venerdì 2 giugno 2023

SEGUNDA CARTA AOS CORINTIOS CAPITULOS 8-9




ESTUDO BÍBLICO para CEBs

Paolo Cugini

 

Schohel:  Paulo tomou muito a peito o assunto da coleta a favor dos cristãos pobres de Jerusalém (Gl 2, 10). Podemos considerar como antecedentes o tributo do Templo e outras ofertas voluntárias com as quais os judeus da Judéia e da diáspora contribuíam periodicamente para a manutenção do Templo e para o culto. Além do valor material, semelhante contribuição expressa a identidade e a unidade do povo disperso (Sl 133), sua união em torno do Templo amado (Ef 24, 21). Lida nessa luz a coleta poderia sugerir que os cristãos reconheciam nos pobres de Jerusalém uma presença especial de Deus, como um novo Templo.

 

- acrescenta-se a importância que a esmola foi adquirindo depois do desterro, como provam numerosos textos: Eclo 25, 1-13; Tb 4, 7-11; Dt 15, 1-11; Pr 17, 17.

 

- No caso presente a coleta, além de aliviar uma situação local, a coleta expressava a unidade das Igrejas cristas em uma Igreja, a estima especial pela igreja-mãe de Jerusalém, a harmonia de pagãos e judeus convertidos, a solicitude de um membro mais forte por outro mais fraco (1 Cor 12). Por outra parte, a situação em Jerusalém prova que a experiência de possuir os homens em comum (At 5, 1-11) aliada a outros fatores, não tinha resolvido os problemas econômicos.

 

V.1: poder dar, e dar generosamente, é “graça de Deus”. Deus é o grande “doador”, que ao homem dá dons, exemplo de dar é aquilo que deve ser doado (Sl 136, 25; 145,16 e o livro de Rute). A Macedônia foi a primeira região européia evangelizada por Paulo: aí se encontravam os primeiros núcleos cristãos (Tessalônica, Berea, Filipe cfr At 16, 11 – 17, 14).

 

A obra de caridade da Igreja é o fruto da graça de Deus que age nela (8, 4.6.7)

 

V.2 É o paradoxo renovado, mencionado mais acima (6, 9-10): pobres de recursos, ricos de generosidade, como a viúva em sua doação (Lc 21, 1-4).

 

V. 3-4:  Na realização da coleta, os cristãos da Macedônia agiram espontaneamente e por livre decisão pessoal.

 

5: A doação de si mesmo, além das coisas materiais, era dirigidas aos carentes, mas também ao Senhor e ao apostolo Paulo. Os da Macedônia tinham percebido que não tratava-se apenas de ajudar os pobres de uma comunidade, mas da causa do Evangelho de Jesus e da sua Igreja, servindo a Igreja se serve a Cristo. (cf Neemias 3).

 

6: cheio de coragem pelo sucesso da coleta da Macedônia, Paulo quer envolver também a comunidade de Corinto através de Tito.

 

7-8: em 1 Cor 12-13 Paulo tinha descrito os carismas e colocado acima deles o amor. Agora aplica o dito: reconhecer os carismas dos Corintios, e os põe a prova da generosidade. Paulo não quer forçar ninguém, mas quer tostar a autenticidade da fé do Corinto.

 

9: O exemplo de Cristo é o ponto culminante, fundamento e exalta a caridade cristã. Cristo renunciou a ficar na plenitude divina poder junto ao Pai e deixou a glória celeste, que lhe pertencia como filho de Deus. Escolheu a pobreza da condição humana, para comunicar mediante a sua pobreza, a riqueza externa da redenção. Cristo se for pobre por amor aos homens (cf Rom 15, 3-7; Heb 12, 2) (Fil 2, 5-11).

Se a pobreza de Cristo rendeu ricos os Corintos e todos os homens, agora aqueles que foram enriquecidos por ele, devem partilhar. A ação de Cristo deve continuar na ação dos cristãos.

 

Graça: força que empurra o doar-se.

 

10: A coleta começou desde o ano anterior e isso partiu da vontade deles. Por isso, Paulo precisa sempre lembrar isto: não é necessário que ele mande fazer.

 

11-12: Paulo não está pedindo nada de impossível, mas o fruto da caminhada deles. Por isso, pede prontidão.

 

13-14: Não deve acontecer que ajudando os outros; quem doa fique em aperto. Aquilo que se deseja é uma igualdade dos bens necessários para viver.

Esta igualdade entre a comunidade de Jerusalém e as outras deve cumprir-se em duas maneiras: 1º Na presente abundância das comunidades, deve sempre ajudar a comunidade de Jerusalém. 2º No futuro Jerusalém poderá dar de volta.

 

15: A citação pertence a uma das tradições sobre o maná (Ex 16,18): partilha igualitária de Deus, a despeito da avidez ou mesquinhez humana.

 

16-17: Tito logo se prontificou de retornar a Corinto de onde tinha acabado de chegar. Desta prontidão e zelo, Paulo agradece a Deus.

 

18: Junto com Tito, Paulo envia dois companheiros, que deverão ajudar Tito na obra da coleta. Paulo não revela os nomes deles.

 

19: São as comunidades que escolheram um representante – já nomeados pelas Igrejas – parece que foi feita uma votação pública.

Para glória do Senhor: a obra da coleta tem como objetivo de render manifesto que Paulo reconhece e aprecia a comunidade primitiva de Jerusalém.

 

At 4,34 (Tiago 2,14) Estrutura da Igreja

 

21: Paulo procura evitar os escândalos, pois ele sabe que a sua pessoa e a sua ... já provocam bastante tumultos. O apóstolo deve pregar a todos a verdade, a sua sinceridade e retidão perante Deus deve ser conhecida por todos.

 

22: O segundo companheiro é apresentado como irmão no ministério.

 

23: Os delegados das Igrejas nessa obra de caridade transportam e refletem a “glória de Xto como o homem caritativo à glória de YHWH (cf Is 58,8)

 

Capitulo 9 O que se segue, se não é outra carta sobre o mesmo assunto, inserida aqui devido ao tema, equivale uma insistência temperada pela descrição. Paulo quer estimular sem forçar; acumula argumentos e os repete. Com toda exposição recompõe o grande círculo do dar.

(a) Deus é o “doador” por excelência: dá o bom desejo (Ex 35,28; 36,3-7) e os meios de onde dar; no A.T. a terra é o dom primeiro de Deus.

(b) O homem que possui dá ao necessitado (Dt 15,1-11; Sl 112; Eclo 14,3-6).

(c) Uns e outros dão graças a Deus. Ao chamar os pobres de Jerusalém de “consagrados”, eleva todo o assunto a um plano superior; também a tarefa fica consagrada.

 

v.6: a beneficência em Israel é considerada um mandamento de Deus. E Israel é convencido que Deus entrega a sua Benção aqueles que fazem o Bem (cf Dt 15,10; Sl 36,26; Tb12, ss.).

A imagem de semeadura aponta e recompensa no dia do julgamento.

 

v.7: Paulo pede que o dom seja espontâneo e não forçado. (cf Rom 12, 8).

 

8-9: Deus recompensa a caridade doando sempre novas possibilidades de doar. A experiência mostra que a beneficência não empobrece. (canto ao Sl 112).

 

10: Paulo usa Is 55, 10 para chamar atenção: os sentimentos e a caridade se tornarão sempre mais profundos e os meios se tornarão tanto mais abundantes quanto mais eles serão famosos na dor.

11: O doador faz com que Deus seja reconhecido e exaltado pelas criaturas.

 

12: A obra da caridade que foi planejada terá um duplo efeito.

1)      deverá ajudar a comunidade de Jerusalém.

2)      Irá se transformar em benção, pois Paulo chama a Coleta de liturgia – serviço ao povo.

 

13. Perante esta obra de caridade os cristãos de Jerusalém reconhecerão que também os pagãos tornaram-se obedientes ao Evangelho de Cristo e que uma única comunhão de personalidade e de amor abrange a todos. Para tudo isso a Igreja de Jerusalém vê o atena agradece todos aqueles que colaboram, mas também é sobretudo a Deus.

 

14-15: Paulo expressa a própria preocupação  pelo bom êxito da coleta. Mais forte das dúvidas é a confiança no poder de Deus.

 

Resumo:

1-      O sentido da comunidade –At 4, 31

- ligação fé/vida – Tiago 2, 14

2- Fundamentação cristologica

3. Preocupação de Paulo – organização da comunidades

4- provocar a generosidade de Deus

5- A partilha é sinal da presença de Deus

 


SEGUNDA CARTA AOS CORINTIOS CAPÍTULO 2



ESTUDO BÍBLICO para CEBs

 Paolo Cugini

[1-2] Sendo que o Apostolo deve ser servo da alegria, Paulo preferiu não ir até Corinto pra não provocar mais tensões. Para ter aqui uma ilusão a uma viagem que Paulo fez a Corinto, cujo não temos muitas informações (cfr 2 Cor 12, 14 e 13,1).

 

Paulo não quer o sofrimento, mas a alegria, sobretudo nas comunidades.

 

3-4: Paulo quer ser um colaborador da alegria da comunidade. Onde tem o Reino de Deus, aonde tem o Espírito Santo, reina a alegria, que é obra de Deus (Rom 14, 17; Fil 3,1; 4, 45).

Também quando deve punir a comunidade, o Apóstolo é guiado pelo amor, do amor fraterno daquele que serve a comunidade como colaborador (1 Cor 3, 9), um amor que não pode ser destruído do temor, da dificuldade e das precauções (1 Cor 13, 4 ss).

 

5-11: o motivo do desentendimento entre Paulo e a comunidade é tirada

 

- Com poucos detalhes Paulo fala de um fato que tinha atropelado o seu relacionamento com a comunidade. Uma pessoa da comunidade tinha feito uma grave injustiça (7,12), que tinha ofendido Paulo, prejudicando a comunidade toda.

Se, de fato, um membro da comunidade sofre, toda comunidade fica decepcionada, pelo contrário, a comunidade não tinha feito nada. Por essa razão ele enviou uma carta, a carta das lágrimas.

Agora, porém, a maioria da comunidade puniu o culpado (cfr 1 Cor 5, 11). Só que agora a punição não deve chegar a machucar demais o culpado.

Aqui temos um exemplo da condução das comunidades apostólicas:

Perante um problema que afetou a comunidade, todos são convidados a se expressar e a maioria decide. Paulo não mandava nas comunidades abusando da própria autoridade.

 

- A punição alcançou o objetivo: produzir o arrependimento e a conversão do culpado. Agora é o tempo da reconciliação, pra evitar que o culpado caía na tristeza. É preciso que prevaleça o amor, a caridade.

 

[ fazer uma explanação sobre estas duas palavras].

 

Volta aqui também – tema da consolação: Cristo é o consolador, o Espírito também: a comunidade é o espaço aonde a humanidade faz a experiência da consolação de Deus. A disciplina atuada na comunidade deve ser o reflexo da ação de Deus para com os pecadores.

 

- Também a carta que Paulo escreveu nas lágrimas tinha como objetivo fortalecer a caridade e também medir a obediência da comunidade ao apostolo. (upekooi – falar da idéia paulina de obediência).

 

10 “em atenção a Cristo”: tudo acontece em atenção a Cristo. È Cristo que inspira os passos, as decisões de Paulo e da comunidade.

O Senhor exige justiça e ordem (cfr Mt 18,18) – Cristo, que ilumina e guia a Igreja, pede o perdão entre os homens (cfr 1 Jo 2, 1; COL 3, 13).

 

Satanás: se na Igreja sumisse a caridade e a atenção a Cristo, seria satanás a tomar conta. De fato satanás atiça discórdias e rivalidade, minando a comunhão da comunidade. (cfr 1 Pt 5, 8). Somente no final dos tempos satanás será derrubado (cfr 2 Ts 2, 8).

Satanás perturbou toda a obra evangelizadora de Paulo. (cfr 1 Ts 2, 18; Lc 22, 31; 1 Cor 7, 5; 2 Cor 11, 3).

 

12-13: Continua o tema da viagem e de repente se interrompe. O fio continua em 7, 5-16, retomando em ordem inversa aos temas de Tito e da carta severa.

 

- Para poupar pra si e pra os Coríntios contrastes negativos, Paulo não quis dirigir-se de pessoa para Corinto (1, 23). Por isso escreveu, talvez de Éfeso (At 19, 1), a carta das lágrimas (2, 3ss). Tito, colaborador de Paulo, deveria levar em Corinto esta carta, pra depois retornar e informar o Apostolo em Troada. Enquanto o esperava Paulo começou a pregar o Evangelho com sucesso.

 

“Pois o Senhor me abria as portas” tudo acontece no Senhor. Paulo sabe muito bem que a evangelização não é fruto da capacidade dos missionários, mas obra do Espírito Santo.

 

13. Só que em Troada Paulo não encontrou Tito e ficou agoniado e se mandou para encontrar-se com Tito na Macedônia em uma das comunidades talvez Filipe. Apesar de ter renunciado a viagem para Corinto, a sua preocupação com esta comunidade era muito grande.

 

Estes dois versículos são um exemplo daquilo que passava no coração de Paulo, a tensão causada das preocupações para as comunidades.

 

O oficio Apostólico 2, 14 – 6, 10

 

A publicidade do Oficio Apostólico 2, 14 – 3, 3

 

- Nas lembranças daquilo que Paulo passou de sofrimentos para com a comunidade de Corinto, brota do seu coração uma ação de graça:

 

“Dou graças a Deus”

 

14. O vencedor de uma batalha importante desfilava em “triunfo”, acompanhado de um séquito de prisioneiros e entre nuvens de incenso e a aromas (cfr Sal 68, 19).

Paulo se alegra de desfilar no triunfo de Cristo como prisioneiro, difundindo lhe o aroma, que é o conhecimento dele.

 

“o aroma de seu conhecimento”: (cfr Ecel 39,13). Pelo conhecimento de Deus em Cristo sai um perfume vivificante que dá vida antes de mais nada ao mesmo apostolo e, depois, por meio dele a todas as pessoas que encontro no caminho.

 

15-16: A imagem se transfere ao campo cultural dos sacrifícios, que iam acompanhados de incensos e defumadoras e “aroma que aplaca” (Ex 30, 34; Lv 2, 1-2. 15-16; 16,12;  Nm  15 e 28). O aroma da pregação evangélica é ambíguo, conforme é recebido: mortífero para uns, vivificante para outros.

 

Perante o Evangelho que Paulo está anunciando, os homens se dividem: alguns decidem pela vida outros pela morte. Por aqueles que – escuta e o acolhem o evangelho torna-se fonte de vida;  por aqueles que o rejeitam torna-se instrumento de condenação e da morte. (cfr Rom 9, 18). Perante a pregação da Palavra de Deus o mundo é obrigado a acolher. O Apostolo participa do conhecimento de Deus e o irradia no universo com a pregação do evangelho.

 

16b-17: Soa como enunciado de um princípio. Ninguém é por si apto para o empreendimento – o apostolo é mediador da “palavra de Deus” que é o Evangelho, é responsável perante Deus e age vinculado ao ministério de Cristo. Não pode ser um comerciante que, negociando com a mensagem, a torna inofensiva, como faziam os falsos profetas (cfr 1 Pd 4, 11).

 

- Nas estradas e nas praças daquele tempo encontravam-se pregadores que vendiam a própria sabedoria em troca de dinheiro. Paulo podia ser confundido com um destes. A estes pregadores mercenários. Paulo joga na cara duas coisas: 1. Vendem a Palavra em troca de dinheiro – exploram cfr 18 P 5, 2. Para isso Paulo decidiu de trabalhar para ganhar o próprio dinheiro. (1 Tess 2, 5) – 2 Eles falsificam o Evangelho; pelo contrário Paulo anuncia o Evangelho.

       a) Com sinceridade

       b) Da parte de Deus

       c) Diante de Deus

       d) Como membros de Cristo

 

SEGUNDA CARTA AOS CORINTIOS CAPÍTULO 7

 




ESTUDO BÍBLICO para CEBs

Pe Paolo Cugini

     2-4: continuação de 6, 13. Os problemas e tensões com os Coríntios parecem resolvidos. Triunfam o consolo e a alegria. Restabeleceu-se um clima de muita confiança, a partir do qual pode olhar serenamente o passado, transfigurado por seus resultados positivos; a chegada de Tito com boas notícias, o efeito saudável da carta severa (cf At 20, 33).

 

  “Não prejudicamos ninguém”: talvez a referência seja 1 Cor 5, 1-13.

  “Não exploramos ninguém”: Paulo talvez faz referencia ao seu trabalho.

 

   v. 3 – cfr 2 Sam 15, 21

  4- Paulo é convencido a ter conseguido restabelecer a amizade com a Igreja de Corinto. Agora lhe é permitido dizer tudo aquilo que sente com franqueza.

 

5-7: Paulo de Troade tinha chegado por Mar na Macedônia. talvez tenha ficado em Felipe, capital da Macedônia, comunidade muito ligada a Paulo.

 

Por fora contendas: os contrastes com as pessoas que a criticavam. 

Por dentro temores: temores causados pelo andamento crítico de algumas comunidades.

 

6: Deus consola e levanta os aflitos (Sl 119, 50; Is 69, 13).

 

7: A saudade dos Coríntios, expressava o desejo de rever Paulo. Paulo não tem o menor receio de mostrar a sua humanidade simples. Ele contém os próprios sentimentos, as próprias tribulações. A plena comunhão com os homens, o consola. Nos dons que ele recebe pelos homens, Paulo experimenta as dádivas de Deus. E ele fica feliz de pertencer aos aflitos que Deus levanta. Paulo é todo o contrário dos estáticos.  

 

8-16: Efeito positivo da carta severa. Predominam no parágrafo as palavras: tristeza, entristecer”, repetidas oito vezes, contrastadas com “alegria e consolo”: temas da carta. Aproveita o caso particular para propor um princípio tradicional e de amplo alcance: a diferença entre tristeza segundo Deus e segundo o mundo. A primeira produz vantagem, a segunda nasce de uma perda e a consuma. Na literatura profética e sapiencial encontramos muitos precedentes desse princípio. Às vezes a desgraça é prova do inocente (Jó), outras vezes é castigo do culpado (Jó 33). Às vezes o sofrimento descobre e denuncia um pecado; outras vezes a denúncia produz sofrimento.

 

Nesse parágrafo, Paulo renuncia à reserva (5, 13) e se acusa sem desculpas.

 

10: existe uma tristeza segundo Deus e uma outra segundo o mundo.

A verdadeira conversão leva a salvação e a vida. A tristeza segundo Deus rende o homem consciente que o mundo, mergulhado no pecado, é perdido e leva o homem ao arrependimento. A tristeza própria do mundo afastado de Deus, paralisa o homem endurecendo-o na culpa. Tal tristeza do mundo é aquela do homem que reconhece impossível realizar os próprios desejos e objetivos terrenos, ficando escravo deles experimentando a própria ruína.

 

11: Os benefícios da tristeza segundo Deus são apresentados com uma lista de sete futuros. O justo reconhecimento e a justa avaliação das causas exprimiram-se também na vontade de realizar a punição.

 

12: Paulo lembra que escreveu aquela carta não para satisfazer um próprio desejo. Quando for necessário, também a severidade do apostolo pode constituir um serviço pela comunidade. A justiça deve ser satisfeita, só que depois deve intervir o perdão. A comunidade deve ser levada ao arrependimento e ao perdão.

 

13: Fica bem clara a humanidade e a sensibilidade fraterna de Paulo, que sente a alegria e a consolação alheia como consolação própria.

 

14: Paulo apesar das dificuldades, sabe sempre dirigir uma palavra boa para os outros. Neste caso fica patente que Paulo falou a verdade em todas as circunstâncias e que é digna de confiança. Isso é para responder aqueles que estavam desconfiando dele (1, 17; 4, 2).

 

15-16: Paulo não esquece o ministério e o poder apostólico; aliás é justo que o acolha em temor e tremor. Trata-se não do medo, mas do temor e de obediência perante o ofício, no qual é Deus que age na comunidade. (5, 19 s).

 

No final Paulo agora sabe que poderá contar com esta comunidade.

 

 

SEGUNDA CARTA AOS CORINTIOS CAPÍTULO 6

 



ESTUDO BÍBLICO para CEBs

Pe Paolo Cugini

 

1-2 liga-se com o que precede. O perdão, que renove o pecado, completa-se com a graça, que é uma nova situação favorável. Chegou o dia do grande jubileu do perdão de dívidas (Lv 25; Dt 15, 1-11; Is 61,1). É preciso aproveitá-lo beneficiando-se dele. O texto bíblico (Is 49,8) é tirado do segundo cântico do servo: contém uma mensagem de reconciliação e um anúncio de repatriação: isso se cumpre plenamente na obra de Cristo. O segundo êxodo aponta para o terceiro e definitivo.

Não receber em vão a graça de Deus: pode acontecer de acolher a graça de Deus só exteriormente e ela não vai brotar nenhum fruto. Estas palavras duras visam alertar contra as falsas seguranças.  

Em vão- grego- eis kenon- ? – É preciso avaliar a própria caminhada para que se percebermos que na nossa vida não está saindo nenhum fruto é preciso restabelecer uma nova caminhada de conversão para com Cristo.

Vede, este é o tempo favorável- Kairós: Paulo, nas palavras do profeta Isaías percebe que Deus está dando através de Cristo , uma possibilidade aos homens para se converter, uma possibilidade que não voltará (cf Hb 4) [Fazer uma pesquisa sobre a palavra Kairós]

 

Pobreza e riqueza do ministério [6,3-10]

3-4: Paulo sabe que tendo aquilo que de negativo é falado sobre o Apóstolo vai ter uma repercussão sobre o seu ministério. Paulo então, se esforça de evitar qualquer escândalo.

Paulo recusa-se de recomendar a si mesmo com palavras (3,1; 5,12; 10,12).

Ele quer mostrar aqui a própria conduta.

Os apóstolos são ministros de Deus – diakonia- Jesus nas parábolas apresenta várias vezes como servo fiel de Deus (Mt 20,1-16; Mt 24,45-51).

O serviço é o comportamento do discípulo (Mc 10,43)- Além disso Paulo é ministro de Deus como apóstolo (cf. Col 1,23; 2Cor 1,1). Como Apóstolo, ele é de tal forma ao serviço do Senhor que não consegue mais dispor de si mesmo. Servo- aponta também ao despojamento de si mesmo que faz parte do ministério apostólico, que o coloca a total serviço de Deus. As fadigas e os sofrimentos, são uma conseqüência.

Paciência: ficar debaixo- indica a resistência e a perseverança, na espera confiante da intervenção de Deus e da salvação final.

Tribulações (angústias): fazem parte da vida cristã no mundo (Lc 8,15; 21,19); são participações à paixão de Cristo, que sofre nos seus membros (4,10ss). Estas tribulações e angústias são a marca do tempo presente como tempo escatológico (cf. Mt 24,21; Ap 1,9; Rm 8, 14).

v.5: lista de sofrimentos que se encontram no ministério apostólico.

Açoites: nas praças, nas sinagogas.

Prisões: várias vezes Paulo ficou preso At16, 23;  23,35; 28,16; Ef 3,1; Fil 1,7; Col 4,18)

Motivos: At 13,50; 14,18; 16,19; 19, 28

Fadigas: são aquelas de trabalho apostólico em todas as comunidades que se tornam difícil para com aquelas caminhadas rebeldes.

Vigílias: Paulo passou mais de uma noite sem dormir na prisão (At 16, 25); as vezes exercia o ministério da noite (At 20, 31). Talvez de dia trabalhava como artesão pra ganhar o pão e então podia fazer o trabalho apostólico só de noite (1 Cor 4, 11; 1 Ts 2, 8).

Jejum: privações de alimentos na prisão, no trabalho e por conseqüência da pobreza.

 

6-7 Agora Paulo fala das virtudes e dos dons espirituais que alcançam no ministério.

Pureza: integridade – santidade de vida em sentido geral.

Conhecimento: gnosei – só aquele que tem o Espírito pode ter conhecimento (cf 1 Cor 14, 6); é a tarefa do Apostolo difundir o conhecimento (2, 14).

Benevolência e bondade: é o instrumento do ministério para ganhar os homens a Cristo.

Caridade sem fingir: só esta caridade autêntica fica para sempre.

Palavra de verdade: pode apontar aquela palavra firme e sincera que Paulo sempre usou; mas também pode apontar ao Evangelho que é verdade e comunica a verdade (cf Ef 1, 13; Col 1, 5; 2 Tm 2, 16).

Força de Deus: Deinomis Then

8-10 – A linguagem de Paulo alcança uma grande eficácia pelo fato que as expressões são ligadas de duas em duas, colocadas a antítese e, no mesmo tempo unidas. Os homens julgaram os apóstolos de uma forma ou de outra forma. Mas este julgamento não consegue prender Paulo, na sua caminhada.

Paulo nos ensina a aprender a caminhar nas contradições da vida e passar em frente com os olhos sempre fitos no Senhor Jesus.

 

- Perante o mundo os apóstolos são considerados impostores. Mas no julgamento da própria consciência os apóstolos são autênticos: os apóstolos de fato são os servos da verdade.

Conhecidos: eles não são conhecidos como os grandes do mundo, mas na verdade eles são bem conhecidos pelas pessoas da Igreja que buscam a verdade.

Castigo – cfr Sal 118, 7; 1 Cor 11, 32).

- Dificuldades e tribulações geram aflições. Mas apesar de serem tribulados, os apóstolos estão sempre cheios de alegria pela esperança da salvação futura.

 

•           Os apóstolos são pobres de bens exteriores, mas tem uma grande riqueza interior. A riqueza deles é também a promessa da vida eterna (Mt 16, 25) (Lc 6, 23) (Ap 2, 9). Atingindo da própria riqueza os apóstolos esbanjam consolação para com todos.

Schocheb vv. 8-10 – paradoxos. São 7 e aparecem derivados do mistério Pascal com algo do Espírito das bem-aventuranças. O que os homens julgam desprezível é o valor autêntico. (cf Sl 118, 18).

- Morrendo, ou seja, em perigo constante de morte, por causas humanas ou materiais. Mas vivos de uma vida superior (Lc 6, 20-21).

11-13: Das considerações gerais sobre o apostolado passa à relação concreta com os Corintios. Pessoa o tema do consolo (1, 3-7) e da alegria partilhada (2, 1-4).

A “largueza” não é aqui intelectual, como a de Salomão (1 Rs 5, 9), mas cordial, de afeto e compreensão, a qual os Coríntios devem corresponder, “dilatando” sua mesquinhez estreiteza (cf Is 49, 19-20; 54, 2-3) o texto interrompe bruscamente e continua com perfeita coerência em 7, 2-4.

12 – os Coríntios tem um grande espaço no coração de Paulo, mas eles concedem para Paulo só um lugarzinho. Aquilo que aperta o coração dos Coríntios é a desconfiança e o prestar ouvido as fofocas.

13 – Através da pregação o apostolo é pai da comunidade.

6, 14 – 7,1: É uma exortação breve e veemente para distanciar-se do mundo pagão.

5 preposições interrogativas (?), sublinham que é impossível fazer causa comum com os infiéis.

Justiça e injustiça: na origem esta é a antítese entre judaísmo e paganismo.

O Judeu busca a justiça perante Deus, na observância da lei. O pagão, e o homem sem lei: para o cristão a justiça é um dom gratuito de Deus, que ele deve realizar na vida.

Treva e luz: luz: é o reino de Deus (Lc 16, 8) o reino de Cristo (Ef 5, 14); as trevas são o reino de satanás (Lc 22, 53). (cfr – Jo 1, 5; 3, 19; 12,35) – sentido moral – Ef 5, 8; Rom 13, 12; 1 Jo 2, 9.

 

Cristo e Belchior: Ninguém pode servir ao mesmo tempo a Deus e ao Satanás (Mt 6, 24).

Templo de Deus e ídolos: no A.To maior pavor era colocar os ídolos no Templo (2 Reis 21, 7; 23; Dn 9, 27). Os deuses pagãos são mortos – (1 Ts 1, 9).

16b -19: As citações provêm da lei e dos profetas. A primeira é tirada das bênçãos do Levítico (Lv 26, 12). A segunda de Is (52, 11), convidando os desterrados sair da Babilônia num novo êxodo. A terceira vem da promessa dinástica de Deus (2 Sam 7, 14), que agora se estende a todos os cristãos; a especificação “filhos e filhas”  van de Is 43, 6.

- Paulo confirma e respalda as afirmações para ele mesmo feitas através de algumas citações do A. T.

17        Como povo santo de Deus, os cristãos não podem contaminar-se com os pagãos (Is 52, 11). Purificando no meio dos pagãos, deixem sair do mundo, separar-se dos vícios pagãos.

18        Deus é o Pai bondoso e todos são filhos e filhas de Deus. Isso mesmo é o Evangelho de Jesus: Deus é o Pai dos seus filhos. (Rom 8, 15; gal. 4, 63).

SEGUNDA CARTA AOS CORINTIOS CAPITULO 5



ESTUDO BÍBLICO para CEBs

 

Pe Paolo Cugini

 

 

 1-2: a vida em tendas recorda aos israelitas a vida patriarcal e a caminhada pelo deserto (encenada na festa das Tendas). A imagem se aplica ainda ao individuo (Is 38, 12; Jo 4, 19-21). O oposto são as casas que eles encontraram já construídas na terra prometida (Dt 6, 11; Is 24,13) – a casa celeste, sendo construída por Deus, é perspectiva.

 

3-4: Os judeus consideravam a nudez ofensiva, recordação permanente do pecado (Nóe, Gen 9,18ss; 2Sm 10,4; Is 20). Nu aqui equivale a morte. Por isso, o “nu” se veste, o vestido “vive” se reveste.

“Absorvido” corresponde talvez ao hebraico bl’ que significa também aniquilar (Is 25, 8 “aniquila a morte”).

 

5-8: Perante a alternativa de medo e esperança adiante ao destino de morte, Paulo responde com a certeza da fé. Deus criou o homem para viver. A garantia (?) que Deus completará a obra iniciada está no dom do Espírito. O espírito espiritualiza o corpo e a natureza do homem.

 

Talvez seja lembrança do exílio babilônico, com saudades de Sião (Sl13,7), experiência histórica exemplar (Hb 11, 13) e experiência individual dolorosa (Sl 120,5).

 

7: Aqui na terra ser com Cristo é sempre um caminhar na fé. Se na missão estamos claramente com o Senhor.

 

8:  O apóstolo e o cristão, desejam sair do corpo e morar com o Senhor. A comunhão com o Senhor  ficará também na morte e além da morte, e então é superado qualquer temor da morte. É a confiança que Paulo tenta infundir aos Tessalonicenses (1Tes4,17ss).

 

9-10: A esperança cristã não é uma fantasia. O esforço terreno deve ser aquele de agradar o Senhor.

No juízo o homem receberá a recompensa segundo o bem e o mal que fizera.

 

11: O temor de Deus é o fundamento do ministério de Paulo. Por isso, ele se esforça de conduzir os homens a Deus através da preparação.

 

12: A Igreja de Corinto deveria ser orgulhosa de Paulo.

 

14-15: Pela morte de Cristo morremos ao pecado e ao egoísmo. Vivendo para Ele, saímos do fechamento e vivemos da verdade: Cristo morto e ressuscitado por nós (por amor) nos oferece sua transcendência (anti-egoísmo) salvadora (cfr, Rom14,7-5). Sendo que Cristo morreu para todos e no lugar de todos, todos morreram. Cristo, na cruz, representa a humanidade toda, de maneira que a morte de Cristo é, no mesmo tempo, a morte de toa humanidade. Em Cristo a condenação de Deus foi pronunciada sobre todos, pois todos foram pecadores e na morte de Cristo a sentença foi executada em todos (cfr. Sentido de batismo em Paulo). Todos agora podem dizer: Eu sou crucificado com Cristo (Gal 2,13).   

 

15 – Cristo ressuscitou da morte – a comunhão com ele na morte produz o caminho com Ele na vida. Sendo ressuscitado Cristo, também nós vivemos com Ele e nele. (Rom 6, 8). Aquele que se encontram numa nova vida, não podem mais viver pra si mesmos, mas devem ser com toda a vida a serviço daquele que para eles morreu e ressuscitou. (cf Rom 14, 7).

 

16 Carne – transitoriedade tirana e mundana.

 

Ter conhecido Cristo na carne não tem valor nenhum. Aquilo que vale é pertencer ao Cristo glorificado que opera na Igreja.

 

17 – A Igreja é minha nova criação; o cristão é o homem novo.

 

A nova criação é real apesar de ser escondida com Cristo em Deus (cfr Col 3, 4s). Pela fé esta é a certa. Um dia quando Cristo será manifestado também esta nova criação será manifestada. Até aquele dia a nova vida.

 

É um empenho que deve ser realizado cotidianamente (cf Rom 6,4) – cf Ap 21, 5 – o renovamento do mundo na salvação não é só um evento realizado uma vez no passado: isso é atualidade sempre presente. Deus é aquele que sempre vence o passado através do perdão e da nova criação (cf 1 Jo 3, 20).

 

Esta nova criação não é obra do homem, mas vem de Deus, que é o criador. A nova criação tem o seu fundamento mais profundo no fato que o relacionamento de Deus para com os homens agora se tornam um outro. O pecado, que até agora se colocava no meio entre os dois, agora foi tirado. Deus mesmo o tirou, criando uma condição de paz. Esta obra de salvação é a reconciliação.

 

Deus cria um novo relacionamento entre si e o mundo quando justifica o pecador. (Rom 3, 26) – Deus, que realizou a reconciliação e a paz, fundou na Igreja o ministério da reconciliação.

 

19: Em Cristo Deus manifestou-se ao mundo. Manifestou-se como o Deus Santo o justo, exigindo a expiação para o pecado, expiação que lhe foi ofertada do Filho sobre a cruz. Mas Deus se manifestou também como o Deus misericordioso perdoando e acolhendo o homem. (cf Col 1, 20; Jo 3, 16; 1 Jo 2,2).

 

20: O ministério da reconciliação foi entregue a Igreja.

 

21: Paulo explica o porquê da reconciliação entre Deus e o mundo agora é agora possível e porque os homens podem ser considerados justos perante Deus. Cristo na cruz foi feito pecado e deste modo fomos justificados perante Deus. (cf gal. 3, 13; Dt 21,13)

 

Aconteceu uma troca – cf Rom 3, 22-26

 

Cristo mesmo interpretou assim o seu ministério (Mc 10, 45).