sabato 31 gennaio 2026

IV DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

 




 

Sof 2,3; 3, 12-13; Sal 145; 1 Cor 1, 26-31; Mt 5,1-12

 

Paolo Cugini

 

Buscamos o Senhor, mas temos dificuldade em vê-lo. Gostaríamos de segui-lo mais de perto, mas, assim que nos aproximamos, suas palavras parecem estranhas, duras demais. A proposta de Jesus para aqueles que vivem em um mundo de abundância, incitados diariamente a acumular bens, a buscar uma vida confortável, parece verdadeiramente escandalosa, distante demais de nossos modos de sentir e pensar. E assim, nos refugiamos em devoções, em rituais formais, na obediência a preceitos, para que possamos nos considerar seguros, religiosos que merecem o céu pelo que fazem. Isso é o oposto do Evangelho, que ninguém pode presumir merecer, pois só podemos aceitá-lo livremente. Quando isso acontece, iniciam-se caminhos de encarnação, jornadas em que a fé nos leva a viver de uma nova maneira, menos preocupados conosco e com nossos sucessos e mais atentos aos que nos rodeiam. Em última análise, a conversão à proposta de Jesus foi muito bem resumida por Paulo: deixar de viver para nós mesmos e aprender a viver para Deus e para os outros, especialmente os mais necessitados. Este é o significado da relação entre fé e vida, o sagrado e o profano. A fé autêntica em Jesus é aquela que, após acolher o Seu amor, sente o desejo de compartilhá-lo, de fazer escolhas coerentes com o Evangelho que ouvimos. Quando esse processo de renovação interior acontece, deixamos de buscar o culto para nos sentirmos religiosos e bons, e passamos a buscar o reino de Deus, colaborando na comunidade para construir um mundo de justiça, paz e partilha.

Busquem o Senhor, todos vocês, pobres da terra, que cumprem os seus mandamentos; busquem a justiça, busquem a humildade; talvez encontrem refúgio no dia da ira do Senhor. "Deixarei no meio de vocês um povo humilde e submisso" (Sofonias 2:3). 

Há situações que somos convidados a criar se quisermos perceber a presença do Senhor, o seu amor, o seu caminho. Podemos mudar os contextos; podemos escolher. Parece-me que este é o significado da profecia de Sofonias. Há um povo humilde e pobre com quem o Senhor se identifica: cabe a nós decidir quais escolhas faremos para pertencer a esse povo. Essas palavras estão em consonância com o que temos ouvido nos últimos domingos. Há um estilo evangélico feito de sobriedade, simplicidade e essencialidade que é o solo privilegiado para a Palavra de Deus crescer em nós e dar frutos. Se, portanto, desejamos trilhar os caminhos que o Senhor traçou, torna-se importante pensar, refletir, compreender e orar: o que devemos fazer, Senhor, para garantir que pertencemos ao povo humilde e pobre que o Senhor está preparando? Devemos parar de pensar em nossas vidas em termos da busca pelo sucesso, pela segurança material, o que só nos coloca em situações de conflito, tornando-nos cúmplices do mundo de desigualdade tão evidente no Ocidente. O Salmo 145, proposto na liturgia de hoje, confirma o que foi dito acima. Ele é um Deus que está sempre e exclusivamente ao lado dos pobres, dos famintos; está ao lado dos oprimidos, dos que estão em dificuldade, como as viúvas e os estrangeiros. Esta é a justiça de Deus, que não permanece em silêncio diante da injustiça, mas intervém, participa; em suma, toma partido.

“ Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus… Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra ” (Mt 5,3-3).

Uma bela passagem que se torna um bálsamo para todos aqueles que vivenciam a injustiça e a exclusão em primeira mão. Hoje, Jesus diz: Bem-aventurados sois vós que sois oprimidos. Se o mundo vos trata mal, Deus vos consola e está ao vosso lado: podeis contar com Ele. Se sois tão desprovidos de tudo que nem sequer tendes um pedaço de terra para cultivar o sustento da vossa família, e se os ricos e arrogantes tomam tudo, bem, Deus vos dará a terra como herança. Estas são imagens poderosas, e ao mesmo tempo muito belas, que tocam profundamente o coração dos pobres e despossuídos ao longo da história. Esta passagem, porém, também tem algo a nos dizer, pois revela o caminho que devemos seguir e o significado da ação do Espírito Santo em nossas vidas. Leiamos atentamente o texto; de fato, os versículos delineiam as características da humanidade de Jesus: manso, humilde, pacificador, justo e misericordioso. Para todos os que o acolhem, o Espírito Santo reproduz em nós os traços dessa extraordinária humanidade, tornando-nos colaboradores na ação criadora de Deus, que é delicada, não impositiva, mas paciente.

Considerem a vocação de vocês, irmãos: não foram muitos os sábios segundo os padrões humanos, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres (1 Coríntios 1:26). É exatamente isso que Paulo entende. A participação na construção do Reino de Deus não depende de dons particulares ou qualificações específicas, porque é Deus quem opera em todos os que estão disponíveis; é Deus quem transforma o insensato em sábio, o fraco em forte, o nada em uma nova possibilidade de vida. Todos somos chamados a empreender essa jornada: ninguém está excluído. Diante de Deus, todos temos a oportunidade de humanizar nossa existência. Nossa resposta significa uma disposição para nos deixarmos transformar por Ele.

 

sabato 24 gennaio 2026

III DOMINGO DO TEMPO COMUM A

 



 

 

(Isaías 8,23b - 9,3; Salmo 26; 1 Coríntios 1,10-13, 17; Mateus 4,12-23)

Paolo Cugini

Estamos sempre em uma jornada, buscando compreender o Mistério. Há um caminho a ser percorrido, que nos esforçamos para alcançar. O contexto cultural certamente não facilita essa jornada. Somos constantemente pressionados por mensagens que nos levam a valorizar as aparências e, dessa forma, negligenciamos a jornada interior, o cuidado com a nossa consciência. Seria interessante compreender se existe um caminho, um ponto de partida privilegiado, a partir do qual possamos compreender o Mistério que Jesus revelou e que torna possível segui-lo.

Ele retirou-se para a Galileia, deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, à beira-mar, no território de Zebulom e Naftali (Mt 4:12).

Devemos começar pela Galileia. Este é o ponto de partida privilegiado, que abre a mente para o mistério. Enquanto a Judeia possui uma linhagem nobre — o nome, aliás, deriva de Judá, um dos patriarcas —, a Galileia não tem nada de nobre: ​​muito pelo contrário. Os historiadores nos contam que era uma terra habitada por pessoas pobres e violentas, malvistas pelos outros. Foi este lugar que Jesus escolheu para iniciar sua jornada e chamar seus primeiros discípulos. A escolha não é acidental. É possível compreender o Mistério que se manifestou em Jesus escolhendo o ponto de partida correto. A Galileia, indo além da metáfora, indica que, para termos a chance de compreender o Mistério, devemos nos colocar em posição de acolher e, consequentemente, buscar a pobreza evangélica. Habitar na Galileia, habitar na simplicidade evangélica para seguir o Mestre no êxodo rumo à plenitude da vida. Despojar-nos de tudo para nos deixarmos revestir por Ele.

Galileia dos gentios! O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e aos que viviam na região e sombra da morte, resplandeceu a luz.

Para ajudar os leitores a compreenderem o significado do caminho que devem trilhar, o evangelista Mateus cita uma passagem de Isaías, capítulo 8, que fala do contraste entre a luz e as trevas. Que trevas são essas? Trata-se de uma imagem simbólica da religião do templo, estabelecida na época do retorno do povo do exílio na Babilônia e reconstruída em torno do Segundo Templo. É uma religião que medeia a relação com Deus por meio de uma série de preceitos e prescrições, com sacrifícios cultuais que se concentram não em Deus, mas na classe sacerdotal. As trevas consistem na escravidão causada por essa relação doentia com Deus, que mantém homens e mulheres em um estado infantil, sujeitos a uma imensa lista de decretos e prescrições impossíveis de observar e que, consequentemente, criam sentimentos de culpa e uma vida de escravidão. Em meio a essas trevas, Jesus traz a luz do Evangelho, um caminho de libertação da religião dos preceitos, para estabelecer uma nova relação com Deus que, a partir de agora, não é mais um tirano, mas um Pai.

Arrependam-se, pois o reino dos céus está próximo . Entrar no espaço da nova humanidade de amor e justiça trazida por Jesus exige uma jornada de conversão, uma mudança de mentalidade. É o novo Êxodo proposto por Jesus, o novo Moisés. Por isso, o texto diz que Jesus foi a Nazaré à beira-mar : é uma indicação simbólica, referindo-se ao Mar Vermelho, que marcou o momento da passagem do povo de Israel do Egito para Jerusalém, da escravidão para a libertação. Não é, portanto, uma jornada fácil, porque, como Jesus sempre nos lembra, o seu vinho novo do Evangelho não pode ser contido nos odres velhos da religião do templo. O caminho da liberdade proposto por Jesus exige pessoas dispostas a abandonar a velha mentalidade e adotar uma nova. O chamado dos primeiros discípulos que ouvimos na passagem do Evangelho de hoje tem este significado: chamados a entrar no espaço dominado pelo amor do Senhor, pela sua justiça e misericórdia.

Eu vos exorto, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, a que todos estejais de acordo e que não haja divisões entre vós; antes, sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer (1 Coríntios 1:10).

O caminho que Jesus propõe não é individual, mas comunitário. É em comunidade, aliás, que aprendemos a amar uns aos outros, que experimentamos o dom do perdão e da misericórdia. É também em comunidade que compreendemos que Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34) e que nos acompanha de forma acolhedora e inclusiva, como era a proposta específica de Jesus. Seguir Jesus significa, nesta perspectiva, estar disposto a abandonar a mentalidade individualista do mérito, a entrar na lógica da comunhão e da partilha. O amor gratuito do Senhor só pode ser acolhido; não exige sacrifícios especiais nem pequenos gestos a serem conquistados. Acolher o amor gratuito do Senhor gera comunidades acolhedoras e altruístas, dispostas a servir umas às outras, prontas a qualquer momento para curar as divisões que o egoísmo humano pode causar. Como o próprio Jesus dirá no contexto da Última Ceia narrada por João (João 13:34-35), a comunhão, o amor mútuo, é o sinal visível da presença do Senhor Jesus, a identidade da comunidade que se encontra no nome do Senhor. Respondamos, então, positivamente ao seu chamado para segui-lo, prontos a acolher o seu amor gratuito, para construir com ele essa nova humanidade que revela ao mundo o amor infinito do Pai. 

 

mercoledì 14 gennaio 2026

O Mistério reside no silêncio

 


 

Paolo Cugini

 

De madrugada, quando ainda estava escuro, ele saiu e retirou-se para um lugar deserto, e ali orou (Mc 1,35).

 

De onde vinha a força que animava o coração de Jesus? Que fonte secreta alimentava sua serenidade luminosa, sua clareaza nos momentos decisivos, seu jeito gentil de se aproximar das almas perdidas? Havia uma essência, um sopro profundo que o distinguia dos homens: seu estilo era a meditação, uma oração cultivada em lugaraes ocultos, protegida do olhar e do ruído do mundo.

Jesus cuidava de sua alma em silêncio, e foi precisamente ali que o Mistério encontrou sua morada dentro dele, irradiando como uma luz sutil sobre todos que cruzavam seu olhar. Imerso no silêncio, ele se redescobriu, permitindo que os acontecimentos se desenrolassem sem o dominar: o silêncio tornou-se, assim, sua rocha e seu refúgio.

O mistério nasce e se manifesta no silêncio: como o orvalho que cai silenciosamente ao amanhecer, assim a paz se instala naqueles que a buscam nas profundezas. Somente aqueles que ousam parar, aqueles que mergulham no silêncio, podem ouvir a voz que fala à alma, perceber a profundidade da palavra e aguçar o olhar que enxerga além das aparências.

Por isso Jesus escolheu a primeira luz da manhã: antecipou o dia, afastou a escuridão que se insinua em nossos pensamentos e corações. Abandonar a preguiça, lutar resolutamente para levantar antes do amanhecer, é a marca de uma alma que anseia pela luz; adiar o despertar, por outro lado, é sintoma de uma noite prolongada, de sombras que ainda pesam sobre nossos ossos e alma, mantendo-nos acordados e oprimindo nossos corações. Não devemos brincar com a escuridão que nos envolve na noite. Devemos lutar com todas as nossas forças para impedir que ela invada nossos sonhos. Talvez seja por isso que Jesus se dedicava à oração na noite anterior ao sono?

Levanta-te e resplandece! parece sussurrar o Mistério. Só aqueles que mergulham no silêncio ao amanhecer aprendem a proferir palavras que exalam sabedoria; só aqueles que escutam o eco do Mistério podem viver em sua profundidade. É preciso habitar o silêncio para aprender a olhar para o futuro, para não se deixar seduzir pela superficialidade das coisas; devemos fugir do caos, buscando a solidão como quem procura um tesouro escondido.

Esta é uma das maiores tarefas da vida adulta: tornar-se guardião do próprio silêncio interior. Só assim poderemos, como Jesus, ser portadores de uma força silenciosa que não se deixa corroer facilmente pelas tempestades do mundo. A verdade reside no silêncio, e aqueles que souberem escutar o silêncio tornar-se-ão eles próprios uma voz de paz.

 

venerdì 9 gennaio 2026

O mistério não está escondido no céu

 



 

Paolo Cugini

 

 

Assim fala a Voz que atravessa os séculos: não ergam os olhos para o céu em busca do Mistério, pois ele não se esconde entre nuvens inalcançáveis ​​nem se espreita por trás de distâncias abstratas. O Mistério reside nas mãos que se estendem, nos olhares que se cruzam, nos passos que se dão um em direção ao outro sem expectativa. Como o orvalho que cai silenciosamente sobre a terra, assim o Mistério toma forma em gestos simples, no amor que se concretiza entre irmãs e irmãos.

Escutem, então, ó vós que buscais: não são velas acesas, nem palavras repetidas que abrem a porta para o Mistério, mas a capacidade de sair de si mesmo, de acolher aquele que está ao seu lado. Quando vocês deixam seus corações se abrirem sem reservas, então o Mistério se revela, não como um enigma a ser decifrado, mas como uma presença que habita e transforma. Não se afastem: o sagrado os toca todos os dias, na trama sutil dos relacionamentos verdadeiros. Sejam, então, terreno fértil, e o Mistério florescerá e permanecerá dentro de vocês, como uma luz que não conhece o fim.

Falo convosco do âmago pulsante da matéria, não de nuvens evanescentes ou esferas de outro mundo. O Mistério que buscais não está oculto num céu para além do pó e do suor, mas revela-se na carne viva das relações diárias, no toque humilde de mãos estendidas, em olhares que se cruzam sem pretensão. Despertai do sonho ilusório: chega de templos de velas bruxuleantes, chega de orações que lançam os vossos fardos em asas de fumo rumo ao infinito. O véu rasgou-se! Jesus, o Profeta dos profetas, rasgou-o com os seus gestos de amizade, com banquetes partilhados, com o seu acolhimento dos marginalizados. Na sua forma livre, altruísta e humilde de se relacionar, o Mistério fez-se carne, sentou-se à vossa mesa.

O amor mútuo é a porta escancarada para o Mistério. Quando vocês se amam, o Mistério não se manifesta como um lampejo fugaz, mas como uma chama que habita em vocês, que perdura e transforma. Ele floresce quando vocês se desprendem de si mesmos, na jornada em direção ao Outro, ao próximo, ao desconhecido à sua porta. Livremente! Sem cálculos egoístas! Com a humildade da semente que brota na terra. O Outro é o seu templo vivo, a própria condição da sua revelação interior. Nele, nela, o Mistério se instala, porque o amor é o Seu trono invisível.

Esta é a mudança da nova era: do céu para a terra! Não busque o sagrado em estrelas distantes; ele caminha ao seu lado, em seu colega de trabalho, em sua irmã na estrada, em seu irmão ferido. Segunda mudança: da intimidade egoísta, esse refúgio de orações solitárias e projeções vãs, para o relacionamento puro e desinteressado que tece a trama do Reino. Basta de ilusões de mundos infinitos! Cuidado onde pisa, ou você cairá na cegueira do seu ego inflado.

O Mistério não espera pela prostração; ele te chama à ação. Invista nas qualidades dos seus relacionamentos: perdão diário, escuta profunda, serviço incondicional. Abandone as orações que se dissipam como fumaça; faça do seu amor a canção eterna. Assim, o Reino virá não de cima, mas daqui, do seu sim concreto ao Outro. Quem tem ouvidos, que ouça! Quem tem coração, que se manifeste e ame. O Mistério já está entre vocês; revelem-no, ó terras sedentas!

 

mercoledì 7 gennaio 2026

O MISTÉRIO: A ORIGEM DE TUDO

 



Paulo Cugini

 

Filhinhos, vocês são de Deus e já os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo (1 João 4:1).  

Há perguntas que não dão trégua à alma humana, angústias que atravessam gerações como o vento que agita os galhos: "De onde viemos? Qual o sentido da nossa existência?" Essas perguntas são apenas aparentemente simples, pois carregam em si a nostalgia de uma origem perdida, o profundo desejo de retornar ao lar. Todo homem, pelo menos uma vez, se vê contemplando além dos limites do visível, percebendo que a própria vida é uma questão em aberto, um convite a ousar ir além do horizonte do já conhecido.

O mistério, essa presença esquiva que sustenta tudo, revela-se como a fonte universal da qual todo ser extrai a vida. Vivemos imersos em sua essência, como peixes no oceano, muitas vezes alheios à vastidão que nos cerca. Todo o cosmos, com sua harmonia e complexidade, nos fala de uma relação profunda e íntima entre a criatura e sua origem, entre o sopro do universo e o de nossa alma. O mistério não é um enigma a ser decifrado, mas um abraço acolhedor; é a raiz silenciosa que alimenta nossa sede de significado.

Ter consciência de que viemos do Mistério significa reconhecer nossa origem como uma dádiva e um acontecimento. Contudo, na sociedade contemporânea, prevalece uma espécie de ignorância generalizada: vivemos como se tudo fosse fruto do acaso ou do nosso próprio esforço. Esquecemos que a existência emana de uma fonte mais profunda, que nos precede e nos acompanha. Somente aqueles que se deixam questionar pelo Mistério podem descobrir sua verdadeira identidade e não se contentar com as máscaras que o mundo oferece.

Eis a nobre tarefa dos educadores: guiar as vidas jovens ao encontro do Mistério que as habita. Educar não significa preencher recipientes vazios, mas despertar nos outros a questão do que realmente importa. Somente aqueles que vivenciaram suas próprias origens podem acompanhar outros até o ápice dessa descoberta. O educador é, portanto, uma testemunha do Mistério, um viajante que convida os jovens a embarcarem na jornada, a serem guiados pela luz discreta, porém poderosa, que surge no horizonte do ser.

Em contato vivo com o Mistério, o egoísmo se dissolve como névoa ao sol. Surgem o chamado à comunhão e o desejo de colaboração: a consciência de que o eu encontra plenitude somente no encontro com o outro. O Mistério, de fato, não isola, mas une; não fecha, mas se abre à doação mútua. É na redescoberta da unidade com tudo o que existe que o homem cura as feridas do individualismo e responde ao seu chamado mais profundo.

Esta é a tarefa que nos aguarda: retornar às nossas origens, deixar-nos moldar pelo Mistério, despertar em nós e nos outros a vocação à comunhão e à colaboração. Só assim, como sementes que criam raízes em solo fértil, seremos capazes de florescer numa nova humanidade, capaz de forjar relações autênticas e salvaguardar o Mistério que nos precede e nos aguarda.