quis nos dizer com a sua vinda?

 O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Is 9,1).
Assim como o profeta Isaias o profetiza, Jesus pela humanidade é uma luz. Deus enviando Jesus quis nos iluminar, ou seja, decidiu de nos tirar das trevas. Neste sentido a vinda de Jesus manifesta o julgamento de Deus sobre a humanidade. Com a vinda de Jesus Deus declara definitivamente derrotado o projeto de mundo que os homens construíram e continuam construindo independentemente de Deus. O mundo sem Deus é obscuro, é treva: é isso que o Natal de Jesus revela pela humanidade toda. O mesmo salmo 95 que foi proclamado hoje aponta o mesmo sentido: “O Senhor vem para julgar a terra inteira”. A luz de Deus que o nascimento de Jesus trouxe ao mundo representa o julgamento de Deus sobre o projeto de mundo que a humanidade desobediente criou e, ao mesmo tempo, é a indicação do caminho que a humanidade toda deve percorrer pra se afastar do projeto errado para entrar na trilha certa. Este me parece ser o sentido primeiro do Natal: a manifestação definitiva do julgamento de Deus sobre o mundo. A partir do evento do presépio, a humanidade toda depara com o pensamento de Deus, com a sua Verdade definitiva sobre nós. Verdade que se manifesta no seu lado negativo de julgamento, sobre tudo aquilo que ao longo dos séculos se ergueu orgulhosamente como projeto autônomo, criando o mundo da morte, dominado pelo egoísmo e pela ganância. Ao mesmo tempo o julgamento de Deus se manifesta como misericórdia por toda a humanidade vitima deste projeto terrível, por toda a humanidade que tenta com todas as forças de permanecer fiel ao projeto de amor de Deus.  Esta misericórdia de Deus que se estende ao mundo é muito bem representada pelos braços abertos de Jesus menino no presépio da manjedoura de Belém, que não é apenas uma cena sentimental, que mexe com o nosso lado sentimental, mas um quadro realista daquilo que Deus está querendo com o mundo.

 Porque nasceu para nós um menino” (Is 9,50).
Esta luz que Jesus com o seu nascimento trouxe ao mundo se manifesta como vida. De fato, aquilo que Deus promete para salvar a humanidade da morte é uma criança. Isso não apenas foi profetizado pela boca do profeta Isaias, mas se cumpriu na historia com o nascimento do menino Jesus. Jesus é a Vida verdadeira que acusa a morte do projeto mundano. Se quisermos viver uma vida que permanece no tempo e nunca desfalece, precisamos nos aproximar do presépio. Jesus menino de braços abertos é o julgamento de Deus sobre o mundo fechado do egoísmo, da ganância, da soberbia. Além do mais, este menino recém nascido de braços abertos nos convida a fazer parte do seu Reino, que é o Reino do amor, da paz, da justiça e da vida autentica.  Aquela vida que todos nós buscamos com todas as nossas forças ao longo da vida e que não conseguimos alcançar, esta mesma vida veio ao nosso encontro, se ofereceu gratuitamente. É isso que devemos aprender a vislumbrar no menino Jesus: A Vida. É Ele que veio para apagar as nossas angustias, veio para preencher o nosso vazio, a nossa falta de sentido. É este menino indefeso que tem nas suas mãos o segredo da vida, a direção que a nossa existência humilde deve tomar. Se nos aproximarmos a este grande tesouro com uma mentalidade humana, material, seriamos tentados a nos perguntar o custo para obter tudo isso. O Evangelho, porém, vem ao nosso encontro com uma resposta simples: “Encontrareis o recém nascido envolvido em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2, 12). A vida autentica que Deus nos oferece no menino Jesus, não se apresenta com os critérios humanos do poder e da força, mas com os sinais divinos da simplicidade e da humildade. E assim, se quisermos acolher a Vida autentica manifestada no menino Jesus, precisamos nos despojar do nosso orgulho e do nosso egoísmo. A Vida autentica pode ser somente acolhida para ninguém se ufanar de algo que não lhe pertence. É isso que é difícil entender para nós acostumados a medir o valor das coisas pelo peso exterior, pelo preço. Jesus, a vida verdadeira, se oferece gratuitamente, não tem preço: pode ser somente acolhido. Também isso representa um julgamento da nossa maneira de olhar as coisas e medi-las.

A noite de Natal é uma noite feliz, como somos acostumados a cantar, porque Deus veio a morar no meio de nós, assumindo a nossa condição humana, uma condição estragada pelo pecado e pela morte. É incrível como isso possa acontecer, como Deus possa caminhar e viver conosco, ao nosso lado. Se Ele decidiu isso não foi apenas por um sentimento de solidariedade, mas para nos salvar, ou seja, para transformar a nossa condição humana de morte, numa condição de vida, a nossa condição de sofrimento e conflito numa condição de paz. O Natal de Jesus que hoje celebramos com o maior respaldo possível, pela Igreja quer ser muito mais de uma lembrança passada: deseja ser a indicação de um estilo de vida novo, aquele estilo que produz uma transformação radical em todos aqueles que a levem a serio. Que seja este o sentido do Natal, pelo menos entre nós e nas nossas famílias.


giovedì 20 dicembre 2018

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 21


Estudo Bíblico para CEBs
Paolo Cugini
1-4. Jesus não exige esmola, mas a nossa mesma vida. A viúva que dá duas moedas é o símbolo do discípulo/a que não poupa a sua mesma vida para seguir o Senhor. E ali vem a pergunta: e nós estamos dando o que ao Senhor?

5-7. Não devemos fitar com os olhos as pedras do mundo, pois tudo será destruído. Aquilo que vale mesmo é o esforço corriqueiro de embelezar a nossa alma, de cuidar dela para que se torne cada dia melhor.

8-19. Antes dos capítulos que narram a paixão de Jesus o Evangelista Lucas coloca um discurso sobre os últimos tempos. Uma leitura superficial poderia provocar espanto, medo. Na realidade as palavras de Jesus são dirigidas para os apóstolos, são indicações sobre a postura que os discípulos devem ter perante a reação do mundo contra a sua mensagem. Jesus alerta os discípulos sobre a dureza do mesmo discipulado, pois seguir Jesus, abraçar a sua causa comporta muita incompreensões. “Sereis odiados por todos por causa do meu nome”. Esta é a dura realidade dos verdadeiros discípulos/as do Senhor: o ódio do mundo, pois o mundo detesta Deus, detesta Jesus e os seus seguidores. Quem ao longo da vida busca amparo do mundo é porque decidiu de abrir mão de Deus. O verdadeiro discípulo/a, as pessoas que de verdade amam a Jesus são perseguidas e maltratadas no mundo: este não é uma reflexão espiritual, mas sim um dado evangélico, Palavra de jesus sobre a qual é necessário refletir, avaliar a própria vida e decidir de que lado queremos ficar. Quem decide seguir Jesus deve levar em conta muito sofrimento.

Pela vossa perseverança ganhareis as vossas almas. Quem se importa de salvar a própria alma não tem outro caminho que confiar em Deus. Nos versículos precedentes Jesus foi bem claro: as vezes nem dentro da família poderemos contar. Não podemos organizar a nossa vida religiosa contando sobre as pessoas, pois se aquela pessoas desviar nós também poderemos acabar saindo do caminho. Jesus nos ensina que quem salva a nossa alma, não é uma pessoa, mas sim a nossa perseverança. Mais uma vez Jesus nos alerta que a responsabilidade da nossa caminhada de fé é nossa. Para podermos ser perseverante em todo momento da nossa vida precisamos apreender a cultivar o nosso relacionamento pessoal com o Senhor, saborear o seu amor, aprender a gostar da sua Palavra.

Quando virdes Jerusalém cercada de exércitos. É uma clara referencia a destruição do templo de Jerusalém que aconteceu no ano 70 d. C. Existem eventos histórico que se tornam sinais da passagem de Deus na história. Por isso o Concilio Vaticano II falava 50 anos atrás que é necessário aprender a interpretar os sinais dos tempos. Somente dentro uma perspectiva de fé, de confiança na Palavra do Senhor poderemos perceber a presença de Deus na história e não ficar confusos perante eventos em aparência assustadores.

Quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai a cabeça, porque a vossa libertação se aproxima. É importante ler o capitulo 21 como uma palavra de Jesus dirigida para os seus discípulos/as, que os alerta sobre a verdade dos acontecimentos históricos. Quando de fato, assistimos a situações de morte e desastres, somos tentados a nos assustar e ficar com medo. Jesus está alertando os seus discípulos/as que a realidade é que a libertação dos discípulos/as se aproxima. Se tudo se destrói, se não existe império, poder que fica no tempo, isso quer dizer que o verdadeiro esforço que vale a pena fazer não é acumular dinheiro, não é ficar do lado do poder, mas sim ficar firme ao lado do Senhor, pois é o único que tem o poder de nos libertar da morte.

29-33. A parábola da figueira confirma o discurso antecedente. O cristão deve aprender a ler a historia, os acontecimentos históricos à luz da Palavra de Deus, a interpretá-los, para aprender a vislumbrar a presença de Deus, sentir o seu amor. Isso será possível somente dentro de um constante caminho do conhecimento e aprofundamento da Palavra de Deus, pois: “O céu e a terá passarão, mas as minhas palavra jamais passarão!” Quem perde  o contato com a Palavra de Deus perde o contato com a realidade.

34-38. Perante a história que vai correndo ruma a própria destruição por causa do esquecimento de Deus, qual é a nossa tarefa de cristãos? Jesus nos ensina que aqui na terra devemos aprender a vigiar, a rezar, ou seja, a fortalecer sempre mais o nosso relacionamento pessoal com Ele. O perigo pior é o endurecimento do nosso coração, o abrutamento da nossa alma que pode chegar ao ponto de não sentir mais nada, de ficar insensível à Palavra de Jesus. Por isso o grito de Jesus: Vigiai!



domenica 2 dicembre 2018

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 20





Estudo Bíblico para CEBs
 Paolo Cugini

1-8. Nestes poucos versículos Jesus demonstra que o cristão não deve ser bobo, mas muito astuto e inteligente. Acreditar em Deus não quer dizer se entregar, aceitar tido, mas avaliar a esperteza do mundo e responder com inteligência.

9-19. São palavras claramente dirigidas aos escribas e sumos sacerdotes que ao longo dos séculos maltrataram os profetas que Deus enviava para alertar o povo, e ultimamente maltratam também Jesus. É Jesus a pedra que os construtores descartaram, porque não acreditaram nele e é sobre esta pedra que Deus constrói o seu Reino e quem não aceita o seu Evangelho será esmagado.

20-26. Mais uma prova da grande inteligência de Jesus e da sua capacidade de prestar atenção a todo tipo de provocação. Neste caso Jesus responde à provocação escutando com atenção e respondendo a partir da realidade que ele analisa, sem nenhuma forma de preconceito.

Se a Deus devemos tudo então o que devemos dar a Cesar, símbolo do poder político? A tentação imediata é responder: nada. Na realidade, porém, se a Deus devemos tudo isso quer dizer que à política devemos dar Deus. Não é de qualquer forma que podemos entrar na vida política, mas com Deus na alma e no coração. Como nos lembra a Igreja (documento Lumen Gentium do Concilio Vaticano II) os leigos são convidados a transformar o mundo, a santifica-lo e, por isso, também o âmbito político por dentro. Pode santificar o âmbito político somente as pessoas que estão buscando santificar a própria vida.

27-40. Primeiro ensinamento: o matrimonio é uma realidade terrena, pois na vida eterna não haverá matrimonio porque seremos com anjos no céu (o sexo, a sexualidade pertence à dimensão terrestre). Este é um versículo que valoriza a vida celibatária dos padres e das freiras que são no mundo sinal daquilo que viveremos no céu.

A ressureição dos mortos é já testemunhada no livro do Êxodo (Ex 3,6), apesar deste dado ser aprofundado somente na literatura sapiencial a partir do IIIº sec. A. C., no livro da sabedoria e dos provérbios.

41-44. É um versículo um pouco complicado que deveria demostrar a superioridade de Cristo comparado com David, pois o mesmo David chama de meu Senhor o mesmo filho de David. Além disso são versículos que demostram a ressureição.
45-47. Jesus alerta o povo sobre a atitude daqueles que deveriam ser os mestres, pois buscam apenas a aparência, buscando ser vistos e cumprimentados. Quem está na frente do povo deve ser exemplo de simplicidade e humildade.


sabato 24 novembre 2018

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 19





Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini
1-10. Zaqueu é o símbolo dos ricos que se salva. Rico se salva somente se partilhar a sua riqueza com os pobres assim como fez Zaqueu (a metade dos meus bens eu dou aos pobres). Este trecho mostra também a dinâmica do encontro com Jesus. Zaqueu se esforça de encontrar o Senhor. Zaqueu para ver Jesus subiu a figueira: e nós fazemos o que para nos encontrarmos com Jesus?

Hoje a salvação entrou nesta casa: somente vivendo o presente da vida podemos acolher o Senhor que está presente na nossa historia. Quem vive de lembranças passada o projetado sempre no futuro nunca poderá saborear a presença de Jesus que vem ao nosso encontro hoje, no presente da nossa vida.
11-28. Qual é o sentido desta parábola? O ensinamento é bastante claro: a vida que recebemos de Deus com tudo aquilo que nos doa deve ser vivida, deve dar fruto. Quem vive parado deitado no sofá, enrolado na preguiça não vive agradando a Deus. Tudo aquilo que recebemos de Deus – a comunidade, os sacramentos, a Palavra, etc. – deve brotar futos na nossa vida. Esta parábola nos convida a um exame de consciência: que frutos estão brotando na nossa caminhada de fé? O centro da parábola é, portanto, o terceiro empregado que devolveu aquilo que recebeu. Não podemos esconder aquilo que recebemos de Deus.
Aquilo que já possui será dado ainda mias: sem duvida estas palavras não devem ser entendidas no sentido material, mas sim espiritual. A referencia é aquilo que temos de vida de fé, de vivencia comunitária. Se somos batizados e não vivemos o nosso batismo na comunidade, será tirado de nós isso e será dado a quem viveu com plenitude a própria fé.

29-40. É a entrada de Jesus em Jerusalém acolhido pelo povo com muita festa e alegria. Infelizmente será este mesmo povo que clamará a morte de Jesus.
41-44. Jesus chora chegando em Jerusalém, porque ele sabe aquilo que irá acontecer no futuro por causa da resistência à sua Palavra. Jerusalém nos seus chefes recusaram a presença de Jesus, não reconheceram nele o Salvador, o Messias esperado e, por causa disso, será destruída. De fato, quarenta anos depois do pronunciamento destas palavras, exatamente no ano 70 d. C. Jerusalém foi invadida e o templo destruído definitivamente. A nossa recusa à Palavra do Senhor tem consequência.

45-48. O templo do Senhor, que hoje são as capelas, a Matriz, é para rezar e não para fazer comercio ou politica. Quem quiser fazer comercio vai na feira e quem quiser fazer politica vai na praça. Perder o sentido do sagrado tem consequências negativas não apenas na vida da pessoa, mas também na vida da comunidade. “Minha casa é casa de oração”: precisamos resgatar isso se quisermos ser fieis a Palavra e aos ensinamentos de Jesus.

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 18





Estudo Bíblico para CEBs
Paolo Cugini
1-8. É uma catequese sobre a oração entendida como pedido. A fé neste trecho se manifesta como insistência na oração: porque? Porque insistindo manifestamos que acreditamos na Pessoa pela qual dirigimos o pedido. Por isso na Igreja a partir já dos primeiros séculos, se difundiu uma forma de oração que consistia na repetição continua de um versículo do evangelho (um mantra). A falta de fé si identifica com a falta de oração.

9-14. Não é qualquer oração que Deus escuta, mas sim a oração da pessoa que se dirige a Ele com humildade. A pessoa orgulhosa, que se acha na verdade é incapaz de se enxergar, de perceber as próprias faltas e, por isso, é incapaz de produzir uma oração autentica. Pelo contrario a pessoa humilde, reconhece os próprios pecados e se coloca perante Deus na justa atitude. Por isso devemos aprender e repetir sempre a oração dos humildes de coração: Meus Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!

15-17. Receber o Reino de Deus como criança significa acolhe-lo com simplicidade e disposição, assim como a criança se joga no colo da mãe, sem nenhum tipo de resistência.

18-30. O caminho do discipulado é um processo que tem etapas. A primeira é sentir o desejo de viver com Deus, é sonhar a vida eterna. È isso que tinha na alma a pessoa importante que procurou Jesus. Depois disso é necessário obedecer aos mandamentos de Deus pois, que ama a Jesus faz aquilo que ele diz (Jo 14,15). Só que isso não basta: para ser discípulo do Senhor é necessário se despojar de tudo, viver sem apego a nada, pois este é o sintoma da grande liberdade que proporciona o seguimento ao Senhor.
28-30: quem tiver deixado: deixar é o verbo da vocação. É isso que escutam os noivos no dia do casamento (deixar pai e mãe) e é isso que vivem os religiosos no dia em que realizam os votos. Ninguém deixa algo para abraçar o nada: se deixamos atrás de nós aquilo que parecia ser importante é porque encontramos algo de mais importante ainda, a vida eterna.

31-34. Jesus abre o próprio coração para os discípulos desvendando aquilo que irá acontecer com Ele, ou seja, a sua paixão e morte como consequência do anuncio do Reino e do seu testemunho, mas os discípulos não compreendem. A compreensão da proposta de Jesus não é um problema de inteligência, mas sim de vivencia. Começa a entender a proposta de Jesus que se coloca atrás dele e se esforça de viver a sua Palavra no dia a dia.

35-43. A fé se manifesta na insistência em gritar a Jesus (Lc 18, 1-8). O cego grita a Jesus o próprio desejo de enxergar. O ver do cego é o ver da fé. Se acreditarmos no Senhor Ele nos ajudará a ver a realidade de uma forma diferente. A fé em Jesus tira dos nossos olhos as trevas que o mundo coloca. O mundo quer que nós vejamos aquilo que ele quer, que assinamos em baixo a sua cartilha. Só Jesus nos liberta desta cegueira! Problema: será que nós queremos ver?  Será que queremos ser curados da cegueira do mundo para enxergarmos a realidade assim como o Evangelho nos ensina?




sabato 20 ottobre 2018

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 17



Estudo Bíblico para CEBs
Paolo Cugini

1-10. É o que um escândalo? É algo que provoca a decepção dos discípulos ao ponto de se afastarem da comunidade. Por isso é importante aprender a vigiar sobre as nossas atitudes, a nossa conduta.
3. Somos responsáveis um dos outros dentro da comunidade. Quando percebemos que algumas pessoas da comunidade estão vivenciando algo de errado devemos chamar atenção (chame atenção dele). Não podemos fechar os olhos perante o mal, pois se fizermos isso, o mal estará se espalhando e tomando conta de tudo. A omissão é pecado.

4. A comunidade vai pra frente quando tem pessoas que pedem perdão e outras que perdoam. Alguém poderia perguntar: é mais fácil pedir perdão ou perdoar? O versículo 4 demostra que esta pergunta está errada porque o Evangelho nos convida a fazer as mesmas coisas: pedir perdão e perdoar.

5-10. A fé é a confiança na Palavra de Deus. Uma pessoa que confia em Deus vive a própria existência como um serviço, sem cobrar nada porque é servindo com amor a Deus que participemos da sua vida eterna. “Fizemos o que devíamos fazer”. Esta é uma frase que deveria ser na boca de todas as pessoas que se disponibilizam em fazer trabalhos na igreja, que devem ser feito não por buscar visibilidade ou querer ser agradecidos, mas simplesmente por amor a Deus.

11-19. A oração mais importante que devemos aprender é a ação de graça, pois toda vez que agradecemos, manifestemos a nossa fé na ação de Deus na nossa vida. Agradecer a Deus além de ser sinal de fé é também fruto da humildade, pois somente uma pessoa humilde reconhece a fonte da própria vida. O fato que somente um voltou para agradecer a Deus demostra que muitas vezes estamos na Igreja, rezando a Deus somente por um mero interesse pessoal e, quando ficamos satisfeitos, viramos as costas. O caminho atrás do Senhor deveria nos ajudar a sair do nosso egoísmo, para nos tornarmos pessoas mais humanas, mais atentas aos outros.

Levanta-te e vá. Sua fé o salvou: quem nos salva é a fé em Deus e, nestes versículos a fé se manifesta como capacidade de agradecer a Deus daquilo que acontece na nossa Vida. Não basta, então, ser beneficiados por Deu: precisamos ter a humildade de agradecê-lo.

20-21. O Reino de Deus não vem ostensivamente: quer dizer isso? Que não devemos procurar Deus aonde Ele não está, aonde Ele não se dá bem, ou seja, nas multidões, nos eventos de massa, nas situações de propaganda. O reino de Deus está no meio de nós: é no dia a dia que Deus se manifesta na nossa vida, por isso precisamos dar mais valor à nossa vida cotidiana, aos nosso relacionamentos corriqueiros.

22-37. Como nos dias de Noé e de Ló: as pessoas comiam e bebiam e Deus passou para destruir tudo salvando somente algumas pessoas. Versículos de cunho apocalíptico cujo objetivo é alertar as pessoas para que levem a sérios a mensagem de Jesus. Contra a aparência de um mundo que vai se formando com um estilo próprio feito de ganancia e da busca dos prazeres da vida, existe a proposta de Jesus, o único caminho que leva a salvação. É um caminho que se percebe somente tendo fé nele. Por isso não adianta ganhar o mundo se depois perdemos a vida: quem procura ganhar a própria vida vai perde-la; quem a perde vai conservá-la. Perder a vida para o Senhor: é isso a única coisa que vale.



sabato 6 ottobre 2018

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 16




Estudo Bíblico para CEBs

1-13. Usem o dinheiro injusto para fazer amigos: O dinheiro é injusto quando é fruto de acumulação, quando é roubado. No Evangelho o dinheiro acumulado é sempre injusto porque é tirado de quem precisaria. Quem tem dinheiro é para partilhar.

Fazer amigos: que são estes? São os pobres. Quem tem dinheiro de sobra é para dar aos pobres porque serão eles que nos acolherão no Reino dos Céus.  Quem passa a vida acumulando dinheiro está perdido, está construindo o próprio fim.

Se vocês não são fieis no uso do dinheiro injusto: o dinheiro é injusto quando é acumulado, pois o dinheiro acumulado deixa sem nada alguém. A fidelidade a este dinheiro injusto consiste em partilhá-lo com os pobres.
Verdadeiro bem: a vida eterna;
Você não podem servir a Deus e ao dinheiro. Jesus não está falando contra o dinheiro que serve para se manter, para manter uma família; Jesus está criticando todos aqueles que passam a vida acumulando dinheiro, porque o dinheiro acumulado é tirado das pessoas que precisam. É uma radical critica a toda forma de injustiça social: é absurdo que tenha pessoas com um monte de dinheiro e outras passando fome. Na perspectiva do Reino de Deus ninguém deve passar fome: este era o estilo da primeira comunidade (Atos 4,32-37). É por esta razão que a igreja Católica atual critica o modelo econômico neoliberal adotado pelas grande economias do mundo (entre elas o Brasil) porque está criando um mundo desigual, aumentando o fosso entre ricos e pobres. Nestes versículos Jesus condena toda forma de riqueza material, por isso em outro texto Jesus declara que é difícil um rico entrar no reino de Deus (Mc 9, 23-27).

14-18. O que é importante para os homens é detestável para Deus: os homens gostam de dinheiro e de poder, enquanto Deus gosta dos pobres e dos humildes. Cabe a nós de que lado queremos ficar. Quem passa a vida puxando o saco dos poderosos do mundo não está do lado de Deus.
O versículo 18 confirma a lei contra o divorcio, contra a tentativa dos fariseus de amenizá-la. O matrimonio é por toda a vida.

19-31. Parábola fantástica! Não basta falar de pobres para ficar do lado de Deus, é necessário abraçar a pobreza evangélica, que consiste em não acumular e partilhar com os pobres. Quando a Igreja faz isso é crível.
Tudo aquilo que os pobres sofrem aqui na terra por causa das desigualdades, serão recompensados nos céus. Pelo contrário, todos aqueles que aqui na terra levam uma vida boa, acumularam dinheiro e bens tirando da boca dos pobres, na vida futura ninguém irá tira-los do inferno. Esta parábola é uma verdadeira sentença.
Como podemos entender o caminho que Jesus nos proporciona sem nos deixar desviar das ilusões do mundo? A resposta está no versículo final: se eles não escutam Moisés e os profetas. É a Palavra de Deus que orienta a nossa vida e nos ajuda a destruir as ilusões do mundo. Por isso precisamos manter um contato constante com a Palavra de Deus se não quisermos nos perder.


EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 15






Estudo Bíblico para CEBs

1-2. Dois versículos reveladores do efeito que Jesus fazia no povo. Ele atraia os pecadores que ficavam escutando a sua Palavra. Pelo contrario, aqueles que deveriam ter prestado atenção à Palavra de Jesus, ou seja, os fariseus, ficavam criticando-o. Jesus foi constantemente questionado pelos fariseus e doutores da lei, porque as suas palavras mexiam com as atitudes deste povo metido a sábio, mas que na realidade, utilizavam a religião para se manter no poder.

3-7. Jesus contou a parábola da ovelha perdida para os fariseus: por quê? Para justificar as suas atitudes de ir a busca das pessoas que uma religião farisaica tinha afastado de Deus. Com esta parábola Jesus aponta também o caminho da comunidade, que não deve ficar paparicando o tempo todo as pessoas que frequentam o culto, mas sim sair, ir a busca de quem se afastou, abrindo um dialogo.

8-10. Esta segunda parábola reforça a primeira. O sentido da parábola é a preocupação com cada pessoa da comunidade. A verdade da nossa comunhão em Cristo não é dado do numero de pessoas que frequentam a comunidade, mas sim da atenção que damos a cada uma dela. Por isso sofremos quando alguém se perde e não frequenta mais e deveriam encontrar o jeito para irmos ao encontro de quem se perdeu.

11-32. A parábola dos dois filhos mostra sempre o mesmo problema, ou seja, o fato que alguém se perde na comunidade, mas uma maneira diferente de ir ao encontro de quem se perdeu. De fato, neste caso o pai do filho que abandona o lar familiar, não vai atrás dele, mas o espera e o acolhe com amor. É importante dizer isso porque as vezes esta parábola é lida frisando demais a postura do filho que abandona o pai, enquanto Jesus contou a parábola para mostrar as qualidades da misericórdia do Pai.  O grande amor do Pai manifesta ao mesmo tempo a dureza do nosso coração (filho que ficou) e a nossa rebeldia (filho que se manda). Esta parábola nos ensina que a nossa vida se realiza somente quando vivemos de Deus e em Deus. Por isso torna-se urgente uma comunidade que cuida das pessoas que se aproximam de Deus e que se articula para ir ao encontro de todos e todas. A maneira de ir ao encontro é diferente, como nos mostram as parábolas do capitulo 15, mas é importante que a comunidade se preocupe com isso. Poderia ser um tema debatido nos conselhos pastorais: “o que que aconteceu com fulano ou fulana que sempre frequentava a igreja e que sumiu? O que podemos fazer?”.