venerdì 5 luglio 2019

EVANGELHO DE LUCAS CAPITULO 22





Estudo Bíblico para CEBs

Paolo Cugini

1-13. A traição é sempre um movimento do satanás e o dinheiro e o seu instrumento.

14-23. Jesus realiza um jantar antes de morrer. Não é, porém, um jantar qualquer. Jesus escolheu o jantar da Páscoa hebraica, carregando de sentidos os gestos que realizou naquela noite. Dizendo: “Este é o meu corpo que é dado por vocês e este é o meu sangue derramado por vocês” Jesus está expressando o sentido da sua mesma vida, que deveria ser também o sentido da vida de cada discípulo: uma vida doada para os outros. Para podermos viver de amor e amando de verdade os outros, precisamos nos alimentarmos continuamente de Cristo.
24-27. A discussão dos discípulo sobre quem seria o maior deles revela que, apesar de tudo, ainda não tinham entendido a mensagem do mestre. A resposta de Jesus explica que quem se decide a seguir Jesus entra num estilo de vida diferente, aonde as coisas do mundo, as suas seduções não dizem mais nada. Quem busca Jesus não se importa mais com a gloria e o poder do mundo, mas sim com a gloria de Deus, que se manifesta numa vida de serviço humilde. “Eu estou no meio de vós como aquele que serve”.

28-38. No dialogo de Jesus com os discípulos se percebe toda a preocupação de Jesus com eles. Jesus na oração reza para fortalecer a fé dos discípulos. No conteúdo desta oração se percebe o quanto Jesus conhecia os seus discípulos (v.34). Ao mesmo tempo se percebe o quanto Jesus conhecia a si mesmo, o sentido do seu caminho na história. Jesus foi uma pessoa que viveu intensamente, que respeitava a si mesmo e as pessoas que encontrava.
39-53. São sempre muito lindos os versículos que mostram a oração de Jesus. Antes de morrer Jesus passa um tempo nas hortas das oliveiras para se entregar na oração. A oração para Jesus é dialogo com o Pai. Neste dialogo Jesus coloca as suas preocupações e manifesta a própria disponibilidade para que a vontade do Pai seja realizada. Na oração Jesus é lucido: este é um dato importante. Perante o sofrimento Jesus nos ensina a não fugir, a não buscar soluções de fuga, pois tudo na vida deve ser enfrentado com lucidez. A oração permite a nós mesmos de ficarmos lúcidos até o fim, até os últimos instantes da nossa vida, para não desviarmos do caminho da vida.

Judas com um beijo você trai o Filho do homem?”. É sempre assim e ainda hoje é assim. Muitas vezes traímos as pessoas mais próximas de nós utilizando os gestos típicos da afetividade humana para disfarçar, para esconder a verdade. Na oração aprendemos a discernir os falsos sentimentos dos verdadeiros. O contato constante com a Verdade nos permite de detectar as mentiras. Jesus percebeu imediatamente que aquele beijo não era um beijo comum, mas tinha o sabor da traição.

54-71. A traição de Pedro nos ensina que medimos a nossa fé não quando estamos bem, com saúde e dinheiro no bolso, mas quando passamos por provações, quando o mundo nos pressiona e percebemos que na caminhada somos sozinhos., Pedro não aguentou porque ainda não tinha encontrado Jesus ressuscitado. Nós podemos aguentar porque recebemos o Espirito do Senhor ressuscitado.

Jesus foi condenado a morte por causa da própria identidade: ele era Filho de Deus, Jesus era Deus.

sabato 13 aprile 2019

HOMILIAS DO TRIDUO PASCAL







QUINTA FEIRA SANTA/C
(Ex 12, 1-8.11-14; Sal 115; 1 Cor 11,23-26; Jo 13,1-15)

Paolo Cugini

1. Com a celebração da quinta feira Santa a Igreja entra no tríduo litúrgico chamado tríduo pascal. Nestes três dias somos chamados a refletir sobre o âmago da nossa fé, ou seja, sobre o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Reflexão importante porque também nós, através dos sacramentos da Igreja, fazemos parte deste grande mistério de salvação. Acompanhando a liturgia do tríduo pascal, a Igreja nos permite de regressar na origem da nossa caminhada, para podermos avaliar se a nossa maneira de viver os ritos da fé é conforme ao original, ou seja, á idéia que originou estes ritos. De fato, hoje a Igreja lembra a instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Amanhã lembraremos a morte de Jesus, ou seja, a memória do seu amor infinito que recebemos sacramentalmente através do Espírito Santo. Sábado à noite, na vigília pascal celebraremos o mistério da Ressurreição de Jesus, considerada a noite mais importante, a mãe de todas as vigílias (santo Agostinho). Sabemos que era exatamente nesta noite que, na Igreja primitiva, eram conferidos os sacramentos da iniciação cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia.

2. Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).
Porque Jesus instituiu a Eucaristia? A resposta a encontramos neste versículo do Evangelho de João. Jesus proclamou o Reino de Deus, que é um reino de amor e de paz, vivendo ante de mais nada este amor com os seus discípulos. Nesta maneira, a vivencia antecipava e, de uma certa foram, anunciava a mesma Palavra. O conteúdo central do Evangelho é o amor, ou seja, a possibilidade de viver relacionamentos não ditados dos sentimentos negativos do ódio, inveja, ciúme que estragam as relações entre homens e mulheres, mas relacionamentos novos ditados pela abertura e confiança no outro, pela estima recíproca. Jesus veio anunciar a possibilidade real de uma humanidade nova e foi por isso que morreu. Humanidade nova quer dizer que, o centro da vida não sou mais eu, com os meus interesses particulares, a satisfação do meu egoísmo, mas os irmãos e as irmãs que o Senhor coloca no meu caminho, perto de mim. Isso é já um grande ensinamento que deveria nos levar a rever a nossa maneira de nos aproximarmos aos sacramentos. De fato, a Eucaristia não é tanto o Cristo que entra no meu coração, mas o Cristo que me coloca dentro a vida da Igreja, do Seu corpo místico, a nova humanidade. E é exatamente dentro esta nova humanidade que sou chamado a viver a verdade dos sacramentos que recebi. A vida sacramental é vida nova, é o caminho apontado por Deus em Cristo de sair do egoísmo, da vida autocentrada, narcisista fruto do pecado, para a vida verdadeira que é abertura, relação pacifica com os irmãos e as irmãs. Isso quer dizer que, toda vez que encrencamos, brigamos, não damos o braço a torcer, não queremos perdoar estamos negando o nosso batismo, negando a Eucaristia, pois esta é um convite á comunhão. O primeiro profetismo que a Igreja é chamada a viver é a comunhão entre os irmãos e as irmãs, que comungam o mesmo Corpo de Cristo. É desta forma, de fato, que a Igreja anuncia a verdade daquilo que celebra sacramentalmente.  A vida de Jesus foi uma linda e grande história de amor que não desistiu nem perante a morte. Aliás, a morte de Jesus, foi o coroamento desta vida de amor, de doação total, de entrega: esta é vida, a vida verdadeira, que todos nós somos chamados realizar. Perante este imenso amor de Deus para conosco, desmoronam todas as nossas briguinhas corriqueiras, as nossas incompreensões, o nosso orgulho desmedido que nos leva continuamente a nos colocarmos num pedestal para pudermos ver e sentir os outros de cima pra baixo. Pelo Contrario Jesus, com o seu gesto humilde de lavar os pés dos discípulos, mostrou o caminho que devemos percorrer. Caminho difícil, mas necessário. Ninguém deve cultivar em si estes sentimentos de superioridade, pois, em Cristo, nos tornamos irmão e irmãs e, então, perante Deus somos iguais. O verdadeiro cristão, que deixa agir o Espírito Santo dentro de si, não procura na vida demonstrar de ser o melhor, o tal, mas, pelo contrario, procura percorrer o mesmo caminho que Jesus percorreu, que é caminho da humildade, do abaixamento, do serviço.

3. Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos... começou a lavar os pés dos discípulos” (Jo 13, 3.5).
É um versículo impressionante e, ao mesmo tempo, revelador. No momento em que Jesus tem consciência que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos, o que Ele faz com este poder? Pega uma toalha, uma bacia de água e começa lavar os pés dos seus discípulos. É esta a grande diferença entre Deus e o mundo. É este o estilo novo que a Eucaristia quer realizar entre nós. Todo o poder de Deus, Cristo o escondeu num gesto de humildade. Isso quer dizer que toda vez que servimos os nossos irmãos, irmãs com amor e dedicação, sem querer nos mostrar o sermos os melhores, ali nos experimentamos a gloria de Deus, o seu poder. Gloria e poder que não se encontram, então nos milagres, mas nos atos humildes da vida corriqueira. A santidade de Cristo, a sua divindade a encontramos neste ato humilde, no seu rebaixamento, nos seus gestos de amor, no seu se colocar aos pés da humanidade pecadora, sem nenhuma revanche.  É por isso que precisamos da Eucaristia, que não é apenas um rito, um preceito, mas um estilo de vida, aquele estilo que Deus em Cristo apontou por toda a humanidade. Precisamos da Eucaristia para nos tornarmos mais humanos, mais autênticos. Precisamos da Eucaristia para entendermos que o poder de Deus não está no dinheiro e no poder do mundo, mas na atenção aos irmãos e as irmãs que ele coloca ao nosso lado. Você pai de família, você mãe precisa da Eucaristia para encontrar Deus na dedicação total ao teu parceiro, aos teus filhos. Você filho, você filha precisa da Eucaristia para descobrir que toda a atenção e o respeito para os teus pais será aquilo que irá enriquecer a tua vida.

4. No Domingo somos convidados a celebrar da Eucaristia. Cabe a nós fazer deste ato litúrgico, não um puro e simples rito estéril, que não diz nada á nossa vida, mas um autentico instrumento de transformação da humanidade.  Que esta quinta feira santa posa revigorar a nossa consciência, para conseguirmos a realizar na vida aquilo que no rito celebramos.



 Sexta feira Santa C
Is 52,13-53,12; Sal 31; Hb 4, 14-16.5, 7-9; Jo 18, 1-19,42)

1. A liturgia da sexta feira santa introduz a Igreja no silencio da morte de Cristo. Não precisa, então, esbanjar palavras para comentar as leituras: é um evento que se explica por si mesmo. Tentaremos, assim, buscar nas leituras que ouvimos a resposta do problema que parece ainda hoje bastante enigmático, ou seja, a morte do justo. A final de conta, porque um homem justo come Jesus morreu? O que Ele fez de mal para merecer uma morte tão horrorosa e humilhante?

2. A primeira resposta a encontramos no texto de Isaias. “O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos”. Isto quer dizer que a morte de Jesus não foi ao ocaso, mas perfeitamente dentro o plano do Pai. Que plano é este que prevê a morte violenta do Filho? Um plano que Jesus, não engoliu de forma fria, sem vontade quase que estivesse forçado. Pelo contrario, o texto do evangelho de João, que acabamos de ouvir disse que Jesus era “consciente de tudo aquilo que ia acontecer”. Pra fazer a vontade do Pai na nossa vida precisamos ser conscientes e isso pode acontecer somente quando existe um relacionamento de amor. Jesus realiza o projeto do Pai porque Ele é o Filho querido e pra Ele Deus é o Pai. Somente dentro este relacionamento filial é possível viver e fazer a vontade de Deus seja ela o que for.

3.Ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria”. (Is 53, 4).
É isso que o povo e também nós, pare que não entendemos. Cristo morreu por causa nossa, carregou as conseqüências dos nossos pecados. Foi uma morte vigária. Jesus se sacrificou voluntariamente por nós. Sacrificou a sua divindade, os seus projetos para nós. Por isso ficou sozinho na hora da morte porque tudo mundo pensava que Jesus teria salvado o mundo de uma forma diferente, talvez com exércitos, com a força, manifestando o seu poder. Cristo manifestou o seu poder na fraqueza, deixando se matar, atraindo na sua carne a raiva do mundo, se deixando massacrar do egoísmo dos homens. Perante um gesto tão grande é bom mesmo silenciar.

4. “Aprendeu o que significa obediência a Deus, por aquilo que Ele sofreu” (Hb 5, 8).
Se quisermos aprender a viver a nossa vida não como pessoas mimadas e caprichosas, que obedecem somente aos próprios instintos e caprichos, mas como pessoas adultas que seguem projetos elevados como é o projeto do Pai, a escola certa é o sofrimento. É isso que Jesus nos ensina na sua paixão. Enquanto o mundo faz de tudo pra fugir das situações de sofrimento, Jesus nos ensina que, toda vez que estamos sofrendo por causa do nosso batismo, é exatamente naquele momento que Deus nos oferece a grande oportunidade de amadurecer a nossa filiação ao Pai.  Tomamos, então, a ocasião desta paixão de Jesus para crescermos como filhos de Deus, aprendendo a encarar as perseguições da vida, as incompreensões, na certeza que aprenderemos á amar sempre mais a Deus como um Pai.



VIGILIA PASCAL

1. A liturgia da vigília pascal aconselha uma homilia breve. De fato, a liturgia é já bastante rica por sua conta que não precisa aumentar nada. Santo Agostinho considerava a Vigília pascal como a mãe de todas as vigílias que sintetiza a caminhada que cada cristão, junto com a Igreja, deve realizar. Começa fora da Igreja no escuro para simbolizar a situação de pecado em que a humanidade vive. O rito do fogo com o círio pascal aceso é sinal da luz de Cristo que veio para libertar a humanidade do pecado. Cristo é a nossa luz e o Espírito Santo que recebemos no Batismo de transformar a nossa vida em luz, para sermos também nós luz para o mundo. Entrando na Igreja atrás do círio pascal com as luzes que se acendem significa que a Igreja é chamada a espalhar no mundo a luz de Cristo. Devemos ser aquilo que o sacramento realizou em nós.

2. As leituras que ouvimos nesta noite lembram a grande caminhada que Deus realizou com o seu povo. É uma historia incrível de amor que passou através tantos momentos de desavenças, de traição, mas sempre deus cobriu com a sua imensa misericórdia. Nas horas mais tristes da sua historia, o povo de Israel faz a experiência da aproximação de Deus que, como um Pai, cuida dos seus filhos, sobretudo nas horas mais difíceis. A milenaria historia da salvação ensina também um outro detalhe importante. Deus cuida dos seus filhos e, em modo especial, dos mais fracos, pequenos e pobres. Por isso falamos do coração de mãe de Deus. Ele, de fato, age como uma mãe que tem um carinho tudo especial para com os seus filhos. Esta historia bonita chegou a seu pleno comprimento com Cristo, o Filho de Deus, que caminhou conosco anunciando o Reino de Deus e derramando o seu sangue para a salvação do mundo.

3. O rito do Batismo dos catecúmenos, realizado nesta vigília, conforme uma tradição antiguíssima da Igreja que remonta aos primeiros séculos do cristianismo, deve lembrar o nosso batismo na moldura de toda al liturgia que estamos celebrando. Através do batismo somos chamados a continuar a obra de Cristo, ou seja, espalhar o seu amor no mundo. Conforme aquilo que meditamos nestes dias, esta obra passa através de muitos sofrimentos, incompreensões, perseguições, mas no final que foi fiel e perseverante vencerá. O Batismo é fruto também da Ressurreição de Cristo: é sinal de vida nova, vida que deve ser transmitida em cada momento da nossa vida. Por isso nos interessamos com os problemas do povo. Por isso a Igreja entra na luta das conquistas dos direitos do povo, sobretudo dos mais pobres e injustiçados.

4. Pedimos a Deus que esta noite tão maravilhosa, possa produzir para nós a força para continuarmos o testemunho do ressuscitado, sabendo que este testemunho passa também através da cruz.



V° domingo de Quaresma. C




(Is 43, 16-21; Sal 126; Fil 3, 8-14; Jo 8, 1-11)


Paolo Cugini

1. Estamos chegando ao fim da caminhada de quaresma e a liturgia nos oferece a oportunidade de concretizar o sentido daquilo que meditamos ao longo destas semanas. Como já lembramos nestes domingos, o tempo de quaresma é um tempo propicio para aprimorarmos a nossa fé e, assim, tomarmos mais consciência da nossa responsabilidade com o Batismo que recebemos. A final de conta nos tornamos filhos e filhas de Deus, criaturas novas e, tudo isso, deveria ser bem evidente e manifesto nos nossos atos cotidianos, nas decisões que tomamos, nos projetos que queremos realizar. Não é um caso que, na Igreja primitiva, o tempo de quaresma era utilizado pela preparação final dos catecúmenos, ou seja, daquelas pessoas que, na noite de Páscoa, iriam receber o sacramento do Batismo.
 Estamos nos aproximando da grande celebração da Páscoa e a pergunta que deveria nos acompanhar ao longo desta semana é a seguinte: quer dizer que em Cristo nos tornamos criaturas novas? Como é que age no mundo uma pessoa que acolhe o Espírito de Jesus?

2. O Evangelho que acabamos de ouvir nos oferece bastante material para encontrarmos as respostas que procuramos. A cena que ouvimos é uma das mais emocionantes de todo o Evangelho: Jesus, uma mulher adultera e o povo. De um lado o povo enfurecido, que quer apedrejar uma mulher surpreendida em adultério. Do outro lado Jesus que fica em silencio. É sem duvida esta postura de Jesus que chama atenção. Porque este silencio? Talvez porque, perante a arrogância do homem, não sobra que o silencio. Jesus nos convida a silenciar os nossos julgamentos, os nossos pensamentos, as nossas condenações perante um pecador, uma pecadora, porque ela também é filho e filha de Deus. Silencio orante, porque perante o pecador não resta para Igreja outra coisa que esta: rezar.
  Moises na Lei mandou apedrejar tais mulheres”. É triste constatar como a Palavra de Deus às vezes é puxada para justificar os nossos atos horríveis, a nossa estupidez. Por isso Jesus cala. O que precisa dizer perante uma humanidade que não tem nenhuma vergonha de citar a Palavra de Deus pra cometer um crime? Precisa comentar alguma coisa?

3.Quem dentre vós não tiver pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”.
 Jesus não veio para julgar e condenar ninguém. O tempo do julgamento e da condenação será somente no fim dos tempos (Jo 5, 21ss, Mt 25). Isso quer dizer que, até quando não chegará este dia, qualquer momento é importante pela nossa converso. Por isso Deus mandou o seu Filho Jesus no meio de nós, para falar conosco e despertar em nós a imagem de Deus perdida por causa do pecado. Escutando a Sua Palavra, todos deveriam sentir o desejo de abandonar os caminhos negativos e procurar a vida verdadeira, que somente Jesus pode nos oferecer. Para isso acontecer, precisamos entrar em nós mesmos, tomar consciência da nossa vida, da nossa situação. É isso que Jesus tenta fazer com aquela pergunta impressionante: “Quem não tiver pecado...”. E quem é que não tem? Quem é aquele homem e aquela mulher que não tem consciência das próprias faltas? Tudo mundo tem, só que para isso se tornar evidente, o homem deve ter a possibilidade de entrar em si mesmo, para se escutar. A pergunta que Jesus coloca, não julga ninguém, mas oferece a todos a possibilidade de entrar em si mesmo, captar a própria situação, que é uma situação de pecado, de miséria e, ninguém, nesta situação, tem o direito de julgar ninguém.
O Evangelho relata que, depois de Jesus ter colocado aquela pergunta, não ficou ninguém. A pergunta de Jesus surtiu o efeito esperado: ninguém atirou pedras na mulher. Deveria ser esta a postura da Igreja no mundo. Não uma Igreja que julga e condena, que atira pedras, mas uma Igreja que oferece a todos a possibilidades de entrar em si mesmos, para que cada um possa se encontrar a só com Deus e experimentar a sua grande misericórdia. É, de fato, no encontro pessoal com Deus, que a humanidade descobre o caminho de volta para o Pai.

4. “Eu também não te condeno. Podes ir, de agora em diante não peques mais”.
A mulher pecadora encontrou em Jesus uma possibilidade de vida. De certa forma, escapando da condenação à morte do povo, voltou a viver, ressuscitou. Os homens enxergavam na mulher a aparência de pecado e de morte, Jesus enxergou nela uma possibilidade de vida nova. Por isso Jesus não entrou em contato com a mulher com uma condenação, mas sim com palavras de misericórdia. Só a misericórdia permite ás pessoas de abrir o coração, de se disponibilizarem para caminhar atrás do Senhor. O Espírito Santo que recebemos no batismo, deveria formar em nós este olhar diferente, que não esbarra nas aparências superficiais, mas que consegue entrar na profundeza do coração humano, pra vislumbrar nele uma nova possibilidade de vida. É o pecado que fecha os nossos olhos. Quando ficamos escandalizados do pecado dos outros, é porque estamos vendo claramente aquilo que pode produzir o pecado que está em nós. Perante o pecador, Jesus exige silencio e oração. Silencio pra ficarmos constantemente alertados sobre o desastre que o nosso pecado pode provocar. Silencio como necessidade de um continuo estado de conversão. Na perspectiva do Evangelho, o pecado de um nosso irmão, de uma nossa irmã, deveria ser considerado como uma alerta para a nossa caminhada de fé. Perante o pecador, a única coisa que podemos fazer é a oração e oferecer espaços para o pecador se encontrar com Deus.

 5.  Se quisermos que se forme em nós o mesmo olhar puro de Jesus, precisamos modificar o nosso relacionamento com o nosso passado, os nossos sonhos, os nossos projetos. É disso que são Paulo, na segunda leitura de hoje, nos alerta. “Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele” (Fil 3, 8).
 Se o pecado dos outros, sobretudo das pessoas mais próximas, nos irrita é porque amiúde atrapalha os nossos projetos. Para termos o olhar puro de Jesus, precisamos ser desprendidos de tudo, sobretudo de nós mesmos. È fácil ser desprendidos das coisas matérias: difícil é nos despojarmos do nosso homem velho, do nosso passado, daquilo que achamos importante na nossa vida. Ser cristão é reconhecer que a única coisa que vale a pena levar conosco na viagem da vida é Cristo: o resto é lixo!
É algo de novo que Deus que realizar conosco através de seu Filho Jesus: é isso que devemos enxergar! “Eu que eu farei coisas novas e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis?” (Is 43, 19).
Este tempo de quaresma deveria nos ajudar a chegar á Páscoa com o coração totalmente desprendido de tudo, pra deixar a luz da ressurreição de Cristo entrar e nos conduzir aonde Deus quiser.




IV° domingo de Quaresma/C






(Josué 5,9-12; Sal 34; 2 Cor 5, 17-21; Lc 15, 1-3.11-32)


Paolo Cugini

1.Deixai-vos reconciliar com Deus” (2 Cor 5, 20): é este o grande grito que sai da liturgia deste IV° domingo de quaresma. É um grito importante, porque nos alerta do sentido profundo da nossa caminhada de fé e de tudo aquilo que estamos celebrando na liturgia. Afinal de conta Deus mandou seu Filho Jesus num mundo dividido das discórdias, das guerras, um mundo mergulhado no ódio e na violência. É esta mundo que Deus decidiu de salvar, antes de tudo transformando a mesma natureza do homem. Tudo isso é bem visível em Jesus, o protagonista principal desta grande obra de reconciliação da humanidade. Se é, então verdade que “em Cristo Deus nos reconciliou consigo, na imputando aos homens as suas faltas” (2 Cor 5,19), isso quer dizer que a Igreja, no seu jeito de ser e de viver, é chamada a ser nu mundo o sinal desta reconciliação que Cristo realizou na cruz. O tempo de quaresma que estamos vivendo quer, assim, nos alertar que esmola, oração e jejum junto com a vida espiritual visam aprimorar o nosso relacionamento para com os irmãos e as irmãs que Deus coloca no nosso caminho. Nada,então, de individualismo religioso, mas sim uma constante atenção e abertura para com todos e todas, sobretudo nos momentos de tensões, aonde os sentimentos negativos de raiva e ira são mais solicitados. È uma humanidade nova, renovada por dentro que em Cristo, Deus quis realizar. Humanidade nova que exige a nossa disponibilidade e livre adesão. É por isso que a liturgia da Palavra proclama no dia de hoje uma das mias lindas paginas do Evangelho, pagina que merece toda a nossa atenção e reflexão.

2. Um homem tinha dois filhos” (Lc15,11).
A nossa historia humana começa assim, no relacionamento familiar. Por isso Jesus utiliza esta imagem para revelar, de um lado a impressionante misericórdia de Deus e, do outro, o impressionante egoísmo humano.  O que estes dois filhos revelam de nós?
 O filho mais jovem, aquele que saiu de casa aponta para a nossa ousadia. Tem momento, na nossa vida, que o nosso coração fica tão fechado e nossa cabeça tão duraque não quer escutar nada e ninguém, mas só o próprio orgulho. E ali somos nós com a nossa mochila nas costas, os nossos projetos, querendo saber mais de que Deus, enfrentando o mundo equipados somente do nosso egoísmo. O evangelho nos diz que deste jeito não dá: o fracasso é assegurado. Precisamos comer a comida dos porcos para que caia a ficha: esses somos nós!

Existe toda uma humanidade que pra se dar conta dos próprios erros deve ir até o fundo do poço: não tem conselho que possa pará-la. Neste caminho a experiência de Deus passa através da descoberta que o Pai não se incomoda com o tamanho dos nossos erros, com o numero das nossas faltas. Descobrimos que aquilo que Deus quer é a nossa vida, o nosso bem; descobrimos que só nEle e com Ele conseguimos a felicidade e a paz: não precisamos fugir de Deus. Então porque fugimos? Talvez porque achamos que os nossos projetos são mais bonitos daqueles que Deus nos oferece. Achamos que o nosso projeto de vida, a nossa mesma idéia de vida, seja mais completa, mais atualizada, mais humana. Precisamos deparar com a nossa desumanidade, a nossa arrogante presunção, para cairmos em nós mesmo e descobrirmos que os nossos pensamentos, os nossos projetos sem Deus não valem absolutamente nada. Também porque a historia que acabamos de ouvir nos mostra claramente, que nos projetos que queremos alcançar não tem espaço pra ninguém, mas somente pra nós, para a completa satisfação dos nossos prazeres egoístas. O Evangelho nos mostra claramente o fracasso total dum projeto de vida como este.

3. A historia do outro filho nos alerta, porém, que não basta ficar em casa, perto de Deus pra viver em paz. Atualizando: não basta ser uma pessoa de Igreja, que todo o domingo vai à missa, que é engajado nos trabalhos da Igreja e tudo mais. Depende daquilo que tenho no coração. A atitude do filho mais velho, desvende uma situação bastante corriqueira, ou seja, Ele estava perto do Pai com um seu projeto bem claro, bem definido; não era o seu um serviço desinteressado, mas fortemente interessado. Isso quer dizer que, apesar da sua aproximação com o pai, não o conhecia, pois estranhou da sua atitude, de realizar um banquete paro o irmão que tinha gastado tudo com as prostitutas. Este episodio da parábola nos alerta sobre a nossa vivencia na Igreja e nos questiona: porque estamos indo á missa? Porque estamos freqüentando a Igreja? Qual é o nosso verdadeiro objetivo? Ainda mais: qual é, então, o sentido profundo da vida cristã?

4. A resposta a esta pergunta encontra-se na postura do Pai. Com o primeiro filho não quer saber de nada, de desculpas ou de outras palavras, mas somente o acolhe entre abraços e beijos. Com o secundo filho manifesta toda a sua grandeza dizendo que tudo aquilo que tem é dos seus filhos. Com um Pai deste jeito não dá pra segurar as lagrimas: dá mesmo vontade de chorar e de se jogar aos seus pés. É um Pai que nos ama e nos acolhe do jeito que somos: é o seu amor, a sua bondade, a sua imensa misericórdia que nos transforma. E tem mais um dato extremamente importante pra ser colocado: tudo isso é de graça. Ou seja, não são os nossos atos, as nossas boas ações que produzem a misericórdia do Pai: é exatamente o contrario! Se a um certo momento da nossa existência conseguimos perdoar os irmãos e as irmãs, amar os inimigos, partilhar com os mais pobres é porque acolhemos dentro de nós o imenso amor, a imensa e infinita misericórdia do Pai. Pois o amor não cobra nada: é gratuito! É isso que a eucaristia deveria produzir em nós: uma vida gratuita, atos e ações gratuitas. É esta gratuidade o sinal mais profundo e autentico do amor misericordioso do Pai na nossa vida. É por isso que devemos perdoar sempre: porque em Cristo, Deus nos reconciliou consigo mesmo e nos perdoou uma vez por todas. É por isso que devemos partilhar tudo aquilo que temos, porque em Cristo Deus partilho tudo aquilo que de mais precioso Ele tinha:o seu único Filho. É por isso que devemos amar: porque em Cristo Deu Pai nos amou de um jeito tão profundo que fez de nós os seu filhos e filhas. É finalmente por isso que devemos doar a nossa mesma vida para os irmão e as irmãs: porque Deus em Cristo doou a sua mesma vida para nós.

Que nesta quarta semana de quaresma saibamos transformar as nossas penitencia, esmolas e orações em vida superabundante de amor.



venerdì 22 marzo 2019

Domingo III° DE QUARESMA/C




(Ex 3,1-8.13-15; Sal 103; 1Cor 10,1-6.10-12; Lc 13,1-9)

Paolo Cugini

1. Escutando o Evangelho de domingo passado talvez ficamos empolgados e, ao mesmo tempo, desnorteados. A transfiguração de Jesus pode ter nos levado a pensar que a vida cristã é uma vida na montanha, fora da realidade na companhia de Jesus. Na verdade, na historia da Igreja, encontramos experiências espirituais assim, ou seja, de monges que passaram a vida toda afastados do mundo, isolados, vivendo sozinhos para meditar a Palavra de Deus. São os ermidas, homens de Deus que sentiram a vocação de viver desta maneira o próprio relacionamento com Deus. Só que para a maioria das pessoas, que somos nós, a vida de fé se decide no dia a dia, nos problemas da vida corriqueira, mergulhados nos afazeres da vida cotidiana. Isso quer dizer que, o cristão autentico, é aquele que toma a serio a própria realidade, se esforçando de transformar não apenas a própria vida, mas também a realidade na qual Deus o colocou.

2. Estamos no meio da caminhada do tempo de Quaresma, que é um tempo de conversão, de mudança de vida e a liturgia da Palavra de hoje nos convida a dar um passo na frente, a sacudir da nossa vida qualquer forma de resistência a Deus, para nos dirigirmos ao encontro do Pai com o coração cheio do amor de Cristo. Precisamos, então, gritar a Deus o nosso pecado, precisamos pedir a Ele com todas as nossas forças de vir ao nosso encontro assim como fez na época de Moises, quando  Deus se manifestou depois de ter escutado o grito do seu povo: “Eu vi a aflição do meu povo... desci para libertá-lo” ( Ex 3, 7.8). Este é um grande dado que descobrimos nesta caminhada de quaresma, ou seja, que acreditamos num Deus que nos escuta, que nos acompanha ao longo da vida e que entra em ação em nosso favor. Em Jesus Cristo, Deus desceu para caminhar conosco, para nos mostrar mais claramente o caminho da salvação. É Ele que devemos seguir nos dias da nossa vida, se queremos salvar a nossa existência da morte eterna. Se tudo isso é verdade, isso quer dizer que neste tempo de quaresma devemos fazer de tudo para nos libertar de qualquer forma de religião alienante, que busca apenas uma satisfação interior, que projeta num futuro desconhecido o tempo da salvação. O fato que Deus escuta o grito do seu povo e decide de descer, de assumir uma carne como a nossa, de viver conosco, de sofrer e morrer para nós significa que o tempo da salvação é agora e, ao mesmo tempo, é agora o tempo da nossa conversão. A religião autentica e verdadeira é aquela que não me leva fora da realidade, para esquecer os meus problemas, mas, pelo contrario me dá a força para enfrentá-los com mais coragem e determinação. Se estamos aqui presentes nessa santa Missa é porque acreditamos que Cristo é presente, é vivo e nos ajuda a vislumbrar no mundo o caminho da salvação, que nós mesmos e nenhum outro, devemos percorrer.
De fato, o sentido do nosso batismo, da nossa caminhada de fé é a liberdade. Fomos batizados para nos libertarmos de uma forma única e decisiva das amarras avassaladoras do pecado. Somos cristãos porque amamos a liberdade e queremos viver este fruto do batismo sem deixar que nada nesta terra impeça este sonho, que, aliás, não é apenas o nosso sonho, mas também o sonho de Deus. Liberdade que não é fazer o que nós quisermos, mas que tem um preço muito caro: a cruz de Cristo. O problema que esta liturgia nos apresenta é, então, este: que preço somos disponíveis pagar, para vivermos a liberdade dos filhos de Deus? O exemplo é Cristo que não deixou ninguém amarrar a sua consciência, mas manifestou com as palavras e com a sua mesma vida a dignidade de ser o Filho de Deus. É esta mesma dignidade, que somos convidados a manifestar na nossa vida corriqueira, e é este o sentido da quaresma: descortinar todas as amarras que estão prendendo a nossa vida, não permitindo o desabrochamento da nossa vida de fé. 

3.Não murmureis, como alguns deles murmuraram e, por isso, foram mortos” (1Cor 10, 10).
Neste caminho de quaresma que, com muita fadiga estamos tentando de realizar, devemos aprender a viver não apenas contando sobre os nossos instintos, mas também com a nossa alma. Deus é Espírito (Jo 4) e para acolhê-lo e percebê-lo precisamos espiritualizar a nossa vida, sair de uma existência instintual,   para uma vida mais humana que vive conforme a dignidade que recebeu de Deus, aprimorando a razão, melhorando a própria vida interior.

Só desta maneira poderemos sair de uma condição desumana, feita só do nosso egoísmo. Não murmurar, significa assim nessa altura concentrar a nossa atenção para aquilo que vale a pena de acreditar, concentrar a nossa atenção sobre aquilo que é essencial, ou seja, Deus. Quaresma, então, deveria ser um esforço de essencialidade, para tirar da nossa vida tudo aquilo que é inútil, não apenas do ponto de vista material, mas também e, sobretudo espiritual. Não murmurar quer dizer que na nossa vida, de verdade, somente Deus nos basta e por isso não procuramos mais nada. Então não murmuramos porque estamos totalmente concentrados em Cristo, o autor da nossa fé, na certeza que só Ele tem a possibilidade de modificar a nossa existência para que possa produzir os frutos desejados por Deus.

4. “O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão , o Deus de Isaac e o Deus de Jacó, enviou-me a vós. Este é o meu nome para sempre” (Ex 3, 15).
Tempo de quaresma é tempo para descobrirmos que Deus no qual acreditamos não é qualquer Deus, mas tem um nome, ou seja, uma identidade: é o Deus de Abraão. Isso é importante porque nos insere numa historia, numa tradição, que não é qualquer historia, que não é qualquer tradição. É dentro esta historia que Cristo veio ao mundo e é nele que aprendemos mais um aspecto da identidade de Deus, ou seja, que Ele é um Pai.

Percorremos então, o caminho do povo de Israel, entrando no deserto para deixarmos a Deus se manifestar na nossa vida e, assim, experimentarmos a grandeza do seu amor. Deveria ser esta a tarefa desta terceira semana da quaresma: entrar no deserto da nossa vida para vasculharmos até a que ponto nos relacionamos com Deus acreditando que Ele é um Pai para nós. Pois, se Ele para nós ainda não é um Pai, significa que ainda nós não somos seus filhos, ou pelo menos, não estamos vivendo desta forma. Mas se Deus não é nosso Pai e se nós não somos seus filhos, quem somos nós em definitiva?

É a esta pergunta que a liturgia do próximo domingo tentará responder.



lunedì 18 febbraio 2019

DOMINGO XXV/C





(Am 8, 4-7; Sal 113; 1 Tim 2, 1-8; Lc 16, 1-13)
Paolo Cugini

1. Sempre procuramos, pelo menos as pessoas que estão buscando uma vida de fé mais autentica e verdadeira, a essência da vida cristã, aquilo que mesmo deveria ser o foco, o eixo da caminhada, mas nos perdemos em mil riachos laterais sem nuca chegar ao rio. Isso é visível não apenas em nós, mas também em pessoas que há tempo estão no Caminho. Passamos o tempo inventando projetos, organizando eventos, ficando às vezes angustiados porque não saíram do jeito que a gente quis ou, pelo menos, tinha esperado. O tempo vai passando e nós ficando com um punhado de moscas nas mãos, nos questionando se a vida cristã é assim mesmo ou se deveria ser diferente. O grande perigo, nesta fase de angustia, que pode se protelar a vida toda, é ficar repetindo os mesmos erros, as mesmas situações. Quando a insegurança toma conta da gente, ficamos até com medo de pensar, de ousar algo de novo para não sermos criticados, julgados, dedados. Vivemos, assim, uma vida em defesa, sem élan nenhum, sem empolgação. E aqui vem o questionamento das leituras de hoje: o Espírito Santo que recebemos no Batismo e continuamos recebendo nos sacramentos, deve produzir esta vida segura, monótona, rotineira, ou tem algo a mais?

2. E o Senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos dos filhos da luz” (Lc16, 8).
A parábola que Jesus narra no Evangelho de hoje termina com uma moral, que tão moral não parece. Porque será que Jesus elogia a esperteza do administrador desonesto? Além do mais, porque Jesus elogia uma pessoa desonesta: não é uma grande contradição perante tudo aquilo que ele vem pregando de amor, respeito e tudo mais? Na realidade, se prestarmos bem atenção às palavras de Jesus, Ele não elogia nem a desonestidade nem a esperteza, mas sim a criatividade do homem. De fato, o protagonista da Parábola, usou ao maximo a própria inteligência para se sair bem de uma situação que tinha tudo para ser ruim pra ele. Esta historia traz pra nós um grande ensinamento. O questionamento que Jesus traz por dentro da comunidade dos discípulos, entre os quais estamos hoje também nós, é este: o que estamos fazendo da Palavra de Jesus e do Seu Espírito Santo? O Espírito Santo em Jesus agiu de uma forma que progressivamente transformou toda a sua humanidade em amor, doação, partilha. Alem do mais, o Espírito em Jesus o levava a criar continuamente novas situações para que o reino de Deus fosse anunciado. O exemplo mais claro são as parábolas que ele inventava para chamar á atenção do povo e, assim, induzi-lo a pensar, refletir sobre a própria vida, se converter á Cristo. A verdade do Espírito Santo que Em Cristo agiu desta maneira e que Ele entregou pra nós em cima da cruz (cf. Jo 19, 30), não pode ser desperdiçado, mas deve gerar continuamente amor e, sobretudo, de uma forma criativa. O problema, então, é esse: porque somos tão resistentes á ação do Espírito Santo? O que em nós está bloqueando o Espírito Santo, impedindo que invente algo de novo? Porque somos tão passivos, renunciatarios e preguiçosos a ponto de prejudicar a obra criativa de Deus? Varias poderiam ser as respostas: vou apontar somente algumas.

Em primeiro lugar, aquilo que atrapalha a ação do Espírito Santo na nossa vida é o medo. Este medo se manifesta de muitas formas e maneiras: medo que o outro não goste de nós; medo de dizer algo que fere os outros; medo de não sermos aceitados. Ficamos trancados em nós mesmos para não correr o risco de ficarmos ofendidos, de sofrer por causa de uma magoa: a que ponto chega o nosso egoísmo, não é? E assim perdemos a ocasião de experimentarmos o prazer e a felicidade de uma vida diferente, uma vida de doação aos irmãos e as irmãs, uma vida fora da rotina corriqueira, mais criativa e dinâmica. É o dinamismo do Espírito que impulsiona a nossa vida a criar situações sempre nova para permitir a graça e Deus de moldar a humanidade através da nossa disponibilidade. É a força daquele mesmo Espírito que levava Jesus a enfrentar com coragem os poderosos do tempo, que deve agir em nós para não ficarmos calados perante a injustiça que encontramos no mundo, mas sim inventarmos novas situações para que o povo mais simples possa viver num mundo mais justo e solidário. Somos passivos porque amedrontados daquela diferença qualitativa que o Evangelho nos apresenta e que em Jesus se tornou bem visível. Tememos o julgamento dos amigos, dos colegas, até dos familiares e, por causa disso recuamos, voltamos atrás, preferindo a tristeza da vidinha medíocre da massa, á grande felicidade dos poucos discípulos de Cristo. O cara, deixa de frescura e segue a Jesus: tá?

3. Usai o dinheiro injusto para fazer amigos... Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 9.13b).
Como é que se manifesta esta novidade, esta criatividade que o Espírito deveria realiza em nós? O exemplo que Jesus traz é em referencia ao nosso relacionamento com o dinheiro. Estes últimos versículos do Evangelho de hoje expressam, de uma forma contundente a economia de Jesus, a teoria econômica que sai com força das paginas do Evangelho. O dinheiro é sempre injusto: esta é a sentença clamorosa e, ao mesmo tempo escandalosa de Jesus.  È claro que não é a qualquer dinheiro que Jesus se refere, o dinheiro que serve para comprar o pão, os remédios, e tudo aquilo que necessita para manter a nossa vida. O dinheiro é injusto quando é acumulado, guardado nos cofres dos bancos, porque este é todo dinheiro tirado do povo, que gera desigualdade e pobreza. Em um mundo ganancioso como é aquilo no qual vivemos, esta proposta de Jesus, que o Espírito Santo deveria produzir na nossa vida real, parece como uma verdadeira provocação. Na realidade, ou seja, na Verdade do Evangelho, esta é exatamente a diferença, a diversidade que o Evangelho, impulsionado pela ação do Espírito Santo, deveria realizar no meio de nós. Vida despojada porque Cristo se despojou de tudo para dar a nós o tudo de Deus.  Vida simples, despojada, porque é o amor de Deus que é derramado em nós pelo Espírito (cf. Rom 5,5) e isso nos basta, é suficiente para vivermos. Só o Espírito Santo pode impelir em nós idéias tão revolucionarias e ousadas como estas pra deixar de queixo aberto todos aqueles que vivem mergulhados no egoísmo do mundo. E nós, então, passamos fechando a boca deles, convidando-os a não desperdiçar a própria única vida se apegando aquilo que passa, mas se doando totalmente aos irmãos e as irmãs, sobretudo mais pobres, para conseguirmos um tesouro no céu, tesouro que sem duvida ninguém vai roubar (nem os políticos corruptos que andam nas nossas cidades).


DOMINGO XXIV/C





(Ex 32,7-11.13-14; Sal 51; 1 Tim 1, 12-17; Lc 15, 11-32)

Paolo Cugini
1.Um homem tinha dois filhos” (Lc 15,11).
Dizia um grande poeta e filosofo francês, Charles Péguy, que quando estas palavras são proclamadas, ninguém agüenta: toda a humanidade chora. A parábola do filho pródigo, que acabamos de ouvir, mexe com as nossas entranhas, com o nosso emocional, porque chega na profundeza da nossa interioridade desvendando a nossa mesma realidade, a verdade de quem somos nós mesmos. Em outras palavras o conteúdo da Parábola do filho pródigo contem uma verdade tão profunda e autentica que ninguém consegue se esconder: arrebenta a nossa alma. Por isso é importante lê-la em silencio, meditá-la no escondido, para saborear aquilo que tem a dizer para mim, pela nossa conversão e, sobretudo, pela autenticidade da nossa seqüela ao Senhor. Se analisarmos com atenção a parábola do filho pródigo tem dois ensinamentos fundamentais. De um lado revela algo sobre a condição humana e do outro a mesma parábola revela algo sobre Deus. OS dois filhos são o símbolo da humanidade: por isso é importante parar a nossa atenção sobre eles pra ver o que a postura deles tem pra nós ensinar.

2.O filho mais novo disse ao Pai: ‘Pai dá-me a parte de herança que me cabe’. E o Pai dividiu os bens entre eles” (Lc 15, 12).
Existe toda uma humanidade que sonha a realização da própria vida fora do alcance de Deus. São as pessoas que um dia levantam da cama decidindo que a vida é deles e a ninguém devem prestar conta. É aquela convicção que vem da juventude, da saúde, das condições materiais que nos levam a acreditar que somos os únicos senhores da nossa vida. Perante esta arrogância acho extremamente interessante a postura do Pai: não questiona nada, mas faz aquilo que o filho pede: o deixa livre de realizara sua vida do jeito que ele quiser. É um grandíssimo ensinamento para os pais: a paternidade é fecunda quando é alicerçada na liberdade, pois a liberdade é um reflexo da imagem de Deus. Quando pelo contrario os pais querem fazer de tudo para impedir que os filhos façam besteiras, chegando até a si substituir á liberdade dos próprios filhos, é ali que o bicho pega. Nessa altura podemos questionar: mas porque o pai não disse e não fez nada para impedir que o filho saísse de casa? Ao longo do texto podemos encontrar varias respostas. A primeira é que o pai era tranqüilo na própria tarefa de Pai. Ele sabia que tudo aquilo de bom que tinha semeado no coração do filho na infância e na adolescência, antes ou depois teria surtido efeito. De fato, na hora do grande sofrimento e da grande perdição quando o filho entrou em si mesmo, quem encontrou no fundo do seu coração? O Pai! É na infância e na adolescência que as forças educativas e espirituais devem ser dobradas para colocar os filhos no caminho da realidade. A segunda resposta ao problema sobre colocado é que o pai conhecia muito bem o seu filho e sabia que era daquela raça rebelde de cabeça dura, metido a sabido, que não vai com a cara de ninguém, que se acha o tal e que quando bota na cabeça uma idéia não tem jeito algum para tirá-la. Existe toda uma humanidade que para descobrir a própria identidade, para descobrir o sentido da própria vida parece que deve quebrar a cara. O filho que sai de casa descobre que o tesouro maior que tinha na vida estava exatamente lá aonde tinha decido de se afastar. São os mistérios da vida: às vezes precisamos rodear o mundo para descobrirmos aquilo que está perto de nós. Tem um terceiro ensinamento que podemos tirar da historia deste filho rebelde. Os prazeres da carne, junto com os prazeres materiais que o mundo nos oferece são puras ilusões, não proporcionam a felicidade, mas sim esvaziam a pessoa que entra neste caminho. Tudo mundo sabe disso, mas poucos conseguem ficar de fora do caminho da perdição. Porque? Porque a força dos sentidos é devastadora, e que não aprende a lidar com a própria interioridade desde a infância, para controlar os instintos e assim dirigi-los aonde nós quisermos, se torna escravo deles. É isso que nos ensina esta historia triste: o caminho da liberdade está no amor do Pai, é Ele a fonte da nossa vida.

3.O filho mais velho estava no campo... Ficou com raiva e não queria entrar”(Lc 15, 25.28).
A postura do filho mais velho nos ensina que não adianta ficar perto do Pai: depende como ficamos. Podemos, de fato, fugir da nossa realidade, permanecendo no lugar. Quantas vezes nas nossas famílias têm familiares que não ligam com nada, parece que estejam sempre voando. E quando nos distanciamos da realidade, começamos a pensar besteiras, a fantasiar, botando gosto ruim naquilo que é bom. “E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos”. Oh, coitado! Quando perdemos o contato com a realidade, nos fechando em nós mesmos, construindo no nosso imaginário um mundo de fantasia, transformamos o bem em mal, prejudicando assim o nosso relacionamento positivo com os outros, sobretudo com as pessoas que mais amamos.  Interessante é também um outro dato. Foi necessário o filho mais novo se mandar e estragar a sua vida, para que pudesse emergir aquilo que se escondia no fundo do coração do filho mais velho. Quer dizer isso? Acho que esta Palavra nos ensina a não julgar os eventos na sua manifestação factual, mas precisamos sempre colocar tudo nas mãos de Deus, esperando que seja Ele á abrir os nossos olhos para interpretarmos assim a historia do jeito que Deus a está escrevendo. De uma certa forma é a perdição do irmão mais novo que salva o irmão mais velho do abismo do seu egoísmo. Tudo isso é bastante impressionante, porque nos mostra o lado providencial de Deus, que respeita a nossa liberdade e sabe realizar historia bonitas com os pedaços da nossa humanidade esbagaçada.

 O filho mais velho, apesar de ter sido fiel ao pai permanecendo perto dele, precisou sentir uma verdade: “Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu”. Mais uma vez é o Pai que com a sua realidade, que é a mesma Verdade, purifica as ilusões falsas formadas ao longo do tempo na nossa cabeça, restituindo paz e serenidade a alma. É a Palavra do Pai que precisamos escutar para que tudo na nossa vida seja renovado. É o amor do Pai que devemos acolher, amor que purifica e renova constantemente as nossas vidas. Por isso vale a pena estarmos aqui reunidos no redor desta Eucaristia, para nos alimentarmos do pão da Palavra de Deus que alimenta a nossa alma, nos orientando sobre o cominho a ser tomado, e para nos alimentarmos do corpo de Cristo que infunde nos nossos corações o amor de Deus, do pai misericordioso, que almeja a toda hora a nossa salvação. Amém.

DOMINGO XVII/C






(Gen 18, 20-32; Sal 138; Col 2,12-14; Lc 11, 1-13)

Paolo Cugini

1. Ninguém duvida que o instrumento principal para entrar em contato com Deus é a oração. Todos nós, de uma forma o de outra, temos uma experiência mais ou menos profunda da oração. Quem é que não reza, ou quem é que de vez em quanto não esboça uma oração? Não existe ser humano tão ateu que, em alguma circunstancia, não tenha-se dirigido a Deus para obter alguma coisa. O problema é saber se a nossa maneira de rezar está certa, ou seja, se o nosso jeito de nos dirigirmos a Deus é fruto somente de um sentimento psicológico, comum nos seres humanos, ou se expressa o desejo de conhecer a Deus e a sua vontade. Por isso é importante também pra nós, como por os discípulos do Evangelho, pedir ao Senhor que nos ensine a rezar, para conseguirmos um relacionamento correto com Deus, um relacionamento que nos ajude a mergulhar na vida de Deus. Quantas vezes questionamos até Deus pelo fato que as nossas orações não são atendidas. Chegamos ao ponto até de duvidar da necessidade de rezar, pois se Deus não atende aos nossos pedidos, a que adianta rezar? Aquilo que podemos constatar é que a maneira errada de rezar, afasta as pessoas de Deus. Por isso, mais uma vez, nos aproximamos de Jesus como o mesmo pedido dos discípulos: “Senhor, ensina-nos a rezar”.

2. Quando rezardes dizei: Pai” (Lc 11, 2).
Com esta simples indicação Jesus oferece para os seus discípulos uma importante pista para entender o que é a oração. Se, de fato, a oração começa dizendo “Pai” isso quer dizer que não é um dever, mas algo de natural, espontâneo. Ninguém esquece de falar com o próprio pai ou com a própria mãe: seria desumano. Ninguém precisa que alguém de fora lembre do nosso relacionamento para com o nosso pai: mais uma vez é algo de natural. Da mesma forma deve ser a oração: algo de natural, algo que nasce de dentro do coração da gente, algo de espontâneo como é espontâneo pedir a benção ao pai. Nada, então, de algo de forçado. A oração não pode ser nunca uma obrigação, um dever, mas um prazer, um desejo que deve surgir do mais profundo do nosso coração. Além do mais, dizendo “Pai” expressamos um dado espiritual fundamental, ou seja, que somos filhos. Pode ser um dado banal, mas não é não. Se a oração é uma relação com o Pai, isso desvende a nossa natureza de filhos, ou seja, de criaturas humanas, que necessitam de alguém para viver. Um filho se dirige ao pai naturalmente para pedir algo. Um filho para viver precisa do pai: por isso pede e, este pedir, este se dirigir ao pai, é algo de natural. Transferindo no âmbito espiritual esta simples reflexão podemos dizer que, quando uma pessoa não reza, quer dizer que é o sintoma que ela já se acha auto-suficiente, que não precisa mais de ninguém, ou pior ainda, que ela se acha de uma certa forma, um pai, não mais uma criatura, mas um criador. Folhando a Bíblia sabemos muito bem que não existe pecado pior que o orgulho, aliás, o orgulho é uma manifestação do egoísmo, que é forma do pecado do homem, que desvende a própria resistência a Deus, a própria oposição a Ele. Quando uma pessoa não reza é porque não se sente mais um filho e, de conseqüência, não sente mais necessidade do Pai.

3. Se tudo aquilo que colocamos até agora tem um sentido, podemos continuar na reflexão acrescentando mais uma consideração. De uma certa forma podemos afirmar que a oração serve a manter vivo o sentido da realidade. Quem reza, pelo fato que se dirige ao pai pedindo, consegue manter vivo o sentido da própria realidade de criatura e, assim, de se lembrar cotidianamente que sem o Pai não é nada. Este é um dato antropológico fundamental que expressamos através da oração. A nossa condição humana é uma condição de fraqueza. Todos os dias experimentamos esta situação lidando com o medo da doença, o medo da morte, o medo que algo possa acontecer com a nossa vida. De uma certa forma, todos os dias fazemos a experiência da pobreza da nossa condição humana, da nossa condição de condenados a morte. Podemos ler neste sentido o esforço de fazer de tudo para não mostrar a nossa idade, para querer ser sempre jovens, a final de conta a dificuldade á aceitar a realidade. Temos medo daquilo que somos: condenados a morrer. Labutamos todos os dias para sobreviver: a morte, o sofrimento estão sempre na nossa frente. Talvez, seja por isso que gostamos tanto de festas, de bebidas: é uma maneira para esquecer a nossa condição humana, uma forma para fugir dela.
Pelo contrario a oração, quando é relação amorosa dos filhos com o Pai, nos ajuda a manter viva e autentica a nossa realidade e a assumi-la, acreditando que o Pai que ama os seus filhos, tem um dom especial pra eles: a vida eterna. Quem reza, que vive a própria existência perante o Pai, sabe que a morte é por aqueles que se entregam ao mundo. Quem reza, mantendo viva a própria identidade de filhos, aprende a não fugir da própria condição humana, mas a assumi-la, deixando que seja o Pai a transformá-la. Quando percebemos em nós a dificuldade de rezar, talvez seja um sintoma de um problema espiritual bem profundo, ou seja, a dificuldade de aceitar a vontade de Deus. Quem deixa a relação filial com o Pai, quem enfraquece no relacionamento filial construído e mantido através da oração, é porque está construindo sozinho a própria vida, está querendo moldá-la com as próprias mãos, recusando-se, mais ou menos explicitamente, a intervenção do Criador, o nosso Pai.

4.Portanto eu vos digo: pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto” (Lc 11, 9).
Se quisermos manter viva na nossa vida o sentido da realidade, aceitado-a com humildade e aprendendo a não fugir perante ela, é bom escutar com atenção o conselho que Jesus nos oferece neste precioso versículo. A pessoa que ao longo dos anos vive a própria vida humana como um filho perante o seu Pai, aprende que este Pai faz de tudo para não nos deixarmos desamparados. Na oração, na sua forma de pedido, expressamos a nossa necessidade de filhos e experimentamos a bondade e a grandeza de coração do Pai. Ele, de fato, está sempre pronto á abrir a porta do seu coração, toda vez que nós nos dirigimos para Ele, seja qual for a hora. O Pai sempre no oferece o caminho de saída, que é Jesus e a Sua Palavra, toda vez que o procuramos. Além do mais, O Pai sempre nos envia o Espírito Santo para orientar as nossas intuições e guiar as nossas decisões no nosso intimo, toda vez que o pedimos.

Queremos mais de que isso?


mercoledì 13 febbraio 2019

Domingo X°/C






1Reis 17, 17-24; Sal 130; Gal 1, 11-19; Lc 7, 11-17)

Paolo Cugini

1. Depois de celebrarmos tantas solenidades a liturgia volta no tempo comum, oferecendo para a nossa reflexão alguns temas que devem servir para orientar a nossa caminhada corriqueira. Escutando as leituras de hoje, percebe-se que o tema central é a vida. De fato, seja na primeira leitura que no Evangelho, assistimos ao milagre da ressurreição de alguém que tinha falecido. Claramente, como sempre, a liturgia nos pede de ir além dos dados materiais que os textos oferecem, para vasculhar o sentido recôndito, o sentido profundo que somente o Espírito pode nos revelar. Podemos, então, nos perguntar: o que estas leituras podem nos revelar sobre o sentido da vida? Somos disponíveis para questionar os nossos estilos e vida? O caminho da conversão, que é o objetivo do anuncio da Palavra de Deus, precisa para ser ativado de uma alma disponível a escutar, a se questionar, a por em duvida as próprias presuntas verdades. Só desta maneira o Espírito do Senhor encontra uma brecha para entrar e soprar o seu alento, a sua força de vida.

2.Quando chegou á porta da cidade eis que levavam um defunto” (Lc 7, 12).
É um versículo com uma força paradoxal incrível. Jesus veio ao mundo e o que o mundo teve para oferecer á Ele? Um defunto. É um quadro extremamente dramático e revelador, ou seja, revela bastante o sentido da vinda de Jesus na historia. Jesus ao longo da sua vida deparou constantemente com uma humanidade morta, pois aquilo que encontrou era isso mesmo, uma humanidade mergulhada no esquecimento de Deus. Esta pagina, então, vem ao nosso encontro com uma pergunta arrasadora: como está se manifestando a morte na nossa vida? Que rosto apresenta a morte na nossa existência? Se tudo mundo tem pecado, assim como sustenta Paulo (Cf. Rom 3), a morte entrou no mundo por causa do pecado então, de qualquer forma a morte age na nossa existência. Aquilo que estamos colocando não é um pessimismo apocalíptico, que olha somente o lado negativo das coisas, mas é a maneira da Bíblia ver a realidade. Se Deus criou o homem a sua imagem e semelhança, esta identidade permanece autentica até quando a vida do homem fica orientada para Deus; caso contrario, quando o homem se afasta de Deus, a sua vida não é mais o reflexo da imagem de Deus, mas do seu egoísmo, do seu orgulho. Deus através do seu Filho Jesus entrando no mundo depara com um cadáver: quem é este cadáver? Só a pessoa que tiver a humildade de se identificar com o cadáver, poderá acolher o sopro de vida que Cristo trouxe. Pelo contrario, ficaremos mergulhados para sempre na nossa vidinha mesquinha, que não sai do fechamento narcisista, que busca somente se aparecer e busca isso porque dentro está vazio, morto.

3.Jovem, eu te ordeno, levanta-te” (Lc 7,14).
È um dato bastante sintomático que as duas pessoas falecidas e ressuscitadas nas duas leituras de hoje, sejam uma criança e um jovem: quer dizer isso? Talvez a Palavra de Deus queira apontar o fato espiritual, que são as jovens gerações aquelas que são mais em risco do que os adultos, de sair do caminho de Deus. Uma criança é muito frágil, precisa de muito cuidado para que ela aprenda a caminhar firme. A mesma reflexão pode ser feita para um adolescente e um jovem: como é difícil nesta idade tão delicada, seguir o caminho que Deus aponta! Como é difícil resistir para um adolescente aos tentáculos de morte que o mundo oferece! Como é difícil na juventude discernir o sentido profundo da vida das ilusões que estragam a existência! O problema nessa altura é: fazer o que? O Que uma família, uma paróquia, um cristão pode fazer para ajudar o mundo a encontrar a vida verdadeira e permanecer nela? O que nós, que acreditamos em Deus, podemos realizar para que a juventude se encontre com o Senhor da vida?

4.Ao vê-la Jesus sentiu compaixão para com ela e lhe disse: não chore. Aproximou-se, tocou o caixão, e os que o carregavam pararam. Então Jesus disse...” (Lc 7, 14).
O primeiro movimento que a Igreja é chamada a realizar, perante á humanidade mergulhada na morte, é sentir compaixão. È um sentimento profundo que nasce da participação da visão que Deus tem da humanidade, participação que nós podemos somente receber. Não se trata de organizar, de projetar, planejar, mas de sentir, de compadecer. É de um coração compadecido que a Igreja precisa para encontrar uma humanidade que sofre. É este sentimento profundo que produz os dois movimentos sucessivos: aproximar-se e tocar. A inércia de tantas comunidades e de tantos cristãos é sintoma claríssimo de uma falta de compaixão. Quem sente compaixão participa do coração de Jesus e sente-se impelido a agir, a se aproximar. Estes dois verbos citados no texto do Evangelho, ou seja, aproximar-se e tocar, apontam para o caminho que cada cristão deve realizar toda vez que depara com pessoas afastadas de Deus. É preciso suspender qualquer julgamento negativo e fazer de tudo para se aproximar e tocar, ou seja tecer laços pessoais. Só desta forma é possível pronunciar a Palavra de vida. È importante, de fato, salientar que Jesus, antes de falar, se aproxima e toca o morto. Isso que dizer muitas coisas. Antes de tudo, que o anuncio da Palavra precisa de relações humanas, aliás, muitas vezes a mesma relação precede e explica antecipadamente o sentido da Palavra. Em segundo lugar, que não podemos fazer da Palavra um talismã, como se bastasse pronuncia-la para surtir efeito. Jesus é o Verbo de Deus encarnado e isso quer dizer que a Palavra de Deus entrou na historia, assumiu a nossa condição humana, e exige para ser anunciada um mergulho na humanidade. A vida cristã deveria, assim, nos ajudar para nos tornarmos mais humanos, mais sensíveis aos sofrimentos deste mundo e anunciar a Palavra como um anuncio misericordioso de amor e não como um macete que corta.

5. Tudo isso é bem visível na vida de Paulo. Na segunda leitura de hoje escutamos a grande mudança de vida que aconteceu com Paulo depois de ter encontrado o Senhor. Uma vida que produzia mais vida se aproximando e tocando a humanidade para anunciar a todos e todas a Boa Nova. Assim também nós, que estamos aqui no redor desta mesa para que o Senhor nos toque com o seu Corpo, podemos nos tornar anunciadores de vida neste mundo. Cabe a nós transformar esta Eucaristia em um estilo de vida novo que sabe envolver todos e todas as pessoas que encontraremos ao longo da semana.